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Mobilização no Rio manda recado aos governos: Agora e na Copa vai ter luta!

Manifestantes ocupam gare da  Central do Brasil (06.fev.2014)    Foto: Erick Dau

Por Arthur Gibson, da redação Rio.

Neste dia 6 de fevereiro os trabalhadores e a juventude saíram mais uma vez às ruas contra o aumento do transporte no Rio de Janeiro. O vitorioso ato, que reuniu quase 5 mil pessoas, foi convocado pelo Fórum de Luta do Rio de Janeiro e partiu da Candelária até a Central do Brasil.

A confirmação do aumento da tarifa do ônibus para este dia 8 pelo Prefeito Eduardo Paes fortaleceu o sentimento de que é preciso voltar às ruas. Este foi o maior e mais marcante dos 4 atos já realizados desde que Paes anunciou sua intenção de aumentar a tarifa. E isto mesmo com o anúncio de que a prefeitura ampliaria de maneira bastante parcial o direito à meia-passagem e passe-livre estudantil como forma de tentar desmobilizar a juventude.

No entanto tanto o prefeito Eduardo Paes (PMDB) quanto o governador Sérgio Cabral (PMDB) e a presidenta Dilma Roussef (PT) podem ter a certeza de que teremos mais um ano de muitas lutas. Assim como em 2013, a luta não é apenas contra o aumento da passagem. Nesta quinta-feira puderam ser vistas faixas e palavras de ordem pela estatização dos transportes, contra os gastos bilionários com a FIFA e a Copa do Mundo, pela derrubada do governador Sérgio Cabral, pelo fim da PM e em defesa de mais investimento em saúde, segurança, transporte e educação públicos, dentre outros temas.

Diante da mobilização dos trabalhadores o governo Cabral e a prefeitura de Paes mais uma vez responderam com uma brutal repressão. Ao chegar à Central do Brasil, a PM expulsou os manifestantes com bombas, balas e cassetetes desatando um grande enfrentamento nas vias públicas. O saldo de mais essa ação truculenta da PM foi de vários feridos, e mais uma vez os governos sinalizam que não estão dispostos a ouvir as reivindicações das ruas.

Uma polêmica necessária
Alguns setores da esquerda seguem defendendo que o principal eixo das mobilizações deva ser o “Não vai ter Copa”. Achamos importante fazer aqui novamente esta polêmica. Neste momento, apesar de termos importantes mobilizações elas ainda são bastante minoritárias. A grande ambição daqueles que estão hoje na luta deve ser fazer com que as manifestações se massifiquem, que amplos setores da classe façam parte destas manifestações. Para isto, utilizamos as palavras de ordem para lançar aos trabalhadores uma tarefa, propor-lhes um motivo para ir às ruas.

A esmagadora maioria da classe trabalhadora quer que a Copa aconteça, e gosta da ideia de que ela seja no Brasil. Assim, sair às ruas dizendo “Não vai ter Copa” equivale a propor aos trabalhadores que se mobilizem para barrar a Copa que eles querem que aconteça. De concreto acaba por jogar contra a massificação da mobilização.

No entanto, apesar de quererem a Copa, os trabalhadores estão fartos da corrupção, dos desvios de dinheiro da falta de investimento nas áreas sociais, das remoções e da morte de operários. É preciso convocar os trabalhadores para irem às ruas agora e na Copa, numa grande mobilização por mais verbas para saúde, educação, segurança e transporte públicos e contra a transferência de dinheiro público para Copa, FIFA e grandes empresas.

11 de julho é dia de greves, paralisações e manifestações de rua

Nosso país está sendo sacudido, nas últimas semanas, por grandes manifestações de rua. O povo está indo às ruas, juventude à frente, para cobrar dos nossos governantes solução para as mazelas que afligem a vida de todos: além do transporte, saúde, educação, moradia, inflação, violência policial, corrupção, desmandos dos políticos, entre muitas outras. A classe trabalhadora brasileira precisa ocupar o seu lugar nesta luta, entrar nela com todas as suas forças, de forma organizada, e em defesa de suas reivindicações. Somos parte das manifestações que estão nas ruas, apoiamos suas bandeiras. Precisamos com nossa ação, fortalecer esse processo de lutas e agregar às bandeiras das ruas, as reivindicações da nossa classe.  

O dia 11 de julho foi definido pelas centrais sindicais – além da CSP-Conlutas, a Força Sindical, CUT, CTB, UGT, NCST, CGTB, CSB – como um dia de greves, paralisações e manifestações de rua para cobrar do governo e dos patrões o atendimento de nossas reivindicações:  
- Reduzir o preço e melhorar a qualidade dos transportes coletivos; 
- Mais investimentos na saúde e educação pública;
- Fim do fator previdenciário e aumento das aposentadorias; 
- Redução da jornada de trabalho; 
- Fim dos leilões das reservas de petróleo;
- Contra o PL 4330, da terceirização;
-  Reforma Agrária   

Além destas bandeiras, definidas unitariamente, cada setor deve agregar outras, relacionadas à sua situação concreta. Tudo deve ser feito para fortalecer as possibilidades de mobilização da base para participar deste dia de greves e manifestações.  

De quem vamos cobrar o atendimento destas reivindicações?
Muitas das reivindicações dos setores que representamos serão cobradas dos patrões diretamente, nas campanhas salariais ou fora delas. No entanto, a maior parte dos problemas que afetam a classe trabalhadora foram causados pelas decisões dos governo e dependem de decisões do governo federal, e também dos governos estaduais e municipais, para serem solucionados.   É para cobrar destes governos, portanto, que faremos greves e manifestações no dia 11 de julho.

O governo Dilma tem demonstrado muita disposição quando se trata de atender aos interesses das grandes empresas e dos bancos. Pois queremos que atenda reivindicações dos trabalhadores.  Os dirigentes do Congresso Nacional estão dizendo que estão atentos à cobrança das ruas. Pois bem: queremos que seja colocado em votação a derrubada do veto à lei que acaba com o fator previdenciário; queremos que seja arquivado o PL 4330 (das terceirizações) e o PL 092 (que permite privatizar o serviço público).  

| Enrolação, não! |
A presidenta Dilma tem dito que está ouvindo a cobrança dos manifestantes. Mas, ao invés de apresentar solução concreta para os problemas da saúde, da educação, da moradia, do transporte, aparece com uma proposta de Reforma política e de Plebiscito. Nós achamos que o sistema político brasileiro, dominado pela corrupção, precisa sim mudar, pois não representa o povo brasileiro. Mas nem por isso vamos aceitar que nos vendam gato por lebre, trazendo este assunto à tona desta forma, apenas para fugir de atender nossas demandas.

