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Justiça ou Bárbarie? Justiceiros são inspirados por ideologias neonazistas

Jovem agredido e preso no Flamengo (Foto: reprodução Facebook)

Por Dirley Santos e Arthur Gibson, redação Rio.

31 de janeiro, sexta-feira à noite ...
Um adolescente negro, de 15 anos, é perseguido pelas ruas. Pego, é violentamente espancado, leva uma facada na orelha e tem sua roupa arrancada. Depois da surra, chorando, é preso nu a um poste, como em umpelourinho improvisado.
Uma situação que remeteria a cenas de cinema, retratando o racismo da KuKluxKlan nos EUA da primeira metade do século passado, ou mesmo a pinturas sobre os períodos colonial e imperial no Brasil.Mas aconteceu em pleno século XXI, na Av. Rui Barbosa, zona sul da cidade do Rio de Janeiro.
A motivação? O jovem, menor de idade,estaria supostamente assaltando pessoas na região.
Seus algozes? Jovens brancos, de classe média, moradores da região que resolveram “fazer justiça com as próprias mãos”.
 O rapaz só foi libertado após a chegada de soldados do Corpo de Bombeiros, que precisaram usar um maçarico para abrir a trava de bicicleta que o prendia e depois o levaram para o Hospital Municipal Souza Aguiar.

Agressores pertencem a grupo de ”justiceiros”
Ao que tudo indica, a agressão foi obra de um grupo local organizado de jovens, inspirados em ideologiasfascistas, autodenominados “Justiceiros do Flamengo”.Segundo depoimento do jovem agredido, o grupo, que frequentaria uma academia ao ar livre na Enseada de Botafogo, era composto por cerca de 30 homens que chegaram em 15 motos, atacando a ele e a outros dois jovens com capacetes, rasteiras e joelhadas. Um deles estaria armado com pistola.
De acordo com a própria polícia, o grupo vem atuando desde o ano passado agredindo e torturando a todos que julgam suspeitos. Um grupo que supostamente fazia uma ação foi detido. Sem antecedentes criminais, eles serão investigados por formação de quadrilha e por corrupção de menores. Mas comonenhum dos acusados foi identificado pela vítima; eles pagaram fiança e foram liberados, provavelmente em menos tempo do que o jovem que eles prenderam ao poste demoroupara se livrar da tranca no pescoço.
O jovem agredido, por sua vez, se encontra refugiado em um abrigo da prefeitura após ter fugido do Hospital Souza Aguiar, no centro, por não se sentir seguro.

Grupos de extermínios se fortalecem no Brasil
Uma onda de ataques a supostos criminosos e moradores de rua em diversos bairros por parte de grupos que se autointitulam “justiceiros” vem se tornando rotina na região metropolitana do Rio de Janeiro. Recentemente casos semelhantes aconteceram na região da Lapa, na praia de Copacabana e no bairro da Tijuca. 
Em São Gonçalo um jovem, que trabalha como caseiro, foi confundido com assaltante e foi linchado até a morte no bairro de Maria Paula. Pelo menos mais quatro pessoas foram espancadas em ruas da cidade no mesmo período, mas conseguiram sobreviver. Um vídeo que circula nas redes sociais e foi inclusive transmitido em TV aberta um jovem, supostamente usuário de drogas, foi assassinado com um tira na cabeça, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
A antropóloga e ativista social Yvonne Bezerra, que foi quem primeiro socorreu o jovem agredido, lembra que nos anos de 1980 existiam gangues de jovens, de classe média da Zona Sul, que saíam às ruas bem vestidos, armados de pau e tacos de beisebol para bater em pessoas em situação de rua.
A existência de grupos deste tipoé a face mais dura de uma socieda de capitalista baseada em preconceitos racistas, machistas e homofóbicos e em uma mentalidade de segurança pública que defende o “olho por olho, dente por dente”, “bandido bom, é bandido morto”.
De acordo com o Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasil, publicado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), a cada 100 mil jovens, 53,4, com idades entre 14 e 25 anos, foram assassinados, em 2011. E entre 1908 e 20111, as mortes por homicídio, tiveram um aumento de 326,1%. Criando um caldo de cultura de mais violência entre a população.

