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Dayse defende o fim das UPP´s e a desmilitarização da PM

Candidata do PSTU ao Palácio Guanabara
defendeu as propostas durante entrevista
ao SBT na manhã de hoje (12)
Foto: Divulgação.
   A nossa companheira Dayse Oliveira participou na manhã de hoje da sabatina promovida pelo SBT Rio, em parceria com a Folha e o portal Uol. Durante a entrevista, Dayse falou sobre os pontos mais sensíveis aos trabalhadores do estado e defendeu o programa do partido para as eleições desse ano.

   Questionada sobre a recente greve dos profissionais de educação, Dayse, que também é professora da rede estadual de ensino, afirmou que Pezão dá continuidade ao projeto de privatização da educação no RJ e que toda sociedade sai prejudicada com o descaso dos governos com a educação pública. Dayse, que está licenciada da diretoria do SEPE/RJ, vem sofrendo ataques do governo do estado, através da secretaria de educação, como parte da política de criminalização das lutas, através do corte de ponto e abertura de inquérito administrativo que pode resultar até mesmo em demissão da companheira.

   Questionada sobre a política de segurança pública, Dayse afirmou que vai acabar com as UPP´s e desmilitarizar a PM, pois a política aplicada pelos governos Pezão/Cabral vem criminalizando os jovens da periferia do RJ e tem um direcionamento muito claro: a juventude negra e pobre do nosso estado. Para combater o tráfico, Dayse defendeu a legalização das drogas, com produção e distribuição sob controle do Estado, como forma de enfraquecer o poderio econômico das organizações criminosas, prisão e confisco dos bens dos empresários e políticos que financiam o tráfico de drogas e, para os dependentes e familiares que necessitam, acompanhamento médico gratuito fornecido pelo Estado.

   Questionada sobre a relação do nosso partido com os “black blocs”, Dayse foi categórica em afirmar que o partido não possui nenhuma relação com estes grupos e que não compactuamos com as ações isoladas nos atos e manifestações praticadas por estas organizações, como já deixamos claro em diversas notas políticas em polêmicas públicas travadas desde as manifestações de junho de 2013.

Transporte
   O transporte público no RJ segue um caos. E os mais prejudicados, obviamente, são aqueles que produzem toda a riqueza do nosso estado: os trabalhadores e trabalhadoras. Para conseguirmos um transporte público de qualidade, que atenda as necessidades dos trabalhadores, com passe livre para os estudantes, idosos e desempregados, combatendo a máfia dos transportes que segue lucrando as custas do sofrimento do povo pobre, para isso é preciso reestatizar o metrô, trem e barcas, colocando as companhias sob controle dos trabalhadores.

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Repressão e Democracia

por Júlio Anselmo, da Juventude do PSTU Rio


   Muitos ativistas, diante da absurda escalada da repressão policial, imediatamente comparam o momento atual com a ditadura militar ou Estado de Exceção. Isso é fruto da ideia de que na democracia não há repressão às lutas. Mas a realidade mostra que isso não é verdade: a democracia burguesa reprime, e violentamente. Não bastou termos derrubado a ditadura, pois está comprovado que o Estado, mesmo na democracia, só serve aos interesses dos ricos e poderosos, se configurando numa ditadura velada sobre os trabalhadores. Não há outro nome! O que vemos é a repressão da democracia burguesa. Este é o Estado democrático de direito quando os trabalhadores e jovens se levantam.

Contra a repressão e a criminalização da luta dos trabalhadores!

Desde junho, vimos cenas chocantes da brutalidade e truculência da polícia militar. Numa tentativa de acabar com as crescentes mobilizações, que seguem questionando os interesses dos ricos e poderosos, os governos lançam uma brutal repressão contra os que lutam. Juntos com o poder judiciário estão numa força tarefa para perseguir os ativistas. Buscam supostos mecanismos legais para prendê-los, se utilizando da espionagem e monitoramento, numa das maiores ondas repressivas desde a redemocratização.
Os governadores de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – de PSDB, PMDB e PT – prendem ativistas nas passeatas ou em suas casas recorrendo à lei de segurança nacional da ditadura ou à absurda Lei de Organização Criminosa sancionada por Dilma em Agosto. Agora, o ministro da justiça tenta nacionalizar a repressão, utilizando a Policia Federal e propondo a ampliação das penas aos manifestantes. Lembremos ainda o papel nefasto da presidente  Dilma que, além de cúmplice dos ataques à luta dos estudantes e trabalhadores, fez o mesmo para garantir a venda do Pré-Sal, enviando o Exército e a Força Nacional para reprimir os protestos. O PT usa a violência estatal para entregar nossas riquezas naturais às multinacionais.

Defender a democracia dos ricos ou questioná-la profundamente?

O PSOL diz¹ que numa democracia é inadmissível a repressão policial. Nas passeatas ouvimos seus militantes cantando: “Lutar não é crime; Democracia de verdade não reprime”. Com franqueza e honestidade queremos iniciar uma discussão na esquerda para contribuir com o debate sobre as alternativas ao capitalismo.
Dizer que a democracia burguesa não reprime é embelezá-la. É por meio das palavras tentar torná-la o que ela não é, nem jamais poderia ser.  Essa é a finalidade dos reformistas, que defendem irrestritamente a democracia burguesa, numa estratégia de melhorar a sociedade, aos poucos, a partir de pequenas conquistas parlamentares. Com o aumento da repressão, os reformistas clamam pela defesa ou aperfeiçoamento das instituições da democracia. Para se justificar forjam uma suposta ofensiva ditatorial na sociedade. Entretanto, atualmente, não há uma luta entre democracia versus ditadura, mas sim o aumento da polarização entre as classes sociais, com uma luta encarniçada entre os trabalhadores e a burguesia. Aqui não se trata de defender a democracia burguesa, mas sim de questioná-la profundamente. Exigir a radicalização da democracia ou a reforma política-eleitoral não basta, pois isso reforça a hipocrisia e dissimulação da burguesia, perpetuando a exploração e opressão sobre os trabalhadores.
A posição do PSOL fica mais evidente nas opiniões do Deputado Estadual Marcelo Freixo: “Temos que disputar uma concepção de sociedade que não pode negar os canais democráticos. Destruir o prédio da ALERJ não muda a péssima qualidade dos deputados que trabalham dentro da ALERJ. O que muda é o fortalecimento do processo democrático”². “E o que a sociedade quer, principalmente, é uma maior radicalidade na participação popular nas decisões governamentais"³. “A solução para a corrupção não vai ser através de aulas de moral e cívica ou religião, mas através da reforma política, pauta que pode a qualquer momento voltar com força”⁴. Fica claro, a opinião de Freixo, de que as transformações se darão através das eleições, iniciativas parlamentares e o respeito as instituições do regime democrático. Esquecem que esta foi a tônica do falido projeto do PT, que se mostrou inviável, já que a burguesia é quem controla o poder econômico e político da sociedade.
Parece que não entendem que esta democracia não atende aos trabalhadores. Os liberais dizem que somos iguais perante a lei, mas é verdade também que a burguesia contrata os melhores advogados, compram juízes e que as leis são feitas para lhes beneficiar. Há uma suposta liberdade de expressão, mas não dizem que é a burguesia que detém os veículos de imprensa com grande circulação. Dizem que a democracia é liberdade. Mas os trabalhadores não têm a liberdade de deixar de trabalhar todos os dias para participar da vida política. Podemos reivindicar, mas, já é sabido por todos, que uma hora ou outra, chegará a polícia para reprimir. Essa é a democracia dos ricos que os reformistas nas horas mais agudas da luta de classes, ao longo da história, insistem em tentar salvar, salvando junto a dominação burguesa.

