CPI do Vandalismo é instaurada na Alerj


Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que criminaliza os movimentos sociais instaurada pela base do governo Cabral contou com assinatura do deputado Marcelo Freixo, do Psol.

 Por Arthur Gibson, da Redação

Foi oficializada nesta quarta-feira, 19 de fevereiro, a CPI do Vandalismo na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). O pedido para instauração da Comissão, proposta pelo deputado estadual Bernardo Rossi (PMDB), foi assinado por 40 deputados de todos os partidos que compõem a casa, dentre eles Marcelo Freixo (PSOL).
De acordo com o deputado governista Bernardo Rossi, a convocação da CPI estaria justificada, pois  com as manifestações violentas que ocorreram no país “estão em jogo a democracia, a liberdade de imprensa e a vida”. O deputado peemedebista deixa claro também que pretende “responder a perguntas como ‘Quem comprou os morteiros?’, ‘Com que dinheiro?’, ‘Quem levou estes artefatos até lá?’, ‘Quem oferece ajuda jurídica para estas pessoas?’. São questões que precisam ser esclarecidas para que esta violência isolada e articulada tenha fim”.

Os governos tentam calar as ruas
Desde a trágica morte do cinegrafista Santiago Andrade tem havido um grande esforço da burguesia brasileira em tentar impor uma ofensiva repressiva sobre os movimentos sociais. A mídia busca construir um verdadeiro clima de pânico e insegurança na população diante das manifestações, novamente definidas como “baderna”, “vandalismo” e “terrorismo”.
Com isso a imprensa ajuda os governos estaduais e, em particular, o governo Dilma na tentativa de esvaziar as mobilizações e jogar a população contra os manifestantes. A insinuação de que o PSOL ou o PSTU pagam pessoas para cometer atos de vandalismo busca fazer com que os trabalhadores encarem os atos como ilegítimos, e os ativistas como manipulados. Em relação ao Deputado Marcelo Freixo, é visível a tentativa do governo Sérgio Cabral de tentar desgastar sua imagem com objetivos eleitorais, visto que Freixo teve expressiva votação nas eleições municipais, o que pode ameaçar o domínio do PMDB no estado.
No marco desta ofensiva se situam também a tentativa de retomada no Congresso Nacional da Lei que tipifica de maneira genérica o crime de “terrorismo”. Com o PT e o PMDB à frente, a aprovação desta Lei possibilitaria um salto na criminalização das manifestações, ao tornar “terroristas” os manifestantes.

A quem serve a CPI?
A proposta de uma CPI do Vandalismo no RJ se enquadra dentro da tentativa do governo Sérgio Cabral de levar às últimas consequências a exploração política da morte de Santiago Andrade, avançando ainda mais na criminalização dos movimentos sociais.
Desde junho passado foram detidas mais de 700 pessoas no Rio de Janeiro em decorrência dos protestos. Foi no RJ também que se deu a primeira condenação relacionada aos protestos no país. Com a CPI, o objetivo da base aliada do governo Cabral é trazer pra dentro da ALERJ as investigações sobre as ações acontecidas nas manifestações e estabelecer as possíveis conexões políticas dos manifestantes.

Nenhuma confiança na Alerj! Abaixo a repressão!
A ALERJ não tem nenhuma moral ou autoridade para investigar manifestante algum. Esta casa é cúmplice e responsável pelas ações do governador Sérgio Cabral. Totalmente dominada pela base aliada do governo, a ALERJ em momento algum buscou investigar ou condenar os inúmeros abusos cometidos pela PM durante as manifestações ou nas favelas, como no caso do assassinato de Amarildo. Tampouco demonstrou alguma intenção efetiva de investigar os escândalos de corrupção do governo Sérgio Cabral. Os deputados estaduais do RJ até hoje não tomaram a sério como pauta nenhuma das reivindicações que as manifestações trouxeram à tona. A ALERJ é cumplice do governo Cabral na corrupção, no sucateamento dos serviços públicos, e na criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. A instauração da CPI coloca nas mãos destes deputados que desde o ano passado são alvo das manifestações a prerrogativa de investigar as próprias manifestações.  
Neste sentido é de surpreender e lamentar a posição do deputado Marcelo Freixo de assinar o pedido da CPI governista. Ao fazer isto o deputado empresta sua credibilidade ao governo Cabral quando este manobra para perseguir manifestantes. Ao mesmo tempo, a assinatura de Freixo acaba por gerar expectativas quanto à possibilidade da CPI ser um instrumento legítimo para esclarecer questões pendentes sobre o caso da morte do cinegrafista Santiago Andrade.

Não a criminalização dos movimentos sociais!
O PSTU foi o único partido da esquerda a polemizar abertamente com os Black Blocs, condenando as ações violentas descoladas do movimento de massas e seguimos com esta posição. Por este motivo, inclusive, fomos criticados por simpatizantes deste grupo. No entanto, jamais abandonamos a nossa posição de defender intransigentemente qualquer manifestante diante da repressão do Estado.
A CPI do vandalismo deve ser combatida como um instrumento a serviço do governo Sérgio Cabral e seus aliados para criminalizar as manifestações. O papel dos socialistas, em especial de um parlamentar socialista, é de fazer uma denúncia incansável dos objetivos desta Comissão e de mover todos os seus esforços para que ela fracasse. É isto que esperávamos do deputado Marcelo Freixo. Convocamos o conjunto dos movimentos sociais e partidos de esquerda a lutar contra a CPI do vandalismo.   

