TV PSTU entrevista Cecília Coimbra, coordenadora do Grupo Tortura Nunca Mais

TV PSTU entrevista Cecília Coimbra, coordenadora do Grupo Tortura Nunca Mais DA REDAÇÃO

A TV PSTU entrevistou Cecília Coimbra, coordenadora do Grupo Tortura Nunca Mais, que trouxe informações importantes, dados extremamente relevantes sobre a política de terror do Estado.
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Fala Cyro - TV PSTU

Cyro Garcia (@cyro16), presidente do PSTU-RJ, concede entrevista e fala sobre a violência no Rio.
Cyro Garcia (@cyro16), presidente do PSTU-RJ, concede entrevista e fala sobre a violência no Rio.

http://www.youtube.com/watch?v=ask8dpyuu7k

Ato histórico homenageia Teresa no Rio - Um rito de passagem, um ato de construção e luta

José Eduardo Braunschweiger
do Rio de Janeiro (RJ)

   O auditório do Sindicato dos Bancários do Rio ficou pequeno para receber os mais de 300 companheiros, militantes, ex-militantes, membros de outros partidos e organizações, familiares e amigos, que com muita emoção compareceram à homenagem a Teresa, fundadora e ex-Dirigente Nacional do PSTU e da Regional RJ, falecida em 28 de setembro de 2010.
    O ato de homenagem foi aberto por Cyro Garcia, presidente do PSTU – RJ que, além de destacar o papel e importância de Teresa para a construção do partido, denunciou a política de segurança pública do Estado do RJ que ao contrário da falsa pacificação da cidade deixa a população refém da violência do tráfico, das milícias e da polícia.
    Velhos piqueteiros, novos ativistas se emocionaram com a exibição do vídeo “Pra falar de Teresa”. De autoria de Simone Silva, Luis Fernando Couto e Hélcio Duarte Filho, o vídeo resgatou a trajetória dessa revolucionária, que se confunde com a construção do partido desde o seu ingresso na Convergência Socialista em 1982 na greve do Serviço Social da UERJ, passando pela Diretoria do SEEB-RJ, a ruptura com o PT e a fundação do PSTU, até sua luta contra a esclerose múltipla doença que a vitimou.
    Dando continuidade ao ato, foi dada a palavra a Janira Rocha, Deputada Estadual eleita do PSOL-RJ, que destacou “a dignidade que Teresa teve durante toda a vida e que ela morreu uma pessoa digna” e que isso fortalece todos que gostavam de Teresa. Chico Alencar, Deputado Federal também pelo PSOL-RJ, enfatizou que: “ Teresa mesmo tendo um tempo de vida tão curtinho, continua nos dando vigor de vida”.
    Teresa conseguiu reunir também Lindberg Farias, Senador eleito pelo PT-RJ, que disse estar honrado em homenagear Teresa e destacou a importância do PSTU que “é o único partido que se propõe revolucionário no Brasil e sei que paga um preço por isso”. Stelinha pelo PCB falou que “Teresa marcou profundamente a minha vida”. Ainda homenagearam Teresa o SEEB-RJ, o SINDJUSTIÇA da categoria em que Teresa se aposentou e que se encontra em greve.
    José Welmovick, em nome da LIT, destacou que “Teresa era um exemplo de luta política, de luta nas greves, de luta pela construção do partido, e também de uma completa dedicação, de uma completa moral revolucionária, ... era um exemplo de solidariedade”. Eduardo de Almeida, em nome da Direção Nacional do PSTU, considerou o ato como um rito de passagem e enfatizou que “Teresa foi um exemplo de moral, de militância em todos os sentidos no programa e na moral e que serve como construção de um exemplo, de uma tradição que fortalece enormemente a todos”.
    O ato contou ainda com os companheiros da ABBR (Centro de Reabilitação) que, num momento de grande emoção, deram seus testemunhos da experiência que tiveram com ela durante o tratamento e na luta contra a exclusão a que estão submetidos os portadores de necessidades especiais na sociedade capitalista.
    Teresa, ao lutar durante seus 28 anos de vida consciente com uma moral e dignidade inquebrantáveis, é dessas pessoas que dignificam a vida humana e nossa existência. A dedicação dessa revolucionária e sua capacidade de ser sindicalista e agitadora política, assim como uma propagandista e organizadora partidária, fez dela uma lutadora imprescindível. A Homenagem a Teresa foi não só um resgate de sua história de luta, mas também a de tantos outros companheiros(as) que empunharam e empunham a bandeira da Revolução Socialista e comoveu todos os presentes.
   Um rito de passagem, como Edu denominou o ato, não se faz sem emoção, choros e lágrimas, poesia de Diego, Cordel de Nando, agradecimentos aos familiares e cuidadores. A homenagem dos que seguem a luta que foi a vida de Teresa foi comovente e à altura da trajetória dessa revolucionária pela dedicação, em especial, das companheiras de seu antigo núcleo e demais camaradas.
   Viver é compartilhar. Compartilhar as memórias da vida e da luta de Teresa reavivou seu compromisso que agora damos continuidade: a luta pela Revolução Socialista, que como disse Zeca, seu companheiro de vida e de luta durante vinte e oito anos, é a melhor forma de homenagear Teresa.

