TROPA DE CHOQUE REPRIME MANIFESTAÇÃO NA CINELÂNDIA


Foi uma segunda-feira cheia de atos públicos massivos e vitoriosos e de muita tensão. Os profissionais da educação, em um esforço heróico, resistiram a todo tipo de provocação e agressão por parte da Polícia Militar. Contudo, a PM que se encontrava cercando o prédio da Câmara Municipal de Vereadores, finalmente no meio da noite avançou sobre os manifestantes. 

Há informações de pelo menos 5 detidos e diversas pessoas feridas e atingidas por gás de pimenta.

TROPA ATACA A IMPRENSA E A OAB
Momentos antes houve confronto também entre soldados da PM e manifestantes, parte deles ligados aos Balck Blocs, nas imediações da Avenida Almirante Barroso com Avenida Rio Branco.

Contudo, a tropa de choque quando chegou foi para agredir os membros da imprensa que cobriam a manifestação e membros da OAB que buscavam solucionar o confronto.

Pelo menos três pessoas foram detidas, dois membros da imprensa (sendo um deles um diretor da Regional 2 do Sepe) e um jovem manifestante. 

Acompanhe pelo link do SEPEAOVIVO http://pt.twitcasting.tv/sepeaovivo

Fotos: Paollo Rodajna


Cerca de 10 mil profissionais de educação do Rio permanecem em frente a Câmara de Vereadores

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   Os educadores estão desde a manhã de hoje pressionando os vereadores e a presidência da Câmara de Vereadores da capital para que retirem o caráter de urgência do projeto de plano de carreira da categoria. Para o sindicato da categoria, a proposta não contempla 93% da categoria e institucionaliza ainda mais penalidades para os trabalhadores da educação.

   No último sábado a polícia militar, usando de sua tradicional truculência e arbitrariedade, desocupou o plenário da casa legislativa, onde se encontravam cerca de 200 educadores, além de dezenas que permaneciam acampados do lado de fora da câmara. Para Alex Trentino, diretor do SEPE e militante do PSTU, a pm está, no mínimo, equivocada: "Enquanto a pm reprimia os educadores do Rio, uma aluna de 9 anos de uma escola da Rocinha era estuprada e assassinada a 100m da UPP. É pra lá
que a pm tem que ir!"
, afirmou.

   O líder do governo na câmara marcou uma audiência na com o Sepe na manhã de hoje, mas a polícia impediu a entrada dos representantes da categoria durante toda a manhã e ainda cercou os educadores que permaneciam acampados na calçada da câmara. Apesar de não surpreender, é preciso repudiar o abuso da polícia militar ao agredir os ativistas presentes e "distribuir" spray de pimenta para os presentes a manifestação pacífica. Depois de muita negociação e pressão da categoria, a direção do sindicato foi autorizada a entrar na "casa do povo".

Em breve postaremos mais informações.

Após desocupação violenta no sábado PM cerca o entorno da Câmara de Vereadores e impede a circulação de pessoas

Dirley Santos, Rio de Janeiro.

Dando mostras de seu caráter repressivo e autoritário o governo Cabral, atendendo solicitação do prefeito Eduardo Paes e de sua base na Câmara, ordenou o cerco ao entorno do prédio da Câmara de Vereadores do Rio dois depois da desocupação violentada realizada pela mesma PM.
Além de evitar a presença de manifestantes os policiais militares estão impedindo a circulação livre das pessoas pelas ruas próximas ao local. Segundo informações o clima é muito tenso.
O cerco policial a uma casa legislativa é mais uma demonstração de como os governos de Cabral e Paes são iguais na repressão aos movimentos sociais.

Profissionais realizarão atos na prefeitura e na Cinelândia contra a repressão
Por conta do cerco da Polícia Militar no entorno da Câmara de Vereadores, a direção do Sepe está convocando dois atos de protesto para a tarde desta segunda-feira, (30/9). O primeiro será ao meio-dia em frente à prefeitura; de onde depois o ato seguirá para a Cinelândia e se encontrará com outros manifestantes.
O objetivo do ato é protestar e denunciar a repressão violenta do estado contra os grevistas e  garantir a segurança dos manifestantes que ainda se encontram acampados nos arredores do prédio legislativo. 