Convite para o lançamento do livro "Anarquismo e Comunismo", dia 26, 18:30h

   O PSTU-Rio de Janeiro e a Editora Sundermann tem o prazer de te convidar para o lançamento do livro "Anarquismo e Comunismo", obra clássica do membro do partido bolchevique Evguen Preobrazhenski.

   Considerado um dos trabalhos mais importantes do grande revolucionário e economista russo Evgueni Preobrazhenski, Anarquismo e Comunismo continua sendo uma obra fundamental para o entendimento do pensamento marxista em sua sua oposição ao anarquismo. Partindo das questões mais concretas colocadas pela construção socialista na Rússia no início dos anos 1920, Preobrazhenski apresenta um quadro completo da incapacidade do pensamento anarquista de responder à complexa e contraditória realidade da revolução proletária. E o faz de tal forma, que o mais simples camponês ou operário simpático ao anarquismo possa entender e refletir de maneira independente.

   A publicação de Anarquismo e Comunismo é mais importante ainda porque ocorre em um momento de grande efervescência política no país, o que tem provocado, por distintos caminhos, um certo fortalecimento das ideias e sentimentos anarquistas em toda uma camada de jovens ativistas e lutadores sociais. Tal fortalecimento não é uma novidade histórica, e ocorreu todas as vezes em que as massas, ao se levantarem contra seus opressores, não encontraram um forte partido marxista organizado e influente, capaz de dirigir e inspirar os trabalhadores no espírito da luta política de classes, ou seja, da luta pelo poder de Estado. A esse respeito, podemos estabelecer uma verdadeira lei histórica: quanto mais as massas se encontrem desiludidas e desgastadas por terem confiado durante anos a fio nos partidos da esquerda reformista, maior tende a ser a influência exercida pelo anarquismo nos conflitos de rua e nos movimentos em geral, principalmente entre aqueles indivíduos que apenas despertam para o combate e dão seus primeiros passos no caminho das lutas sociais. Assim, se confirma a ideia de Lenin, segundo a qual “o anarquismo foi, muitas vezes, uma espécie de expiação dos pecados oportunistas do movimento operário.” Infelizmente, ao longo da história, esta frase tem se confirmado com uma terrível precisão, inclusive hoje no Brasil, o que torna a obra de Preobrazhenski ainda mais atual e indispensável.

   Na ocasião haverá uma apresentação com Henrique Canary, membro da Secretaria Nacional de Formação do PSTU.

   Confira a apresentação do livro no Blog da Editora Sundermann: http://site1370547778.provisorio.ws/?p=177

   Compre o livro pela loja virtual da Editora Sundermann: http://loja.tray.com.br/loja/produto.php?loja=46909&IdProd=1312




Serviço:
Dia 26/02, quarta-feira, 18:30h

Durante coletiva, Cyro Garcia rebate falsas acusações e denuncia aumento da repressão aos movimentos sociais

Cyro Garcia, presidente estadual do PSTU-RJ, e
Isabela Blanco, advogada do partido
Nota enviada a imprensa as 19:50h

Presidente estadual do partido afirmou ainda o orgulho do autofinanciamento

   No início da tarde de hoje, na sede do PSTU-RJ, o presidente estadual do partido e ex-deputado federal Cyro Garcia concedeu entrevista coletiva, no intuito de esclarecer, uma vez mais, sobre as acusações, sem nenhuma base factual, feitas pelo advogado dos jovens presos acusados de acender o rojão que vitimou o cinegrafista Santiago Andrade.

   Cyro afirmou que o PSTU polemizou publicamente, desde o início das jornadas de junho, sobre a chamada tática black bloc: "Não apoiamos as ações isoladas do movimento de massas. Isso só serve para afastar os trabalhadores das manifestações e amedrontar a população, fazendo assim o jogo dos governos. A falta de organicidade desse setor do movimento favorece a infiltração de provocadores completamente alheios ao movimento social", disse. Cyro também disse acreditar que esta nova onda de repressão visa atacar todos os partidos de esquerda e reafirmou a necessidade de uma unidade do PSTU-PSoL-PCB, movimentos sociais e sindicatos nas ruas e uma Frente de Esquerda nas eleições, como mais uma forma de conter a ofensiva de criminalização dos movimentos sociais por parte dos governos e partir para uma ofensiva programática contra os governos, que seguem negando direitos a população.

   Durante a coletiva, Cyro Garcia, em nome de todo o PSTU, prestou a "mais irrestrita solidariedade a família de Santiago Andrade e Tasman Accioly", o camelô que morreu atropelado por um ônibus enquanto buscava refúgio das bombas atiradas a esmo pela polícia militar.

   Segundo Cyro, a responsabilidade pelo caos nas ruas segue sendo dos governos: "Para acabar com o caos das ruas, basta que os governos Dilma, Cabral e Paes tomem medidas muito simples: ouçam as vozes das ruas e acatem as reinvidações mais básicas dos trabalhadores, como transporte público de qualidade, saúde decente e educação gratuita e de qualidade", disse Cyro Garcia, complementando que a responsabilidade pelas mortes no RJ é da política de segurança fascista implementada por Cabral e Beltrame.

