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Rolezinho no Leblon: O poder da repressão e a sociedade do espetáculo

Por Bruna Barlach, do Rio

Na onda dos “Rolezinhos” que começaram em São Paulo, e muito por conta da repressão a eles, vimos pipocar em todo o país eventos no facebook chamando rolezinhos em shoppings de diferentes cidades pelo país, incluindo o Rio de Janeiro. Certamente o marcado para o Shopping Leblon foi, desde o início, o mais polêmico.

Símbolo máximo da burguesia carioca (e brasileira) e da segregação socioeconômica, o Leblon é o um dos bairros onde há mais riqueza concentrada por cabeça no mundo. Seja por olhares atravessados, seja pelos preços proibitivos, Leblon não é lugar pra pobre. E não é e ponto final.

Tanto não é lugar pra pobre que os donos do shopping solicitaram na Justiça para que o evento fosse proibido, argumentando que tal evento era incompatível com o shopping. Uma juíza acatou o pedido e proibiu o rolezinho. Felizmente advogados ligados às causas populares conseguiram a liberação do ato. Diante disse, foi declarado que o shopping simplesmente não abriria as suas portas.

A mídia grande logo noticiou que o shopping não abriria as suas portas, o que colaborou em grande parte para o esvaziamento do rolezinho, que acabou por ter ares de uma pequena manifestação. Aos poucos foram chegando ativistas de diferentes movimentos, moradores de diferentes locais, perto, longe, das favelas, cada qual trazia sua vontade de se manifestar contra a repressão e os casos de racismo explícito que o rolezinho tem desencadeado nos shoppings.

Muitos vieram só para olhar. Era notável no olhar e na fala de muitos moradores da região que aquelas pessoas lhe eram estranhas, estranhas demais, quase exóticas. Outros estavam assustados, muito mais pela grande quantidade de policiais que cercava a região e impedia a entrada não só no shopping (que também estava “protegido” por dezenas de seguranças uniformizados e à paisana) do que pelo próprio rolezinho.

Ao som de funk e diferentes músicas de protesto foram cantadas palavras de ordem contra a repressão, contra o racismo e também contra a copa, que é pauta em todas as manifestações deste ano. Com algumas horas de rolezinho na porta do shopping, os manifestantes acabaram sendo surpreendidos pela tropa de choque, que veio demonstrar mais uma vez que vivemos num estado onde a democracia não é para todos e que mesmo uma manifestação pelo direito de todos estarem dentro de um shopping, símbolo máximo do consumismo, é repreendida pela força policial de forma violenta.

As mentiras que a mídia conta
Dezenas de câmeras, inúmeros repórteres das grandes emissoras de TV nacionais e até diversos correspondentes internacionais. A mídia grande chegou com tudo no rolezinho no Leblon para recolher material para contar suas grandes mentiras.

As entrevistas tinham por objetivo muito mais desmascarar os manifestantes do que discutir de fato o porque é tão importante que esse rolezinho esteja acontecendo. Em telefones celulares, falavam baixo sobre como o shopping perdia dinheiro enquanto alguns jovens atrapalhavam um dia normal na vida das pessoas. Aguardem essas e outras mentiras nos grandes jornais e portais da internet.

O rolezinho é resistência e luta
A origem controversa do rolezinho pode ter criado dúvidas sobre a importância política destes eventos. O capitalismo vende uma imagem de democracia e igualdade de oportunidades, mas quando os jovens da periferia, pobres, pretos, tentaram usufruir do seu direito democrático de consumir e vimos claramente o que aconteceu.

No capitalismo nem o consumo é democrático. Ele tem recorte de cor e recorte de classe. A repressão, os shoppings fechados, pessoas negras sendo revistadas e tendo seu direito de ir e vir negado revelam a segregação social, que acontece em todas as partes e está agora estampada nos muros dos shoppings.

Toda lutadora e todo lutador deve não só denunciar essa injustiça, mas estar lado a lado, juntos e misturados; construindo a resistência contra toda forma de repressão e segregação racial e social. Ocupar a cidade deveria ser um direito de todos e até que seja, permaneceremos dando nossos rolezinhos., nos shoppings e nas ruas.



Um novo rolé para Rodrigo Constantino

Arte do chargista Latuff

   Caro Rodrigo Constantino. Li sobre o seu Joaquim. Gostaria de lhe apresentar a história de Maria.

   Maria era uma menina muito pobre, que estudava em uma escola pública e morava numa favela. Cansada, após apoiar a greve dos professores, resolveu dar um rolezinho em uma biblioteca. Ela sabia que aquilo mudaria sua vida, pois seus professores sempre indicavam isso, e ela fazia constantemente. Diferente de muitas pessoas da classe média. Que tem livros em suas casas, mas não leem.

   Lá, ela descobriu os clássicos e muitos contemporâneos. Sófocles, Shakespeare, Kafka, Dostoiévski, Camus, Mas ela se cansara de tantos brancos europeus mortos. Com Elisa Lucinda, navegou pelas entranhas da natureza de ser mulher negra imperfeita. Com MV Bill, chegou ainda mais fundo no “horror”, entendendo o que acontece quando a polícia entra na favela sem respeitar morador.

   A fome lhe ensinou sobre a propriedade privada, e a PM lhe explicou o poder da “mão visível”, segurando uma arma, que acaba levando a um resultado terrível, com  cada um seguindo os próprios interesses.

   Lima Barreto foi fundamental para sua compreensão das vantagens comparativas e do privilégio branco. Ela soube que mesmo em trocas voluntárias em que tivesse menos habilidade em tudo, ainda assim elas poderiam ser mutuamente benéficas. Só que na sociedade brasileira não acontece isso

   Com Milton Santos, soube entender o relativismo cultural, e que é necessário ter conhecimento sobre a história e cultura afro-brasileira e africana. Compreendeu, ainda, que o conceito da Grande Sociedade Aberta, é uma falácia à brasileira, que o Estado brasileiro mantém segredos para si mesmo; é uma sociedade autoritária, uma sociedade em que nem  todos são respeitados, com o conhecimento de todos.  Assim como os curtos limites da tolerância desta.

