Adeus, Teresa

Eduardo Almeida Neto, da Direção Nacional do PSTU e editor do Opinião Socialista 

• Morreu um dos símbolos do PSTU. Na madrugada de 28 de setembro, uma embolia pulmonar levou Teresa Bastos no Rio de Janeiro. Militava desde 1982, sempre emotiva, sempre apaixonada. Teresa passional. Teresa irreverente. Teresa.

Com ela se foi uma parte da vanguarda que dirigiu as grandes greves bancárias da década de 80. Grandes assembléias, o centro do Rio fervilhando com piquetes.

Lá se foi um dos dirigentes que souberam manter o partido na cinzenta década de 90, quando tantos pararam de militar. Muitos quadros importantes do partido de hoje foram formados por ela.

Há seis anos descobriu que tinha esclerose múltipla. Estava condenada por uma doença neurológica degenerativa, que pouco a pouco lhe tirava os movimentos. Logo ela, uma agitação permanente.

Veio a parte mais triste. Cada mês com menos força e coordenação motora. Já não conseguia andar, passou a usar uma cadeira de rodas. Mas existe uma beleza escondida no fundo da tristeza. Ela seguiu fazendo o que podia pelo partido até seus últimos dias. Seguia e seguia... Teresa brigona. Teresa.

Lembro do ato de aniversário dos 15 anos do partido no Rio. Ela foi ovacionada sentada em sua cadeira de rodas. Os olhinhos brilhavam.

Nesse mundo capitalista, valores como a dignidade e a moral viraram raridade. A força demonstrada por Teresa para enfrentar a doença veio mostrar a todos que a dignidade é possível. A solidariedade incansável de Zeca, seu companheiro, lembrou como a moral proletária é necessária.

O Rio teve uma manhã cinzenta, em plena primavera. Parecia um sinal de respeito com o funeral. Ao redor do caixão, velhos militantes sem vergonha por ter lágrimas nos olhos. Outros que já não militam ou que militam em outros partidos. Gente nova que a conheceu já na doença. Teresa os juntou pela última vez.

Fala Elisia, antiga companheira. Lembra de sua última reunião há menos de uma semana. Teresa estava preocupada com a greve geral na França. Cyro mostra o presente que comprou em uma viagem para ela. Faz questão de entregar, mesmo com atraso. É uma caixinha de música, dessas que se gira uma manivela e toca a Internacional. Zeca fala em nome de todos nós. Mais que um companheiro. Um gigante, frágil pela perda.

Os funerais têm seus símbolos. Os religiosos têm suas orações. Os militantes têm punhos para o alto, a bandeira do PSTU estendida sobre o caixão. A homenagem dos que seguem na luta que foi a vida da que se foi.

Um partido não é somente seu programa, sua política, seus estatutos. O partido é feito também de suas tradições. Teresa morreu. Agora, sua dignidade e seu exemplo moral são partes das tradições do partido que ajudou a construir.

Companheira e amiga Teresa, presente!


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Candidatos avaliam o debate promovido pelo Brasil de Fato

[por Patrícia Benvenuti, do Brasil de Fato] O debate contou com a participação de sete mil internautas de dez países.


Nacional
22/09/2010

Romper o silêncio imposto pela mídia corporativa e apresentar ao eleitor as propostas dos partidos de esquerda. Com esse objetivo, foi realizado nesta terça-feira (21), em São Paulo (SP), o debate dos presidenciáveis da esquerda, promovido pelo Brasil de Fato.

O debate contou com a participação de Rui Costa Pimenta (PCO), Ivan Pinheiro (PCB) e Zé Maria (PSTU). Também foram convidados Plinio de Arruda Sampaio (PSOL), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), que não participaram sob justificativa de problemas de agenda.

Os candidatos responderam perguntas de jornalistas e de internautas sobre variados temas, como programas econômicos, política externa e reforma agrária, dentre outros temas.

Segundo os levantamentos feitos pela página do Brasil de Fato, o debate teve cerca de duas mil pessoas conectadas simultaneamente. Além disso, cerca de 7.687 internautas de dez países acessaram o vídeo e no chat, foram 5,5 mil comentários. No twitter, foram pelo menos 500 mensagens.

Para a jornalista Tatiana Merlino, editora da Caros Amigos, que participou do debate, um encontro entre candidatos da esquerda contribui para a quebra de estereótipos. "Como tais candidatos têm pouquíssimo tempo de campanha gratuita na TV e no rádio, são obrigados a apresentar suas ideias muito rapidamente, o que dificulta a desmistificar a imagem caricata de “esquerda raivosa” que a grande imprensa tenta fazer deles", analisa.

Candidatos
Na avaliação de Ivan Pinheiro (PCB), a exclusão dos partidos de esquerda nos debates televisivos e a cobertura tendenciosa da imprensa tornam o debate da esquerda ainda mais fundamental. "Para nós esse debate é o evento mais importante da campanha. Aliás é o único debate nessa campanha, despolitizada e midiatizada".

O candidato do PCB também vislumbra que o encontro tem uma importância que vai além do processo eleitoral. 'É uma oportunidade de a esquerda se reunir, discutir, ver suas diferenças", avalia.