Veja os vídeos do Ato 




 



 










Ato em homenagem a Teresa reuniu centenas na noite de sexta (3/11), no Rio de Janeiro

(da redação)
   A esquerda carioca se reuniu na noite desta sexta, dia 3, para prestar a última homenagem à dirigente do PSTU, Teresa Bastos,que faleceu na madrugada de 28 de setembro, após uma luta de anos contra uma doença degenerativa.
    Teresa militava desde 1982 e foi uma das principais lideranças do partido no estado. A homenagem de sexta, no auditório do sindicato dos bancários, categoria da qual Teresa fez parte, reuniu muitos representantes da esquerda. O PCB e o PSOL estiveram presentes e falaram no ato. Deste partido, o deputado Chico Alencar e a deputada estadual Janira Rocha também falaram no ato. A memória de Teresa conseguiu reunir até mesmo o senador eleito pelo PT Lindberg Farias. O ex-líder estudantil fez parte do PSTU de 1997 a 2002, após romper com o PCdoB, militando no Rio de Janeiro. Ele falou no ato, lembrando a trajetória de Teresa e destacando a importância do PSTU.
    A direção nacional do PSTU participou em peso. Além de Zé Maria e Cyro Garcia, estiveram presentes Eduardo Almeida, José Welmovicki, André Freire, Mariucha Fontana, Genilda Souza e muitos outros dirigentes e lideranças que se emocionaram ao recordar da camarada. Muitos ex-militantes também estiveram no ato.

VÍDEOS

    Durante o ato, mais de 300 pessoas acompanharam a transmissão ao vivo. Por problemas técnicos, a transmissão começou com um atraso de 40 minutos, às 20h15, e durou até quase 23h.
    O ato começou com a exibição de um vídeo com depoimentos e imagens de Teresa, que estará disponível no site do PSTU. Além deste vídeo, a TV PSTU também preparou um resumo do ato, com as imagens mais marcantes, que pode ser conferido abaixo: 

Violência no Rio - Veja cobertura do PSTU sobre o tema


   O portal do PSTU tem procurado, desde os incidentes ocorridos no final de novembro e que resultaram na invasão e na ocupação militar da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, acompanhar o desenrolar desta mais recente crise na segurança pública do estado do Rio de Janeiro.
  Visando contrapor a visão facilista, quase sempre fascista da mídia burguesa, temos procurado fazer uma cobertura classista da situação. Abaixo disponibilizamos links das matérias publicadas e do vídeos produzidos que trazem nossas análises e posições sobre o tema.
   Veja a cobertura completa no Portal do PSTU.
   Leia. Assista. Divulgue.

A farsa da pacificação do Estado do Rio de Janeiro 

Exército participa de ocupações - Soldados que reprimiram haitianos foram convocados para a operação.