Se a solução é plebiscito, por que então não convocar um plebiscito para que o povo decida se o país deve ou não aplicar 10% do PIB na educação pública, já? Por que não perguntar no Plebiscito, o que o povo acha de o país destinar metade do orçamento federal ( 750 bilhões de reais no ano passado) para banqueiros e grandes especuladores, sob a forma de pagamento de uma dívida que ninguém sabe se existe? Por que não perguntar no Plebiscito se o povo é a favor de leiloar as reservas de petróleo que o país tem, para as empresas privadas estrangeiras? Agora, Plebiscito para que os mesmos políticos e partidos que sempre dominaram a política brasileira definam como é que vão continuar dominando, não tem nenhum sentido. Se fosse Plebiscito para mudar mesmo, porque então não perguntar se o povo é a favor, sim ou não, de que o salário de um deputado, senador, presidente da república, seja igual ao salário de um professor? Se o povo é a favor, sim ou não, da revogabilidade do mandato do político que não cumprir seus compromissos de campanha?

Só a luta vai garantir o atendimento de nossa reivindicações   Precisamos realizar um grande dia de protesto em todo o país no dia dia 11 de julho. Todos devem participar da luta, com greves, paralisações e manifestações de rua. Vamos cobrar dos governos e dos patrões o atendimento das reivindicações dos trabalhadores. 

Fonte: CSP-Conlutas

Protesto no Rio contra os gastos da Copa e a privatização do Maracanã reúne 5 mil

Da redação 

Manifestação no dia da final da Copa das Confederações também denunciou as remoções e a criminalização das lutas sociais

 
   Uma manifestação contra a privatização do Maracanã e os gastos públicos com a Copa reuniu cerca de 5 mil pessoas nesse dia 30 no Rio de Janeiro, dia da final da Copa das Confederações. O protesto, convocado pelo Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, reivindicou a anulação da privatização do estádio, o fim das remoções e os despejos forçados, além de mais recursos para a saúde, educação e os transportes, incluindo o passe-livre. O ato contou com a participação de partidos de esquerda, como o PSTU, além de entidades e organizações do movimento sindical e popular.
   A passeata partiu da Praça Saens Peña em direção ao Maracanã, passando pelas ruas São Francisco Xavier e Haddck. A polícia antecipou o bloqueio realizado nas proximidades do estádio e impediu que os manifestantes passassem. O centro da cidade e as redondezas do estádio amanheceram completamente sitiados pela polícia e soldados do Exército. Mesmo assim, porém, os organizadores da manifestação impediram qualquer provocação por parte da polícia e não houve confrontos.



   No caminho, a população demonstrava apoio aos manifestantes, com palmas e chuvas de papel picado. Uma enorme faixa, carregada pelos manifestantes e pendurada no alto de um prédio dizia "Unfair Players: Fifa, Police, Cabral, Paes" (em português "Jogo sujo: Fifa, Polícia, Cabral, Paes). A manifestação terminou na Praça Afonso Pena, Zona Norte da cidade.

“Após a vitória contra os aumentos das passagens continuamos nas ruas por saúde, transporte e educação", afirmou Júlio Anselmo, da juventude do PSTU. "Os pactos, Dilma, não vão resolver os nossos problemas, nós temos que continuar nas ruas mobilizados na defesa da educação e da saúde pública, contra a privatização do Maracanã e em defesa do petróleo brasileiro, para conquistarmos um país melhor", disse, se dirigindo à presidente.

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Vídeo: Júlio Anselmo, da Juventude do PSTU, no ato

Lutemos juntos contra os governos

Eduardo Almeida Neto, da Direção Nacional do PSTU

Nas mobilizações da juventude contra o aumento das passagens em todo o país tem sido comum ouvir os gritos de “sem partido” ou “abaixem as bandeiras”. Existe um setor importante dos jovens que manifestam um rechaço aos partidos pela prática corrupta e de defesa da burguesia dos partidos majoritários, inclusive do PT.

Entendemos esse rechaço aos partidos dominantes e nos somamos a ele. A política hoje é entendida por esses partidos majoritários como uma forma de “se arrumar”, de ganhar dinheiro. Em particular, entendemos esse repúdio como uma expressão do desencanto com o PT, partido que se anunciava “contra tudo o que está aí” e que, quando está no governo, é o maior defensor do “que está aí”: a mesma corrupção, a mesma prática política.

Mas isso não significa que concordemos com a ideia de que “todos os partidos são iguais”. Esse tipo de visão ajuda a manter a dominação dos mesmos partidos de sempre, como o PSDB de Alckmin e o PT de Haddad e Dilma. Se “todos os partidos são iguais”, para que mudar?

O PT e PSDB adoram quando veem o rechaço a todos os partidos. A Rede Globo também, tanto que deu destaque a isso em seu noticiário. Por quê? Em primeiro lugar porque isso divide e enfraquece o movimento. Em segundo lugar porque significa que não se construirá nenhuma alternativa contra eles.

Não, nem todos os partidos são iguais. Por exemplo, quais os partidos que apoiam essa mobilização e estavam nela? A maioria dos que ali estavam votou no PT e no PSDB. Ou seja, votaram nos partidos contra os quais estamos lutando. Votaram nos partidos que ordenaram a repressão das mobilizações. Deveriam refletir que esses partidos não servem. Ao pensar que “nenhum partido serve”, termina ajudando o PT e PSDB que seguirão mandando no país, se alternando para aplicar o mesmo programa da burguesia.

Os erros dos anarquistas
As classes dominantes riem quando ouvem a bobagem histórica falada pelos grupos anarquistas: “O povo unido governa sem partido”. Não existe na história nenhum exemplo de que se tenha feito uma revolução sem uma direção revolucionária. E o que o Brasil precisa é de uma revolução. Os anarquistas cumprem nesse caso um papel reacionário, a serviço das classes dominantes, ao falar ao mesmo tempo contra os partidos burgueses e contra os partidos revolucionários como o PSTU.