Em defesa das liberdades democráticas: ditadura nunca mais!

O imperialismo em nome da democracia declara guerras por lucros, domina os povos por todo o mundo e explora cada dia mais os trabalhadores. Vários setores da esquerda passaram a adotar a defesa da democracia como valor universal, ajudando o imperialismo a esconder-se atrás deste discurso para melhor sustentar sua dominação e exploração, iludindo os trabalhadores. Há também aqueles que em nome de um suposto enfrentamento com o imperialismo estão aliados as ditaduras mais sanguinárias da história como Assad na Síria, se colocando contra a luta do povo por democracia.
Defender a democracia burguesa quando estamos numa ditadura burguesa é muito progressivo, pois melhora as condições de mobilização dos trabalhadores, fortalecendo-os para questionarem a própria dominação burguesa. Democracia e ditadura são formas diferentes de dominação burguesa, e, portanto, não podem ser igualadas em uma análise marxista séria. Na democracia há melhores condições para o desenvolvimento da luta dos trabalhadores.  Por isso também, defendemos amplas liberdades democráticas, que favoreçam a mobilização e emancipação dos trabalhadores, como: direito a manifestação, ao voto, aos trabalhadores construírem partidos, tempo igual de televisão entre os partidos, direito de criar sindicatos e de se sindicalizar, reforma agrária, desmilitarização das polícias, etc. A conquista das liberdades democráticas, ao longo da história, foram resultado das lutas da classe trabalhadora, da força do movimento operário e dos combates por ele travados. Tal fato, entretanto, não torna a democracia burguesa um regime socialmente neutro, e muito menos um regime favorável aos trabalhadores.
Lutamos implacavelmente contra as ditaduras burguesas, principalmente, aquelas sustentadas pelo imperialismo como na Síria. É motivo de orgulho, a Convergência socialista, organização que deu origem ao PSTU, ter seu papel reconhecido oficialmente na luta contra a ditadura. Isto é bem diferente de manter a luta dos trabalhadores nos marcos da democracia burguesa, defendendo-a e iludindo-os como fez o PT afirmando que a saída estratégia é a luta parlamentar.

Pelo poder dos trabalhadores!

A greve dos petroleiros, professores e demais categorias demonstram a força dos trabalhadores. As bombas e tiros provam que não há saída por dentro do sistema capitalista! Não há possibilidades de conciliação entre os interesses dos trabalhadores e da burguesia. Quem diz que governa para todos, tenta disfarçar que governa para os ricos. Está demonstrado pela realidade que para as nossas reivindicações serem satisfeitas temos que transformar radicalmente a sociedade. A única alternativa estratégica é a luta revolucionária contra a burguesia e a tomada do poder político pelos trabalhadores, construindo suas próprias instituições e organismos democráticos de auto-governo. Não queremos apenas maior participação popular nas decisões governamentais, como afirma Freixo, queremos que os trabalhadores decidam tudo. Contra as promessas de reformas políticas ou eleitorais, feitas por demagogos, supostamente, democratas, a saída é a revolução socialista dos explorados e oprimidos.  Só assim será possível exterminar a dominação burguesa que condena a humanidade a dor, miséria e sofrimento.


Tiroteio em favela ocupada por UPP deixa 1 morto e 2 feridos

Por Danilo Firmino, do Rio de Janeiro

   Na última quinta feira, 4 de abril, no início de mais uma noite na favela do Jacarezinho no Rio de Janeiro, que  desde outubro de 2012 é ocupada pela UPP,  os moradores foram surpreendidos por um tiroteio que se deu mais uma vez pelo despreparo e truculência da polícia de Cabral.

   Uma discussão de família foi o início do problema. A mãe repreendia o filho quando policiais da UPP passaram pelo local e ameaçaram prender o rapaz, que foi defendido pela mãe. Para garantir a prisão do jovem, os policiais agrediram a mulher fazendo com que outra filha da mulher, que acompanhou a covarde ação da PM, saísse em defesa de ambos. Resultando na agressão e prisão de todos. Outros moradores testemunharam a ação e se indignaram com a truculência policial.

   Os policiais, com o seu despreparo, possuem o costume de atirar a esmo nas comunidades, como forma de intimidação. Para piorar a situação ridícula, outro grupo de PM’s que estava na outro lado do rio que cruza a favela, conhecido como “A Rua do Valão”, achou que os disparos feitos pelo primeiro grupo de policiais era de bandidos e contra eles. O segundo grupo também começou a atirar, mesmo sem saber o que acontecia.

A insana troca de tiros atingiu um jovem trabalhador que lanchava após voltar de mais um dia de trabalho, além de ferir outros dois que estavam no meio da rua que é paralela ao córrego. O primeiro levou um tiro de fuzil na nuca, morrendo no local. Uma foto circulou a internet mostrando o lanche ao lado de seu corpo. Dentre os outros feridos, um se encontra em estado grave no hospital e o segundo, atingido de “raspão” no braço, está em casa, felizmente fora de perigo.

A população da favela ocupada, que recebeu com boas expectativas a ocupação pela UPP se indignou com este episódio. Na realidade, outras denúncias de casos de abusos policiais vêm criando animosidade entre os moradores e a polícia, como já é comum nas comunidades militarizadas.

Os moradores saíram em protesto e exigiram que a perícia e o delegado fossem até o local do assassinato. Os policiais, acostumados a removerem os corpos das favelas antes da chegada dos peritos e impor sua versão como única, incomodados com esta reivindicação, reprimiram a manifestação com tiros e bombas de efeito moral.