   Abdias do Nascimento foi crucial para que ficasse mais atenta àquilo que não se vê de imediato, ou seja, o Racismo das oportunidades das escolhas ou políticas públicas. Isso a ajudou a criticar a visão míope de muito governante em busca de votos, com suas medidas populistas e assistencialistas de cunho racistas.

   De Malcom X ela absorveu as verdadeiras características das mentiras da democracia americana, da escravidão nada voluntária que esse país impôs aos negros,o que ajudou a construir uma nação próspera, porém injusta. A morte do reverendo Martin Luther King  sepultou de vez qualquer confiança na política americana, que tivesse sobrevivido após a lavagem cerebral dos programas na televisão.

   Mano Brown, intelectual brasileiro, deixou bem claro com suas letras que os poderes executivos, judiciário e legislativo são corrompidos e o poder absoluto corrompe absolutamente. Que  o ser humano é descartável no Brasil..

   Ela mergulhou na Escola Pública. Descobriu com seus professores de História, Filosofia e Sociologia, e nunca mais levou a sério o Globo ou a Veja. Já tinha noção clara de que, mesmo sob tanta propaganda, o sistema capitalista não poderia funcionar, pela impossibilidade das crises cíclicas do capitalismo.

   Dos pensadores conservadores, como Burke, John Adams, Russell Kirk, Oakeshott, Isaiah Berlin, Irving Babbitt e Theodore Dalrymple, capturou a importância do que falava Kabengele Munanga: que esses eram brancos europeus mortos, que pouco acrescentavam às tradições e cultura afro-brasileira, que  os limites da razão, os riscos das ideologias e utopias, o enorme perigo das revoluções são sementes a serem cultivadas.

   Passou também a desconfiar da democracia burguesa, entendendo que esta é a simples tirania da minoria sobre a maioria.  As bem constantes incursões do BOPE lhe ensinaram sobre os necessários limites constitucionais do poder estatal. Montesquieu, coitado, reescreveria sobre a divisão dos poderes, ao se ver numa favela.

   Cabral, o governador, foi como uma luz ao lhe mostrar a “destruição destruidora”.Da Educação, da Saúde, da Segurança Pública. Agora temia mais o avanço tecnológico, as inovações capitalistas,  pois sabia que estas  geravam mais riqueza( para quem tinha já muito dinheiro) e eliminava novos empregos.


   Muniz Sodré  lhe mostrou a falácia da meritocracia na Educação, e Renato Emerson, a eficácia das cotas raciais.

   Lendo – e  entendendo – as critícas ao mundo capitalista de seus tempos, de Orwell, Huxley, Ayn Rand e Koestler, ficou apaixonada por todo tipo de tentação,pelas “soluções mágicas” que criariam um “mundo melhor” ou uma nova humanidade.  Sabia que o coletivismo era o caminho para a destruição do individualismo egocêntrico.

   Estudou Economia, com Marcelo Paixão, e ficou sabendo que “vários “intelectuais” colocavam as “ideias abstratas acima dos seres de carne e osso, louvando a Humanidade, mas agindo com profundo desdém em relação aos próximos”. E aprendeu que a isso dá-se o nome de “Editorial de O Globo”.

   Descobriu também que possuia a música em si. Funk, clássica. Pagode. De tudo escutou, pois tudo lhe era humano e belo:  Mozart, Kiss, Beethoven, Paralamas, Brahms, Titãs, Bach, ABBA, Chopin, Rachmaninoff, Florence, Tchaikovsky, e ficou encantada.  Aquilo tudo esteve e está em sua alma! Foi Joãozinho 30, e sua estética do Luxo e do Lixo, quem lhe demonstrou a importância da beleza em nossas vidas. Fazia agora tudo: filmava, compunha, dançava, pintava; posto que tudo é arte, nada é arte.

   Leu muito os poetas negros Arnaldo Xavier (1948-2004) e Ricardo Aleixo, e ficou interessada na experimentação e na intersecção entre as linguagens.

   Com Cidinha da Silva, prosadora refinada, aprendeu a situar seu texto na nervura do presente, atenta aos ardis das representações e das afecções a que são submetidos os negros contra um pano de fundo multimídia.

   Maria tinha um espírito lutador, e desejava muito melhorar de vida. Foi com sua bagagem cultural com os amigos no shoping, tentar a sorte, dar um rolé.  Era verão, tava calor,  anos 2014, com mais oportunidades de se divertir. Sempre olhara para os playboys com ódio, nunca inveja. Eram uma afronta para ela, um exemplo a ser combatido. Hoje ela é um militante de sucesso e vive em paz.

   Em sua velha comunidade, é chamada  de “irmã”. Por ser negra acusam-na de se comportar como um “negra feminista” e defender sua raça. E ela sempre entendeu dessa forma. Para ela, o normal é desejar mudar a vida, dela e dos seus. Combater  a discriminação dessa “missão civilizadora” racista, machista e exploradora e não desfrutar dela. Até hoje ela é muito grata pelo rolezinho que decidiu dar no shoping, e perceber o quando sempre fora discriminada pela hipócrita “alta cultura” quando jovem.

I Acampamento de Jovens Revolucionários Rio de Janeiro

Encerramento do acampamento. Foto: Paollo Rodajna

Desde julho, a Juventude do PSTU vem realizando acampamentos em todo o Brasil para discutir com jovens companheiros e companheiras que depois de junho se abriram enormes possibilidades para a transformação radical de nosso país. No último final de semana, ocorreram debates no Ceará, em Alagoas e no Rio de Janeiro.
Em nosso estado, o acampamento contou com dezenas de jovens ativistas de todo estado. Com mesas de debates, circulos de estudos e momentos de reflexão e diversão.
Houve muitos momentos emocionantes. Mas nada supera ver nascer dos debates a compreensão comum de que não há em nossa época projeto pelo qual valha mais a pena lutar que o da revolução socialista.
Israel Luz

Redes estadual e municipal de educação do Rio de Janeiro entram em greve



Profissionais municipais de educação fazem ato na Prefeitura

Por Rodrigo Barrenechea, do Rio de Janeiro

Nesta quinta, 8 de agosto, profissionais de educação do Município e do Estado, reunidos em suas respectivas assembleias declararam greve por tempo indeterminado. Esta ampla greve da educação eclode em um momento ímpar da nossa história. No momento em que milhões de brasileiros se levantaram contra os desmandos dos governos, questionando o uso do dinheiro público em obras faraônicas e deixando os serviços públicos em situação deplorável, os profissionais de educação cruzam os braços protestando contra as políticas educacionais dos governos estadual e municipal.  