PROGRAMA 

Como enfrentar a violência urbana? Um programa radical dos trabalhadores para um gravíssimo problema 

 VÍDEO, FOTOS E TEXTOS

TVPSTU - Entrevista com Cyro Garcia sobre violência no RJ

Galeria de fotos: Violência no RJ

Zé Maria: O papel dos aparatos de repressão 

Júlio Condaque: Nem o crime organizado, nem a ocupação militar nas comunidades 

Américo Gomes: Legalizar as drogas para combater o tráfico

Adauto Borges e Glorinha Trogo: Tropa de Elite 2 - o inimigo é o capitalismo 

TVPSTU - Entrevista com Cyro Garcia sobre violência no RJ

Como enfrentar a violência urbana? Um programa radical dos trabalhadores para um gravíssimo problema


Eduardo Almeida Neto
da Direção Nacional do PSTU e editor do Opinião Socialista 

     
Este é um dos mais delicados temas a serem enfrentados em qualquer debate sobre programa para o Brasil. A violência é um sinal de um problema profundo, uma dura expressão do capitalismo selvagem imposto ao país. Para acabar com a violência é preciso enfrentar a economia capitalista. Além disso, é necessário também mexer com a polícia, o que significa atacar diretamente o Estado burguês.
    A justiça e a polícia no país – instituições do Estado – defendem uma classe social: a burguesia. Os ricos, mesmo quando pegos em flagrante, com inúmeras e evidentes provas, não são presos nem perdem suas propriedades. Houve um escândalo nacional quando o banqueiro Daniel Dantas, um dos maiores corruptores do país, em uma cena inédita foi preso com algemas. Logo depois foi solto, como está até hoje. No lado oposto da sociedade, jovens são fuzilados pela polícia, sem nenhum julgamento, só por serem negros e morarem nas favelas.
   Os reformistas não propõem uma mudança global na política econômica, tampouco do Estado. Por isso ficam na defensiva em uma discussão programática em relação à violência. No máximo esboçam uma política de direitos humanos (contra a selvageria da polícia na repressão) que, apesar de sua importância, não acaba com a origem do problema.
    Já a direita tem uma política clara: aumentar a repressão, mais polícia na rua, “bandido bom é bandido morto”, e, se possível, a pena de morte.
   Antes da eleição de Lula, o PT se associava a várias ONGs na defesa dos “direitos humanos”, mas agora assume o programa da direita (só falta defender a pena de morte). O programa de segurança nacional do governo Lula é uma reedição ampliada da política de Paulo Maluf no quando governava São Paulo: “mais Rota nas ruas”, combatida pelo PT naquela época. A Rota é o agrupamento mais violento da policia de São Paulo.
   Essa política, porém, não resolve nada. Pode levar a breves êxitos, como a prisão de alguns chefes criminosos, mas a violência retorna ainda maior. O que se vê no Rio é exatamente a falência deste programa do governo federal. Os crimes aumentam a cada ano e os traficantes já têm poder de fogo para derrubar helicópteros.
   Os trabalhadores precisam ter uma política radical para enfrentar a violência. Radical no sentido de ir à raiz do problema, a exploração capitalista e seu estado. Apresentamos três pontos que seriam a base de um programa dos trabalhadores para enfrentar a violência.
 
Mudar a política econômica
   A violência é um subproduto da miséria. Não existe nenhuma maneira de acabar com os crimes em uma sociedade onde impera a desigualdade como no capitalismo. No Brasil convivem o consumo de superluxo e a fome; a favela da Rocinha e hotéis luxuosos no bairro carioca de São Conrado.
   Os traficantes conseguem apoio nas comunidades pobres porque asseguram emprego para a juventude (como soldados ou vendedores), além de patrocinar funerais, casamentos etc. Por vezes, os jovens mais ativos e inteligentes das comunidades são recrutados pelos traficantes, seduzidos pelo dinheiro rápido.
Enquanto não houver emprego e salário decente, educação pública, gratuita e de qualidade, não se poderá competir com os traficantes na batalha pela juventude.
   Para isso é necessário um grande plano de obras públicas do governo, para absorver em todo o país os desempregados. Pode-se fazer um gigantesco plano de construção de casas, para suprir o déficit habitacional de 7 milhões de casas. Esse plano poderia absorver os milhões de desempregados e ser financiado pelo não pagamento da dívida externa e interna aos grandes bancos. Seu custo (R$ 84 bilhões) seria bem menor do que os 300 bilhões dados por Lula às grandes empresas neste ano para salvá-las da crise.
   Mas para avançar de forma global é preciso ir mais longe: um plano anticapitalista que exproprie as grandes empresas nacionais e internacionais. Só assim podem-se garantir salários decentes e emprego a todos. Enquanto a economia priorizar lucros para uma minoria (a burguesia), a desigualdade no país vai crescer.