Os trabalhadores que moram no Jacarezinho, como em outras favelas, convivem com inúmeros problemas, como a péssima assistência médica, falta de saneamento básico, transporte público. Hoje o Jacarezinho ainda sofre com a falta de água e luz, pois as concessionárias (CEDAE e LIGHT) se negam a prestar os serviços necessários, como reparos e revitalização nas redes de abastecimento de água e fornecimento de luz, mesmo após a ocupação pela UPP.

A Associação de Moradores e o Movimento Popular de Favelas, filiado a CSP-Conlutas, já encaminharam diversos pedidos às autoridades. Porém, nenhuma resposta foi obtida. A ação mais recente foi protocolar uma denúncia formal na 25ª Delegacia de Policia contra a CEDAE, a LIGHT, a prefeitura do Rio e o governo estadual.

Mas Sérgio Cabral e Eduardo Paes, apoiados por Dilma, divulgam o Rio de Janeiro como uma ilha da fantasia, onde os trabalhadores da favela estariam contentes com as UPP’s, realizando eventos esportivos nas favelas, como se a militarização tivesse preenchido todas as ausências de serviços básicos e acabado com os problemas de segurança.

Quando nos deparamos com a realidade podemos perceber que estas políticas, na verdade, são formas de criminalização da pobreza, tendo com o carro chefe a UPP. Até a presidente Dilma tem defendido este projeto como solução nacional para a crise da segurança pública. Porém, a política da UPP não resolve diversos problemas nas comunidades, como saúde, educação e saneamento básico, nem o problema da violência que atinge em maior grau os trabalhadores nestes locais.

Este mais recente assassinato é uma prova disto. Temos que buscar uma verdadeira política para o enfrentar o tráfico de drogas e armas, que não passa pela criminalização das drogas. Na realidade este é um argumento para criminalizar as comunidades carentes e justificar a militarização destes territórios, mantendo assim estes trabalhadores submissos a sua condição de exploração e degradação.

Vale lembrar que esta polícia foi formada historicamente para agredir e reprimir os mais pobres, movimentos sociais e etc. Não podemos nos submeter a polícia que nos mata!


Exigimos:

1- A investigação e punição de todos os culpados por este assassinato no Jacarezinho!
2- O fim do genocídio da juventude negra e pobre das favelas!
3- O imediato investimento em saneamento básico, saúde, energia elétrica e educação nas favelas ocupadas pela UPP!
4- A legalização das drogas e o fim da criminalização da pobreza!
5- O fim da Polícia Militar, como já foi indicado até pela ONU, e a criação de uma polícia unificada e que os delegados sejam eleitos pelos trabalhadores da região em que eles vão atuar!

Venham todos a reunião no dia 10/04/13 na Associação de Moradores do Jacarezinho, às 12:00, para discutirmos ações unitárias contra os abusos e a luta pelos direitos dos trabalhadores da Favela! 

Greve continua na Bahia e se alastra para o Rio

Jornal Nacional, noite de 8 de fevereiro. Enquanto um grupo de 350 policiais grevistas eram sitiados na Assembleia Legislativa da Bahia por forças do Exército, o telejornal de maior audiência do país veicula gravações telefônicas ‘autorizadas pela Justiça’ dos líderes da mobilização. Na gravação, dirigentes como Marcos Prisco e o cabo Benevuto Daciolo, liderança da greve dos bombeiros no Rio, aparecem articulando o movimento ou, na linguagem da Globo, ‘combinando atos de vandalismo’.

Instantes depois, o Exército reforça o efetivo que cerca os grevistas. Helicópteros dão rasantes no céu para intimidar. Não há dúvidas: a ordem é fazer a reintegração do prédio ocupado. Poucas horas depois, o cabo Daciolo é preso assim que pisa no aeroporto do Rio retornando da capital baiana. Os fatos mostram claramente. Rede Globo, Polícia e Governo Federal e os da Bahia e Rio, articularam uma ação sem precedentes de repressão para pôr fim à greve da Polícia Militar na Bahia e, principalmente, impedir que o movimento se alastre para outros estados.

A data não foi escolhida por acaso. No dia seguinte, policiais e bombeiros do Rio realizariam uma assembleia em que votariam a greve. Era preciso bater forte naquele momento. Na manhã do dia 9, os policiais baianos deixam a Assembleia após oito dias de ocupaçãopara impedir um banho de sangue e Prisco, principal dirigente da categoria no estado também é preso, junto com outros três lideranças.

Greve continua
No decorrer do dia 9, porém, o movimento dá sinais de força na Bahia. O enorme aparato repressivo deslocado pelo Governo Federal para pôr fim à greve, que incluiu 2 mil homens do Exército, só serviu para atiçar mais ainda a indignação dos policiais. Em Salvador, os policiais vão direto da Assembleia Legislativa para a sede do Sindicato dos Bancários e lá, em assembleia e diante da intransigência do governo Wagner, decidem continuar o movimento de greve.

“Ôôô, a PM parou... a culpa é do governador”, entoam os mil policiais presentes na assembleia. “A desocupação não nos derrotou, a campanha da mídia contra a greve não irá nos vencer; a PM parou e a culpa é do governador”, declarou à reportagem do Opinião Socialista um dos policiais. No final do dia, o governo Wagner anunciava o corte no ponto dos grevistas.

No mesmo momento no Rio de Janeiro, algo como sete mil policiais civis, militares e bombeiros se reuniam e lotavam a praça da Cinelândia para decretarem a greve. Entre as principais reivindicações estava a não punição aos colegas baianos e a libertação imediata do cabo Daciolo. O presidente do PSTU no Rio, Cyro Garcia, levou a solidariedade à mobilização dos policiais e responsabilizou o governo Cabral pela greve. O partido distribuiu 10 mil panfletos de solidariedade à mobilização e outros milhares de adesivos denunciando a postura ditatorial do governo carioca.

Cyro: “Greve é um direito”
“A greve é um direito ou não é?”, perguntou Cyro à multidão. Diante do uníssono “sim”, Cyro questinou: “PM é trabalhador, sim ou não?”. Com a afirmação, emendou: “Se a greve é um direito do trabalhador e os policiais são trabalhadores, então vocês tem todo o direito de fazer greve”, sendo muito aplaudido. Para Cyro, “a mesma burguesia que nega aos policiais o direito de greve, utiliza essa mesma polícia para cometer arbitrariedades como foi o caso da brutal desocupação do Pinheirinho, ou como ocorre quando o governo reprime qualquer greve ou mobilização”.

Para Cyro, é necessário mudar esse caráter da polícia, que hoje defende os direitos e interesses dos ricos, como do especulador Naji Nahas em São José dos Campos. O dirigente terminou sua fala puxando uma palavra de ordem que foi cantada por todos: ‘Sérgio Cabral, seu ditador/liberte Daciolo, que é trabalhador’.