   Na próxima segunda o PSTU vai se reunir com a OAB e outras entidades da sociedade organizada e vai exigir que uma comissão formada por organizações da sociedade civil acompanhem as investigações, além de cobrar que se investigue as acusações de financiamento de provocadores nas manifestações: "Se tem alguém que recebe por isso, que se apure e prove, além de mostrar quem paga", afirmou.

   Antes de encerrar, Cyro disse que o PSTU não vai sair das ruas: "As reivindicações populares estão no DNA do nosso partido. Não saímos, não sairemos das ruas e nelas vamos continuar!", finalizou.

Nota enviada a imprensa na tarde de hoje - atualizada as 13:30h

Atualizada às 13:30h (Veja aqui a nota enviada a TV Globo às 12:39h)

   O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado reafirma que não tem qualquer ligação com o Black Bloc ou quaisquer grupos de ideologias afins. Da mesma forma, não temos nenhuma relação com os rapazes acusados de acender o rojão que vitimou o cinegrafista da Bandeirantes, Santiago Andrade.

   Nas manifestações do ano passado, o PSTU foi o único partido de esquerda a contestar e discordar publicamente dos métodos empregados por estes setores do movimento social.

   Exigimos que se apure a denúncia de financiamento desses jovens. Se eles receberam dinheiro para agirem como provocadores, exigimos que se diga quem os financiou. Não só quem financiou esses jovens, mas quem financia a defesa da dupla acusado-delator. No entanto, somos radicalmente contrários à perseguição que os governos vem promovendo contra os movimentos sociais. A violência instaurada naquele dia na Central do Brasil é de responsabilidade do governo e da polícia militar.

   Prestamos nossa solidariedade aos familiares de Santiago e continuaremos lutando para que novas tragédias como esta não aconteçam.

  

Morte de Santiago Andrade não pode justificar criminalização das manifestações

Jornalistas prestam homenagem a Santiago Andrade durante manifestação no Centro do Rio
Foto: Paollo Rodajna (10.fev.2014)
Bruna Barlach e Erick Dau, redação Rio.

Santiago de Andrade teve morte cerebral decretada no dia 10/02. Santiago, jornalista, cinegrafista, trabalhador é mais uma vítima da violência de Estado. Desde junho de 2013, com o crescimento das manifestações em todo o país, temos visto a ação truculenta e descabida do aparato policial, em especial da PM do Rio de Janeiro a mando do governo estadual.

O luto não é só de sua família, à qual devemos todos prestar solidariedade, nem só da categoria dos jornalistas, o luto é de toda a classe trabalhadora. É preciso situar a morte do cinegrafista dentro do contexto de luta no qual vivemos. As bandeiras de luta que são levantadas pelas manifestações são contrárias aos interesses do governo e da burguesia e por isso a grande repressão a estes movimentos.

Jornalistas são obrigados a cobrir atos sem condições dignas de trabalho
Ao mesmo tempo em que vivemos um momento de recrudescimento da luta de classes com o governo federal do PT e seus partidos aliados, como é o caso do Cabral, do PMDB, vemos as condições de trabalhos de toda a classe trabalhadora sofrer uma grande piora. Não seria diferente para a categoria dos jornalistas.

Na cobertura das manifestações os jornalistas têm se deparado com diversos problemas, principalmente a falta de equipamentos mínimos de segurança para trabalho, como foi o caso de Santiago, funcionário da Band, que não possuía sequer um capacete (o que poderia ter salvo sua vida). Além disso, o cinegrafista trabalhava sozinho, sem assistente, o que é pré-requisito obrigatório para o exercício da sua função. Isto ocorre porque as grandes empresas de mídia cortam todo e qualquer custo com o trabalhador visando somente ampliar seus lucros.

A morte de Santiago não pode servir para legitimar o aumento da repressão
Independentemente das investigações e sobre quem recaia o dolo, ou seja, a culpa pelo arremesso do rojão que atingiu a cabeça de Santiago, precisamos compreender que alguma coisa está fora de ordem quando numa tarde de quinta-feira as ruas se transformam em verdadeiras praças de guerra, com a polícia sendo acionada para coibir, reprimir e agredir indiscriminadamente as pessoas para impedir que a manifestação prossiga.

Não podemos esquecer que a manifestação do dia 06 de fevereiro, quando o ocorreu o incidente, lutava contra o aumento do preço dos transportes, medida imposta pelo prefeito Eduardo Paes, do PMDB, apesar da evidente bronca da população. Nada mais legítimo para os trabalhadores, estudantes e ativistas que protestar contra este aumento, que só serve para ampliar o lucro dos grandes empresários do transporte do Rio e que prejudica diretamente a população no seu direito mais básico: o direito de ir e vir.

Seguiremos na rua! Cabral (Dilma e Paes) a culpa é sua!
Enquanto a conta recair nas costas dos trabalhadores e não dos verdadeiros responsáveis pelos superfaturamentos das obras dos megaeventos, dos donos das empresas de ônibus e da burguesia como um todo, ainda veremos as ruas do Rio e de diversas cidades do país sendo ocupadas pelas manifestações. Manifestantes que buscam direitos básicos, como saúde, educação e transporte. Sim, direitos básicos, mas que são negados pelos governos, que preferem reprimir os protestos do que ceder às suas reivindicações.