Cordão de PM's cercam prédio da Câmara de Vereadores (foto: MM)

Marcha das Vadias reúne cerca de 1000 ativistas em Niterói

Estatuto do Nascituro: banalização da
violência e criminalização das mulheres

Foto: RaB.
Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   O prefeito Rodrigo Neves (PT) teve de encarar mais um dia de luta na cidade. Dessa vez, foi contra o machismo. A Marcha das Vadias vem sendo organizada há quase dois meses por diversos grupos e entidades do movimento social da cidade.

   As ativistas caminharam pelas ruas do centro da cidade, região onde se concentra parte significativa dos casos de estupro, e terminaram a passeata na prefeitura, onde exigiram medidas do prefeito Rodrigo Neves (PT) para acabar com os casos de abuso na cidade.

   No panfleto distribuído pela organização do ato, as ativistas denunciam que o número de casos de estupro cresceu quase 250% na cidade nos últimos quatro anos segundo dados oficiais fornecidos pelo Instituto de Segurança Pública. Medidas simples, como aumento da iluminação pública, ajudariam a reverter esse quadro absurdo.

   Para Patrícia Santiago, servidora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e militante do PSTU, o assédio sexual não tem diminuído. “Nos transportes públicos essa é uma realidade que só cresce”, afirmou.
 

Sem motivação alguma, pm´s revistaram mochilas dxs
ativistas presentes a I Marcha das Vadias de Niterói
   Sem motivação alguma, policiais militares revistaram mochilas de ativistas presentes à primeira Marcha das Vadias de Niterói. Entre outras reivindicações, as manifestantes exigiram o pleno funcionamento da maternidade Alzira Reis (ameaçada de fechamento pela prefeitura), o veto presidencial ao estatuto do nascituro (também conhecido como “Bolsa Estupro”), o fim da violência nas escolas e o “Fora Cabral”.

MML: Um encontro construído pela base

Atualizado às 16:00h (27/09).

ATO DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL SUSPENDE VOTAÇÃO NA CÂMARA

Profissionais ocupam plenário da Câmara de Vereadores e suspendem votação do projeto de Eduardo Paes

por Dirley Santos e Rodrigo Barrenechea

Vigília de educadores se transforma em ocupação do plenário da Câmara (foto: PR)

Educação municipal do Rio exige retirada do PCCS de Paes!
Aproximadamente 400 educadores ocuparam a esquina da rua Alcindo Guanabara, onde fica a entrada lateral da Câmara dos Vereadores, protestando pela imediata retirada do projeto de plano de carreira enviado pelo prefeito e aprendiz de ditador, Eduardo Paes. O plano enviado sem discussão, conseguiu o "mérito" de ser pior que o vigente.
Em vigília desde o início da manhã, profissionais de educação da rede municipal do Rio surpreenderam o esquema montado pela bancada governista. Aliados de Paes, que disponibilizaram poucas senhas, pretendiam impedir a entrada da categoria para a sessão de votação.
O objetivo era, a exemplo da sessão de abertura da CPI dos Ônibus, encher as galerias com pessoas ligadas aos seus gabinetes e votar sem grandes pressões o projeto enviado autoritariamente pelo prefeito. A iniciativa dos grevistas conseguiu, além de impedir a manobra governista, garantir a entrada de dezenas de pessoas da categoria e atrasar a sessão.
Mais de cem policiais militares foram deslocados para o local e o clima ficou tenso. Mesmo assim, quando pessoas estranhas pró-governo municipal tentaram entrar os profissionais, os profissionais fizeram um cordão humano e impediram a entrada.