Os policiais aprovaram a greve por unanimidade, com o aquartelamento das tropas a partir desse dia 10. Policiais de estados como Pará, Paraná, Alagoas e Rio Grande do Sul também ameaçam cruzar os braços.


Leia também




  • Fonte Portal PSTU [10/2/2012 12:16:00]

    Marcha de policiais e bombeiros reúne 15 mil no Rio de Janeiro

    Por Thiago Hastenreiter, do Rio de Janeiro

    • No último domingo (29), aproximadamente 15 mil pessoas estiveram presentes na 1ª Marcha da Segurança Pública em Copacabana, que contou com a união dos trabalhadores das Polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros, para denunciar o salário de miséria e as péssimas condições de trabalho das corporações. Nem a chuva foi capaz de impedir a mobilização, que recebeu amplo apoio da população. Bandeiras, lenços e toalhas vermelhas foram estendidos pelos moradores do bairro em suas janelas em solidariedade aos profissionais da segurança.

    O governador Sérgio Cabral (PMDB) foi o principal alvo dos manifestantes, e não era para menos. Em 2011 esse senhor prendeu 439 bombeiros, os chamou de vândalos e covardes, e concedeu um reajuste de apenas 5% e outras migalhas. Em um estado onde as obras de reforma do Maracanã já ultrapassaram o valor de R$ 1 bilhão e possui o segundo maior PIB do país, é inadmissível que o salário inicial dos policiais militares seja R$ 780, dos civis R$ 1.492 e dos bombeiros R$ 1.198,24 (incluindo soldos e gratificações).

    Fernando Bandeira, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (SINPOL) fez a seguinte declaração: “Queremos ter o salário vinculado com o delegado de polícia. Hoje nós policiais não ganhamos nem 20% do vencimento deles. É importante essa união, vamos aguardar até o dia 10, caso não aconteça uma reunião com o Governo estaremos todos juntos, unidos para uma Greve Geral.”

    Cyro Garcia, presidente do PSTU-Rio, arrancou eufóricos aplausos ao denunciar a hierarquia conservadora e reacionária das Forças Armadas, e chamar a greve como única forma de derrotar o governador e conquistar as reivindicações. A Central Sindical e Popular Conlutas também esteve presente e lembrou o massacre à comunidade do Pinheirinho em São José dos Campos (SP).

    Dia 8 de fevereiro haverá uma última rodada de negociações dos três segmentos com o Governo do Estado, e dia 9 uma nova assembleia unificada, às 18h, na Cinelândia, Centro do Rio. A disposição das corporações é seguir na luta e cruzar os braços. “A nossa arma é a greve”, disse um policial que não quis se identificar.

    O teleférico do Complexo do Alemão e as lições de uma barbárie contemporânea

    Da Redação

        Ano passado, logo após a reeleição, o governo do estado do Rio de Janeiro implantava no Complexo do Alemão mais uma Unidade de Polícia Pacificadora, a chamada UPP. Com a desculpa de trazer a paz, combater o tráfico de drogas, libertar os moradores e garantir o tal “Estado Democrático de Direito”, Sérgio Cabral ampliava seu projeto de criminalização da pobreza. Esta política foi um dos pilares da sua campanha eleitoral e conta até hoje com o apoio de amplos setores da sociedade.  As Forças Armadas que ocupam estas comunidades seguem o treinamento realizado na vergonhosa intervenção militar que o Brasil faz no Haiti.

          No mês de novembro, esta ocupação completa um ano. A mídia e o governo apresentam um cenário maravilhoso sobre os benefícios da UPP. Porém, os relatos que ouvimos diariamente de nossos alunos, responsáveis e colegas, moradores do Complexo do Alemão, é bem diferente.

           Recentemente, fizemos um “passeio” numa das obras mais divulgadas nas propagandas do governo do estado: O TELEFÉRICO DO COMPLEXO DO ALEMÃO.  O que a princípio seria o famoso “matar a curiosidade” se transformou num revelador quadro da política facista da tríplice aliança Dilma/Cabral/Paes. Como somos profissionais de educação, resolvemos escrever este artigo para o “Opinião Socialista”, pois não poderíamos deixar de compartilhar nossas análises da barbárie contemporânea a qual estão sendo submetidos o conjunto de trabalhadores e a juventude destas comunidades.

           Ao entrar na estação Bonsucesso, enfrentamos o primeiro problema: o elevador não funcionava e tivemos que subir uma imensa escadaria para chegar até a bilheteria. Moradores tem direito a uma passagem de ida e volta diária, após cadastramento. Visitantes pagam R$1,00 para subir e, R$1,00 para descer.

           Após a compra do bilhete, uma escada rolante nos leva até o embarque. Fomos atendidos por jovens trabalhadores, cena que se repete em todas as estações. Simpaticamente nos ajudam a entrar no teleférico já que ele se movimenta bastante. Sua estrutura é extremamente frágil para um meio de transporte. Para detectar isso não é preciso grandes estudos. Os bancos são desconfortáveis e ficamos com a sensação que um carro de montanha russa de parque de diversões causava uma impressão de segurança maior. O teleférico tem capacidade para transportar 10 pessoas. Estávamos em um grupo de quatro, por isso, não compreendemos como seria possível tal lotação, nem como garantir o transporte de cadeirantes e de carrinhos de bebê, já que o espaço é pequeno.

          Passamos por todas as estações: Adeus, Baiana, Alemão, Fazendinha e Palmeiras. Durante este trajeto, percebemos que o teleférico não é simplesmente um meio de transporte. Ele é funcional ao mundo do capital, pois serve para controlar e vigiar toda a massa da classe trabalhadora pauperizada que ali vive. Do alto podíamos observar não só a geografia do Rio de Janeiro, mas toda a movimentação ocorrida na comunidade. Era possível ver, detalhadamente, as cenas cotidianas do interior das casas: pessoas lavando roupas, assistindo televisão, dormindo ou voltando do mercado. Parecíamos espectadores de um “Big Brother da vida real”.

          Reconhecemos algumas escolas e creches da região. Afinal, como profissionais de educação este era um dos principais focos do nosso “olhar”, já que diariamente convivemos com as péssimas condições de trabalho e o drama da falta de vagas para estudantes. O número de casas, e obviamente de moradores e alunos, era superior ao que imaginávamos. Muito maior do que comportaria a quantidade de unidades escolares que existem na rede pública. Mas a ausência de políticas governamentais para esta população não acontecia só nesta parte.