Homem amarrado nu no bairro da Tijuca
Na  grande mídia: apologia. Nas nas redes sociais: polêmica
Em diversas postagens sobre o tema, principalmente em veículos da mídia grande, páginas de apoiadores e organizações neonazistas e comunidades de policiais e militares, é possível ver um número grande de pessoas declarando apoio as ações dos “justiceiros”.
Em boa parte destas declarações pipocam principalmente frases e xingamentos contra moradores de rua, negros e homossexuais. Além de ameaças aos que questionam e criticam estes grupos. A própria Yvonne Bezerra, denunciou que vem recebendo seguidas ameaças em seu perfil no Facebook.
Chegou-se ao ponto da apresentadora do Jornal do SBT, Rachel Sherazade declarar publicamente seu apoio a ação ocorrido no bairro do Flamengo, chegando a afirma que O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite. E, aos defensores dos Direitos Humanos, que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido. Contudo choveram críticas e repúdio a jornalista por parte de vários setores da sociedade.
Como escreveu também no Facebook o estudante João Pedro de Sá, poeta e ativista filiado ao PSTU “Se esse jovem não estava na Pedra do Sal (...) ouvindo a alta poesia da música negra, tomando cerveja e conversando com seus amigos sobre seu trabalho de mestrado não é porque tenha um delírio malévolo de assaltar pessoas, fruto de uma natureza mais maligna ou menos humana que qualquer pessoa, mas porque não existe espaço objetivo pra dignidade e felicidade de todos no projeto capitalista, racista e violento de país que dirige o Brasil. Sem entender isso, não se entende nada e, facilmente, até mesmo sem perceber, se cai no colo dos fascistas”.

É preciso denunciar e combater o crescimento destes “justiceiros”
O atual ressurgimento destes grupos de "justiceiros" no Rio de Janeiro é fruto do crescimento de bandos neonazistas e suas ideologias entre jovens da classe média carioca
Por outro lado também contribui a falência da política de segurança públicaque se apoia na farsa da pacificação através da ocupação militar das comunidades pobres, do não enfrentamento consequente ás milícias formada por paramilitares e na não punição aos policiais e oficiais corruptos.
A própria Anistia Internacional, segundo seu diretor para o Brasil, Atila Roque, já disse preocupada com o apoio que estes crimes cometidos por "justiceiros" tem obtido junto a expressivos setores da sociedade.
Não se pode deixar naturalizar isso, é necessário demonstrar absoluto repúdio e responder com urgência e à altura este tipo de ação reacionária. Pois estes grupos são irmãos siameses de bandos neonazistas (se não os próprios) que em ano passado tentaram intimidar e provocar os movimentos sociais, fixando cartazes próximo às sedes do PCB e do PSTU e atacando as colunas destes partidos e de setores dos movimentos sociais nas manifestações de junho.
Nós do PSTU seguimos, como na época da prisão dos neonazistas de Niterói e dos ataques de junho, conclamando“a todos os demais partidos e entidades democráticas em geral, centrais sindicais e sindicatos, entidades estudantis, ONG’s, quilombos, organizações LGBTs, movimentos sociais e parlamentares para que façamos uma ampla campanha antineonazista para que indivíduos e grupos como estes não proliferem impunemente”.

Milhares na Maré: solidariedade às famílias das vítimas e à comunidade

Por Miguel Malheiros

Uma chuva miúda ainda caía quando o ônibus se aproximava da passarela 9 da Av. Brasil, o local marcado para o ato. Era como se a natureza também quisesse fazer-se solidária à dezena de assassinados em uma incursão da Polícia Militar, do governador Sergio Cabral, na Maré. 

    Um policial aborda o piloto do ônibus e ordena: “não pode parar, só depois do mercado”. Aproveito e desço.
    Encontro companheiras e companheiros. Aí já estão professoras, professores, camaradas do PSTU, da CSP-Conlutas, do Movimento Mulheres em Luta, do Quilombo Raça e Classe, estudantes.

    A chuva pára. Aqui e ali já se ouvem algumas palavras de ordem. Denúncias do Cabral, da truculência da polícia, do apoio da Globo à ditadura, chamados à greve geral em 11 de julho. Em pouco tempo o ato encorpa, somos milhares.

    Começam as primeiras falas. E aí faltou sensibilidade para dar corpo à ideia de que a luta tem que expandir para além das fronteiras da comunidade, transformar-se em luta geral dos trabalhadores e do povo.

    Digo isso porque não garantiram a fala da CSP-Conlutas. A ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre); o MML (Movimento Mulheres em Luta) e outras organizações também não puderam falar. Todas estavam inscritas, mas não receberam autorização para subir no carro de som. Conseguimos garantir apenas a fala do SEPE-RJ. Mesmo assim os milhares de lutadores que vieram trazer sua solidariedade não arredaram pé do local.

    A pista lateral da Brasil, sentido zona oeste, é interditada. Faixas são penduradas na passarela. Pirulitos com os nomes das vítimas vão sendo erguidos, ao menos uma das vítimas tinha 16 anos. Penso, podia ser meu aluno.