A história já demonstrou esse papel reacionário dos anarquistas: quando ocorreu realmente uma revolução, como na Espanha em 37, e se esteve perante a necessidade de definir o que se faria com o governo e o Estado burguês, os anarquistas acabaram por participar, na Catalunha, de um governo junto com partidos reformistas e a burguesia. É como se os anarquistas, perante uma revolução no Brasil, se rendessem e aceitassem participar de um governo com o PT e o PMDB. É a consequência de quem não vê a necessidade de um partido até que ela se imponha, e aí aceita simplesmente os mesmos partidos de sempre.

Entendemos o sentimento antipartido da população. Rejeitamos duramente, no entanto, quando grupos anarquistas e neofascistas querem tirar nossas bandeiras. Isso já aconteceu nesses atos e, invariavelmente, provoca conflitos. Nem a ditadura conseguiu fazer com que baixássemos nossas bandeiras e não vai ser qualquer grupo anarquista ou neofascista que irá fazê-lo. Todos têm direito de levantar suas bandeiras e faixas. Não vai se impor nenhuma visão autoritária baseada no atraso.

Lutemos juntos contra os governos. Esse tipo de postura só divide e enfraquece o movimento. Enquanto a polícia nos atira bombas, é um enorme equívoco dividir a luta.

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Anarquismo e socialismo: o individual e o coletivo nas mobilizações de massas

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Por Henrique Canary

Certa vez, Margaret Thatcher, a primeira-ministra mais odiada da história da Inglaterra, afirmou: “Não existe essa coisa de sociedade, o que há e sempre haverá são indivíduos.” Diante de nossos olhos, em uma única frase, vemos resumida toda a filosofia neoliberal, reacionária e burguesa que domina o mundo há quase três séculos. Desde que o capitalismo existe, as classes dominantes e seus pensadores tentam nos convencer exatamente desta ideia: a de que os meus interesses como indivíduo são opostos aos interesses da sociedade como um todo. E quando esses interesses entram em conflito, o que deve prevalecer são os interesses individuais, mesmo em detrimento de toda a sociedade. É a filosofia perfeita para justificar a propriedade privada e o lucro individual.

Assim, a necessidade de “manter as vias livres” para que carros particulares possam circular é a justificativa mais importante para a repressão exercida pela PM de São Paulo durante os atos contra o aumento. Não importa se são 12 mil nas ruas por uma causa justa. O que importa é que os indivíduos devem poder passar com seus carros. A luta dos movimentos sociais sempre foi por romper com essa lógica: por organizar os explorados e oprimidos; dar a eles a noção da igualdade de seus interesses; estruturar suas forças; dar estabilidade, continuidade e alcance à sua luta; combater a ideologia liberal-individualista.

Liberalismo burguês: a verdadeira filosofia do anarquismo
O anarquismo é hoje uma força influente nos movimentos contra o aumento das passagens em todo o país. Sua ideia central é a defesa de um movimento “horizontal”, formado apenas por “indivíduos”, sem partidos ou sindicatos, sem qualquer organização, estrutura e estabilidade. Essa ideia parece muito boa, mas é muito ruim. O movimento contra o aumento precisa da classe trabalhadora para vencer, precisa atrair os movimentos sociais organizados, e é justamente aí que a “horizontalidade” e a “individualização” do movimento exibem seus limites.

Gostemos ou não, a dura realidade é que os trabalhadores são explorados, oprimidos e alienados pelo capitalismo. Por isso, quando dispersos em “individualidades”, os trabalhadores podem muito pouco, ou quase nada. Um “indivíduo” trabalhador, sozinho, não conquista um aumento salarial, não enfrenta o patrão, não pára uma fábrica, não ocupa uma rua ou uma praça, não coloca a linha de produção para funcionar. Tudo o que os trabalhadores fazem – seja no trabalho ou na luta econômica e política – o fazem de maneira coletiva e organizada. Só podem fazer assim porque isso é da natureza de sua classe. Somente quando se organizam e se submetem conscientemente à disciplina de um coletivo, quando entrelaçam seus braços em um piquete e resistem coletiva e disciplinadamente à investida dos fura-greve – somente aí é que os trabalhadores começam a adquirir algum “poder”, alguma liberdade.

A “liberdade individual”, tal como defendida pelo liberalismo e pelo anarquismo, pode ser uma boa ideia para as classes médias da sociedade. São elas que lutam pela própria sobrevivência de modo sempre individual, com seus pequenos empreendimentos comerciais e empregos competitivos. Mas para a classe operária, as coisas são diferentes. A força dos trabalhadores está em sua organização, mais do que em seu número ou em suas individualidades.

Por isso, o surgimento de simples sindicatos só foi possível historicamente graças a uma luta prolongada contra a burguesia. Partidos políticos operários, então – pior ainda. Se contabilizarmos a história geral de todo o movimento operário mundial, na maior parte do tempo os partidos operários estiveram na ilegalidade. Em larga escala histórica, a existência de partidos operários legais é uma exceção. O direito dos trabalhadores à organização foi arrancado a ferro e sangue e é uma gigantesca vitória sobre o inimigo de classe. E a burguesia entende isso.

No Brasil, que vive em uma “democracia” há quase trinta anos, as pessoas tem uma tendência a desvalorizar essa enorme conquista. Os partidos estão desgastados e a maioria deles abusou da paciência dos trabalhadores, é verdade. Mas não seria justo aplicar a todos os partidos a mesma medida que a burguesia quer impor aos movimentos sociais como um todo: semi-proibí-los, escondê-los, forçá-los a se manifestar apenas em situações específicas, torná-los insignificantes perante as grandes massas, desmoralizá-los. Ou não é justamente isso que a mídia e os governos tentam fazer com o movimento em geral?

O “apartidarismo”: supressão da liberdade, sob gritos de liberdade
Assim, há nos movimentos contra o aumento uma ideia que é muito difundida: a de que partidos políticos não deveriam levar bandeiras, não deveriam se manifestar em atos e passeatas. A justificativa é sempre a mesma: “a união de todos”. Mas há um problema nessa justificativa. Como “unir” todo mundo se se proíbe alguns de se manifestarem, de expressarem, por meio de uma bandeira, o que pensam do mundo e as causas que apoiam?

