Bolsonaro atacou ferozmente a deputada Maria do Rosário (PT) no Congresso Nacional se utilizando do machismo para amedrontar e intimidar a parlamentar. Este sujeito banaliza a vida das mulheres e contribui para a violência machista que a cada duas horas faz com que uma mulher seja morta no país. Bolsonaro é conhecido por destilar seu ódio contra as mulheres, negros e LGBTs. É um reconhecido defensor da ditadura militar para garantir os interesses dos ricos e poderosos e representa o que há de mais abjeto na política brasileira. O projeto político do PT de governar com a burguesia vem favorecendo a própria direita: Bolsonaro é do PP, partido da base aliada do governo federal. O PT prometeu mudanças nas últimas eleições, mas no essencial dá sequência aos 12 anos que já estão no poder. Isto é comprovado mais uma vez pela escolha dos ministérios (Katia Abreu no Ministério da Agricultura e Joaquim Levy no Ministério da Fazenda); o escândalo da Petrobras arquitetado pela cúpula petista e demagogicamente utilizado pelo também corrupto PSDB; e a política econômica que segue garantindo os interesses das grandes empresas, bancos e latifundiários.
Todos os movimentos, ativistas, partidos, coletivos e entidades comprometidas com a luta por um mundo mais justo e igualitário devem repudiar as declarações de Bolsonaro, exigindo a cassação do mandato e sua punição.
Diante desta tarefa de unir os lutadores contra os resquícios da ditadura e o machismo, nos causou muitíssima estranheza a foto onde o deputado Daciolo, deputado federal eleito pelo PSOL-RJ, aparece ao lado de Bolsonaro. É público e notório que o PSTU apoiou a luta dos bombeiros e neste processo tivemos oportunidade de estreitar relações com Daciolo, inequivocamente a grande liderança daquele movimento. Os bombeiros sentiram na pele a repressão do Bope durante a greve de 2011 na ocupação do Quartel Central.
Ocorre que Daciolo se envolveu numa polêmica quando corretamente se manifestou contra violência contra as mulheres no ato político de diplomação.
Após esta manifestação houve nas redes sociais uma tempestade de declarações em defesa de Bolsonaro e em crítica ao Daciolo, ao PSOL, à esquerda e as iniciativas de repúdio as declarações hediondas de Bolsonaro. Posteriormente postaram uma foto em que Daciolo aparece ao lado de Bolsonaro.
Tudo isso é agravado pelo fato do próprio Daciolo estar divulgando um vídeo onde propõe que um general das Forças Armadas assuma o cargo de ministro da Defesa. Nesta declaração cita os baixíssimos investimentos nas Forças Armadas em comparação com países centrais e atribui a isto o alto índice de violência. Divergimos categoricamente de Daciolo.
Sabemos que Daciolo sofre uma pressão enorme de sua base social, que o elegeu com mais de 50 mil votos, e por isso, infelizmente, tentou se retratar diante das alas mais conservadoras das Forças Armadas. Ao nosso ver, Daciolo acertou em cheio quando protestou contra a violência contra a mulher e se equivocou enormemente ao sinalizar querer se conciliar com um filhote dos anos de chumbo.
Discordamos categoricamente da necessidade de se ter um general como ministro. Este fato remonta a época da ditadura. Defender mais verbas para as Forças Armadas como solução para o problema da violência é gerar mais militarização das favelas, mais mortes e confrontos armados. O problema da violência é um problema social. Precisa ser tradado com oferta de empregos decentes, salários dignos, educação e saúde pública, de qualidade, legalização das drogas para acabar com o tráfico, acesso à arte, cultura, lazer e esporte.
Defendemos a mais ampla democracia para os praças das Forças de Segurança. Chega de ditadura nos quartéis! Os praças deveriam ter o direito de se organizarem politicamente, criar sindicatos e lutar por suas reivindicações como a eleição dos seus próprios comandantes. Tudo isso na perspectiva da desmilitarização da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. E de fazer com que os soldados, cabos e sargentos, entendam que o problema do país é que os generais, junto com os governos, vêm entregando nossas riquezas para a elite do país e aos países imperialistas. Os generais, governos, megaempresários, todos os ricos e poderosos, tem o mesmo interesse que é defender seus lucros e privilégios, enquanto o povo pobre e trabalhador é brutalmente explorado e oprimido. Vemos isso nas fábricas, nos canteiros de obras, nos estaleiros, nas ruas e também nos quartéis. A saída não é um governo militar, dos generais, como foi na ditadura militar, mas sim um governo dos trabalhadores sem os patrões.
Por fim, acreditamos que a eleição de Daciolo expressou a heroica luta dos bombeiros e seu mandato deve ter esta marca. Consideramos fundamental que os movimentos sociais não titubeiem na luta contra as declarações machistas de Bolsonaro. A tarefa de qualquer parlamentar de esquerda é se opor categoricamente a este indivíduo que defende a volta da ditadura militar e o interesse das elites.