Dois pontos em comum afetam os educadores das duas redes: Falta de respeito à lei do Piso Nacional, que regulamenta a destinação de 1/3 da carga horária docente ao planejamento, com o agravante de obrigar o cumprimento dessas horas na escola; e a luta contra a meritocracia, que cria um sistema de remuneração salarial baseado em desempenho e qualificação permanente, desrespeitando tanto o princípio da isonomia quanto os planos de carreira vigentes.

Além disso, cada uma das redes tem sua própria pauta de reivindicações. A rede municipal pede, entre outras coisas, 19% de reajuste, plano de carreira unificado – já que os funcionários não estão incluídos no PCCS – e melhores condições de trabalho. O desgaste que os profissionais do município sofrem no exercício de suas funções é enorme, com falta de funcionários e salas de aula superlotadas. 

Já a rede Estadual exige reposição emergencial de suas perdas salarias, de 28%, a derrubada do veto do governador Sérgio Cabral à lei que garante a lotação do servidor numa única escola, jornada de 30 horas para os funcionários, a garantia do retorno dos funcionários a suas escolas de origem, relotados pelo governo para avançar no plano de terceirização das funções administrativas nas escolas e, por fim, a regularização dos animadores culturais, fora do plano de carreira desde os anos 90. A luta também é contra a falta de democracia nas escolas. Na rede estadual não há eleições para direção escolar desde 2005, por força de lei estadual aprovada durante o mandato de Anthony Garotinho, criando uma situação de permanente conluio entre as secretarias de educação e os diretores de escola e rompendo a confiança da comunidade escolar neles. Por fim, os educadores da rede Estadual já entenderam que este estado de coisas só pode ser resolvido, num primeiro momento, com a saída desde governador-ditador que assola o Rio de Janeiro. A pauta estadual, então, se encerra com o "Fora Cabral, fora Risolia". Na sexta-feira a secretaria de educação chamou o Sepe-RJ para uma reunião na próxima segunda para discutir a pauta de reivindicações da categoria.

Os titulares da pasta de educação do estado e do município dizem muito sobre o projeto para educação desses governos. O secretário de educação do estado é Wilson Risolia, um economista mais interessado em implementar planos de "otimização" da gestão do que elevar o nível da educação estadual – uma das piores do país. Já a Secretaria Municipal de Educação, que simplesmente negou que houvesse greve, tem como titular Cláudia Costin, com formação em administração e economia, que já integrou o gabinete do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


Se os métodos "pedagógicos" das secretarias têm muito em comum, isso não se deve apenas ao fato de ambos os governos serem do PMDB, mas também por serem base do governo Dilma, que implementou planos semelhantes, como atesta a resolução de 2012 do Conselho Federal de Educação, presidido pelo ministro-economista Aloísio Mercadante, que recomenda a implementação da meritocracia nos planos de carreira dos educadores nos estados e municípios. Por outro lado, se a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) assinou embaixo dos planos do MEC, os trabalhadores em educação não estenderam esse aval, como demonstram as recentes greves no primeiro semestre deste ano, especialmente a da rede estadual em São Paulo. Só a luta dos trabalhadores será capaz de barrar essa ofensiva neoliberal e, junto aos pais e alunos – organizados em seus grêmios e entidades estudantis –, construir um projeto de educação progressista, comprometido com a parcela mais pobre da população e com a mais ampla divulgação das artes, ciências e tecnologias.

Próximos passos da greve:

Rede municipal: quarta, 14/8, 10 horas assembleia (local a confirmar) com passeata até o Palácio da Cidade, em Botafogo. Concentração na estação de metrô Botafogo (saída da Rua São Clemente)

Rede estadual: ato hoje, 16 horas, no Palácio Guanabara para acompanhar reunião do SEPE-RJ com o vice-governador Pezão e com o secretário de Educação, Wilson Risolia. A próxima assembleia será na quarta, 14/8, 14 horas, local a confirmar.

O Rio de Janeiro Parou: Ato contra o aumentos das passagens reúne 10 mil manifestantes

Da redação local

A partir das 17:00h milhares de estudantes e jovens trabalhadores começaram a se concentrar na Candelária, local definido para o início da 2ª- passeata contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro.
Era visível a alegria dos lutadores que a cada minuto percebiam que aumentava a presença de mais trabalhadores e jovens estudantes na concentração, era a certeza de que seria um final de tarde inesquecível.
Quando a marcha deixou a concentração, neste momento os quase dez mil manifestantes: a primeira vitória! Milhares de manifestantes fecharam todas as pistas da avenida Rio Branco, obrigando a Polícia Militar e a Guarda Municipal a recuarem da tentativa de impedir a ocupação da principal avenida da cidade. Uma grande demonstração da força da mobilização.

