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Rodoviários do Rio seguem firmes na mobilização da categoria

A categoria exige o fim da dupla função motorista-cobrador e
está organizando um abaixo-assinado, que já conta mais de
3 mil assinaturas, que será entregue ao prefeito Eduardo Paes
Foto: Rodrigo Noel.
   Durante entrevista coletiva, na sede da CSP-Conlutas RJ, rodoviárixs denunciaram ameaças a integridade física e reafirmaram disposição para o diálogo

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   Na tarde de hoje os integrantes do movimento grevista concederam entrevista coletiva e falaram da mobilização que segue nas ruas. Os trabalhadores seguem mobilizando a categoria, apesar da pressão que a grande mídia e a patronal vem exercendo. Dentre outras coisas, o reajuste salarial e o fim da dupla função motorista-cobrador seguem no centro da pauta de reivindicações.

   Durante todo o dia de hoje foi perfeitamente possível perceber os grandes meios de comunicação funcionando como verdadeiros “diários oficiais”, passando somente a versão do governo municipal e dos patrões sobre a greve na capital. Afirmavam de maneira categórica que a circulação de ônibus na cidade estava em 90% do normal, portanto tentando desmoralizar os trabalhadores e desmobilizar os rodoviários em luta, além de blindar o prefeito Eduardo Paes, que se faz de “desentendido” apesar de ser o chefe do poder concedente.

Patronal joga pesado e vai entrar na justiça contra os trabalhadores

   A patronal, representada pela Rio Ônibus, entrará com uma ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para que o movimento seja considerado abusivo e ilegal. Esta movimentação comprova, mais uma vez, o caráter truculento dos donos das empresas de ônibus da capital fluminense, desrespeitando a população carioca e os trabalhadores, contando com a conivência de seguidos governantes, lembrando que a prefeitura do Rio é a responsável pela concessão das licenças para as empresas de ônibus operarem as linhas.

Parte das assinaturas da campanha promovida pelo fim da
dupla função. A esquerda, o telegrama enviado a cobradora
Maura Lucia em que a companheira é comunicada da abertura
do processo de expulsão do quadro de filiados do Sintraturb.
Foto: Rodrigo Noel.
   A Dra Isabela Blanco, integrante da assessoria jurídica da CSP-Conlutas, afirmou que “são descabidas as acusações de formação de quadrilha” aos líderes do movimento e que “isso amedronta a categoria, além de representar um cerceamento a liberdade de manifestação”. A advogada militante disse ainda que a central sindical realiza uma campanha nacional contra a criminalização dos movimentos sociais, participando, inclusive, uma audiência pública no Senado sobre criminalização das lutas.

   Durante a coletiva, os representantes do comando de negociação relataram diversos casos de seguranças armados dentro dos ônibus e de “fura-greves” recebendo até R$400 para trabalharem no lugar dos motoristas e cobradores. A maioria destes “fura-greves” não fazem parte da categoria e não possuem treinamento adequado para conduzir os veículos, o que é uma exigência do Detran, e, assim, colocam em risco a vida do povo trabalhador. Segundo os rodoviários, a adesão da categoria a greve foi de 60% e que se não fosse a grande ameaça que os rodoviários vêm sofrendo de corte de ponto e demissão, a adesão seria ainda maior.


   Questionados sobre o apoio oferecido pela CSP-Conlutas ao movimento, o integrante da executiva estadual, Renato Gomes, afirmou que "a central apoia e apoiará todo movimento honesto de trabalhadores, estudantes e movimentos populares que pedirem ajuda". A cobradora Maura Lucia, que está ameaçada de ser expulsa do quadro de filiados do sindicato dos trabalhadores, foi direta: "O sindicato virou as costas para os rodoviários. A CSP-Conlutas é que está ao nosso lado desde o início e, apesar de sofrer ameaças, eu não vou abandonar a luta da categoria!", finalizou.

   A próxima assembleia será na sexta-feira (30), às 16h, na Central do Brasil.

Veja também: 

Rodoviários do Rio decidem: Vai ter greve!

Após aprovação da greve categoria realiza passeata
pela Presidente Vargas em direção à Central do Brasil foto: Piero Martins

Por Dirley Santos, da redação
     Nesta terça-feira (27) cerca de 300 rodoviários se reuniram em assembleia na Candelária e após avaliarem que não houve nenhum avanço nas negociações com as empresas de ônibus decidiram entrar em greve de 24 horas a partir de 0 hora desta quarta-feira (28). Após a decisão os trabalhadores saíram em passeata pela Avenida Presidente Vargas em direção à Central do Brasil.
     Os rodoviários reivindicam um aumento de 40% no salário — pelo qual passariam a receber quase R$ 2,5 mil, além de cesta básica de R$ 400– que atualmente é de R$ 100. Outra reivindicação importante é o fim da dupla função, onde motoristas também trabalham como trocadores. Uma nova assembleia acontecerá na sexta-feira (30).
     Já a direção do Sindicato dos Rodoviários (Sintraturb) mantém o acordo assinado com a patronal, apesar da evidente insatisfação da maioria da categoria. Em um evidente jogo de cena um representante do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Urbano (Sintraturb) esteve no local, porém se recusou a falar para os trabalhadores que estavam na assembleia.
     Por "coincidência" o presidente do Rio Ônibus, sindicato das empresas de ônibus, Lélis Teixeira, descarta a abertura de uma nova negociação e afirmou que já entrou com pedido na Justiça para que a paralisação seja considerada ilegal.
     Mas os trabalhadores vão mostrar sua força e a derrotar a ganância e a intransigência dos governos e patrões e a traição das direções pelegas.
     Agora é o momento de darmos toda força a greve rodoviária, fortalecendo os piquetes nas garagens para convencer os trabalhadores que ainda não aderiram a paralisação a se integrarem de vez na luta.
    Todo apoio a greve dos rodoviários do Rio e em todo o país!

Em tempo:

Rodoviários de Niterói decretam estado de greve

Amanhã (4ª), às 15h, decidem se entram ou não em greve
Por Rodrigo Noel, da redação
Após aprovação da greve categoria saiu
em passeata pelo centro de Niterói foto:DB
Cerca de 250 companheiros e companheiras rodoviários decidiram hoje em assembleia decretar estado de greve em Niterói, São Gonçalo e demais localidades. Apesar da ostensiva presença policial, após a assembleia a categoria realizou um ato pelas ruas do Centro de Niterói. Amanhã, às 15h, a categoria realizará nova assembleia em frente ao Terminal Rodoviário João Goulart, no Centro, com a pauta sobre a votação da adesão ou não a greve.


O Movimento Rodoviários em Luta - Niterói e São Gonçalo até Arraial do Cabotem exigido, dentre outras coisas, o fim da dupla função motorista-cobrador lembrando que "dirigir e cobrar é tão perigoso quanto dirigir e falar ao celular", além de apontar diversas cidades onde movimentação semelhante resultou em vitórias para a categoria e para a população, dado o risco que apresenta a chamada dupla função.