Mas, sabemos uma coisa sobre a morte de Santiago de Andrade: a culpa é do estado de guerra que o governador Cabral criou contra as manifestações, com a cumplicidade do prefeito Eduardo Paes. É da Dilma que estimula criação de medidas anti mobilizações para tentar calar os movimentos e impedir que as pessoas lutem por seus direitos básicos, como o acesso à saúde, a educação, ao transporte e moradia.

As lutas seguirão e junto às lutas os jornalistas estarão nas ruas cobrindo os atos. Resta saber se os patrões vão se responsabilizar pela segurança dos seus funcionários ou se continuarão a colocar a vida dos jornalistas em risco em busca do melhor ângulo, do furo de reportagem, com a maior redução de custos. Os jornalistas precisam estar ao lado dos movimentos sociais e entenderem que antes de serem jornalistas, são trabalhadores, e que estamos todos juntos nessa luta.

Nós do PSTU, não concordamos com ações isoladas que somente contribuem com o clima de repressão e afastam os trabalhadores das manifestações. Passamos grande parte do último ano travando uma profunda, mas respeitosa, polêmica com vários setores do movimento social a respeito de nossas diferenças táticas. No entanto, em primeiro lugar, repudiamos as tentativas da grande imprensa e do governo de criminalizar os manifestantes e usar esta tragédia para atacar o justo direito de ir às ruas por suas reivindicações.

Nota do PSTU sobre a morte do cinegrafista Santiago Andrade
Torcer pelo Brasil é lutar por direitos, democracia e contra as injustiças da Copa

Justiça ou Bárbarie? Justiceiros são inspirados por ideologias neonazistas

Jovem agredido e preso no Flamengo (Foto: reprodução Facebook)

Por Dirley Santos e Arthur Gibson, redação Rio.

31 de janeiro, sexta-feira à noite ...
Um adolescente negro, de 15 anos, é perseguido pelas ruas. Pego, é violentamente espancado, leva uma facada na orelha e tem sua roupa arrancada. Depois da surra, chorando, é preso nu a um poste, como em umpelourinho improvisado.
Uma situação que remeteria a cenas de cinema, retratando o racismo da KuKluxKlan nos EUA da primeira metade do século passado, ou mesmo a pinturas sobre os períodos colonial e imperial no Brasil.Mas aconteceu em pleno século XXI, na Av. Rui Barbosa, zona sul da cidade do Rio de Janeiro.
A motivação? O jovem, menor de idade,estaria supostamente assaltando pessoas na região.
Seus algozes? Jovens brancos, de classe média, moradores da região que resolveram “fazer justiça com as próprias mãos”.
 O rapaz só foi libertado após a chegada de soldados do Corpo de Bombeiros, que precisaram usar um maçarico para abrir a trava de bicicleta que o prendia e depois o levaram para o Hospital Municipal Souza Aguiar.

Agressores pertencem a grupo de ”justiceiros”
Ao que tudo indica, a agressão foi obra de um grupo local organizado de jovens, inspirados em ideologiasfascistas, autodenominados “Justiceiros do Flamengo”.Segundo depoimento do jovem agredido, o grupo, que frequentaria uma academia ao ar livre na Enseada de Botafogo, era composto por cerca de 30 homens que chegaram em 15 motos, atacando a ele e a outros dois jovens com capacetes, rasteiras e joelhadas. Um deles estaria armado com pistola.
De acordo com a própria polícia, o grupo vem atuando desde o ano passado agredindo e torturando a todos que julgam suspeitos. Um grupo que supostamente fazia uma ação foi detido. Sem antecedentes criminais, eles serão investigados por formação de quadrilha e por corrupção de menores. Mas comonenhum dos acusados foi identificado pela vítima; eles pagaram fiança e foram liberados, provavelmente em menos tempo do que o jovem que eles prenderam ao poste demoroupara se livrar da tranca no pescoço.
O jovem agredido, por sua vez, se encontra refugiado em um abrigo da prefeitura após ter fugido do Hospital Souza Aguiar, no centro, por não se sentir seguro.

Grupos de extermínios se fortalecem no Brasil
Uma onda de ataques a supostos criminosos e moradores de rua em diversos bairros por parte de grupos que se autointitulam “justiceiros” vem se tornando rotina na região metropolitana do Rio de Janeiro. Recentemente casos semelhantes aconteceram na região da Lapa, na praia de Copacabana e no bairro da Tijuca. 
Em São Gonçalo um jovem, que trabalha como caseiro, foi confundido com assaltante e foi linchado até a morte no bairro de Maria Paula. Pelo menos mais quatro pessoas foram espancadas em ruas da cidade no mesmo período, mas conseguiram sobreviver. Um vídeo que circula nas redes sociais e foi inclusive transmitido em TV aberta um jovem, supostamente usuário de drogas, foi assassinado com um tira na cabeça, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
A antropóloga e ativista social Yvonne Bezerra, que foi quem primeiro socorreu o jovem agredido, lembra que nos anos de 1980 existiam gangues de jovens, de classe média da Zona Sul, que saíam às ruas bem vestidos, armados de pau e tacos de beisebol para bater em pessoas em situação de rua.
A existência de grupos deste tipoé a face mais dura de uma socieda de capitalista baseada em preconceitos racistas, machistas e homofóbicos e em uma mentalidade de segurança pública que defende o “olho por olho, dente por dente”, “bandido bom, é bandido morto”.
De acordo com o Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasil, publicado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), a cada 100 mil jovens, 53,4, com idades entre 14 e 25 anos, foram assassinados, em 2011. E entre 1908 e 20111, as mortes por homicídio, tiveram um aumento de 326,1%. Criando um caldo de cultura de mais violência entre a população.