Manifestantes ocupam plenário e suspendem votação

CSP-Conlutas sempre presente (Foto: RB)
Instalada a sessão, a base do governo procurou a qualquer custo encaminhar o processo de votação.
    A pressão exercida pelos manifestantes fez com que uma comissão do Sepe fosse recebida em audiência pelo vereador Luis Antônio Guaraná, líder do governo. Logo depois, o presidente da Câmara, Jorge Felipe, anunciou a suspensão da sessão e sua reabertura somente na próxima terça-feira, dia 1º de outubro.
Amanhã, (27/09), a partir das 10h, na Cinelândia, ocorrerá a próxima assembleia da categoria. O PSTU, que ajuda a construir o Movimento Educadores em Luta - MEL - CSP-Conlutas, segue dando todo seu apoio a continuidade da mobilização, exigindo a retirada imediata do projeto e a aprovação do plano de carreira proposto pelo SEPE.

MML: Um encontro construído pela base

Avança a organização do Primeiro Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta. O encontro será realizado em Sarzedo (MG), nos dias 4,5 e 6 de outubro

Cartaz oficial do encontro
O 1º Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta (MML) será uma nova oportunidade de reunirmos a juventude que foi às ruas em junho e a classe trabalhadora que fez greves e paralisações nos dias 11 de julho e 30 de agosto.
O Encontro do MML já está em marcha. Diversos estados realizam plenárias, pré-encontros e encontros estaduais. Os encontros têm sido momentos fundamentais de estruturação do Movimento Mulheres em Luta nos estados, além de alavancar a convocação das mulheres trabalhadoras para o Encontro Nacional. Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Aracaju, Maceió, Juazeiro, Recife, São Luis, Natal, Teresina, Santos, Rio de Janeiro, São José dos Campos, Belém e Florianópolis já realizaram suas plenárias e encontros.
Em todos esses pré-encontros estiveram presentes mulheres trabalhadoras da construção civil, metalúrgicas, professoras, bancárias, funcionárias públicas, estudantes, petroleiras, donas de casa etc. Algumas das participantes são dirigentes de seus sindicatos e boa parte delas são trabalhadoras da base, que provavelmente tiveram como primeira atividade política a participação nos encontros regionais.
Isso demonstra o efeito positivo de uma tática organizativa e de luta para mobilizar um setor da classe trabalhadora que é mais difícil de mobilizar: as mulheres trabalhadoras. Essa dificuldade existe não porque as mulheres sejam mais fracas e frágeis, mas porque somos mais exploradas e oprimidas.
Um Encontro que vai reunir as lutas
Apesar dessa dificuldade, também é fato dizer que, quando as mulheres trabalhadoras se mobilizam, as lutas ganham muito mais força. Esse é o exemplo que vimos na greve da construção civil de Belém. Assim também acompanhamos na heroica greve da saúde do Rio Grande do Norte. A greve da Educação do Rio de Janeiro também é categórica no sentido de mostrar que as mulheres podem e devem estar a frente das mobilizações, o que confere uma força especial a essas greves e lutas. A força das mulheres jovens também foi visível nas massivas mobilizações da luta contra o aumento da passagem em junho.

Todas essas lutas estarão presentes no encontro do primeiro final de semana de outubro.
CSP-Conlutas e sindicatos organizam o apoio ao encontro
Na última reunião da Secretaria Executiva Nacional ampliada, a CSP-Conlutas discutiu seu envolvimento na preparação do Encontro. É muito importante que os sindicatos entrem com força na construção política do Encontro Nacional, realizando atividades para fortalecer a convocação das mulheres de suas bases. O debate na reunião compreendeu que essa necessidade existe porque além da importância do Encontro em si, e do fortalecimento do MML, a luta pela incorporação das mulheres nas lutas e nas direções sindicais é importante para o fortalecimento dos Sindicatos e da própria CSP- Conlutas.