Ora, o movimento de massas lutou muito no passado, entre outras coisas por democracia e liberdades políticas. Muito sangue foi derramado e muitos lutadores tombaram para que houvesse hoje no Brasil um mínimo de liberdade pelo menos para fundar um partido político e levantar uma bandeira em praça pública.

Mas alguns setores anarquistas cumprem um papel verdadeiramente vergonhoso. Tentam proibir, inclusive por meio da força física, que os militantes dos partidos políticos exerçam uma liberdade elementar: a liberdade de expressão, de levantar uma bandeira, de dizer “nós apoiamos este movimento”. Não é exatamente por essa mesma liberdade que estamos nas ruas neste exato momento? Não lutamos pelo direito de poder lutar?

Suponhamos que seja proibido aos militantes de partidos políticos levantarem suas bandeiras. Afinal, nem todos os que participam da passeata são, por exemplo, do PSTU. Muito bem. Mas fica a pergunta: e se os militantes LGBT resolverem apoiar a causa e levarem suas belas bandeiras coloridas? Serão proibidos de lavantá-las? Faremos com eles o que os setores mais reacionários da sociedade fazem? Os expulsaremos da manifestação? Afinal, nem todos os que participam da passeata são homossexuais e a causa LGBT não contempla toda a passeata! Vamos agir da mesma forma que agem Marco Feliciano e Silas Malafaia? “Mas o movimento LGBT não é um partido!”, dirão alguns. Muito bem. Mas é uma causa. É uma ideia. É um sonho, da mesma forma que o socialismo. A bandeira vermelha é o símbolo deste sonho.

Ou então: se os militantes do MST levarem suas bandeiras, serão também proibidos de levantá-las? Por acaso o  MST não é também um movimento social tão organizado e legítimo quanto os partidos políticos? Ou o MTST? Ou a bandeira negra da Anarquia? Ou a bandeira lilás da luta das mulheres? Ou do movimento negro? Vamos forçar todos a baixarem suas bandeiras? Não é exatamente a diversidade de bandeira e opiniões que faz um movimento forte? Não são todos os movimentos sociais também e ao mesmo tempo movimentos políticos? Ou se há uma diferença entre esses dois tipos de movimento, quem determina quais os movimentos são puramente “sociais” e quais são “políticos”? Onde está esta fronteira tão bem definida que alguns companheiros dizem enxergar? Quem decidirá quais bandeiras baixar e quais não? Tudo isso não parece um pouco... autoritário? Não seria mais democrático e lógico admitir simplesmente que todos podem e devem levar suas bandeiras e tornar com isso a passeata tão colorida que ninguém ouse dizer que o movimento pertence a essa ou àquela organização?
Lutar contra as bombas... e as ideias do inimigo!
A ideologia “apartidária”, pregada pelos anarquistas (e muitas vezes apoiada por setores sinceros e bem intencionados do movimento) parece muito progressiva, mas é muito reacionária. É a ideologia mais conservadora que existe porque é o liberalismo levado às últimas consequências: só admite indivíduos; ignora o caráter necessariamente coletivo e necessariamente organizado das ações da classe trabalhadora. Com isso, o movimento cai no jogo malandro das classes dominantes e se enfraquece, pois expulsa de antemão da luta o ator mais importante de toda e qualquer transformação social mais profunda: a classe trabalhadora e suas organizações.

Não é à toa que os governos e a imprensa sempre se remetem ao fato de que existem, supostamente, “partido infiltrados” neste e naquele movimento. Querem fazer as pessoas acreditar que só são válidos os movimentos individuais, sem qualquer organização. Querem ver as pessoas dispersas. Se para isso usarão bombas de gás lacrimogêneo ou ideias – tanto faz. Enquanto isso, eles mesmos (os governantes e a imprensa) têm seus próprios partidos, os financiam e os protegem. Que nobres! Que sacrifício fazem! Se “sujam” com a política para que as pessoas não tenham que se sujar! Ao quererem proibir a participação de partidos nas mobilizações de massas, os anarquistas só jogam água neste moinho burguês; combatem as bombas do inimigo, mas inalam e se contaminam de suas ideias.

Além disso (e para piorar), é por terem essa visão individualista ao extremo, que os setores anarquistas são, em geral, os primeiros a romper a disciplina do coletivo. Caem nas provocações da polícia e decidem por sua própria conta realizar ações que só prejudicam a luta e desmoralizam a todos, como danificar estações de metrô, se enfrentar com trabalhadores do comércio e do transporte e um longo etc. Para os anarquistas, portanto – liberdade individual irrestrita!; para os militantes dos partidos – baixem as bandeiras! Como Luis XIV, o rei da França que dizia ser ele próprio a encarnação do Estado (“O Estado sou eu”, dizia), os anarquistas agem segundo um princípio parecido, o mesmo de Margaret Thatcher, o mesmo do liberalismo: o de que só existe o indivíduo e (vejam que sorte!) o indivíduo... sou eu!

(13/06, 5a feira) Dia Nacional de Luta contra os aumentos de passagem: No Rio de Janeiro concentração a partir das 17 horas na Candelária.

Adesivo do PSTU na campanha contra os aumentos

Nesta quinta-feira, 13 de junho, em todo o Brasil será realizado um Dia Nacional de Luta contra os aumentos de passagem.
Em várias cidades do país, a juventude e outros setores da classe trabalhadora brasileira estão está protagonizando uma grande luta contra os abusivos aumentos nas passagens nos transportes públicos  e que estão sendo brutalmente reprimidos pela tropa de choque das polícias militares a mando de governadores e prefeitos.
Em Porto Alegre, a força da mobilização de milhares de estudantes e trabalhadores conquistou a revogação do aumento. Em Natal, no ano passado, os estudantes também conseguiram barrar o aumento.
Neste ano, houve novas mobilizações na capital do Rio Grande do Norte que fizeram a prefeitura recuar na sua proposta inicial de aumento. Em Teresina (PI), após 5 dias de protestos, o reajuste da passagem foi suspenso por 30 dias.

Estes exemplos mostram que é possível conquistar vitórias e derrotar os aumentos impostos, por isso nós do PSTU nos solidarizamos e nos inserimos nesta esta luta.
Na cidade do Rio de Janeiro o ato terá concentração a partir das 17 horas na Candelária.