A cidade do Rio parou! 
As bandeiras vermelhas, os cartazes contra o aumento e as faixas triunfaram, a cada quadra a população demonstrava simpatia pelo movimento tiveram a certeza de que governador Cabral e Eduardo e o prefeito Paes do Rio sofreram a primeira derrota.
Depois a marcha seguiu pela avenida Rio Branco. Do alto dos prédios vinha apoio dos papéis picados, que aumentava mais ainda a satisfação e a certeza de que estávamos corretos. Em cada ponto de ônibus, a população interagia com a passeata, aderindo ou manifestando solidariedade. Os sindicatos (Petroleiros, Comerciários de Nova Iguaçu, Sepe, Sindsprev e Sindiscope, entre outros) e centrais, como a CSP Conlutas, se fizeram presentes. Além de oposições sindicais e movimentos populares, a Anel e diversas entidades estudantis de luta também compareceram.
Adesivo distribuído pelo PSTU
O PSTU se fez presente desde a preparação do ato e com uma expressiva coluna de militantes e simpatizantes agitou, além das suas tradicionais bandeiras vermelhas, faixas exigindo a libertação dos manifestantes presos em São Paulo e a redução das passagens. Os adesivos do partido denunciando o aumento das passagens e o ditador Cabral, distribuídos aos milhares, rapidamente eram colados no peito pela população.
O ponto alto da manifestação aram as palavras de ordem cantadas ao mesmo tempo por milhares de vozes. Algumas das mais cantadas foram “acabou o amor isso aqui vai virar a Turquia” e “não é a Turquia, não é a Grécia é o Brasil saindo da inércia”. Também foram ouvidas músicas críticas aos gastos com a copa também, ao governador e a presidenta Dilma.
Nesse clima alegre e combativo a passeata seguiu até a Cinelândia e diante do impasse se terminava ali ou prosseguia, houve uma votação que decidiu ser melhor continuar até a Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), onde foi feito um ato de encerramento com milhares de presentes.
Para nós do PSTU o resultado desta marcha sem sombra de dúvidas é que podemos afirmar que ganhamos esta batalha. A população do Rio ficou ao lado dos manifestantes, apesar do deprimente papel da grande imprensa que durante dias estimulou a repressão da policia e tentou jogar os trabalhadores contra a manifestação.
Mostramos aqui no Rio, assim como em São Paulo, que sem dúvida nenhuma, este movimento se fortalece a cada passeata e que mesmo a maior a repressão não nos calará. Mostramos que esta luta não é apenas pela redução da passagem, mas sim contra a alta dos preços e o endividamento das famílias, pela garantia dos nossos direitos e também contra a repressão criminosa dos governantes.

Não temos dúvida que a próxima será maior! E como entoavam as palavras de ordem cantadas na marcha, seguiremos o exemplo da Turquia! 

Leia mais sobre os atos do dia 14/06:
Liberdade aos presos políticos de Alckmin e Haddad!

Veja aqui o vídeo do ato do dia 14/5 no Rio

O RIO PAROU! Ato de 14 /06 contra o aumento da passagem


(13/06, 5a feira) Dia Nacional de Luta contra os aumentos de passagem: No Rio de Janeiro concentração a partir das 17 horas na Candelária.

Adesivo do PSTU na campanha contra os aumentos

Nesta quinta-feira, 13 de junho, em todo o Brasil será realizado um Dia Nacional de Luta contra os aumentos de passagem.
Em várias cidades do país, a juventude e outros setores da classe trabalhadora brasileira estão está protagonizando uma grande luta contra os abusivos aumentos nas passagens nos transportes públicos  e que estão sendo brutalmente reprimidos pela tropa de choque das polícias militares a mando de governadores e prefeitos.
Em Porto Alegre, a força da mobilização de milhares de estudantes e trabalhadores conquistou a revogação do aumento. Em Natal, no ano passado, os estudantes também conseguiram barrar o aumento.
Neste ano, houve novas mobilizações na capital do Rio Grande do Norte que fizeram a prefeitura recuar na sua proposta inicial de aumento. Em Teresina (PI), após 5 dias de protestos, o reajuste da passagem foi suspenso por 30 dias.

Estes exemplos mostram que é possível conquistar vitórias e derrotar os aumentos impostos, por isso nós do PSTU nos solidarizamos e nos inserimos nesta esta luta.
Na cidade do Rio de Janeiro o ato terá concentração a partir das 17 horas na Candelária.

O amor e a fúria de nossos tempos

Cartaz do Filme
(foto: Divulgação)

Filme brasileiro de animação conta história do ponto de vista dos que lutam contra os seus opressores

Patrícia Mafra, do Rio de Janeiro
Caso te chamem para ver um filme de animação passado no Brasil, não pense que se trata de mais uma produção hollywoodiana recheada de estereótipos sobre nosso país. Uma história de amor e fúria, filme nacional que estreou em abril, surpreende pela inteligência e sensibilidade. Ele conta a história de um tupinambá que se tornou imortal porque foi escolhido pelo deus Munhã para ser um eterno combatente e líder dos tupinambás contra o reinado anhangá. Há diversas chaves de leitura possíveis para esse filme. Muitos o verão como uma história de amor romântico com enredo histórico. Mas há outra interpretação possível.
 
Troque tupinambás por oprimidos e anhangá por opressores e você terá a linha mestra do enredo do filme. O personagem principal muda de identidade ao mesmo tempo em que passeia por alguns eventos importantes da história do Brasil. E então a luta dos oprimidos contra seus opressores ganha dois combatentes de peso: o imortal tupinambá e a sua companheira Janaína que, mortal, “reencarna” em corajosas mulheres. Ao longo dos 600 anos que a narrativa abrange, os protagonistas se reencontram por diversas vezes e, juntos, travam a luta de seu tempo.
 
Na primeira parte do filme, é abordada a luta dos índios tupinambás contra os colonizadores brancos. Nosso herói tem uma opinião clara: nem portugueses nem franceses, todos são inimigos. Em seguida, a balaiada é contada com sabor e sensibilidade, e o Patrono do Exército Brasileiro fica relegado ao papel de sanguinário exterminador, um autêntico anhangá. Pouco mais de cem anos depois, o exército novamente personifica o mal que o líder tupinambá deve combater. E, ao encontrar sua Janaína, estudante universitária que luta contra a ditadura militar, ele toma a forma de um jovem também guerrilheiro. A última parte do filme se passa no futuro, em 2096, marcado pela luta por água, artigo tão raro quanto fundamental. Mais um mérito do filme: diferente de tantos outros filmes de ficção científica, não há ilusão de que o elevado desenvolvimento científico eliminará a divisão da sociedade em classes sociais. Quanto mais rico, mais água. Os pobres vivem em guetos, longe do “mundo dos Jetsons”, e são reprimidos por milícias privadas. 
 
O filme foge do maniqueísmo. O guerreiro imortal não está imune às contradições da vida. Como na vida real, há momentos de fraqueza, descrença e acomodação. Assim, podemos nos ver espelhados no filme. Não se trata de heróis perfeitos. Trata-se de nós. 
 