Iniciativas
Pelo país, as “Feijoadas do MML” tem sido as principais formas de arrecadação financeira. O MML segue primando pela independência financeira, buscando financiamento através de suas atividades e pela relação política com as entidades da classe. Essa é uma forma de seu comprometimento político seguir sendo apenas com a luta das mulheres trabalhadoras.

O MML e a reorganização
A abertura de um novo momento de lutas no país permite dizer que há um enorme espaço para construção do encontro na base das categorias e dos movimentos populares organizados. É por isso que a Executiva Nacional do MML estima a presença de 1.000 mulheres no encontro. Uma grande demonstração de força do MML e das lutas das mulheres trabalhadoras.

O encontro do MML é parte de um processo vivo de reorganização que foi incendiado pela retomada das lutas no país. É por isso, que este encontro quer contar com a presença de entidades e organizações que protagonizam importantes debates sobre o processo de reorganização do movimento sindical, popular e estudantil. Em sua mesa de abertura, o encontro vai contar com a presença de Lola, do Blog “Escreva, Lola, escreva”, que ganhou repercussão nos embates com os comentários machistas dos comediantes Rafinha Bastos e Danilo Gentili.
Presença internacional
Está confirmada a participação de Soma Marik, ativista indiana, professora universitária que é parte da luta contra os estupros no país. Com sua presença, temos a expectativa de encaminhar uma grande campanha classista no Brasil e em nível internacional contra a violência às mulheres.

A violência do Estado
Está confirmada a presença de Elisabeth, esposa de Amarildo, o pedreiro da construção civil, morador da Rocinha que há dois meses está desaparecido e foi visto pela última vez sendo abordado pelos PMs da UPP da Rocinha. Elisabeth vai nos contar sobre sua luta, que virou uma luta de todo o país e com isso demonstrar que o Estado brasileiro segue sendo muito cruel com a classe trabalhadora, o que tem forte impacto sobre as mulheres trabalhadoras.

Publicado originalmente no Opinião Socialista 468
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Leilão do petróleo: governo Dilma prepara novo crime de lesa-pátria

Artigo de Zé Maria sobre o maior leilão das reservas de petróleo da história do país, anunciado pelo governo Dilma para outubro