     Espantosamente alguém no carro de som diz: “quatro dos mortos eram inocentes”. Como é? Fazemos um ato para admitir que a polícia do Cabral pode atirar e matar se a pessoa for suspeita de ser do “movimento”, do tráfico? Fazemos um ato para admitir que alguns eram culpados, mesmo sem um processo formal com direito à defesa? Se quatro eram inocentes não havia problema dos demais serem fuzilados? 

    Sempre é bom lembrar nesse país não existe pena de morte. Sempre é bom lembrar que a esse Estado capitalista que mata devemos negar sempre a pena de morte. Devemos negar sempre a redução da maioridade penal. Afinal, sem esses instrumentos foram 25 mortes em 30 dias. Entre as vítimas havia muito em comum, a maioria negros, pobres, moradores da comunidade.

    É fato: uma verdadeira indústria da morte está consumindo os filhos e filhas da classe trabalhadora. São os filhos e filhas da nossa classe que estão vertendo sangue, enquanto uns poucos enriquecem com o tráfico de drogas, irmão gêmeo do tráfico de armas e munições.

    São anos e anos dessa política de guerra às drogas. No Rio de Janeiro essa política deu um salto com a nomeação de Beltrame e com as UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadora). Ora, se é pacificadora é porque haveria uma guerra. Em uma guerra matam-se os inimigos. Ataca-se militarmente seu território.

    O resultado prático das UPP’s é que muda a forma como o tráfico de drogas e armas é feito. Para os moradores ficam a militarização da comunidade, os toques de recolher, e ter de aturar todo dia a brutalidade do Estado, de seu aparato repressivo, a PM.

    Chega. É preciso inverter essa lógica que de fato criminaliza a pobreza. Os que enriquecem, aqueles que juntam montanhas de dinheiro com o tráfico de drogas, de armas e munição não estão nas comunidades. É preciso investigar o caminho desse dinheiro sujo com o sangue dos nossos mortos e meter na cadeia os que organizam essa lucrativa indústria da morte. É necessário meter na cadeia os banqueiros que financiam este negócio terrível. Os bens que eles tenham construído explorando essa indústria da morte, devem ser confiscados. Uma boa fórmula é utilizar essa riqueza em clínicas para recuperação de dependentes e campanhas de esclarecimento quanto ao uso das drogas.

    Porém estas medidas devem vir acompanhadas da legalização do comércio e a descriminalização do uso de drogas. A criminalização facilita a corrupção no aparelho estatal, em especial no aparelho policial. A criminalização interessa para os que lucram verdadeiramente com essa indústria. 

   Descriminalizar o uso, legalizar o comércio e estabelecer o monopólio estatal é atacar de frente os interesses dos banqueiros e dos industriais do tráfico de drogas, de armas e munições.

    Tais medidas, em um primeiro momento, podem aumentar o consumo. Elas devem vir acompanhadas da criação de clínicas de recuperação e de campanhas pesadas de esclarecimento sobre o uso e a dependência química, de forma a alcançar resultados parecidos comas campanhas contra o tabagismo.

    Como nos gigantescos atos dos últimos dias, cartazes de cartolina feitos à mão foram erguidos. Em um deles se lia: “Quem policia a polícia?” Desde o carro de som agitaram: “Estado que mata nunca mais”.

    Só é possível policiar a polícia se tivermos uma polícia para defender os trabalhadores e o povo, e não para atacá-los. O Estado que mata é o Estado capitalista, onde a polícia existe para defender os interesses dos ricos e poderosos, os interesses da burguesia.

    É preciso desmilitarizar a polícia, extinguindo a Polícia Militar. Os delegados, os chefes da policia devem ser eleitos. Os policiais devem ter direito de sindicalizar-se, o direito a fazer greves. Devem ter o inalienável direito de não cumprir ordens que signifiquem atacar os trabalhadores e o povo.

Em que tipo de Estado vivemos?

   “Estado que mata nunca mais”? Só é possível concretizar esta consigna se pensarmos em termos de: Estado CAPITALISTA que mata nunca mais!

    Enquanto vivermos sob um Estado dos ricos e poderosos, em um Estado burguês, um Estado capitalista, os trabalhadores, o povo pobre vai ser morto, vai ser atacado pelo Estado.

    É assim em nossas comunidades. É assim com o povo indígena. Foi assim no Pinheirinho. Nos atacam quando lutamos contra o aumento das passagens, quando lutamos pela reeestatização do Maracanã, quando fazemos greves. 