Sabemos que a narrativa histórica nunca é neutra, e no filme isto fica muito claro. Não é a História oficial que é contada, mas a História pelo ponto de vista dos que lutam contra seus opressores, cujos heróis não viraram estátuas. É a nossa História, que está sendo escrita todos os dias. Temos um futuro pela frente. De lutas, certamente. De vitórias, talvez. Mas, conforme as palavras do deus Munhã, só vence quem nunca desiste de lutar. 

Ato contra aumento das barcas reúne cerca de 100 pessoas no RJ

Confira algumas imagens da
atividade aqui e aqui
Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro. Fotos: Rodrigo Bouch


   Ato começou na Pça Araibóia, em Niterói, com cerca de 50 pessoas e seguiu para a Pça XV, no Rio, onde reuniu 100 pessoas. A concessionária reajustou suas tarifas para R$4,80, apesar dos constantes atrasos e insegurança. O PSTU defende a reestatização da companhia, sem indenização, sob controle dos trabalhadores.

   Durante o ato também foram cobradas as promessas não cumpridas do governo Cabral e da concessionária CCR Barcas de ampliação e melhoria nos serviços.

Confira algumas imagens da atividade aqui e aqui.

Juventude do PSTU-RJ: Aldeia Maracanã Despejada: Sergio Cabral mostra sua truculência em nome dos grandes empreiteiros!


Nota da Juventude do PSTU-RJ


• Como a maioria de vocês já deve estar sabendo, a Aldeia Maracanã foi invadida hoje. A PM do Rio de Janeiro, a mando de Sergio Cabral e Eduardo Paes (e com a conivência de Dilma) retirou de dentro da Aldeia os índios, os apoiadores, os jornalistas. Para realizar tal empenho a mesma usou de uma violência desproporcional: muitos policiais, armados até os dentes, utilizando sprays de pimenta, bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha, além dos helicópteros, caveirão e mais.
Toda essa violência é utilizada para defender interesses que talvez não sejam conhecidos por todos. Talvez nem todos saibam, mas o interesse por trás da derrubada da Aldeia Maracanã é político e também monetário. O interesse monetário é mais fácil de perceber: derrubar a Aldeia e se apropriar de um terreno que está avaliado em 60 milhões. Essa desocupação é coerente com o resto da privatização do Maracanã, que engloba também destruir a escola municipal Friedenreich e o parque aquático Julio Delamare. O interesse político está em derrotar a mobilização, dizimar a confiança na luta daqueles que resistem firmemente e desmoralizar os ativistas. Mostrar a todos que sonhar não vale a pena.
É necessário também dizer os motivos de Cabral para fazer isso. Cabral age dessa forma violenta para defender os interesses de uma parte bem pequena da população: os empresários. As montadoras de Eike Batista (IMX), Norberto Odebrecht Junior (Odebrecht SA) e Sergio Lins Andrade (Andrade Gutierrez SA) estão todas ganhando rios de dinheiro com a privatização do Maracanã e a destruição e reconstrução do seu entorno. Estamos falando de cifras grandes: Eike recebeu 2,4 milhões do Governo do Estado; a Odebrecht recebeu 3 milhões de recursos públicos (sobretudo pelo BNDES) e a Andrade Gutierrez SA ganhou 7 bilhões (também BNDES). E é claro, estas mesmas ajudaram Sergio Cabral e Paes a se elegerem, contribuindo com cifras também gordas.
Os movimentos sociais têm uma necessidade: juntar suas forças e apresentar uma política única. Precisamos nos fortalecer coletivamente para, derrotarmos Cabral e seus aliados. Para tanto, teremos uma reunião de continuidade da Resistência às 10 horas amanhã no SEPE.
É MUITO importante a presença de todos lá. Queremos que cada entidade estudantil, cada sindicato, cada movimento de luta contra as opressões, cada movimento popular, cada grupo ou coletivo jovem e cada partido político que estão na luta em defesa da Aldeia Maracanã venham se somar. Não podemos seguir tocando as lutas de maneira fragmentada: a chave para a vitória é a nossa unidade.
Nós aprendemos com a nossa história: aprendemos com a desocupação das comunidades, aprendemos com a prisão do Emicida em defesa da Ocupação Eliana Silva, e, sobretudo, aprendemos com o massacre do Pinheirinho. E continuamos dizendo: quem luta não tá sozinho. E não podemos estar cada um na nossa ilha, ou cada um na sua aldeia.
Reunião de Resistência da Aldeia Maracanã – Amanhã (23/03) às 10 horas no SEPE-RJ
SEPE-RJ : Rua Evaristo da Veiga, 55 - 8º andar - Centro - Rio de Janeiro/RJ

Juventude do PSTU RJ

Juventude do PSTU esteve no Acampamento Internacional de Observadores aos Guarani-Kaiowá

Militância presenciou a situação dramática da etnia Guarani-Kaiowá


VANESSA MONTEIRO CUNHA, DE SÃO PAULO 


Comunidades indígenas estão cada vez mais encurraladas pela expansão do agronegócio
• O ano de 2012 passa a compor a história dos Guarani-Kaiowá nos marcos de um grande drama. Confinados em terras cada vez menores, sob a mira dos pistoleiros e a omissão do governo federal, encontram-se em luta não só pelas condições necessárias para a manutenção de sua cultura, mas para a sobrevivência de cada um de seus membros. A carta dos indígenas da comunidade de Pyelito Kue - datada de outubro de 2012 – na qual declararam que iriam resistir até o fim à ação de despejo, comoveu grande parcela da sociedade e ganhou repercussão nacional e internacional.


Com o intuito de dar visibilidade à luta dos Guarani-Kaiowá por suas terras originárias, denunciar o etnocídio declarado e expandir a rede de solidariedade, foi realizado, nos dias 22 de dezembro de 2012 a 5 de janeiro de 2013, o Primeiro Acampamento Internacional de Observadores aos Guarani-Kaiowá, na aldeia Takwara, município de Juti/MS. O acampamento, composto por aproximadamente 30 pessoas, contou com a participação de diversas organizações e movimentos sociais, tais como Luta Popular, CSP-Conlutas, ANEL, Tribunal Popular da Terra, Associação de Geógrafos do Brasil (AGB), PSTU, PSOL, entre outros. A presença de um observador da Catalunha gerou repercussão e sensibilizou uma parcela da juventude catalã que realizou, no último dia 18, um ato em solidariedade aos Guarani-Kaiowá em frente à embaixada brasileira. Além disso, notícias acerca do acampamento foram publicadas em cinco jornais europeus durante a sua realização.