Zé Maria, Presidente Nacional do PSTU

Está marcado para o próximo dia 21 de outubro mais um passo para a entrega de nossas reservas naturais às grandes multinacionais do petróleo. É quando ocorre o leilão do mega-campo de Libra, na Bacia de Santos, reserva do pré-sal que vai ser o maior campo de exploração petrolífero já leiloado, não só no país como no mundo.
Estima-se que esse campo tenha capacidade de produção de 50 bilhões de barris de petróleo. Só para se ter uma ideia do que isso representa, basta dizer que as reservas atuais do país estão calculadas em 16,4 bilhões de barris. Em termos de receita, isso pode representar nada menos que 1 trilhão de dólares. O campo, no entanto, será concedido em troca de um “bônus” de apenas 15 bilhões de dólares.
Esse leilão estava programado para ser realizado em novembro, mas o governo federal resolveu antecipar o máximo que pode. Qual o motivo para tamanha ânsia e desespero em vender esses recursos ao capital privado e estrangeiro por tão pouco? O governo está contando com esse dinheiro para fechar suas contas e garantir o superávit primário, ou seja, a “economia” para pagar os juros da dívida pública aos agiotas internacionais. Espera, ainda, reduzir o rombo no déficit comercial. Ou seja, o governo do PT, tal como fez FHC, vai privatizar o petróleo nacional para tentar equilibrar as contas externas. Esses recursos não serão revertidos para saúde, educação ou qualquer outra área social. Em outras palavras, o povo brasileiro não verá um centavo disso.
Temos, então, uma situação no mínimo esdrúxula em que, quanto mais petróleo encontramos, quanto mais investimos o dinheiro público dos impostos que pagamos para garantir à Petrobras tecnologia para as pesquisas, mais dependentes nos tornamos. Reforçamos nosso caráter de grande exportador de produto bruto, primário, enquanto importamos o mesmo petróleo processado.
Recentemente, o governo Dilma ensaiou uma grande indignação com a revelação de que as conversas da presidente com seus assessores próximos, e até a Petrobras, eram alvos da espionagem norte-americana. Corretamente, o governo denunciou isso como um atentado à soberania do país. No entanto, também não é verdadeiro atentado a entrega do nosso patrimônio ao capital estrangeiro? As privatizações levadas a cabo por FHC, e agora pelo PT, também não são verdadeiros crimes de lesa-pátria? A própria Petrobras está sendo vendida aos poucos e, hoje, não está nas mãos do Estado.
Em março deste ano, 26,9% das ações ordinárias da empresa (com direito a voto), e 43,7% das ações preferenciais (sem direito a voto, mas com prioridade para abocanhar o lucro da empresa) estavam em mãos de estrangeiros, em sua grande maioria do capital financeiro dos EUA. Isso significa um ataque muito mais grave à integridade da empresa e à soberania do país do que o monitoramento denunciado pelo governo.
A lógica do lucro desenfreado imposta pelos acionistas estrangeiros, por sua vez, vem provocando um processo de sucateamento na empresa, com o avanço brutal das terceirizações e a degradação das condições de trabalho. Resultado: cada vez mais acidentes, muito deles com mortes.
A defesa de uma Petrobras 100% estatal e a luta contra a entrega do petróleo não fazem parte de uma campanha nacionalista abstrata. São pré-condições para se ter melhorias bastante concretas para o nosso povo. É só imaginarmos o impacto que teria, por exemplo, no preço do combustível se não houvesse essa pressão pelo lucro. Se o que hoje vai como renda para os investidores estrangeiros fosse revertido em subsídio. O reflexo na inflação como um todo, inclusive na de alimentos, seria imediato. Da mesma forma, se o lucro do petróleo excedente exportado fosse investido em saúde e educação, ao invés de turbinar os cofres das grandes multinacionais, poderíamos mudar a cara da realidade brasileira.
É isso o que está em jogo neste 21 de outubro.
*Artigo originalmente publicado na Coluna do Zé Maria no site Congresso  em Foco

É preciso unificar as campanhas salariais e ampliar as lutas por direitos

Metalúrgicos, bancários e trabalhadores dos Correios partem para a greve


Foto Agência Brasil
CSP Conlutas

As campanhas salariais do segundo semestre já começaram. Metalúrgicos, bancários e trabalhadores do Correios estão indo à luta por aumento salarial e melhores condições de trabalho e de vida. 
Os metalúrgicos de São Paulo deram o exemplo e unificaram sua campanha salarial. Já realizam greves e paralisações de 24 horas em importantes fábricas de São José dos Campos e do Grande ABC, com mais de 8 mil trabalhadores parados.
É evidente que os empresários irão usar a queda na produção da indústria que, de acordo com dados o IBGE, apresenta retração de 0,8%, para apresentar propostas rebaixadas na hora de sentar à mesa de negociações nas campanhas salariais.  Contudo, esses setores da indústria foram os que mais receberam incentivos do governo, com isenções de tributos e investimentos. O gasto do governo para salvar bancos e empresas já corroeu 16,5% do PIB (Produto Interno Bruto), o que representa R$ 832 bilhões. Essa conta eles não mostram!
Greves
Os trabalhadores dos Correios, por sua vez, se enfrentam com as direções das federações que os representam: Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Correios) e Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas e Telégrafos e Similares Correios), que tentam dividir o movimento.