    Precisamos começar a pensar em termos de destruir esse Estado dos ricos e poderosos. Em termos de destruir este Estado burguês e construir outro Estado, um Estado de outra classe social, um Estado dos trabalhadores, um Estado operário.

    Os primeiros momentos dessa reflexão, que esse Estado não é nosso, é dos ricos e poderosos, e esse Estado nos ataca e nos mata já começam a aparecer.

    Os últimos atos gigantescos Brasil afora tiveram muitos e muitos pontos positivos, também no que se refere à consciência política: o combate aos governos e a experiência com o aparato repressivo. Começa a avançar também a experiência que os partidos não são todos iguais.

    As traições do PT, com os governos desse partido se colocando a serviço dos ricos e poderosos, privatizando hospitais, privatizando o petróleo, liberando os transgênicos; as alianças que o PT faz – o vice-presidente da República é do PMDB, mesmo partido do governador Sergio Cabral, governo do qual o PT faz parte, assim como faz parte da prefeitura de Eduardo Paes etc. Estas experiências geraram uma desilusão que levou muitos a pensarem que os partidos são iguais.

    Que essa desilusão com o PT tenha se transformado em desprezo é compreensível, mas a ideia de que todos os partidos são iguais precisa ser enfrentada, trata-se de uma ideia perigosamente errada, e foi usada pelos neonazistas e fascistas. 

   Entre os que gritavam “sem partido” nos atos, estavam também lutadores honestos, que querem realmente construir um mundo mais justo e igualitário. Muitos desses gritavam expressando seu desprezo pelos partidos tradicionais, entre eles o PT. Mas, ao colocar um sinal de igual entre todos os partidos, ou seja, igualando PSDB, DEM, PMDB, PT, e outros, com os partidos da esquerda que se reivindicam socialistas, tiveram, na prática, a mesma palavra de ordem que os fascistas; fizeram, na prática, uma frente única com os neonazistas. 

    Em vários dos atos país afora, muitos dos que gritavam “sem partido” o faziam enrolados em bandeiras verde-amarelas, gritando coisas como: “minha única bandeira é a bandeira do Brasil”. Entre eles estavam os neonazistas. É pouco provável que esse nacionalismo antipartidário se proponha a lutar pelo fim dos leilões do petróleo, ou pela anulação da Reforma da Previdência comprada com a grana do mensalão. Trata-se de uma consciência reacionária que também se expressou nas manifestações.

    No terreno prático esta ideia (sem partido) se materializou na intenção de bandos neonazistas junto com policiais infiltrados de tentarem expulsar fisicamente partidos de esquerda, sindicatos, entidades estudantis, dos atos. Tentaram tomar bandeiras, agrediram e chegaram a ferir gravemente pessoas.

Que desabrochem as flores e os frutos das manifestações

   Porém as sementes qualitativas dos atos da Copa das Manifestações começam a brotar. Aproximando-se o que seria o fim do ato, desde o carro de som começou a se ouvir os primeiros acordes do hino nacional. Uma coluna composta basicamente por jovens, por centenas de jovens, alguns com tambores, que há tempos mostrava seu ânimo, solidariedade e disposição de luta, atravessa a manifestação gritando e cantando em uma só voz, em meio ao hino nacional: “Chega de ironia, esse Estado mata pobre todo dia!”

    Qual estado mata pobre todo dia? O Estado capitalista. Essa é uma das razões que precisamos de outro tipo de Estado, precisamos de um Estado onde os trabalhadores e o povo são quem manda.

    Esses primeiros brotos precisam ser cultivados. O calor e a luz das lutas vão fazê-los desabrochar. Certamente tentarão sufocá-los com tiros, bombas, gás lacrimogêneo, spray de pimenta, mas é possível que isso os torne mais fortes. Tentarão curvá-los, desviá-los com boatos de golpes, com discursos pela unidade, escondendo a unidade com o inimigo, mas é possível que isso os torne mais conscientes.

    A entrada em cena dos setores organizados da classe trabalhadora, nesse momento a greve geral de 11 de julho, pode ser um bom adubo para ajudar nesse desenvolvimento. E aí, é possível que o futuro nos dê flores e frutos.

4 de julho de 2013

Em entrevista coletiva, Cyro Garcia denuncia ataques sofridos pelo PSTU-RJ por grupos de extrema direita

Cyro Garcia esteve acompanhado do jovem Julio Anselmo e
Aderson Bussinger, da Comissão de Direitos
 Humanos da OAB-RJ
Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   Na manhã de ontem (28), no Centro do Rio, o PSTU-RJ convocou uma coletiva de imprensa, com a intenção de expôr para todos e todas a nossa versão do ocorrido durante a manifestação realizada no dia 20/06 em que 15 companheiros/as do nosso partido foram hospitalizados devido a agressões físicas.