Nós, da juventude do PSTU, estivemos presentes e podemos avaliar, dado a experiência ombro a ombro com os Guarani-Kaiowá que, desde a repercussão gerada em outubro do ano passado até hoje, nada mudou.



Ao latifúndio tudo, aos povos indígenas nada
A etnia Guarani-Kaiowá sofre, há mais de meio século, com a expropriação sistemática de suas terras originárias. Em 1988, com o advento da Constituição, formalizou-se a obrigatoriedade do Estado na demarcação e homologação das terras devolutas aos povos indígenas, que as têm como direito inalienável. No entanto, esta não é só uma tarefa descumprida. O que existe, nos últimos anos, é o processo contrário. 



Por um lado, governantes buscam aplicar emendas constitucionais que colocam em cheque este direito, como a PEC 215, que propõe que a demarcação e homologação das terras indígenas e quilombolas sejam realizadas diretamente pelo Congresso Nacional e não pelo poder executivo. Por outro, fazendeiros fazem ocupações ilegais e contam com a omissão da justiça federal. Atualmente, dos 9700 hectares reconhecidos pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) à comunidade Guarani-Kaiowá da aldeia Takwara, apenas 90 são ocupados, todo o restante foi tomado para o plantio de soja e cana. Ao longo do acampamento, os indígenas deixaram bastante clara a centralidade da terra para sua sobrevivência: sem terra não há educação, saúde, moradia e sua própria história.



O cotidiano de guerra dos Guarani - Kaiowá
À medida que aumenta a resistência dos povos indígenas na luta pelas suas terras tradicionais, aumenta também a violência por parte dos fazendeiros, jagunços e do próprio Estado. Nos últimos nove anos, foram registrados 273 assassinatos a lideranças Guarani-Kaiowá. Dentre os quais se encontra o assassinato de Marcos Veron, em 2003, que ocorreu em meio à tortura, perseguição e estupro de indígenas, como represália à luta que se conformava com maior força desde 2001. Desta forma, assassinatos, ameaças e o altíssimo grau de suicídio, em particular entre a juventude, configuram o cenário constante de medo. Durante uma das expedições que realizamos nas terras da takwara, nos deparamos com um jagunço a cavalo, de espingarda nas costas, que foi coibido pela nossa presença. Esta situação expressa – ainda que muito pouco – a violência cotidiana. 



Esta não é, contudo, a única forma sob a qual se manifesta a violência nas aldeias. O confinamento se agrava com o fato de que as poucas terras ocupadas pelos indígenas possuírem uma parcela significativa improdutiva ao plantio, o que se combina com o extermínio da biodiversidade por conta do agronegócio. Em uma reunião, apenas com as mulheres da aldeia, as indígenas nos relataram com bastante dor como a ocupação das terras tem interferido no cotidiano da comunidade. As águas estão contaminadas, a caça e o plantio são precários, a fome é generalizada. Há relatos de crianças com tuberculose, ainda em fase de amamentação, obrigadas a se alimentar apenas com mandioca e água, devido à escassez. 



Também tem sido cada vez mais recorrente uma série de doenças – tais como intoxicação, tuberculose e câncer – perante as quais pouco ou quase nada podem fazer. Os remédios extraídos da mata, cultivados por conhecimento secular, já não se encontram como antes. O povo Guarani – Kaiowá sofre com a fome, com a moradia absolutamente precária (barracões de madeira ou apenas lona), bem como com a falta de recursos para garantir a educação às crianças. A única escola existente na aldeia Takwara nunca foi inaugurada, a infraestrutura é frágil a ponto de, nas tempestades, os telhados voarem. Não há manutenção e a maioria dos materiais necessários aos alunos é paga pelos próprios professores da aldeia, que recebem um salário de aproximadamente R$600,00. 



Governo Dilma e órgãos representativos na outra margem... 
Toda essa miséria não corresponde, no entanto, ao relato da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão governamental responsável pela questão indígena. Segundo a FUNAI, cestas básicas seriam enviadas quinzenalmente; as casas seriam de alvenaria; a educação de qualidade e a saúde acompanhada por agentes da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), com médicos que visitam as aldeias duas vezes por semana. Atualmente, a FUNAI cumpre um desserviço aos povos indígenas ao, por um lado, mascarar a situação real das comunidades e, por outro, ainda quando faz algum tipo de exigência ao governo, se mantém descolada das lutas pela retomada de terras. Estas foram as principais denúncias feitas pelas próprias lideranças. 



Neste momento, está sendo analisado um projeto na Câmara, em conjunto com a FUNAI, que prevê acordo entre índios e agronegócio. Esta medida abre margem para o agenciamento de indígenas ao trabalho semiescravo nas lavouras, exploração historicamente utilizada em nosso país. Diferentemente do que coloca Nelson Padovani (PSC-PR), autor do projeto, não é possível conciliar os interesses do agronegócio e dos povos indígenas.



O governo Dilma tem também sua parcela de culpa no drama social dos Guarani-Kaiowá, que se aproxima da barbárie. Durante o governo Dilma, cresceram a violência por parte do Estado aos indígenas e se reduziu o orçamento para a regularização fundiária destes territórios. As ordens de despejo vêm diretamente da Justiça Federal, as homologações também. Portanto, é diretamente responsabilidade de Dilma o aprofundamento do quadro lamentável de violência e criminalização do povo Guarani – Kaiowá. De acordo com Araldo Veron, cacique e professor da aldeia, somente a resistência garantirá as terras.