Mas a categoria demonstra disposição e, mesmo com a volta ao trabalho de parte dos ecetistas, após a orientação da Findect, a greve segue firme desde o dia 12 de setembro. A orientação de manter o movimento foi da FNTC (Frente Nacional dos Trabalhadores dos Correios) ligada à CSP-Conlutas. Neste momento, a greve tem adesão de outras bases e já soma mais de 20 estados parados.    
Já os bancários, que deflagraram greve no dia 19, também se deparam com a intransigência dos banqueiros, que insistem em oferecer somente 6,1% de reajuste à categoria. Entretanto, os bancos obtiveram lucros exorbitantes. Só o Banco do Brasil ultrapassou os lucros do Itaú Unibanco e, no primeiro semestre, registrou o maior lucro da história dos bancos brasileiros: R$10,03 bilhões. 
Unificar as lutas 
As categorias que estão em campanha salarial se enfrentam com um oponente comum: os patrões e o governo, e por isso, devem unificar suas lutas. As empresas ou o governo não medirão esforços para impedir a organização dos trabalhadores, reprimindo as greves com o corte de ponto ou acionando a Justiça. E, para garantir seus lucros e privilégios, irão apresentar, ou já apresentaram propostas rebaixadas que, em muitos casos, não contemplam sequer a inflação do período.  

Além disso, essas campanhas salariais ocorrem em um período de ataques, tanto político quanto econômico, aos trabalhadores.   O governo e os empresários tentam ampliar e consolidar as terceirizações com a aprovação do PL 4330.   A inflação do período avançou de 0,16% em agosto para 0,27% em setembro. Isso após ter se mantido estável pela baixa nos valores das passagens de transporte público, conquistado com mobilização. E a precariedade continua nos serviços de saúde, educação e transporte público.
 Por isso, além de exigir melhores salários, é preciso também lutar para barrar os leilões do petróleo e a PL 4330, das terceirizações. 
Incorporar a campanha contra leilão do pré-sal
A tentativa de aprofundamento das privatizações tem como principal foco para o próximo período o leilão do Campo de Libra do pré-sal, previsto para acontecer no dia 21 de outubro. A principal campanha da CSP-Conlutas no próximo mês será barrar esse leilão que entregará as riquezas do país para o capital estrangeiro. Nas campanhas salariais, é preciso também buscar incorporar essa campanha, com a votação de moções de repúdio ao leilão nas assembléias, por exemplo, entre outras ações.

A luta é uma só
Todas essas questões e as reivindicações acerca desses temas, levantadas nas mobilizações de junho, julho e agosto, devem continuar sendo pautadas nas campanhas salariais.   Neste sentido, a luta é uma só e a unidade de todos os trabalhadores é o caminho para conquistar direitos.

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Projeto de Lei de Cleber Rabelo (PSTU) que reserva vagas para mulheres operárias é aprovado em Belém

PT, PSDB, capitalismo e corrupção: rápidas palavras sobre o caso “mensalão”

Quando a direção do PT decidiu, por iniciativa direta de Lula na campanha de 1994, aceitar dinheiro das grandes corporações, o destino do PT estava traçado

"Capital e Estado estiveram sempre unidos através das mais variadas cumplicidades"


O STF decidiu, finalmente, que ocorrerá um segundo julgamento do mensalão. A cúpula do PT admite que praticou crime eleitoral de caixa 2, mas adverte que não usou dinheiro público para garantir maioria de votos no Congresso para o governo Lula. Esta argumentação é insustentável. Tem como objetivo único conseguir uma redução das penas para evitar a prisão de seus líderes em regime fechado, ou seja, a máxima humilhação. Que seria uma derrota simbólica importante.
 
Paradoxalmente, a decisão de um segundo julgamento e a possível redução de penas favoreceria a cúpula do PSDB. Estão preocupadíssimos, com razão, com o julgamento do mensalão mineiro, articulado em 1998, pelo mesmo Marcos Valério que depois foi o braço direito de Delúbio Soares. O julgamento do tucanoduto está previsto para 2014. Deve se transformar em um pesadelo para Aécio Neves, o herdeiro político de Eduardo Azeredo, que foi presidente nacional do PSDB depois de deixar o Palácio da Liberdade em Belo Horizonte.
 