   Para Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ, associou o ataque a uma ação organizada por grupos de ultra-direita que já vinham sistematicamente ameaçando e tentando agredir ativistas de organizações sindicais combativas e integrantes de partidos esquerda.

   Em outras cidades do país militantes do nosso partido foram agredidos na mesma semana, como em São Paulo e Maringá. Os agressores possuíam características físicas semelhantes, além do modo de operar. Cyro foi além: "Não há nada de espontâneo. Foi algo orquestrado! Esses grupos se apóiam, por um lado, num sentimento de rechaço aos partidos tradicionais, devido aos seguidos estelionatos eleitorais, e no sentimento anti-partido insuflado pela grande imprensa", afirmou.

   Para Julio Anselmo, da juventude do nosso partido, o ataque não foi apenas dirigido ao PSTU: "esses integrantes de grupos de extrema-direita ordenavam que fossem abaixadas bandeiras de centros acadêmicos. É um ataque ao movimento social organizado e a democracia!", disse.

   O PSTU continuará em campanha, juntamente com outras entidades e partidos políticos, para denunciar toda forma de agressão e atentado a democracia.

Anarquismo e socialismo: o individual e o coletivo nas mobilizações de massas

Por Henrique Canary

Certa vez, Margaret Thatcher, a primeira-ministra mais odiada da história da Inglaterra, afirmou: “Não existe essa coisa de sociedade, o que há e sempre haverá são indivíduos.” Diante de nossos olhos, em uma única frase, vemos resumida toda a filosofia neoliberal, reacionária e burguesa que domina o mundo há quase três séculos. Desde que o capitalismo existe, as classes dominantes e seus pensadores tentam nos convencer exatamente desta ideia: a de que os meus interesses como indivíduo são opostos aos interesses da sociedade como um todo. E quando esses interesses entram em conflito, o que deve prevalecer são os interesses individuais, mesmo em detrimento de toda a sociedade. É a filosofia perfeita para justificar a propriedade privada e o lucro individual.

Assim, a necessidade de “manter as vias livres” para que carros particulares possam circular é a justificativa mais importante para a repressão exercida pela PM de São Paulo durante os atos contra o aumento. Não importa se são 12 mil nas ruas por uma causa justa. O que importa é que os indivíduos devem poder passar com seus carros. A luta dos movimentos sociais sempre foi por romper com essa lógica: por organizar os explorados e oprimidos; dar a eles a noção da igualdade de seus interesses; estruturar suas forças; dar estabilidade, continuidade e alcance à sua luta; combater a ideologia liberal-individualista.

Liberalismo burguês: a verdadeira filosofia do anarquismo
O anarquismo é hoje uma força influente nos movimentos contra o aumento das passagens em todo o país. Sua ideia central é a defesa de um movimento “horizontal”, formado apenas por “indivíduos”, sem partidos ou sindicatos, sem qualquer organização, estrutura e estabilidade. Essa ideia parece muito boa, mas é muito ruim. O movimento contra o aumento precisa da classe trabalhadora para vencer, precisa atrair os movimentos sociais organizados, e é justamente aí que a “horizontalidade” e a “individualização” do movimento exibem seus limites.

Gostemos ou não, a dura realidade é que os trabalhadores são explorados, oprimidos e alienados pelo capitalismo. Por isso, quando dispersos em “individualidades”, os trabalhadores podem muito pouco, ou quase nada. Um “indivíduo” trabalhador, sozinho, não conquista um aumento salarial, não enfrenta o patrão, não pára uma fábrica, não ocupa uma rua ou uma praça, não coloca a linha de produção para funcionar. Tudo o que os trabalhadores fazem – seja no trabalho ou na luta econômica e política – o fazem de maneira coletiva e organizada. Só podem fazer assim porque isso é da natureza de sua classe. Somente quando se organizam e se submetem conscientemente à disciplina de um coletivo, quando entrelaçam seus braços em um piquete e resistem coletiva e disciplinadamente à investida dos fura-greve – somente aí é que os trabalhadores começam a adquirir algum “poder”, alguma liberdade.

A “liberdade individual”, tal como defendida pelo liberalismo e pelo anarquismo, pode ser uma boa ideia para as classes médias da sociedade. São elas que lutam pela própria sobrevivência de modo sempre individual, com seus pequenos empreendimentos comerciais e empregos competitivos. Mas para a classe operária, as coisas são diferentes. A força dos trabalhadores está em sua organização, mais do que em seu número ou em suas individualidades.