"Eu estou completamente desacreditado neles [governo PT], porque não adianta falar ‘Dilma, eu quero que você demarque nossa terra! Dilma, eu quero que você homologue nossa terra!’ (...) Não adianta, ela é só uma figura, não vai fazer nada. Se nós, índios kaiowá e guarani, não fizermos a retomada mesmo, do nosso jeito e da nossa vontade, ela não vai fazer nada. Nós vamos partir pra luta e não vamos desanimar. O que quero dizer a ela é que, querendo ou não, vamos fazer a retomada de nossas terras, nem que para isso seja derramado mais sangue de lideranças.”



Resistência e luta Guarani – Kaiowá 
Mal viramos as costas à terra vermelha da Takwara, seguiram-se os ataques. Dia 6 de janeiro, os arredores da aldeia foram incendiados, sob a suspeita de ação criminosa. No dia 26 de janeiro, os indígenas perderam cerca de 20 hectares devido a um novo incêndio na aldeia, amedrontando toda a população. Dia 27, o cacique Ademir Salina, liderança da aldeia Remanso, no município de Japorã/MS, sofreu ameaça de morte. 



Assim, a resistência aos ataques de seus inimigos e a luta pela retomada de suas terras sagradas, onde viveram seus antepassados, seguirão bravamente. Seguirão resistindo e lutando enquanto o governo mantiver sua política de privilégio ao agronegócio e aos latifundiários, ignorando as reivindicações históricas do movimento indígena. Esta é a única forma de retomarem, junto com a tekoha (terra), a perspectiva de uma vida digna às próximas gerações, onde possam seguir produzindo e reproduzindo sua cultura. 

Nota de solidariedade do PSTU aos familiares e amigos das vítimas do incêndio da boate de Santa Maria (RS)



Exigimos do governo a apuração e punição dos responsáveis pela tragédia
É com pesar que, nesta manhã de domingo, 27 de janeiro de 2013, a população gaúcha e brasileira recebe a notícia da morte de, pelo menos, 245 pessoas, a maioria estudantes universitários, e mais de 48 feridos em um incêndio numa boate de Santa Maria (RS).

Primeiramente, gostaríamos de prestar nossa total solidariedade aos familiares e amigos das vítimas. O fato, que já é a maior tragédia da história do Rio Grande do Sul, deixa marcas na vida de uma cidade que tem como seu centro a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e reconhecida “cidade universitária”.

Frente à tamanha comoção nacional e até mesmo internacional, não restam dúvidas de que esta tragédia de tamanha magnitude poderia ter sido evitada. A responsabilidade por esta tragédia recai de imediato sobre os ombros do dono da boate “KISS” e daqueles que seriam os responsáveis por fiscalizar os estabelecimentos da cidade: o prefeito Cezar Schirmer (PMDB) e o Estado do Rio Grande do Sul. No local do evento não havia respeito às normas mínimas necessárias de segurança para que pudessem receber tamanha quantidade de pessoas.

As cenas, que repetidamente são transmitidas pelas emissoras de televisão nesta manhã de domingo, configuram um verdadeiro caos, e um desespero daqueles que esperaram por mais de horas por socorro e não o tiveram.

Aqueles que poderiam evitar um desastre de tais proporções não tem agora o direito de somente pronunciar-se e lamentar pelo ocorrido. Neste momento, além de total solidariedade à família e aos amigos das vítimas, exigimos que o Governo Federal e estadual apurem os fatos e punam os responsáveis pela tragédia.

O direito à diversão e a cultura deve ser garantido de forma segura e também pública, não podemos admitir que a morte de jovens e trabalhadores nesta madrugada do dia 27 de janeiro seja apenas mais um fato. Que a ganância daqueles que tem como único objetivo garantir maior lucro não seja feita sobre a vida de inocentes que só desejam divertir-se em uma final de semana, e nem mesmo sobre a dor de pais e mães.

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – Rio Grande do Sul

Não ao novo PNE do governo. 10% do PIB para Educação Pública Já

O plano é um grande ataque à educação pública brasileira. A sistematização da Contrarreforma Universitária do governo


• No último dia 16, terça-feira, a Câmara dos Deputados aprovou – por meio de sua Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – o novo Plano Nacional de Educação(PNE). Na meta sobre financiamento, os deputados incluíram a estratégia de destinar 50% do Fundo Social do Pré-sal à Educação. A promessa é chegar ao final de dez anos investindo 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. Como o projeto foi votado em caráter conclusivo, ele já segue direto ao Senado, sem passar pelo plenário da Câmara.



 
Marcha em Brasília ( 24/08/2011)
O caos da educação em nosso país não é novidade para ninguém. Já são décadas de completo descaso, que perpetuaram um sistema educacional totalmente distante das necessidades da maioria da população. Sofremos com estatísticas escandalosas de analfabetismo, com mais da metade das crianças fora das creches, e com menos de 5% dos jovens com idade universitária cursando o ensino superior público. A votação na Câmara acontece exatamente quando o debate acerca dessa realidade vem ganhando cada vez mais audiência na sociedade.

Crescem, igualmente, as lutas em defesa da educação. Só nos últimos dois anos, vivenciamos uma onda de greves dos professores estaduais pela aplicação do piso salarial e a greve nacional da educação superior, a maior da última década. Essas mobilizações superaram as reivindicações econômicas das categorias e questionaram o projeto educacional do governo Dilma. 
 
O movimento estudantil e os setores da sociedade que lutam em defesa da educação pública precisam se posicionar, agora, diante da votação da Câmara e da proposta do novo PNE. O governo federal e a União Nacional dos Estudantes (UNE) estão propagandeando que o projeto será um grande avanço e comemoram a votação dos deputados. Mas será que temos mesmo motivos para festejar? 

Novo PNE: a contrarreforma universitária
A reivindicação de 10% do PIB para a educação pública é uma reivindicação antiga de professores, pedagogos, intelectuais e estudantes brasileiros. Melhorias profundas na educação de nosso país só virão com um aumento significativo do investimento público na área. Por isso, a votação da Câmara no último dia 16 pode gerar expectativas e esperanças em muitos jovens e educadores.

No entanto, ao contrário daquilo que propagam os governistas, a promessa de investir 10% do PIB na área da educação não significa uma vitória do movimento estudantil. Na verdade, além de adiar esse investimento para 2023, a meta é parte do novo PNE. O plano é um grande ataque à educação pública brasileira, pois traz em si, na forma de políticas estatais, todos os ataques e retrocessos incluídos nos programas educacionais dos governos Lula e Dilma. 