         Havia uma grande quantidade de lixo espalhado. Não identificamos postos de saúde ou hospitais. Era perceptível que várias casas estavam em situação de risco. Muitos moradores cobriam caixas d’água e tentavam resolver os problemas ocasionados pela chuva do dia anterior, possivelmente para evitar riscos de doenças. Contraditoriamente, os governos que anunciaram uma epidemia de dengue para o verão, culpam a população. Os mesmos que deram a saúde pública para as OS’s e desviam verbas da saúde e educação, estavam ausentes neste momento. A única presença do Estado visível estava na concentração de militares fortemente armados, prontos a reprimir a população.

           Chegando a última estação, descemos do teleférico e pudemos observar algumas paredes de construções que restaram das demolições, onde se lia a frase pintada em vermelho: “Esta propriedade pertence ao governo do Estado”. Havia também algumas barracas com a venda de comidas e bebidas. Os banheiros estavam fechados.

           Na volta, após o impacto inicial da ida, tivemos a certeza do significado do teleférico e do resultado da UPP naquelas comunidades.

           A ocupação militar não garantiu uma vida melhor aos moradores. Apesar de uma sala de Cinema, de citação e personagens em novelas, da propaganda da mídia, do aumento de ONG’s e do teleférico, os trabalhadores continuam sem emprego, saúde, educação, moradia, transporte, cultura, lazer e saneamento básico.  Violência, tráfico de drogas, pobreza e criminalização continuam latentes.

         Para disfarçar a ausência de política para estes problemas os governos concedem bolsa família, bolsa carioca e uma série de outras políticas compensatórias. Tais programas permitem que os trabalhadores dessas comunidades não vivam em pobreza absoluta, garantem a manutenção do “exército industrial de reserva” e, também controlam a organização e mobilização por melhores condições de vida e trabalho.

         As Unidades de Polícia Pacificadora, defendida por Dilma, Cabral e Paes, impõe uma nova política de segurança, criando a ilusão da humanização do capitalismo. Com esse discurso ajudam seus aliados, banqueiros e empresários, a continuar explorando a juventude e os trabalhadores. Desta forma, mantêm o lucro dos verdadeiros barões das drogas, que não vivem nestas comunidades e, escondem a principal questão: como o tráfico ocorre se não existem indústrias bélicas, nem plantação e laboratório para o refino de drogas?

       A criminalização da pobreza desloca o domínio do confronto direto, com os verdadeiros culpados, para a ocupação territorial nas áreas onde vivem populações trabalhadoras de baixa e baixíssima renda. Desta forma é possível o governo justificar a intervenção militar, controlar e garantir a manutenção da exploração da burguesia nacional e internacional.

       O teleférico nos fez perceber que os problemas dos trabalhadores não serão solucionados apenas com a luta pela educação. Uma mudança só será possível com o fim do capitalismo e a construção de uma nova sociedade, através da luta dos trabalhadores.


    Nota: Após o envio deste artigo, o governo estadual implantava mais uma UPP na maior favela da América Latina: a Rocinha. O discurso é o mesmo de um ano atrás, assim como as prisões de traficantes. Coincidentemente, ocorre após denúncias do fracasso da política das UPP’s e, às vésperas do ano eleitoral.

    Ocupação da Rocinha pela polícia não vai resolver o problema da segurança

    Operação faz parte da política de militarização das favelas e criminalização da pobreza

    Da redação



     
       Helicóptero sobrevoa favela no Rio

    •    Com cerca de 3 mil homens, com o Bope (Batalhão de Operações Especiais) à frente e a participação de veículos blindados da Marinha, a Secretaria de Segurança do Rio colocou em marcha, na madrugada de 12 para 13 de novembro, a cinematográfica operação “Choque da Paz”, que consistiu na tomada da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, na Zona Sul da cidade.

        A invasão, chamada de ‘pacificação’, contou ainda com um verdadeiro batalhão de jornalistas como retaguarda. Imagens veiculadas exaustivamente pelos telejornais reproduziam cenas que poderiam muito bem ter saído do Iraque, não fosse o cenário de barracos apinhados e ruelas estreitas da paisagem carioca.

        Em uma cena montada para as grandes redes de TV, policiais hasteavam a bandeira do Brasil e a do Rio na favela, como símbolo da chegada do “Estado de Direito” à região. Consta que os policiais tiveram que esperar o final da corrida de Fórmula 1 para que a rede Globo pudesse transmitir ao vivo o “evento”. ‘A Rocinha é nossa’, estampou o jornal O Globo no dia seguinte à ocupação.

    Militarização e criminalização da pobreza
        A ocupação da Rocinha foi alardeada pelo conjunto da imprensa como um marco na gestão do Secretário de Segurança José Mariano Beltrame, e do governo de Sérgio Cabral. Fecha-se um cinturão de favelas ocupadas ao redor de áreas nobres da cidade e abre-se caminho para a 19ª UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), já anunciada com 1.500 homens. A meta do governo Cabral é a criação de 40 UPP’s ao todo na cidade, com vistas à Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas de 2016, criando uma espécie de “zona verde” para seus amigos empresários desfrutarem das belezas do Rio.

        O governo e a imprensa divulgam a ocupação militar na maior favela do país como uma ‘libertação’ dos cerca de 100 mil moradores da região. Com a tomada do controle do tráfico, agora os serviços públicos básicos poderiam chegar ao local. O prefeito Eduardo Paes já anunciou o aumento de 100 garis. “O grande desafio no primeiro momento é o lixo”, declarou à imprensa.

        Paes e Cabral ignoram o histórico de abusos e violência que marcaram outras ocupações, como a do Complexo do Alemão em 2010, na qual os policiais deixaram um rastro de agressões e roubos. O furto aos domicílios foram tão freqüentes que começaram a ser chamados de ‘garimpo’ pelos próprios policiais, que se referiam às comunidades como ‘Serra Pelada’. As inúmeras denúncias realizadas pelos moradores, inclusive de um trabalhador que teve o seu Fundo de Garantia roubado, foram ignoradas.

        Para não ocorrer novamente os mesmos escândalos, o governo Cabral adotou uma estratégia inusitada: os policiais foram proibidos de usar mochilas durante as operações na Rocinha. Isso mesmo, a solução para evitar que o “garimpo” se repetisse na Rocinha foi impedir... as mochilas.

    Leva na mala
        Na versão oficial, alardeada pela imprensa e o governo, a polícia e as Forças Armadas empreendem uma guerra contra o tráfico pelo controle das áreas das favelas. A realidade, por outro lado, não é tão maniqueísta. Recentemente, a prisão do homem apontado como o chefe do tráfico na Rocinha, o Nem, mostrou a relação entre o crime e a corporação. O traficante estava escondido no porta-malas de um carro escoltado por policiais, que até agora não conseguiram explicar o que faziam por lá.

        O próprio Nem declarou em entrevista aquilo que todo mundo já sabe: metade de seu rendimento ia para subornar policiais. Suborno que necessitaria de centenas de mochilas para carregar. Como se impedir isso? Proibindo também o tráfego de veículos nas favelas?