Por isso, o surgimento de simples sindicatos só foi possível historicamente graças a uma luta prolongada contra a burguesia. Partidos políticos operários, então – pior ainda. Se contabilizarmos a história geral de todo o movimento operário mundial, na maior parte do tempo os partidos operários estiveram na ilegalidade. Em larga escala histórica, a existência de partidos operários legais é uma exceção. O direito dos trabalhadores à organização foi arrancado a ferro e sangue e é uma gigantesca vitória sobre o inimigo de classe. E a burguesia entende isso.

No Brasil, que vive em uma “democracia” há quase trinta anos, as pessoas tem uma tendência a desvalorizar essa enorme conquista. Os partidos estão desgastados e a maioria deles abusou da paciência dos trabalhadores, é verdade. Mas não seria justo aplicar a todos os partidos a mesma medida que a burguesia quer impor aos movimentos sociais como um todo: semi-proibí-los, escondê-los, forçá-los a se manifestar apenas em situações específicas, torná-los insignificantes perante as grandes massas, desmoralizá-los. Ou não é justamente isso que a mídia e os governos tentam fazer com o movimento em geral?

O “apartidarismo”: supressão da liberdade, sob gritos de liberdade
Assim, há nos movimentos contra o aumento uma ideia que é muito difundida: a de que partidos políticos não deveriam levar bandeiras, não deveriam se manifestar em atos e passeatas. A justificativa é sempre a mesma: “a união de todos”. Mas há um problema nessa justificativa. Como “unir” todo mundo se se proíbe alguns de se manifestarem, de expressarem, por meio de uma bandeira, o que pensam do mundo e as causas que apoiam?

Ora, o movimento de massas lutou muito no passado, entre outras coisas por democracia e liberdades políticas. Muito sangue foi derramado e muitos lutadores tombaram para que houvesse hoje no Brasil um mínimo de liberdade pelo menos para fundar um partido político e levantar uma bandeira em praça pública.

Mas alguns setores anarquistas cumprem um papel verdadeiramente vergonhoso. Tentam proibir, inclusive por meio da força física, que os militantes dos partidos políticos exerçam uma liberdade elementar: a liberdade de expressão, de levantar uma bandeira, de dizer “nós apoiamos este movimento”. Não é exatamente por essa mesma liberdade que estamos nas ruas neste exato momento? Não lutamos pelo direito de poder lutar?

Suponhamos que seja proibido aos militantes de partidos políticos levantarem suas bandeiras. Afinal, nem todos os que participam da passeata são, por exemplo, do PSTU. Muito bem. Mas fica a pergunta: e se os militantes LGBT resolverem apoiar a causa e levarem suas belas bandeiras coloridas? Serão proibidos de lavantá-las? Faremos com eles o que os setores mais reacionários da sociedade fazem? Os expulsaremos da manifestação? Afinal, nem todos os que participam da passeata são homossexuais e a causa LGBT não contempla toda a passeata! Vamos agir da mesma forma que agem Marco Feliciano e Silas Malafaia? “Mas o movimento LGBT não é um partido!”, dirão alguns. Muito bem. Mas é uma causa. É uma ideia. É um sonho, da mesma forma que o socialismo. A bandeira vermelha é o símbolo deste sonho.

Ou então: se os militantes do MST levarem suas bandeiras, serão também proibidos de levantá-las? Por acaso o  MST não é também um movimento social tão organizado e legítimo quanto os partidos políticos? Ou o MTST? Ou a bandeira negra da Anarquia? Ou a bandeira lilás da luta das mulheres? Ou do movimento negro? Vamos forçar todos a baixarem suas bandeiras? Não é exatamente a diversidade de bandeira e opiniões que faz um movimento forte? Não são todos os movimentos sociais também e ao mesmo tempo movimentos políticos? Ou se há uma diferença entre esses dois tipos de movimento, quem determina quais os movimentos são puramente “sociais” e quais são “políticos”? Onde está esta fronteira tão bem definida que alguns companheiros dizem enxergar? Quem decidirá quais bandeiras baixar e quais não? Tudo isso não parece um pouco... autoritário? Não seria mais democrático e lógico admitir simplesmente que todos podem e devem levar suas bandeiras e tornar com isso a passeata tão colorida que ninguém ouse dizer que o movimento pertence a essa ou àquela organização?
Lutar contra as bombas... e as ideias do inimigo!
A ideologia “apartidária”, pregada pelos anarquistas (e muitas vezes apoiada por setores sinceros e bem intencionados do movimento) parece muito progressiva, mas é muito reacionária. É a ideologia mais conservadora que existe porque é o liberalismo levado às últimas consequências: só admite indivíduos; ignora o caráter necessariamente coletivo e necessariamente organizado das ações da classe trabalhadora. Com isso, o movimento cai no jogo malandro das classes dominantes e se enfraquece, pois expulsa de antemão da luta o ator mais importante de toda e qualquer transformação social mais profunda: a classe trabalhadora e suas organizações.