Dessa forma, todo o investimento público em educação no país, em todos os níveis, será destinado à aplicação das metas do novo PNE. Ou seja, esse financiamento será destinado a aplicar os programas educacionais que desqualificaram e privatizaram ainda mais a educação brasileira no último período. É a continuidade da transferência de dinheiro público para os empresários do ensino pago.

O novo PNE consolida as metas do REUNI, os métodos de avaliação SINAES e ENADE, a expansão do FIES, a ampliação do ensino à distância, a criação do PRONATEC e o novo ENEM. É a sistematização da Contrarreforma Universitária do governo federal. Suas metas beneficiaram a expansão do ensino privado e o sucateamento do ensino superior público. Dessa forma, o plano acentua a tendência de transformar as universidades brasileiras em pólos de produção de mão de obra semiespecializada, com a finalidade de atender às demandas do mercado, respondendo ao papel brasileiro na Divisão Internacional do Trabalho, de exportador de commodities e plataforma de produção e exportação das multinacionais.

Uma resposta à greve nacional da educação
A greve nacional da educação, que durou mais de três meses, paralisou as atividades em quase todas as universidades e institutos federais de ensino superior do país. A luta se expandiu e unificou o conjunto do funcionalismo público federal. A força da mobilização impôs uma derrota ao governo federal, obrigando-o a negociar e fazer concessões às categorias. A greve marcou um novo momento na luta em defesa da educação pública brasileira porque abriu um grande desgaste da política educacional do governo petista, especialmente do REUNI.

A aprovação do novo PNE no último dia 16 é uma clara reposta do governo Dilma e da UNE frente à conjuntura de mobilização e ao questionamento da política educacional do MEC. Com a promessa dos 10% do PIB, o governo busca dialogar com a reivindicação de todo o movimento e, assim, encobrir os ataques contidos no novo PNE. O movimento não pode cair nessa manobra. É hora de exigir o investimento de 10% do PIB em educação pública já, sem as metas do REUNI e com o fim do repasse de verbas públicas ao ensino privado.

Esse episódio também demonstra o nível de atrelamento da UNE ao poder público brasileiro e ao governo federal. A velha entidade, que traiu a greve nacional da educação e procurou deslegitimar o Comando Nacional de Greve Estudantil, tentar sair de sua defensiva. Depois de anos defendendo as políticas educacionais do PT, a UNE comemora a votação do novo PNE na Câmara. Dessa forma, a entidade tenta confundir os estudantes do país, apresentando um grande ataque à educação pública como se fosse uma vitória do movimento estudantil. A UNE não fala em nosso nome!

Fundo Social do Pré-sal não é garantia de investimento em Educação
O debate acerca da votação do novo PNE trouxe à tona a discussão sobre a extração do petróleo no Brasil. O governo federal está divulgando que o novo marco regulatório da exploração petrolífera no país é uma medida nacionalista, pois seus recursos seriam designados, através do Fundo Social do Pré-sal, às áreas sociais e ao combate à pobreza. No entanto, a nova legislação está muito longe de ser uma iniciativa nacionalista, pois conserva os leilões iniciados no governo FHC e perpetua o fim do monopólio estatal sobre petróleo brasileiro. O PT apenas modificou a forma da entrega dos recursos naturais do país ao capital estrangeiro, trocando as concessões pelo regime de partilha.

Em segundo lugar, o Fundo Social do Pré-Sal, anunciado pelo governo como um mecanismo de arrecadar dinheiro para a educação, saúde, cultura, esporte, tem o objetivo de construir uma poupança pública a ser investida na sociedade. No entanto, o governo federal não diz ao povo brasileiro que o fundo tem um caráter contábil e financeiro e, mais, que seus recursos deverão ser resultantes do retorno sobre o capital privado investido no processo de exploração do Pré-sal, incluindo aí os royalties. Além disso, os recursos do fundo serão destinados, preferencialmente, a ativos financeiros no exterior, com o intuito de suavizar a volatilidade das rendas e dos preços da economia nacional.

O que tudo isso quer dizer? Que, acima de tudo, os especuladores internacionais terão a preferência sobre as aplicações do Fundo Social. Com isso, o fundo, antes de ser um meio de promoção da justiça social, é um instrumento de capitalização dos acionistas estrangeiros. Assim, além do Fundo Social beneficiar o capital financeiro, não se pode ter nenhuma garantia, hoje, que metade dos seus recursos será suficiente para atingir um patamar de investimento de 10% do PIB em educação.

A UNE, entidade que organizou a campanha “O Petróleo é Nosso” nos anos 50, acaba, hoje, mais uma vez ao lado do governo federal, defendendo a entrega do petróleo brasileiro às multinacionais. 

Nós, da juventude do PSTU, defendemos o fim de todas as concessões e somos contrários ao regime de partilha. Para colocarmos de fato os recursos naturais do país a serviço da maioria da população, é preciso nacionalizar toda a exploração do petróleo, desde a extração até o refino.

O governo federal não necessita do Fundo Social do Pré-sal para investir 10% do PIB na educação pública. Atualmente, quase 50% do Orçamento Geral da União são endereçados ao pagamento dos juros da dívida pública, enquanto a educação fica com menos de 5%. Dilma precisa, na verdade, romper seus compromissos com os banqueiros e mudar as prioridades de sua política econômica.

Educação é um direito 
A juventude do PSTU defende uma educação pública, gratuita e universal em todos os níveis. Nessa luta será fundamental a unidade entre os estudantes e o povo pobre e trabalhador, que está excluído do sistema educacional brasileiro. Para criarmos às condições de garantir o direito ao estudo para todos, é imprescindível não só aumentar significativamente o investimento público em educação pública, mas também acabar com o repasse de verbas públicas ao ensino privado e estatizar as principais empresas da educação no país, como as redes de cursinho pré-vestibular e os grandes monopólios das faculdades pagas.

Como primeiras medidas no caminho dessas transformações, defendemos imediatamente o fim do novo PNE do governo e o investimento de 10% do PIB para Educação Pública já.

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