Ato contra aumento da passagem é duramente reprimido no Rio

Arte utilizada pelo Fórum de Lutas
Contra o Aumento da Passagem
Por Rodrigo Noel*, do Rio de Janeiro

   No final da tarde de hoje teve início o ato contra o rejuste das tarifas de ônibus, promovido pelo prefeito Eduardo Paes. 

   O ato saiu da Cinelândia (tradicional palco de manifestações populares) em direção a Candelária, pela Rua 1ª de Março. Próximo ao Tribunal de Justiça, a Polícia Militar começou a reprimir o ato gratuitamente, pois o mesmo seguia de maneira pacífica pelas vias do Centro do Rio. Muitas bombas e gás de pimenta foram jogados nos manifestantes, pela truculenta polícia de Cabral. Um dos pm´s utilizou taser (arma de eletrochoque) em dois estudantes da UFRJ.

   Após essa repressão absurda e desmedida, os manifestantes seguiram em ato rumo a 5ª DP contra a prisão arbitrária de 30 estudantes. Os ativistas permanecem em frente a DP exigindo a liberação dos detidos sem o pagamento da fiança exigida pelo delegado.

Em breve mais detalhes.

*Colaboração de Leandro Santos

TVPSTU - Greve dos servidores federais e estudantes

Paulo Barela da Executiva Nacional da CSP-Conlutas e Clara Saraiva da Executiva Nacional da ANEL falam sobre o fortalecimento da greve e dos seus próximos passos.

Marcha a Brasília reúne 15 mil e reafirma greve geral do funcionalismo dia 11 de junho

Manifestação reúne servidores, professores em greve das universidades federais e estudantes



A manifestação convocada pelas entidades do funcionalismo público federal demonstrou toda a indignação da categoria com a intransigência do governo Dilma com as reivindicações dos trabalhadores. Reunindo algo como 15 mil pessoas, a marcha contou com o funcionalismo em peso, os professores das universidades federais que protagonizam uma forte greve desde o dia 17 de maio, além de estudantes, que já fazem greve estudantil em 30 universidades.


Demonstrando a enorme disposição de luta dos servidores, a marcha partiu da Catedral, fez a volta na Praça dos Três Poderes e, no retorno, se concentrou em frente ao Bloco K da Esplanada dos Ministérios, onde está o gabinete da Ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Os manifestantes realizaram um protesto em frente ao prédio e exigiram ser recebidos pelo Ministério. Na ausência da ministra, foram recebidos pelo secretário Valter Correia, que aceitou se reunir com representantes de 13 entidades do funcionalismo, incluindo as centrais CSP-Conlutas, CUT e CTB.



Os servidores reivindicam reajuste de 22,08% (referente à inflação e variação do PIB desde 2010), assim como uma política salarial permanente, que inclua reposição inflacionária, valorizaçao do salário-base e incorporação das gratificações. Também reivindicam o direito à negociação coletiva no setor público, com definição de data-base em maio e o cumprimento de vários acordos firmados com o governo, mas não cumpridos.



Intransigência
“Relatamos ao secretário a intransigência com que o governo vem tratando nosso movimento, isso se expressa no fato de que, após oito reuniões com o Secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, nenhum avanço tenha ocorrido”, afirma Paulo Barela, da Executiva da CSP-Conlutas, presente na reunião. Os servidores pediram outro interlocutor com a categoria, haja visto a falta de vontade política do atual representante do governo de resolver o impasse, assim como a abertura efetiva de negociação.



O representante do ministério, porém, reafirmou a atual política do governo. Além de afirmar que Sérgio Mendonça continuaria à frente das negociações, disse ainda que o governo não receberia mais os servidores caso insistissem no atual indicativo de greve para o dia 11. “Achamos que isso é um retrocesso, pois hoje não estamos em greve e o governo já não apresenta nenhuma proposta, somos recebidos mas não há nenhum avanço”, afirma Barela.




O governo afirma que apresentará uma proposta apenas no dia 31 de julho, às vésperas do prazo para a votação da Lei Orçamentária Anual, em agosto.“O governo quer apresentar uma proposta em cima do prazo para impedir uma mobilização maior”, analisa o representante da CSP-Conlutas. Valter Correia se comprometeu a procurar Sérgio Mendonça e a ministra para discutir o “mérito” da questão, retornando com uma resposta na semana que vem.“Dissemos a ele que discutir o mérito significa apresentar números, propostas concretas”, disse Barela.



Servidores reafirmam greve
Os servidores, porém, mostraram que não esperarão sentados. Pela tarde realizaram uma plenária unificada organizada pelo Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Federais, que reuniu mais de mil pessoas. Após uma avaliação do movimento nos diferentes setores, os servidores reafirmaram o indicativo de greve geral do funcionalismo federal a partir do dia 11 de junho. Aprovaram também uma grande manifestação durante a Cúpula dos Povos, que ocorre paralelamente ao Rio +20, no próximo dia 20, além da formação de um comando nacional de greve e mobilização. 




Estudantes fazem manifestação no MEC
Esse dia 5 também foi marcado pelo protesto dos estudantes no Ministério da Educação, em apoio à greve dos docentes das universidades federais. Enquanto a greve atinge já 51 instituições federais em todo o país, os estudantes aprovaram greve estudantil em 30. Os alunos se concentraram em frente ao MEC e foram reprimidos pela polícia, com spray de pimenta e cassetetes quando tentaram ocupar o prédio.



“Estávamos em mais de dois mil estudantes lá, fizemos um jogral para discutir o protesto e, mostrando muita indignação pela atual situação das universidades federais, aprovamos ocupar o ministério”, afirma Clara Saraiva, da ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre). No momento em que entravam no ministério para exigir serem recebidos pelo ministro Aloizio Mercadante, foram fortemente reprimidos.



O presidente da UNE, Daniel Iliescu, afirmou à imprensa que a “depredação” partia de uma “minoria, sem que houvesse nenhuma deliberação do movimento”. A entidade não levou estudantes para a marcha, apenas alguns diretores.



Já o ministro da Educação chegou a receber uma comissão dos docentes em greve, mas também não avançou nas negociações.

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Pinheirinho convoca todas as entidades e movimentos para ato no local nesta terça

Por SindmetalSJC

   A megaoperação da polícia para desocupação do Pinheirinho já está em andamento. Helicópteros da polícia estão sobrevoando o local e jogando panfletos pedindo aos moradores para se retirarem sem impor resistência. Os sem teto seguem firmes e organizados para resistir.