    Milícias
        Quando não existe uma relação de cooperação pura e simples entre tráfico e polícia, existe uma relação de competição pelo controle da área e de serviços clandestinos como TV a cabo pirata e venda de gás. É aí que entram as milícias, associações de policiais que tomam determinada área para explorar seus moradores. A atuação das milícias nas áreas ocupadas do Rio é mais um elemento que mostra que a presença policial nas favelas não significa maior segurança ou qualquer tipo de vantagem à população.

        Os traficantes podem não controlar hoje as áreas das três favelas ocupadas. Mas o consumo de drogas, principalmente das áreas nobres da Zona Sul do Rio, não vai acabar. Quem vai fornecer isso? Ninguém garante, por exemplo, que a própria polícia, através das atuais ou de novas milícias, não fique tentada a gerenciar um mercado tão lucrativo.

        A tese de que os policiais envolvidos nas operações são novos e, assim, ainda não ‘contaminados’ pela corrupção que corrói a corporação tampouco é factível. A própria estrutura da polícia é viciada, com o alto escalão comprometido e articulado com a Justiça e políticos de expressão. Influência que torna as milícias, inclusive, ainda mais perigosa que o tráfico, com alto poder de pressão e retaliação. O assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto último em Niterói, inclusive com o envolvimento de um comandante, mostrou a força desses bandidos fardados, que também ameaçam a vida do deputado Marcelo Freixo (PSOL).

        Longe de ser uma medida contra o crime e em favor das populações pobres, a política de ocupação militar das comunidades do Rio faz parte de uma estratégia de militarização das favelas e de criminalização da pobreza, com o único objetivo de controlar aquelas áreas para garantir a tranqüilidade para a Copa e os Jogos Olímpicos. A população carente continuará no fogo cruzado entre traficantes e a polícia, enquanto lhes são negados serviços básicos como saúde, educação, saneamento e a mais básica infra-estrutura urbana.

        E o governo Cabral, por sua vez, poderá prosseguir em sua política fascista de remoções e expulsão dos pobres das áreas visadas para os jogos.

    Descriminalização das drogas e fim da polícia
        O combate às drogas é apenas um pretexto para ocupar e reprimir as comunidades negras e pobres. Enquanto a polícia prende e exibe à imprensa os peixes pequenos, os grandes beneficiados pelo tráfico de drogas e armas estão bem longe das favelas. Políticos, juízes, a alta hierarquia da polícia gozam de absoluta imunidade enquanto a população se vê à mercê da violência dos bandidos e dos desmandos e abusos policiais.

        Enquanto a produção e consumo de drogas forem proibidos, vai continuar havendo tráfico, violência e um pretexto para se atacar a população marginalizada. A única forma de se golpear o tráfico é através da descriminalização das drogas e seu controle através do Estado. Só assim se poderá tirar o monopólio que existe hoje, informalmente, dos grandes traficantes.

        Da mesma forma, enquanto houver essa polícia que existe hoje, vai continuar existindo violência contra a população pobre e negra. A função destaa polícia é a manutenção do status quo, da ordem atual, o que passa pela defesa dos interesses de quem está no poder. Por isso o PSTU defende a extinção da polícia e a criação de uma força de segurança popular, democrática, controlada pela população e que realmente defenda seus interesses e a sua segurança.

    Nota de solidariedade ao deputado estadual Marcelo Freixo

    Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ

       É com muita indignação que o PSTU acompanha a viagem forçada à Europa do deputado Marcelo Freixo. Após receber sucessivas ameaças de morte e não poder contar com o poder público para garantir sua proteção e de sua família, o deputado viu-se obrigado a aceitar o convite da Anistia Internacional e refugiar-se longe daqui para acumular forças e reorganizar seu esquema de segurança. Apenas em outubro foram descobertos sete planos das milícias para colocar fim a vida de Marcelo.

       Em 2008 o deputado presidiu na Assembleia Legislativa a “CPI das Milícias”, na qual indiciou mais de 200 pessoas, entre elas policiais, políticos e bandidos de todo tipo. Mesmo após a comprovação da veracidade das ameaças, a Secretaria de Segurança nada fez para reforçar a segurança do parlamentar, apesar dos apelos reiterados de Freixo. Para agravar ainda mais a situação, os milicianos que fizeram as ameaças fugiram da prisão e estão livres para executar seu plano maligno.

       A rede de influências e a trama na qual está inserido o deputado é de extrema complexidade. Não se trata simplesmente de uma luta do poder público, ou do “Estado democrático de direito”, contra grupos armados independentes, que aterrorizam a nossa cidade. Se assim fosse, a solução seria mais fácil. O problema é que as milícias estão por fora, mas, sobretudo, por dentro do aparato de Estado. Elas são impulsionadas pelos baixíssimos salários dos policiais e incentivadas por políticos ligados a setores marginais da burguesia carioca. 

       Não se trata de um problema isolado ou de ordem pessoal do deputado. O Rio de Janeiro vem passando por uma reforma de higienização e de criminalização da pobreza. As remoções de comunidades carentes como a da Favela do Metrô, estão a serviço de um plano de obras para favorecer grandes empreiteiras como a Delta e Odebrech.

       Atrás de toda a festa entorno da Copa do Mundo e das Olimpíadas existe uma política de repressão contra os pobres e um farto banquete para os ricos. Enquanto os bombeiros, profissionais da educação e o pessoal da saúde recebem um salário indigno e humilhante, o senhor governador Sérgio Cabral viaja de helicóptero para se confraternizar com seu amigo Eike Batista. 

       O que está em jogo é mais do que a vida individual do valente deputado. O que está em jogo é o futuro da esquerda, dos lutadores sociais, de cada militante que não se intimida e nem abaixa a sua bandeira.

       A cidade do Rio de Janeiro precisa de uma alternativa frente à política opressora, exploradora e racista de Cabral e Paes. O PSTU chama a construção de uma Frente de Esquerda Classista e Socialista para as eleições municipais de 2012. Aqueles que lutam juntos nas ruas, também devem se unir nessas eleições. Essa frente deve ser encabeçada pelo deputado do PSOL Marcelo Freixo, e composta também pelo PSTU e PCB, respeitando seus respectivos lastros sociais.

       Em nada fortalece a esquerda e o combate aos ricos e poderosos a aliança com partidos inimigos como o PV de Gabeira, Zequinha Sarney, Sirkis e companhia. No entanto, foi essa a decisão do Congresso Estadual do PSOL, que infelizmente foi levada adiante por Marcelo Freixo em suas conversas com Gabeira.