Quando a direção do PT decidiu, por iniciativa direta de Lula na campanha de 1994, aceitar dinheiro das grandes corporações, o destino do PT estava traçado. O vale-tudo eleitoral tinha, desde o início, um endereço trágico. Era, no fundo, só uma questão de tempo para que o PT evoluísse do financiamento “legal” dos monopólios para um sistema de caixa dois – a exemplo dos partidos tradicionais – e, depois, para a transferência de recursos arrecadados para os partidos aliados, o sistema de mensalão para assegurar maioria no Congresso, culminando com o enriquecimento de alguns de seus chefes, o que é sórdido. A direção do PT fez em dez anos um trajeto que a social democracia levou cem anos para completar. Mas, tudo isso foi, também, uma evolução triste.
 
Os líderes do PT que estiveram à frente da operação financeira que culminou na fraude organizada por Marcos Valério junto aos Bancos, articulada por Delúbio Soares e pilotada por José Dirceu não merecem, portanto, solidariedade alguma. Entretanto, ao mesmo tempo, é desprezível, abjeta e repulsiva, a hipocrisia que cercou o circo do julgamento do mensalão no STF. Porque a direção do PT não fez nada, absolutamente, nada de novo na vida política nacional.
 
Capitalismo e corrupção
Recordemos, então, o que a história e o marxismo nos deixaram como fundamentos “graníticos” sobre a corrupção. Primeiro, o mais importante. Nunca existiu capitalismo sem corrupção.
 
Capital e Estado estiveram sempre unidos através das mais variadas cumplicidades. Desde o alvorecer das pioneiras Repúblicas italianas, quando a Europa recuperou ao Islã o controle das lucrativas rotas comerciais do Mediterrâneo, passando pela conquista da América pelas Coroas ibéricas, sem esquecer os quase cento e cinquenta anos de disputa entre Londres e Paris pela supremacia no mercado mundial: a corrupção estava lá, em todos os portos, em todos tribunais, em todas as Cortes, em todas as línguas. A corrupção nunca foi privilégio dos latinos, nem dos chineses, nem dos árabes. Desde o século XIX falou, sobretudo, o latim moderno, o inglês. Comprando favores, deslocando concorrentes, driblando as leis, subornando autoridades, obtendo cargos. A força do dinheiro abrindo as gavetas do poder, e o domínio do Estado favorecendo os cofres da riqueza.
 
Quando argumentamos que capitalismo e corrupção sempre caminharam de mãos dadas, muitos nos perguntam se a corrupção não seria inevitável em qualquer sociedade. Porque, afinal, ninguém ignora que tanto na URSS, quanto na China, as burocracias estatais se regozijavam em privilégios driblando as suas próprias leis. A corrupção não seria expressão das incoerências sombrias da natureza humana?
 
Os socialistas defendem que não existe fatalismo na condição humana que nos condene à corrupção. Assim como existiram sociedades que desconheceram a exploração do homem pelo homem, ignoraram, também, a corrupção. A corrupção é uma doença econômico-social e se explica em função de circunstâncias históricas. Ninguém é, naturalmente, corruptível ou corruptor. Algumas pessoas transformam-se em corruptos, em função de cálculos de risco e benefício.
 
A percepção de que, no Brasil, a apropriação privada do Estado pelo mundo dos negócios teve sempre na sua raiz a impressionante desigualdade econômica e social é chave para mantermos o sentido das proporções diante do colapso moral da direção máxima do PT. Ao se transformar, a partir de 1988, em um partido que se credenciava para a gestão do Estado sem ameaçar o capitalismo, o PT selou o seu destino.
 
Um programa de adaptação à gestão de um capitalismo que quase não cresce, ou cresce muito devagar e cheio de desproporções, em uma sociedade em que a desigualdade social permanece obscena e na qual a mobilidade social vem diminuindo há um quarto de século, ou seja, um reformismo quase sem reformas, não poderia evitar a degeneração ética. Ensina a sabedoria oriental que o peixe morre pela boca. Já o Padre Antonio Vieira dizia que o peixe apodrece pela cabeça. O marxismo alerta que a cabeça não é imune à pressão do chão que os pés pisam.
 