    Neste momento é necessário o máximo de apoio e solidariedade. A campanha de moções segue e é muito importante, mas a presença física no local é fundamental neste momento. A desocupação pode acontecer a qualquer instante. Amanhã será realizado um ato no local e queremos o maior número de dirigentes e ativistas nesta atividade.

    Convocamos todas as entidades e movimentos a se deslocarem amanhã para o município de São Jose os Campos e se incorporarem ao ato de resistência do Pinheirinho. Essa luta é nossa. Todos ao Pinheirinho!

Pinheirinho resiste
    O Comando da Polícia Militar está preparando uma megaoperação com a Tropa de Choque para cumprir um mandado de reintegração de posse da Ocupação Pinheirinho, uma das maiores do Estado de São Paulo, localizada em São José dos Campos. Cerca de 9 mil moradores ameaçados de perder suas casas estão dispostos a resistir a qualquer tentativa de desocupação. O clima hoje é de forte tensão entre os moradores, já que a ordem de reintegração pode ser cumprida a qualquer momento.

    A ordem de reintegração de posse foi assinada pela juíza Márcia Loureiro, da 6ª. Vara Cível de São José dos Campos, em meio a negociações de acordo já iniciadas pelos governos federal, estadual e municipal. O maior impasse entre as esferas do governo está nas mãos da Prefeitura de São José dos Campos, que se recusa a inscrever a Ocupação no Programa Cidade Legal, o que seria o primeiro passo para a regularização da área.

    O governo federal já afirmou que está disposto a evitar a reintegração e negociar a regularização do Pinheirinho, mas depende de ação da Prefeitura no sentido de alterar o zoneamento da área para Zona Especial de Interesse Social e preparar um projeto urbanístico para a Ocupação. Depende também de que a juíza Márcia Loureiro suspenda a ordem de reintegração.

    Nesta sexta-feira, dia 13, acontece uma reunião que está sendo considerada como última tentativa de acordo. Pela manhã, participaram representantes dos governos federal e estadual, além da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e de outras entidades que apoiam os moradores. Esperava-se que a Prefeitura e a juíza Márcia Loureiro apresentassem soluções para o impasse. Entretanto, nenhum deles compareceu ao encontro, que continuará no período da tarde.

Prontos para a resistência
    Lideranças da Ocupação afirmam que, se a Polícia Militar invadir a Ocupação, haverá forte resistência e grave risco de confronto. Semana passada, moradores chegaram a ocupar a Rodovia Presidente Dutra em protesto contra a ameaça de desocupação. Esta semana, o protesto foi em frente à Prefeitura. Moradores se acorrentaram à grade do Paço Municipal e houve confronto com a Guarda Municipal, que usou cassetetes para reprimir a manifestação.

    Na última quarta-feira, dia 11, a Polícia Militar esteve no acampamento acompanhando oficiais de justiça que notificaram os moradores sobre a ordem de desocupação. Foi o sinal de que a reintegração pode ser executada a qualquer momento. Diante desse quadro, moradores já estão se preparando para a resistência, formando barricadas e se armando com pedaços de madeira para se defender da invasão policial.

    “Se a Polícia Militar invadir a área, o país corre o risco de assistir a uma grande tragédia, repetindo histórias como a de Carajás, em 1996, e da Ocupação Sonho Real, em Goiânia, em 2005, quando dezenas de pessoas morreram em conflito com a polícia. Os moradores do Pinheirinho não vão deixar suas casas e estão dispostos a lutar. Ou a ordem de desocupação é suspensa ou vamos assistir a um banho de sangue”, afirma o líder do acampamento Valdir Martins.

    A área do Pinheirinho, ocupada há oito anos, pertence à massa falida da Selecta S/A, de propriedade do especulador financeiro Naji Nahas. Antes de ser ocupada, era uma terra que ficou abandonada por 30 anos, com mais de 1 milhão de metros quadrados. A massa falida da Selecta tem uma dívida superior a R$ 15 milhões em impostos com o município de São José dos Campos.

Policial racista saca arma e agride estudante da USP

WILSON H. SILVA
da redação do Opinião Socialista 

Depois do assédio racista a uma estagiária e do episódio envolvendo um garoto etíope jogado para fora de um restaurante, mais um caso de asqueroso racismo foi divulgado nesta segunda, dia 9 de janeiro: o único estudante negro presente num espaço ocupado na USP foi brutalmente agredido e ameaçado por um policial de armas em punho.

O mais recente caso de racismo aconteceu no mesmo momento em que o Núcleo de Consciência Negra da universidade sofre ataques. Dois vídeos publicados no YouTube mostram a ação da PM, particularmente do policial racista (apesar de covarde e, sistematicamente, tentar ocultar seu nome), identificado como André, quando ele parte para cima de um dos estudantes, o derruba no chão, o joga contra os móveis que estavam no local e tenta detê-lo empunhando um revólver.


Cabe lembrar que a ação do policial é, também, mais um exemplo lamentável das sucessivas e truculentas ações policias que, a mando do reitor João Grandino Rodas, têm sido implementadas na universidade, além de ocorrer no exato momento em que o Núcleo de Consciência Negra na USP (NCN) está sofrendo um violento ataque: no dia 21 de dezembro houve a tentativa de demolição, por parte da reitoria, do barracão onde desenvolve suas atividades.

Na USP, ser negros é ser suspeito 
O estudante Nicolas Menezes Barreto foi, literalmente, escolhido a dedo pelo policial. Além de ser um dos poucos negros no local, Nicolas, usa cabelo rastafári, razões suficientes para que o racista partisse para cima dele, questionando se ele era estudante da USP e exigindo sua carteirinha, coisa que não foi feita em relação a nenhum outro presente, todos brancos.

Apesar de não ser obrigado a apresentar seu documento estudantil para ninguém, Nicolas é aluno de Ciências da Natureza na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na USP Leste, e estava no campus Butantã acompanhando um grupo que está ocupando o prédio.

A atitude do policial André, além de típica da instituição da qual faz parte, reflete o racismo há muito alimentado na maior universidade do país. Concebida com objetivo de formar a elite nacional, USP nunca conviveu bem com os membros que não fazem parte desta camada e, de alguma forma, conseguiram superar a barreira do vestibular e adentrar os portões da academia.