Homem amarrado nu no bairro da Tijuca
Na  grande mídia: apologia. Nas nas redes sociais: polêmica
Em diversas postagens sobre o tema, principalmente em veículos da mídia grande, páginas de apoiadores e organizações neonazistas e comunidades de policiais e militares, é possível ver um número grande de pessoas declarando apoio as ações dos “justiceiros”.
Em boa parte destas declarações pipocam principalmente frases e xingamentos contra moradores de rua, negros e homossexuais. Além de ameaças aos que questionam e criticam estes grupos. A própria Yvonne Bezerra, denunciou que vem recebendo seguidas ameaças em seu perfil no Facebook.
Chegou-se ao ponto da apresentadora do Jornal do SBT, Rachel Sherazade declarar publicamente seu apoio a ação ocorrido no bairro do Flamengo, chegando a afirma que O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite. E, aos defensores dos Direitos Humanos, que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido. Contudo choveram críticas e repúdio a jornalista por parte de vários setores da sociedade.
Como escreveu também no Facebook o estudante João Pedro de Sá, poeta e ativista filiado ao PSTU “Se esse jovem não estava na Pedra do Sal (...) ouvindo a alta poesia da música negra, tomando cerveja e conversando com seus amigos sobre seu trabalho de mestrado não é porque tenha um delírio malévolo de assaltar pessoas, fruto de uma natureza mais maligna ou menos humana que qualquer pessoa, mas porque não existe espaço objetivo pra dignidade e felicidade de todos no projeto capitalista, racista e violento de país que dirige o Brasil. Sem entender isso, não se entende nada e, facilmente, até mesmo sem perceber, se cai no colo dos fascistas”.

É preciso denunciar e combater o crescimento destes “justiceiros”
O atual ressurgimento destes grupos de "justiceiros" no Rio de Janeiro é fruto do crescimento de bandos neonazistas e suas ideologias entre jovens da classe média carioca
Por outro lado também contribui a falência da política de segurança públicaque se apoia na farsa da pacificação através da ocupação militar das comunidades pobres, do não enfrentamento consequente ás milícias formada por paramilitares e na não punição aos policiais e oficiais corruptos.
A própria Anistia Internacional, segundo seu diretor para o Brasil, Atila Roque, já disse preocupada com o apoio que estes crimes cometidos por "justiceiros" tem obtido junto a expressivos setores da sociedade.
Não se pode deixar naturalizar isso, é necessário demonstrar absoluto repúdio e responder com urgência e à altura este tipo de ação reacionária. Pois estes grupos são irmãos siameses de bandos neonazistas (se não os próprios) que em ano passado tentaram intimidar e provocar os movimentos sociais, fixando cartazes próximo às sedes do PCB e do PSTU e atacando as colunas destes partidos e de setores dos movimentos sociais nas manifestações de junho.
Nós do PSTU seguimos, como na época da prisão dos neonazistas de Niterói e dos ataques de junho, conclamando“a todos os demais partidos e entidades democráticas em geral, centrais sindicais e sindicatos, entidades estudantis, ONG’s, quilombos, organizações LGBTs, movimentos sociais e parlamentares para que façamos uma ampla campanha antineonazista para que indivíduos e grupos como estes não proliferem impunemente”.

Mobilização no Rio manda recado aos governos: Agora e na Copa vai ter luta!

Manifestantes ocupam gare da  Central do Brasil (06.fev.2014)    Foto: Erick Dau

Por Arthur Gibson, da redação Rio.

Neste dia 6 de fevereiro os trabalhadores e a juventude saíram mais uma vez às ruas contra o aumento do transporte no Rio de Janeiro. O vitorioso ato, que reuniu quase 5 mil pessoas, foi convocado pelo Fórum de Luta do Rio de Janeiro e partiu da Candelária até a Central do Brasil.

A confirmação do aumento da tarifa do ônibus para este dia 8 pelo Prefeito Eduardo Paes fortaleceu o sentimento de que é preciso voltar às ruas. Este foi o maior e mais marcante dos 4 atos já realizados desde que Paes anunciou sua intenção de aumentar a tarifa. E isto mesmo com o anúncio de que a prefeitura ampliaria de maneira bastante parcial o direito à meia-passagem e passe-livre estudantil como forma de tentar desmobilizar a juventude.

No entanto tanto o prefeito Eduardo Paes (PMDB) quanto o governador Sérgio Cabral (PMDB) e a presidenta Dilma Roussef (PT) podem ter a certeza de que teremos mais um ano de muitas lutas. Assim como em 2013, a luta não é apenas contra o aumento da passagem. Nesta quinta-feira puderam ser vistas faixas e palavras de ordem pela estatização dos transportes, contra os gastos bilionários com a FIFA e a Copa do Mundo, pela derrubada do governador Sérgio Cabral, pelo fim da PM e em defesa de mais investimento em saúde, segurança, transporte e educação públicos, dentre outros temas.