       Para quem não se lembra, o PV esteve na gestão César Maia (DEM), que promoveu a mesma política de higienização social e perseguição aos trabalhadores camelôs.

       A militância do PSOL pode contar com o PSTU para seguir na luta pela Frente de Esquerda sem PV e sem patrões.

    Crise atinge alta cúpula da polícia no Rio de Janeiro

    Por Jacob Rodrigues, do Rio de Janeiro (RJ)

    • No estado do Rio, a mais alta cúpula da segurança pública dos sucessivos governos foi diretamente acusada dos diversos tipos de crimes. De formação de quadrilha a assassinato.

    Este é o Estado onde o ex-chefe da Polícia Civil dos governos Garotinho e Rosinha, Álvaro Lins, responde a uma série de processos criminais, tendo inclusive amargado cadeia no presídio de segurança máxima Bangu 8.

    Nos últimos dias um terremoto atinge mais uma vez a cúpula. Desta vez na Polícia Militar. A partir do assassinato da Juíza Patricia Aciolly, onde, segundo a imprensa, todos os indícios apontam para as fileiras da Policia Militar, os chefões da PM parecem um castelo de cartas: caem.

    O comandante da PM pediu exoneração. Os coronéis que chefiavam as UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadora) foram substituídos e novas mudanças são anunciadas enquanto fechávamos esse texto.

    Megaeventos
    Há no estado do Rio uma ofensiva dos ricos e poderosos de tomarem para si fatias maiores do espaço urbano. Não se pode pensar a realização de eventos como a Copa do mundo, Olimpíadas, ou mesmo a prevista visita do novo Papa, deslocados dessa lógica.

    Esta é a mesma lógica que faz recrudescer o gatilho fácil. Somos o estado onde já se teve a gratificação faroeste. Um prêmio dado a policiais por mortes. São os famosos ‘autos de resistência’. Grande parte dos quais escamoteiam a execução pura e simples.

    A tentativa de impor uma brutal contenção social, expulsando comunidades inteiras, sob as mais diferentes alegações, é parte desse projeto para redesenhar o espaço urbano. É parte de transformar o que foi a especulação imobiliária anos atrás em lucros reais. Dessa vez, financiados com dinheiro público nas mega obras dos mega eventos.

    Há precedentes históricos. A burguesia carioca, junto aos latifundiários, bradava no início do século passado que era necessário expulsar as classes perigosas do centro da cidade. Para essa elite não havia dúvidas, as classes perigosas eram especialmente os trabalhadores, o povo pobre e, em especial, o povo negro.

    Uma indústria na ilegalidade
    Depois de décadas de abandono e sucateamento do parque industrial da cidade e do Estado, uma parcela dessa burguesia percebeu que é possível obter lucros astronômicos combinando uma perna em atuação legal e outra na ilegalidade.

    Projeta-se a exploração de linhas de vans ilegais em um setor da cidade gerando um lucro diário da ordem de R$ 200 mil. Sem falar no controle da distribuição e venda de botijões de gás, gatonet, e taxas de segurança.

       Isto não pode ser feito sem um aparato armado que garanta a segurança do negócio. Tal segurança é feita por empresas na legalidade, por meninos do tráfico, mas também por uma parcela da própria polícia, em especial a PM, que ultrapassa a barreira da legalidade.

       Essa é a polícia que, sob as ordens de Cabral, prendeu 409 bombeiros. Mas esta é também a polícia sobre a qual não faltam acusações. Vão desde o assassinato da juíza, passam pelo recebimento de propina nas áreas invadidas e ocupadas por UPP’s, passam pelo extermínio de parcela da população – em especial a população pobre e negra (o caso do menino Juan é emblemático), chegando até a formação de milícias, que não passam de quadrilhas organizadas para extorquir o povo pobre.

       O tráfico de drogas e de armas é outra faceta de uma indústria atuando na ilegalidade.

       Não estão na cidade ou no Estado os complexos industriais produtores de armas e munições na escala em que são utilizados no Rio de Janeiro. Tampouco as plantações e os laboratórios para a preparação da cocaína, do crack, maconha, e agora o terrível OX.

       O volume comercializado, a dimensão do capital envolvido, apontam para o necessário financiamento dessa indústria de risco. Não é nas comunidades, nos morros, nos bairros populares que os financiadores deveriam ser procurados. Para isso o que deve ser feito é seguir o caminho desse dinheiro manchado com o sangue de nosso povo pobre. Manchado com o sangue de nossa juventude, especialmente nossa juventude negra.

       Porém não será com uma polícia construída e mantida para defender a propriedade privada que isso se dará. Esta polícia transforma-se – e os fatos o demonstram – em beneficiária direta desse mal disfarçado jogo de atuar na legalidade com os pés na ilegalidade.

    Polícia para quem precisa. Mas que polícia?
       As UPP’s são a menina dos olhos do governador Sergio Cabral. Este é governador dos 13 presos políticos do Consulado dos Estados Unidos. Dos tiros contra professores, da prisão de bombeiros. Este é o homem que declarou que as mulheres das favelas são fábricas de produzir marginais.

       Sob seu comando tanques ocuparam as comunidades. Sob sua direção comunidades inteiras vivem sob o controle das UPP’s. Entretanto não há indício de nenhuma investigação buscando identificar os financiadores da indústria da morte.

       Por um lado UPP’s, por outro a ocupação direta da chamada Força Nacional. Soldados, em grande parte utilizados na ocupação do Haiti, controlam militarmente regiões como o Complexo do Alemão. A população, em particular as mulheres, são vítimas das mais variadas arbitrariedades e abusos.

       Infelizmente, o Deputado Marcelo Freixo (PSOL), um crítico costumeiro da política de UPP’s, frente à resistência que começa a se expressar entre os moradores do Complexo do Alemão contra a ocupação da Força Nacional, passa reivindicar a instalação de UPP’s, para ‘conseguir a paz’.

       Precisamos de uma polícia de outro tipo. A realidade demonstra que a existência de uma polícia militarizada transita perigosamente entre a legalidade e a ilegalidade.

       É urgente a extinção da Policia Militar. A investigação de todos os seus membros e a construção de uma única policia, desmilitarizada, controlada pelos trabalhadores e a população. Uma polícia com seus chefes eleitos diretamente. Com direito a construção de sindicatos e direito de greve.

       Precisamos inverter a ordem. As investigações precisam recair sobre os financiadores, e sobre os que lucram rios de dinheiro com a indústria da morte. Isto não pode ser feito por uma polícia a serviço da propriedade privada, por uma polícia que atua para os ricos e poderosos e que se beneficia da própria ilegalidade.

       Esta ordem só começará a ser invertida quando ricos e poderosos começarem a freqüentar as cadeias do outro lado das grades.