A título de exemplo, posso citar um episódio que aconteceu comigo mesmo, quando estudava na universidade, no final dos anos 1980, e morava no Conjunto Residencial da universidade, o CRUSP. Num ensolarado domingo, nesta mesma época do ano, decidi estudar na Praça do Relógio, como cerca de 100 outras pessoas que estavam espalhadas pelo gramado. 

Infelizmente, não foi surpresa nenhuma para mim quando, de repente, minha leitura foi interrompida por um policial que, sem a mesma violência, mas de forma enfática questionou seu eu era estudante e o que estava fazendo naquele local.

Assim como na Pizzaria Nonno Paolo ou no Colégio Anhembi Morumbi, palcos dos dois casos de racismo mais recentes, a USP não é vista (nem por seus administradores nem pelas polícias que lhes servem) como um lugar para negros e negras, reproduzindo uma das máximas do racismo à brasileira: para evitar ataques, negros e negras têm de saber onde é o “seu lugar”.

Combater o racismo, defender o NCN
No final dos anos 1980, em resposta a episódios como o que aconteceu comigo e uns tantos outros descalabros que aconteciam na universidade, estudantes funcionários e professores fundaram o Núcleo de Consciência Negra (NCN) que, durante as últimas duas décadas, cumpriu um papel fundamental não só na denúncia e combate ao racismo, mas também para que mais negros entrassem na universidade.

Diante do ataque a Nicolas, a defesa do NCN se impõe ainda mais. Além de assinar a petição que está circulando na internet, é fundamental que o movimento negro organize a reação a esta onda racista que, como vimos, não se restringe à universidade.

Uma onda que, é necessário lembrar, acontece décadas depois da aprovação da lei anti-racismo, de 1988, dez anos depois da chegada de Lula ao poder e no momento em que o governo Dilma, enquanto se vangloria de combater a discriminação racial e todo tipo de opressão, ameaça por fim às secretarias especiais voltadas para políticas para negros(as) e mulheres. Isso sem falar do veto ao kit anti-homofobia e a mutilação do PLC 122, que criminalizava as práticas homofóbicas.

Diante da péssima repercussão da ação racista da polícia, o governo do Estado de São Paulo e a PM decidiram afastar (apenas das ruas, mas não da instituição) o sargento André Luiz Ferreira e o soldado Rafael Ribeiro Fazolin. Segundo o comandante da corporação, Wellington Venezian, os policiais foram afastados porque demonstram o que ele chamou de “um desequilíbrio emocional” na abordagem. Ou seja, ao lado da “injúria”, “difamação” e outras tantas formas de se evitar a caracterização de crimes raciais, a PM está criando mais uma: estar descompensado. Um absurdo.

Por isso mesmo, ganha força a proposta lançada pelo Quilombo Raça e Classe no protesto contra a Nonno Paolo, no sábado: é preciso construir um movimento amplo, em direção à realização de um vigoroso ato no dia 21 de março, Dia Internacional de Combate ao Racismo.

Lançamento da campanha pelos 10% do PIB pra educação reúne cerca de 400 pessoas no Rio

Ato-show contou com a presença de Monarco e Almir Guineto

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

Atnágoras Lopes dá o seu recado durante a atividade
    A noite desta quinta-feira (20) coloca um novo marco para o movimento social no Rio de Janeiro. Com a organização da CSP-Conlutas e da secretaria regional do ANDES, comemorou-se o dia do professor com atividades durante todo o dia na Cinelândia, tradicional palco de manifestações populares da capital fluminense.

   Após as aulas públicas, apresentações de trabalhos, panfletagens e atividades de diálogo com a população, os ativistas puderam apreciar as apresentações dos grandes sambistas Monarco e Almir Guineto, que também prestaram apoio a campanha pelos 10% do PIB pra educação.


   Atnágoras Lopes, da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas esteve presente e também deu o seu recado: "
Estamos discutindo com os companheiros da construção civil de Belém sobre a necessidade de levarmos a campanha pelos 10% do PIB pra educação pra dentro dos canteiros de obra. Os operários sabem da importância de ter uma educação de qualidade, pois a escola pública faz parte de sua vida, do seu cotidiano e de seus filhos", disse.

   Confira
aqui algumas fotos do evento que reuniu cerca de 400 pessoas.

ANEL DIZ: OBAMA, GO HOME!


E a UNE? Vai ficar calada?

O próximo fim de semana será marcado pela visita ao Brasil do presidente dos EUA, Barack Obama. O chefe mundial do imperialismo, que em sua campanha eleitoral criticava as guerras de Bush, hoje mantém as tropas no Iraque e Afeganistão, e, hoje, ameaça intervir militarmente na Líbia.


De olho no petróleo brasileiro, Obama desembarcará em terras brasileiras na manhã de sábado e, lamentavelmente, será recebido com toda a pompa pela presidente Dilma Roussef. Como expressão da dominação de nosso país pelo imperialismo e da cumplicidade do governo com essa situação, Dilma oferecerá até mesmo um palanque para que Obama discurse aos trabalhadores brasileiros.


Talvez por isso mesmo, o que vimos da UNE até aqui é o mais completo silêncio. Nenhum estudante de nosso país sabe o que a UNE tem a declarar sobre a recepção de gala que o governo está preparando para o representante mais ilustre do imperialismo.


Desde já, a ANEL está envolvida na articulação de um amplo espectro de entidades que estão organizando duas importantes manifestações que pretendem afirmar a luta dos trabalhadores e estudantes brasileiros por soberania para nosso país. Abaixo, reproduzimos o relatório da primeira reunião de preparação dos atos.


Convocamos os estudantes brasileiros a dizerem junto com a ANEL: Obama go home. E apesar de todas as nossas diferenças, achamos que seria importantíssimo que a UNE fizesse o mesmo. Por isso, chamamos a UNE a rever sua inércia e ingressar nessa mobilização.