Diante da mobilização dos trabalhadores o governo Cabral e a prefeitura de Paes mais uma vez responderam com uma brutal repressão. Ao chegar à Central do Brasil, a PM expulsou os manifestantes com bombas, balas e cassetetes desatando um grande enfrentamento nas vias públicas. O saldo de mais essa ação truculenta da PM foi de vários feridos, e mais uma vez os governos sinalizam que não estão dispostos a ouvir as reivindicações das ruas.

Uma polêmica necessária
Alguns setores da esquerda seguem defendendo que o principal eixo das mobilizações deva ser o “Não vai ter Copa”. Achamos importante fazer aqui novamente esta polêmica. Neste momento, apesar de termos importantes mobilizações elas ainda são bastante minoritárias. A grande ambição daqueles que estão hoje na luta deve ser fazer com que as manifestações se massifiquem, que amplos setores da classe façam parte destas manifestações. Para isto, utilizamos as palavras de ordem para lançar aos trabalhadores uma tarefa, propor-lhes um motivo para ir às ruas.

A esmagadora maioria da classe trabalhadora quer que a Copa aconteça, e gosta da ideia de que ela seja no Brasil. Assim, sair às ruas dizendo “Não vai ter Copa” equivale a propor aos trabalhadores que se mobilizem para barrar a Copa que eles querem que aconteça. De concreto acaba por jogar contra a massificação da mobilização.

No entanto, apesar de quererem a Copa, os trabalhadores estão fartos da corrupção, dos desvios de dinheiro da falta de investimento nas áreas sociais, das remoções e da morte de operários. É preciso convocar os trabalhadores para irem às ruas agora e na Copa, numa grande mobilização por mais verbas para saúde, educação, segurança e transporte públicos e contra a transferência de dinheiro público para Copa, FIFA e grandes empresas.

Protesto contra o aumento das passagens no Rio é marcado por forte repressão policial



por Rodrigo Barrenechea


Fotos: RB
  Nesta quinta, 6 de fevereiro, realizou-se mais um ato contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro. O reajuste, de R$2,75 para R$3,00, foi autorizado pelo prefeito Eduardo Paes apesar de posição contrária do Tribunal de Contas do Município - fato que só veio a público após o anúncio do aumento e esteve cercado de uma guerra pela imprensa. Paes, por outro lado, lançou mão de uma medida paliativa, ao acenar com a extensão do passe-livre a estudantes universitários beneficiários de programas sociais como as cotas e o PROUNI. Nós, do PSTU, achamos que o passe-livre deve ser irrestrito, não apenas a todos os universitários, mas também a todos os estudantes da educação básica, e sem limitação no número de viagens, como ocorre hoje em dia.
  
 Por volta de 4500 pessoas participaram da manifestação, iniciada na Candelária e que prosseguiu ocupando duas das pistas da Avenida Presidente Vargas. O destino, desta vez, era a Central do Brasil, que num outro ato já tinha sido cenário de um "roletaço", com o acesso aos trens sendo liberado pela ação dos ativistas. Participaram do ato, em sua maioria, jovens, mas trabalhadores de diversas categorias e participantes de movimentos sociais também fizeram-se presentes. A presença de partidos e movimentos de esquerda, assim como do Fórum de lutas do RJ, com uma grande faixa, deu a tônica do ato.
  
Tropa de choque da PM preparada para reprimir
os manifestantes nas proximidades da Central do Brasil

Ao chegar à estação Central do Brasil, um forte aparato repressivo já aguarda os manifestantes; no entanto, a PM não pôde impedir, num primeiro momento, a entrada dos ativistas. Isso garantiu, mais uma vez, o "roletaço", com muitos subindo nas catracas e permitindo o acesso dos passageiros aos trens sem pagar passagem. Contudo, passado algum tempo, a tropa de choque iniciou a repressão, com o uso de cassetetes e bombas, tanto de efeito moral quanto de gás lacrimogêneo.

  Aos poucos, os manifestantes foram sendo retirados da estação, que aos poucos foi sendo fechada pelos seguranças da Supervia, com a ajuda da tropa de choque da PM. Foi a partir daí que a repressão policial se intensificou, com mais bombas sendo lançadas de forma a tentar dispersar os grupos que se postavam próximo aos acessos da Central. Foi por esse momento que uma das bombas atingiu na cabeça de um cinegrafista da TV Band, levando-o ao hospital com afundamento de crânio e em estado grave. 

      Para nós do PSTU, o fato de haver um conflito nas ruas do centro da cidade, em plena tarde de uma quinta-feira, é de exclusiva responsabilidade do governo e suas policias. A permanente repressão policial é que tem causado os feridos graves durante os protestos. 

  A repressão continuou noite adentro, mas uma boa parte dos manifestantes acabou por recuar para perto do Campo de Santana em busca de abrigo, retornando pela Presidente Vargas. Há o relato de pelo menos dois feridos graves, o cinegrafista da televisão e um idoso que teria sido atropelado por um ônibus, além de vários detidos pela PM.