Não é à toa que os governos e a imprensa sempre se remetem ao fato de que existem, supostamente, “partido infiltrados” neste e naquele movimento. Querem fazer as pessoas acreditar que só são válidos os movimentos individuais, sem qualquer organização. Querem ver as pessoas dispersas. Se para isso usarão bombas de gás lacrimogêneo ou ideias – tanto faz. Enquanto isso, eles mesmos (os governantes e a imprensa) têm seus próprios partidos, os financiam e os protegem. Que nobres! Que sacrifício fazem! Se “sujam” com a política para que as pessoas não tenham que se sujar! Ao quererem proibir a participação de partidos nas mobilizações de massas, os anarquistas só jogam água neste moinho burguês; combatem as bombas do inimigo, mas inalam e se contaminam de suas ideias.

Além disso (e para piorar), é por terem essa visão individualista ao extremo, que os setores anarquistas são, em geral, os primeiros a romper a disciplina do coletivo. Caem nas provocações da polícia e decidem por sua própria conta realizar ações que só prejudicam a luta e desmoralizam a todos, como danificar estações de metrô, se enfrentar com trabalhadores do comércio e do transporte e um longo etc. Para os anarquistas, portanto – liberdade individual irrestrita!; para os militantes dos partidos – baixem as bandeiras! Como Luis XIV, o rei da França que dizia ser ele próprio a encarnação do Estado (“O Estado sou eu”, dizia), os anarquistas agem segundo um princípio parecido, o mesmo de Margaret Thatcher, o mesmo do liberalismo: o de que só existe o indivíduo e (vejam que sorte!) o indivíduo... sou eu!

Fernando Soares, jornalista militante sofre agressão homofóbica

Foto: GT Rede das Impactadas.
Na noite de 18 de maio estava acontecendo um fraternal encontro pelo aniversário de um do amigo do jornalista. O local foi na Sinuca do Bico, no centro da cidade, entre a Rua Riachuelo e a Rua do Resende.

Segundo testemunhas, foram em torno de 5 homens os agressores, eles já vinham provocando o grupo do jornalista falando entre outras agressões homofóbicas como que entre eles só tinha “viado”. No momento em que Fernando estava no banheiro foi espancado sofrendo uma concussão cerebral e fratura da mandíbula. Hoje espera por uma cirurgia, por conta de um coágulo formado em decorrência da agressão.

Condenamos este tipo grupos homofóbicos, racistas e até nazistas que vem realizando a agressões recentes. Contra Fernando essa violência é mais grave ainda por que ele mesmo é militante contra a criminalização das lutas de milhares de moradores que enfrentam a política de despejo de Paes e Cabral.

Por Setorial de Movimentos Populares da CSP-Conlutas RJ

BANDO DE NEONAZISTAS PRESO EM NITERÓI É O MESMO QUE AMEÇOU MILITANTES SOCIALISTAS NO RIO

Grupo foi preso após agressão a homem de origem nordestina
Foto: Ivaldo Anastácio / Futura Press
O bando de jovens neonazistas detido na manhã deste sábado (27/04), ao agredir violentamente um homem próximo à estação das Barcas em Niterói, Região Metropolitana do Rio, somente por ser ele de origem nordestina, é o mesmo que recentemente colou cartazes pelo bairro da Lapa ameaçando de morte militantes socialistas, próximo das sedes do PSTU e do PCB.
Os jovens detidos, que vestiam camisas com inscrições de um grupo neonazista e tinham tatuagens com o símbolo da suástica tinham em sua posse além do material COMBAT 18, panfleto de propaganda nazista, várias facas e um taco de beisebol.
De acordo com Helen Sardenberg, delegada adjunta da 77ª DP (Icaraí), onde o caso foi registrado os crimes somados, dentre eles intolerância de cor, raça, etnia, religião e origem; e fabricação, comercialização ou veiculação de símbolos de divulgação do nazismo, lesão corporal, formação de quadrilha e corrupção de menores são inafiançáveis.  Os presos são Thiago Borges Pita, 28 anos, Carlos Luiz Bastos Neto, de 33, Caio Souza Prado, 23, Davi Ribeiro Morais, 39, e Philipe Ferreira Ferro Lima, 22; além deles, o grupo incluía um adolescente e uma mulher.