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Mais de 50 mil estudantes saem às ruas em Londres contra cobrança de mensalidade nas universidades

Jovens entram em confronto com a polícia no maior protesto das últimas décadas no país



Da redação
Após a França, agora é a vez da juventude inglesa se levantar contra os pacotes de cortes promovidos pelos governos europeus. Nesse dia 20 de novembro, mais de 50 mil estudantes foram às ruas em Londres protestar contra a cobrança de mensalidade nas universidades.
O plano do governo prevê o aumento das taxas anuais para os empréstimos estudantis. O pacote pretende dobrar ou até mesmo triplicar em alguns casos o piso para os empréstimos, que hoje está em 3.290 libras anuais (equivalente a R$ 8,9 mil). O governo planeja, além disso, cortar em até 40% o orçamento para as universidades e acabar com as bolsas para os docentes.
O fato de um dos partidos do governo, o Liberal-Democrata, que governo junto com os conservadores ter prometido durante a campanha não mexer nas taxas aos estudantes acendeu ainda mais a revolta. Os 50 mil estudantes percorriam uma das principais avenidas do centro de Londres, dirigindo-se ao Parlamento, quando de 200 a 300 jovens desviaram da rota e atacaram a sede do Partido Conservador.
Centenas de estudantes ocuparam o prédio e foram reprimidos pela polícia. Houve confronto e cerca de 30 jovens foram presos. Segundo a imprensa, 14 ficaram feridos, sendo 2 policiais. Essa foi a maior manifestação em décadas no país, sendo comparado às mobilizações contra o governo neoliberal de Tatcher na década de 80.

Pior corte desde a II Guerra
Os ataques às universidades fazem parte do pacote de cortes anunciada pelo primeiro-ministro britânico David Cameron. Trata-se do maior corte fiscal desde a Segunda Guerra Mundial e que prevê, entre outras medidas, a eliminação de meio milhão de empregos públicos. Os cortes afetam todas as áreas, inclusive as socais.
O protesto deste dia 4 refuta a tese difundida em meio ao anúncio dos cortes, de que a Grã-Bretanha não veria mobilizações tão grandes e radicalizadas quanto às da França, devido o perfil do povo inglês. Os jovens ingleses confirmaram o protagonismo dos estudantes na luta contra os ataques e os pacotes de arrocho na Europa. 

Veja vídeo:


Assista a transmissão on line do 2º Congresso da Conlutas

O 2° Congresso da Conlutas, momento tão aguardado por todos, está começando agora, no Centro de Convenções Mendes, em Santos-SP.

























Assista a transmissão on line do 2 Congresso da Conlutas

II CONGRESSO DA CONLUTAS E I CONCLAT: FAZENDO HISTÓRIA!

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Dirley Santos, do Rio de Janeiro.
O dia 02 de junho de 2010 ficará, com certeza, marcado na memória de milhares de ativistas em todo país, que neste dia começaram suas jornadas em direção à cidade paulista de Santos, para a realização do II Congresso Nacional da Coordenação de Lutas (Conlutas) e do I Congresso da Classe Trabalhadora (Conclat).
No início desta madrugada, da praça da Cinelândia, berço político da cidade do Rio de Janeiro, saíram em cerca 10 ônibus quase 500 delegados ligados à Conlutas (sendo 74 do SEPE-RJ, que com um total mais de 225 delegados é a maior delegação nacional ao Conclat), à ANEL e ao Movimento Mulheres em Luta.
Ativistas vindos dos mais diferentes lugares do estado; como os aguerridos metalúrgicos de Volta Redonda, os profissionais de educação grevistas de Petrópolis, os combativos comerciários de Nova Iguaçu, servidores estaduais da Justiça e animadores culturais da rede estadual de ensino, as atuantes merendeiras da rede municipal do Rio; além de outros trabalhadores e estudantes de Caxias, Belford Roxo, Cachoeiras de Macacú, Friburgo, Teresópolis, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e, principalmente, da capital.
Ainda, na quinta e na sexta-feira, sairão inúmeros ônibus levando o restante dos cerca de mil delegados e observadores eleitos no Rio de Janeiro em direção à Santos, desta vez com companheiros e companheiras ligados a outras correntes e movimentos como Enlace, APS, LSR e CST, do PSOL; o Coletivo Marxista Paulo Romão; o MTL; etc.

DELEGADOS ELEITOS NA BASE
A escolha dos delegados se deu após a realização de mais de mil assembléias onde foram eleitos em todo o país, quase 5 mil delegados, para o II Congresso da Conlutas e para o I Conclat. Estes delegados representarão quase 3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, refletindo o atual  processo de reorganização da classe em busca de uma alternativa as entidades tradicionais que, como a CUT, já não refletem a luta dos trabalhadores brasileiros.
Essa intensa movimentação nos últimos meses é o coroamento de pelo menos dois anos de debates e discussões, além de uma militância comum no dia-a-dia das lutas nas bases das categorias e movimentos. Nos dias 3 e 4 o II Congresso da Conlutas deverá expressar a construção dessa entidade que ocupou, sem dúvida, a dianteira do processo de reorganização do movimento de massas após a chegada de Lula à presidência.

CONSTRUIR UMA CENTRAL DE LUTAS
É esperado ainda que, após esse balanço positivo, os delegados indiquem o avanço desse processo, apoiando a unificação da Conlutas com outras entidades, como a Intersindical; o que deve ser decidido nos dias 5 e 6 no I Conclat.
O PSTU, que sempre impulsionou a construção da Conlutas, defende a unidade dos setores combativos e independentes na construção de uma alternativa única à esquerda do governo Lula; alternativa essa que está, hoje, bem perto se concretizar.
Para o I Conclat, são esperados no mínimo 3 mil participantes, representando 502 entidades (entre sindicatos, movimentos socais, estudantis e oposições) e eleitos em 962 assembléias de base. Já para o II Congresso da Conlutas, são esperados pelo menos, 2 mil participantes, entre delegados e observadores; foram inscritas 389 entidades.

SAIBA MAIS:
CONGRESSO DA CLASSE TRABALHADORA
Participantes esperados: 3.000
Entidades inscritas: 502
Assembléias realizadas: 962

CONGRESSO DA CONLUTAS
Participantes esperados: 2.000
Entidades inscritas: 389
Assembléias realizadas: 767

Sendo:
* 220 entidades sindicais (representando 2.900.000 trabalhadores na base)
 *145 Oposições e minorias de direções sindicais
*64 delegações do movimento popular do campo
*64 delegações do movimento popular urbano
*09 entidades nacionais

ACOMPANHE OS CONGRESSOS
II CONGRESSO DA CONLUTAS (03 E 04 DE JUNHO)
I CONCLAT  (05 E 06 DE JUNHO)