  Fica claro aqui duas coisas: que o transporte público, que deveria ser encarado como um direito da população, é visto como uma mercadoria; e que, como é tradicional no Estado burguês, o "direito à propriedade" é sagrado - no caso, a propriedade das empresas de transporte -, sendo defendido com todas as armas pelos governos e tratando a população como inimiga, na mais velha tradição da Ditadura Militar. Portanto, duas medidas são absolutamente necessárias: a estatização dos transportes, sob controle dos trabalhadores, de forma a garantir a Tarifa Zero sem subsídios aos donos das empresas, aliados de primeira hora dos governos; e a imediata desmilitarização da polícia, autêntica herdeira do regime militar de 1964. Contudo, como os governos Paes e Cabral, do PMDB, são aliados do PT de Lula e Dilma, o governo federal nada fará no sentido de garantir nem sequer a discussão dessas propostas...

    O PSTU Rio se solidariza com as famílias dos feridos com gravidade, assim como com os demais agredidos e detidos pela selvagem repressão da PM do ditador Cabral. Mesmo de saída, ele não deixa de lançar suas bombas contra a luta dos trabalhadores e da juventude. Porém, isso não vai nos intimidar, e - como já ficou consagrado desde o ano passado, nas Jornadas de Junho - "amanhã vai ser maior!"
  
editado às 00:45 de 08/02/14

Greve na saúde federal começa com força no Rio


Funcionários do Hospital Servidores do Estado (HSE) protestam na rua

                                                               Por Cintia Teixeira, militante do PSTU
e integrante do Setorial de Saúde e Saúde do Trabalhador da CSP-Conlutas

Em greve por tempo indeterminado desde segunda-feira (3/02) os servidores da saúde federal do Rio, lotados em hospitais e institutos federais, buscam impedir a implementação do ponto eletrônico e garantir a carga horária de 30 horas semanais.
A categoria decidiu pela greve porque o Ministério da Saúde se recusou a suspender o início da implantação do ponto eletrônico, que já está em fase de testes.
As assembleias locais realizadas nos oito hospitais federais ratificaram a decisão da assembleia geral de apontar o início da paralisação e os trabalhadores decidiram boicotar o ponto eletrônico, não registrando sua presença nele.
Estas medidas nada mais são que medidas do governo Dilma para acelerar o processo de privatização dos hospitais federais. O governo planeja transferir o controle destas unidades para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), criada para terceirizar a administração destes hospitais.
Ao invés de romper com a cartilha neoliberal e privatista de FHC e do FMI desde 2003 os governos do PT e seus aliados a seguem, sucateando os serviços públicos, desviando verbas publicas, deixando os servidores sem condições de trabalho e impedindo o atendimento digno à população.

Com ponto eletrônico e EBSERH governo Dilma ataca conquistas
Programado para começar a funcionar no próprio dia 3/02 o ponto eletrônico, chamado também de controle biométrico, na prática desrespeita a garantia da carga horária de 30 horas semanais e o direito de duplo-vínculo.
De acordo com a categoria, o ponto está programado para cobrar uma jornada de 40 horas semanais – sendo que os hospitais funcionam sob a jornada de 30 horas há cerca de 30 anos.
Os trabalhadores também afirmam que a transferência do controle das unidades federais de saúde para a eventual entrada da EBSERH ou de empresas similares nos hospitais significará o fim definitivo da carreira da seguridade social.
Greve começa forte e radicalizada
Já no primeiro dia de greve foram realizados atos públicos pela manhã e à tarde, que seguem ocorrendo. Houveram manifestações no Hospital Cardoso Fontes (em Jacarepaguá), no Hospital da Lagoa (Zona Sul) e no Hospital dos Servidores (Centro).
Também se encontram entre as principais reivindicações da greve da categoria a campanha em defesa do serviço público de qualidade; a participação na marcha nacional do funcionalismo público em Brasília, no dia 05 de fevereiro e a inclusão da tabela salarial do Seguro Social.

É preciso unificar as lutas
Realmente o ano de 2014 começou com ares de 2013. Desde o final do ano passado, apesar do intenso calor, protestos contra falta de água e luz, contra as remoções provocadas pela Copa, manifestações contra os aumentos de passagens, os rolezinhos nos shoppings e diversas outras mobilizações têm sacudido o país.
Por tudo isso, nós do PSTU consideramos necessário cercar com toda a solidariedade a greve dos servidores federais, assim como as dos rodoviários em várias cidades (como Porto Alegre) e fazemos um chamado pela construção um calendário unificado de lutas e mobilizações reunindo as greves, as lutas contra os aumentos das passagens, as mobilizações por moradia e contra os gastos da Copa e os rolezinhos.