    CRIANÇAS DO RIO: UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

    Via de regra, não me comovo com as coberturas da mídia burguesa quando das tragédias que se abatem cotidianamente sobre a humanidade.
    Isso porque os jornais escritos e os televisionados, distorcem os fatos, buscando explorá-los, não com o fito de trazer solução aos problemas, mas sim para, extraindo o máximo da tragédia humana, conseguirem mais e mais audiência, isto é, maiores lucros.
    Desta vez, confesso, foi diferente.
    No dia de ontem, ouvi algum comentário, vi rapidamente, “lendo por cima”, uma notícia e outra na internet. Mas por questões de ordem profissional e pessoal, ontem não deu tempo de ver o jornal televisivo noturno.
    Entretanto, ao ligar a TV hoje, nos primeiros minutos do meu despertar, tive o meu quarto invadido pela exploração midiática da Rede Globo, via o jornal Bom Dia Brasil, desta lamentável tragédia que se acometeu sobre a classe trabalhadora da cidade do Rio de Janeiro.

    Tropa de elite da corrupção


    Crise na cúpula da polícia desmascara
    política de segurança pública do governador Sérgio Cabral
    Cyro Garcia, do Rio de Janeiro
    Apesar do sucesso de público dos filmes Tropa de Elite I e II, não existe obra de ficção capaz de superar a realidade que ocorre na polícia do Rio de Janeiro. No final do ano passado, a capital e várias regiões do estado foram surpreendidas por ataques promovidos supostamente por traficantes. Estes episódios provocaram a ocupação militar dos complexos da Vila Cruzeiro e do Alemão, ambos localizados na Zona da Leopoldina da cidade do Rio. A ação chegou a ser chamada de “dia D” da polícia do Rio de Janeiro e contou com grande apoio da população.
    Já naquele momento, o sociólogo e professor da Universidade Federal Rural do Rio (UFRRJ) José Cláudio Souza Alves analisava o que estava por trás da ação. Segundo ele, o que estava ocorrendo era uma reorganização do crime organizado no Rio com um claro objetivo de enfraquecer a facção do Comando Vermelho, que dominava os complexos citados, em favor da facção Terceiro Comando e das milícias formadas por policiais civis e militares.
    A ocupação dos complexos acabou se tornando uma variação da política das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), que representam uma ocupação de comunidades com prévio aviso aos traficantes. Assim, o tráfico simplesmente mudava de endereço, provocando uma perda de território do crime.
    Na verdade, o que houve foi uma troca da opressão dos traficantes pela praticada por polícia e exército. Denúncias de roubo e desrespeito aos mais elementares direitos dos moradores por parte dos policiais foram fartas. O advogado e membro da OAB Aderson Bussinger relatou: “Pude pessoalmente ouvir relatos de torturas praticadas por policiais, inclusive tendo como vítimas jovens e o caso de um deficiente físico que apanhou muito dos policiais somente porque tremia, o que foi interpretado como culpa. Pude também ouvir denúncias sobre a apreensão de motocicletas que, na verdade, em sua maioria, não eram de traficantes, mas de simples moradores que fazem o trabalho de mototáxi na favela. Ouvi também de um irmão de um preso que o retrato deste foi exibido nos jornais e televisão, tendo, posteriormente, sido apurado que não era traficante. Ocorreram muitas e muitas invasões de casas, com arrombamentos que deixaram as crianças traumatizadas até hoje.”
    Ao se pronunciar sobre as denúncias dos moradores, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que “uma minoria de maus policiais não pode manchar o sucesso da operação.”
    Toda banda podre
    Recentemente, a “Operação Guilhotina” da Polícia Federal jogou luz sobre a verdadeira essência da política de segurança da dupla Cabral/Beltrame. A operação desbaratou uma quadrilha que tem como líder o subchefe operacional da Polícia Civil, o delegado Carlos Oliveira, homem de confiança de Allan Turnowski, chefe dessa polícia. A quadrilha é acusada de vender armas apreendidas de traficantes para membros de outra facção, passar aos criminosos dados de operações policiais e controlar a milícia da Favela Roquete Pinto, situada na Zona da Leopoldina, próxima ao Complexo do Alemão. Segundo escutas telefônicas da Polícia Federal, a quadrilha chamou a ocupação do complexo de “garimpo da Serra Pelada” e ofereceu um serviço, com ajuda de informantes, no qual eles indicariam onde estavam os esconderijos do tráfico. Em troca, pediram 30% de tudo que fosse encontrado.
    Como se não bastasse, o próprio chefe da Polícia Civil, homem de confiança de Beltrame, foi acusado por uma testemunha de receber propina de contraventores e de uma quadrilha de contrabandistas que atuaria no comércio popular do Rio de Janeiro. Diante de tudo isso, Turnowski foi demitido.
    No último dia 6, mais de 300 policiais, com apoio de blindados da Marinha, ocuparam nove comunidades de Santa Teresa e do Complexo do São Carlos, onde posteriormente será instalada pelo menos mais uma UPP. A PF teria flagrado policiais desviando fuzis, drogas e munição dos traficantes, como ocorreu no Alemão.
    A tentativa de Beltrame de responsabilizar uma minoria de maus profissionais beira o ridículo, quando são identificados delegados da cúpula envolvidos em ações criminosas.
    A FARSA DA CIDADE PACIFICADA
    A política de segurança de Cabral e Beltrame é genocida e fascista, pois criminaliza a pobreza, impondo uma pena de morte informal à juventude negra das comunidades carentes. Também mantém uma relação promíscua com o tráfico e as milícias, e se baseia única e exclusivamente na repressão.
    Entendemos que a política das UPPs é uma farsa com o objetivo de dar uma falsa sensação de segurança, principalmente na Zona Sul e nas comunidades do Centro e da Tijuca, visando a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
    Se quisermos de fato dar uma resposta à questão da segurança, temos de assegurar educação, saúde, emprego e moradia digna para o conjunto da classe trabalhadora. Isso é o oposto da política do governo Dilma, que anunciou cortes drásticos nas áreas sociais.
    É preciso desmilitarizar a PM e manter uma única polícia com salários dignos e direito a greve e sindicalização. É preciso fazer uma devassa na atual polícia, mantendo apenas aqueles policiais que não tiveram envolvimento em qualquer tipo de crime, além de realizar concurso público rigoroso para a contratação de novos policiais. É preciso que os delegados sejam eleitos pelas comunidades e que seus mandatos sejam revogáveis caso sua conduta não se paute pela observação e preservação dos direitos dos trabalhadores.
    Por fim, é necessária uma discussão séria e responsável para descriminalizar as drogas, pois seu tráfico alimenta o tráfico de armas, e a descriminalização acabaria dando um golpe mortal em ambos.