Material de apologia ao nazismo encontrado com os agressores (fonte: Portal Bandnews)
Exigimos a condenação destes neonazistas
Voltamos a afirmar que não toleraremos qualquer tipo de provocação, ameaça ou intimidação aos nossos e aos demais militantes de esquerda, movimentos sociais, ou de qualquer organização democrática e por isso exigimos que o Estado e a polícia levem à frente investigações sérias que visem desbaratar estes bandos  violentos.
Por fim, continuamos a chamar os demais partidos e entidades democráticas em geral, centrais sindicais e sindicatos, entidades estudantis, ONG’s, quilombos, organizações LGBTs, movimentos sociais e parlamentares para que façamos uma ampla campanha antineonazista para que indivíduos e grupos como estes não proliferem impunemente.

Direção Estadual PSTU-RJ


Leia mais sobre o assunto aqui

Ameaça neonazista no Rio de Janeiro


Da redação local

Ameaça aos militantes "vermelhos"
 remete a jargões da época do nazismo
 Na semana do 8 de março, dia internacional de luta da mulher trabalhadora, o bairro da Lapa foi coberto por cartazes de uma organização neonazista denominada Combat 18 – Divisão RJ. O “18” é derivado das iniciais de Adolf Hitler. O “A” e o “H” são a primeira e oitava letras do alfabeto latino.
Em uma clara tentativa de intimidar e provocar os movimentos sociais, muitos dos cartazes foram afixados nas colunas do prédio onde está situado o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU. Um dos cartazes afirma: “Comunistas e subversivos, o Combat 18 está de olho em vocês.(...) Ninguém será poupado!!!(...) Estejam preparados pois a única alternativa para vocês é a MORTE!!! (...) Lixo vermelho a sua hora chegou”.
Original da Inglaterra, o Combat 18 tem seções em alguns países do mundo, entre eles o Brasil. É o braço armado do National Front, partido inglês de extrema direita nacionalista, fundado na década de 70. Nas eleições de 1979 recebeu mais de 190 mil votos. Em 2010 apresentou 17 candidaturas nas eleições gerais e 18 nas locais, não obtendo uma única representação. Possui ligações com os famosos torcedores hooligans e uma rede de bandas que promovem músicas neonazistas, o Blood&Honour (sangue e honra).
Na cidade do Rio de Janeiro, o Combat 18 tem aproximadamente cinco ou seis membros e não possui absolutamente qualquer lastro social. É um grupo de classe média que esconde seus rostos e são covardes contra aqueles que julgam inferiores. O blog da Divisão RJexibe os textos “Códigos da Raça Ariana”; os “25 pontos do Partido Nacional-Socialista Alemão (1920)”; imagens de espancamentos de moradores de rua negros; cartazes de agitação; além de inúmeras “teorias” raciais e antissemitas.
Diante de tais ameaças, o PSTU define que:
Aqui as ameaças fascistas
são contra mulheres e LGBT's
Em primeiro lugar: não toleraremos qualquer tipo de provocação, ameaça ou intimidação aos nossos e aos demais militantes de esquerda, movimentos sociais, ou de qualquer organização democrática.
Segundo: procuraremos demais partidos operários, partidos e entidades democráticas em geral, centrais sindicais e sindicatos, entidades estudantis, ONGs, quilombos, organizações LGBTs, movimentos sociais e parlamentares para fazer uma ampla campanha antineonazista.
Terceiro: Iremos também prestar queixa na polícia. Por mais que o Combat 18 não tenha expressão social, o PSTU entende que devemos nos precaver de qualquer inciativa desse grupo. 
Por último, o Combat 18 não conhece as tradições do movimento operário. Somos sobreviventes da Guerra Civil Espanhola e dos campos de concentração nazistas na II Guerra Mundial; vencemos as ditaduras na América Latina nas décadas de 60, 70 e 80; resistimos aos torturadores do regime militar. Sob a bandeira da Liga Operária e da Convergência Socialista lutamos contra a ditadurano Brasil. Em nome daqueles que lutaram e deram a vida combatendo os fascistas, não toleraremos qualquer tipo de ameaça à nossa organização.
Nos reconhecemos em cada militante que luta contra os planos de austeridade na Europa, ou contra as ditaduras no Norte da África e Oriente Médio. Somos homens e mulheres de todas as cores e nacionalidades, de todas as orientações sexuais e livres de todos os tipos de preconceitos. Nós somos grandes e não admitiremos que toquem em um só de nossos militantes.