CALENDÁRIO DE GREVE E MOBILIZAÇÃO
04/02 – terça-feira
- Ato no Hospital da Lagoa
05/02 – quarta-feira
- Ato no Hospital do Andaraí
- Reunião do Comando de Greve - Sindsprev RJ (Rua Joaquim Silva, 98 – Lapa)
06/02 – quinta-feira

- Ato público unificado com concentração no Hospital de Bonsucesso

MANIFESTO: O RIO DE JANEIRO PRECISA DE UMA FRENTE DE ESQUERDA PARA DEFENDER NAS ELEIÇÕES O PROGRAMA DAS MOBILIZAÇÕES


Em 2014, mais uma vez os trabalhadores participarão do processo eleitoral. A mídia, como sempre, tenta nos convencer que teremos que escolher apenas entre as grandes candidaturas burguesas. De um lado, Pezão (PMDB), o candidato do atual governador Sérgio Cabral, representa a continuidade do mesmo modelo corrupto e autoritário de governar. O PT se apresenta como alternativa através de Lindbergh Farias, prometendo grandes mudanças para o Rio de Janeiro. No entanto, o mesmo PT foi responsável por eleger Sérgio Cabral e foi parte fundamental do seu governo repressor. Por fora, corre a candidatura de Anthony Garotinho (PR), ex-governador e condenado por formação de quadrilha e corrupção.
Estes candidatos, apesar de concorrerem entre si, representam o mesmo projeto. São os candidatos que representam os interesses dos grandes banqueiros e empresários que financiam suas campanhas. Caso sejam eleitos, vão privilegiar o lucro destas grandes empresas que se alimentam dos contratos corruptos com o estado e da exploração dos trabalhadores. Por causa do projeto que defendem, estes candidatos não são capazes de dar uma resposta às demandas vistas nas ruas em 2013 e que continuam nas ruas em 2014.
É preciso apresentar nas eleições um projeto que expresse as reivindicações das grandes lutas que sacudiram o país. Enquanto a grande imprensa tenta passar a imagem de que apenas Garotinho, Pezão e Lindbergh são os candidatos viáveis nesta eleição a esquerda precisa quebrar esta falsa polarização e afirmar uma alternativa. Precisamos de uma Frente de Esquerda entre o PCB o PSOL e o PSTU no Rio de Janeiro.
Esta Frente deve dar corpo à insatisfação dos trabalhadores com tudo o que está aí. Deve se colocar claramente como oposição de esquerda ao PT, PMDB, PSDB, DEM, PR, PV e todos os demais partidos e candidaturas que representam a burguesia. Precisa se colocar como oposição ao governo Dilma e aos governos Cabral e Paes, todos cúmplices no projeto de repressão aos movimentos sociais e defesa dos lucros dos empresários. Deve defender um programa que aponte as mudanças profundas que são necessárias fazer: estatização das grandes empresas e do sistema financeiro e o não pagamento da dívida pública para colocar as riquezas do país a serviço dos trabalhadores. Com estes recursos deve investir em transporte, educação e saúde públicas de qualidade.
Deve defender intransigentemente o fim dos privilégios às grandes empresas com as isenções de impostos, deve colocar um fim aos abusos cometidos para a realização da Copa do Mundo da FIFA. Isso significa reestatizar o Maracanã e acabar com a transferência de dinheiro público para as obras da Copa e com as remoções das comunidades.
O Programa da Frente de Esquerda deve se colocar claramente contra a repressão aos movimentos sociais e a criminalização da pobreza. Deve defender a desmilitarização da Polícia, o fim da PM e das Tropas de Choque, e a criação de uma nova Polícia Civil unificada democrática e sob controle dos trabalhadores. 
Deve ser uma candidatura que estimule e defenda a luta dos trabalhadores e as suas organizações. Deve denunciar as instituições desta democracia dos ricos que só servem para propagar a corrupção e multiplicar os lucros dos grandes empresários. A Assembleia Legislativa do RJ funciona como um grande balcão de negócios onde a voz dos trabalhadores não é ouvida. O Judiciário jamais mostrou qualquer interesse em defender a população dos abusos cometidos pelo governo e combater a farra com dinheiro público. Assim, a Frente de Esquerda deve impulsionar toda iniciativa de organização dos trabalhadores independente dos governos e patrões.
Neste chamado por uma Frente de Esquerda compreendemos que é necessário reafirmar que apenas mantendo a total independência dos grandes banqueiros e empresários seremos capazes de defender o programa das ruas. Assim, a Frente de Esquerda precisa se comprometer a não estabelecer nem se utilizar de nenhum tipo de apoio de partidos ou candidatos burgueses. Também necessita se financiar apenas com dinheiro dos trabalhadores, sem nenhum tipo de doação de empresas.
A partir destas bases programáticas e de princípio é possível estabelecer um diálogo que nos leve a estabelecer uma Frente de Esquerda que respeite o peso e a representação social de cada partido que a compõe na divisão das candidaturas e do tempo de TV. Neste sentido queremos fazer um debate franco com os companheiros do PSOL.
Nos últimos anos não foi possível construir uma Frente de Esquerda no RJ graças à intransigência da direção do PSOL. Nas discussões de eleições anteriores ficou clara a falta de disposição da direção do PSOL em estabelecer um diálogo que levasse à formação de uma Frente efetivamente. Na prática, ao vetarem a participação do PSTU na coligação proporcional e fecharem as portas para a elaboração de um programa em conjunto, exigiram uma mera adesão do PSTU ao seu candidato. Desta maneira, desrespeitando a história, trajetória e a representação do PSTU nos movimentos sociais, acabaram por inviabilizar uma Frente de Esquerda no Rio de Janeiro.
Fazemos um chamado à militância do PSOL e do PCB para possamos, obedecendo aos critérios acima discutidos, avançar para uma Frente de Esquerda que apresente uma alternativa socialista nestas eleições.