Descriminalização das drogas
   A repressão ao consumo das drogas mostra sua inoperância a cada dia. Quanto maior a repressão, mais cresce o consumo. A própria experiência dos EUA com a Lei Seca, mostra que esta não é a saída. Em 1920 o governo norte-americano impôs a proibição da venda das bebidas alcoólicas. O consumo continuou através do comércio clandestino, o que levou ao fortalecimento dos gangsteres que fizeram história no país. Após anos de derrotas da repressão, a produção e venda das bebidas foi legalizada novamente em 1933. Hoje, o mesmo fracasso se repete no combate às drogas ilegais, como a cocaína, maconha e heroína.
   O consumo das drogas expressa uma insegurança em relação com a sociedade. Não é por acaso que cresce em épocas de crise. É um fenômeno semelhante ao alcoolismo. Pode ser afetado por uma mudança de rumos do conjunto da sociedade, assim como pela educação.
   A repressão não resolve o problema, só transfere para os traficantes ilegais a distribuição dessas drogas. Isso torna esse comércio altamente lucrativo e possibilita a formação dos bandos que hoje a controlam. A legalização do consumo reduziria fortemente os lucros desse comércio e toda a corrupção da polícia e da Justiça.

Dissolução da polícia e a formação de uma nova
   A justiça e a polícia defendem em primeiro lugar a grande propriedade e os capitalistas. Por isso são usadas nas greves contra os trabalhadores. Os crimes dos burgueses têm seus julgamentos adiados e a impunidade garantida. Já os trabalhadores, mesmo quando têm direitos garantidos na constituição, têm seus processos arrastados por anos. A juventude negra é sistematicamente “confundida” com bandidos, e morta impunemente nos bairros pobres.
   Além disso, as polícias atuais são corruptas e incompetentes para enfrentar o crime. Apesar de conter em seu interior soldados honestos, a instituição está completamente corrompida. Cada delegacia de polícia civil e quartel da polícia militar têm um esquema de corrupção associado às quadrilhas da região. Muitas vezes, a polícia reprime um bando por estar corrompida por outro. Outras vezes, é a própria polícia que produz um bando, como no caso das milícias do Rio, que agem exatamente como os traficantes.
   As armas modernas e pesadas exibidas pelos traficantes são outro exemplo da corrupção policial. Muitas delas são armas privativas das Forças Armadas e são vendidas aos bandidos pelos policiais. Outras tantas são importadas de outros países e só chegam aos morros pela corrupção das Forças Armadas e Polícia Rodoviária.
   A morte do dirigente do AfroReggae no Rio é só o mais novo exemplo de como a polícia age: os soldados deixaram a vítima morrer sem socorro, liberaram os assaltantes e ficaram com o produto do roubo.
   Não existe possibilidade de reformar uma instituição assim. Não se pode investigar a polícia através dela mesma, assim como não se pode julgar os crimes militares pela Justiça Militar, porque os envolvidos protegem-se mutuamente. É necessário acabar com as polícias atuais, investigar e prender toda sua banda podre, e criar outra.
   A nova polícia teria que se organizar de forma radicalmente diferente da atual. Deve desaparecer a diferença entre polícia civil e militar, que não serve de nada, e assegurar todas as liberdades sindicais e políticas a seus participantes.
   É preciso também que seus comandantes ou delegados sejam eleitos pela população da região onde atuam. Ao contrário dos que se escandalizem com a proposta, a eleição de delegados locais é realizada em muitos países, inclusive nos EUA. É uma forma democrática de comprometer esses comandantes com a população local.
   Por fim, as comunidades devem ter o direito de organizar associações de autodefesa, para se proteger dos bandidos. Os trabalhadores são os maiores interessados em assegurar o seu direito de ir e vir.
   Uma ofensiva contra o crime deve começar por prender os peixes grandes, os crimes de colarinho branco.  Os políticos corruptos e banqueiros corruptores devem ser presos e terem suas propriedades expropriadas.