Zé Maria (PSTU) também ressalta a realização do debate e faz uma crítica à cobertura midiática dos meios de comunicação tradicionais. Ele cita o caso da Folha de S.Paulo que colocou, como um de seus compromissos de agenda para a terça-feira, a participação no 'debate dos nanicos'. Para ele, antes de informar, a imprensa tradicional está empenhada em defender determinadas candidaturas. "Os jornais já estão militando por seus candidatos, e com as redes de televisão é a mesma coisa", critica.

A atual cobertura das eleições, na sua avaliação, prejudica essencialmente o eleitor, que fica sem o direito de conhecer todos os candidatos. "As candidaturas que o povo não sabe que estão concorrendo é como se não existissem. Você vai ver, muita gente vai votar achando que são apenas três candidatos", alerta.

Opinião semelhante tem Rui Costa Pimenta (PCO. Para ele, o debate significa uma abertura importante para os partidos de esquerda, que não encontram espaço para expor suas visões.

"Há todo um movimento no interior dos partidos burgueses para tirar a esquerda desta eleição. O debate é uma reação que a esquerda está dando a esse processo antidemocrático", afirma.

O representante do PCO ressalta, portanto, que a privação imposta não se deve ao tamanho dos partidos, e sim ao próprio perfil das candidaturas. "A exclusão vem disfarçada de luta contra os 'nanicos', mas quase todos eles ['nanicos'] são de esquerda", ressalta.

Leia no site do Brasil de Fato

Nesta quinta, PSTU promove em todo o país o “dia do 16”

Partido leva às ruas o dia nacional do “contra burguês, vote 16”



Da redação
 


 
 
    PSTU faz campanha na Cinelância, Rio de Janeiro. Dia 16 essa cena ocorre em todo o país

• A falsa polarização entre PT e PSDB, imposta pelos grandes meios de comunicação, tornou essa campanha eleitoral a mais fria dos últimos anos. Ao mesmo tempo as candidaturas da esquerda socialista sofrem o boicote da mídia, enquanto os principais candidatos contam com orçamento milionário, tempo de TV e um exército de cabos eleitorais nas ruas.

Para se contrapor a isso a militância do PSTU em todo o país vai às ruas no próximo dia 16, quinta-feira. Será um dia nacional de mobilização das candidaturas socialistas. Os militantes do PSTU e apoiadores vão sair com suas bandeiras, carros de som, panfletos, bancas, e tudo mais que estiver à mão para mostrar à população que existe uma alternativa de esquerda para essas eleições.

Dia agitado de campanha
Em todas as regionais, o PSTU está organizando a militância e os apoiadores para, no dia 16, colocar o bloco na rua. Em Belo Horizonte, o dia começa cedo na portaria da siderúrgica Mannesmann, com panfletagens na entrada e saída dos operários. Às 9h tem caminhada na UFMG e à tarde, às 15h, a militância se concentra na Praça Sete, no centro da cidade.

No Rio de Janeiro, capital, está prevista uma concentração ao longo da avenida Rio Branco, no centro da cidade, com início por volta das 10h. Estarão ocorrendo diversas mobilizações na cidade, entre elas uma passeata do Sepe, o sindicato dos profissionais da educação do estado, que deve passar pelo local.

Já em São Paulo, os militantes do PSTU se concentram às 14h na Praça do Patriarca, centro da cidade. Em seguida, ocorre uma caminhada até o Largo São Francisco, local em que, às 18h, acontece um debate sobre opressões com a candidata ao Senado, Ana Luiza.

Fique ligado, entre em contato com o PSTU em sua região e veja onde ocorre a atividade em sua cidade.

  • Consulte os endereços do PSTU em todo o país

  • PSTU apresenta denúncia crime contra veto das emissoras de TV

    “A população tem o direito de saber que existem nove candidatos, quem eles são e o que pensam”, diz advogado do partido



    Da redação
     


    • O PSTU apresentou nesse dia 13 de setembro uma representação de denúncia de abuso de poder econômico contra a Globo e o grupo Bandeirantes. Na representação, que também denuncia as demais emissoras da TV aberta, pede-se a instauração de inquérito policial eleitoral.

    A iniciativa acontece pelo tratamento desigual que os meios de comunicação estão dando às candidaturas à Presidência. “Enquanto os três candidatos chamados ‘principais’ são convidados para entrevistas e debates, e têm as suas atividades de campanha amplamente divulgadas, os demais sequer são citados, como se não existissem”, disse o advogado do PSTU Américo Gomes.

    Segundo argumenta, o critério das emissoras para definir quem são os candidatos prioritários, portanto merecedores de maior cobertura jornalística, é subjetivo. Américo destaca que, antes de tudo, as emissoras de rádio e televisão são empresas privadas que têm interesses na disputa eleitoral, portanto, “não podem gozar de tamanho poder de influência sobre os resultados eleitorais”.

    “As emissoras de TV, detentoras de uma concessão pública, deveriam estar subordinadas ao interesse publico, servindo o conjunto do eleitorado. A população tem o direito de saber que existem nove candidatos, quem eles são e o que pensam”, concluiu.


    [ 13/9/2010 15:08:00 ]