O PT escolheu um caminho de social-democratização que já tinha sido trilhado na América Latina por muitos outros, até por organizações que encabeçaram revoluções democráticas, como os sandinistas. Se mesmo os partidos que se formaram na severidade das condições da luta armada contra ditaduras – como a FSLN, os Tupamaros ou a Farabundo Marti – quando aceitaram se transformar em partidos eleitorais, se descobriram vulneráveis diante da pressão política e social da democracia liberal, parece inescapável que o PT, que já nasceu como um partido eleitoral, seria presa fácil da corrupção endêmica do Estado brasileiro.
 
O domínio do Capital sempre foi a associação legal e ou ilegal, portanto, sempre ilegítima e imoral, da riqueza com o poder. Todos os partidos comprometidos com o regime democrático-eleitoral e, por isso, financiados pelo capital, foram aliciados, em todos os tempos e lugares, pela força do dinheiro. Nos últimos cem anos, à escala mundial, a imensa maioria dos instrumentos da representação política dos trabalhadores, no centro ou na periferia, quando se consolidaram regimes democráticos, foram absorvidos pela pressão do eleitoralismo.
 
A social democracia europeia antes da I Guerra, ou os partidos eurocomunistas depois dos anos 60, muito antes do PT, confirmaram que é difícil, politicamente, e complexa, social e organizativamente, a construção de reservas ou filtros de imunidade diante da pressão de forças sociais hostis. Degeneraram, absorvendo além dos métodos do eleitoralismo, os seus vícios. Seus dirigentes, fossem do SPD na Alemanha e do Labour na Inglaterra, ou do PCF na França e do PCI italiano, experimentaram, primeiro nos parlamentos, depois com o ministerialismo, um processo de ascensão econômica e acomodação social irrecuperável.
 
Adaptação política e degeneração burocrática
Admitamos, contudo, que os privilégios dos aparelhos social-democratas foram a antessala de aberrações ainda mais graves. Não bastassem as desprezíveis excentricidades da burocracia russa, como a coleção de automóveis de Brejnev, ou a cômica sucessão de tipo monárquico, em nome do socialismo, do regime totalitário na Coréia do Norte, a esquerda do século XX viveu a degradação do assalto dos sandinistas às mansões na Nicarágua.
 
Pressões sociais em sociedades desiguais nunca devem ser, portanto, subestimadas: os que se deixam confundir politicamente, assimilam os métodos da política burguesa – em que tudo são mercadorias, incluindo o voto – e, finalmente, se rendem a um modo de vida de ostentação. É o que confessam os principais líderes petistas quando, de maneira até grotesca, invocam absolvição porque estavam agindo de acordo com as “regras do jogo”.
 
Quando o publicitário que criou o “Lulinha paz e amor” confessou seus pecados, ironia da história, enfiou uma adaga no coração da direção do PT. O enquadramento histórico parece incontornável, sob pena de qualquer análise sucumbir aos impressionismos de conjuntura. Só uma perspectiva mais ampla permitirá explicar como o partido político que foi a expressão eleitoral do movimento operário sindical e da maioria dos movimentos sociais brasileiros nos anos oitenta, se transformou, a partir de sua mais alta direção, irrecuperavelmente, neste espantoso amálgama de arrivistas e vigaristas.
 
O tema da burocratização dos partidos de trabalhadores assalariados em sociedades urbanas permanece um fenômeno polêmico. Ao analisar a socialdemocracia de cem anos atrás, Lenin recorreu ao conceito de aristocracia operária para tentar explicar a crescente diferenciação social no mundo do trabalho na passagem do século XIX para o XX, e tentar compreender porque uma maioria das bases sociais e eleitorais da socialdemocracia apoiou seus respectivos governos, quando do início da guerra de 1914.
 
No entanto, é menos lembrado que Lenin previu que esse apoio seria efêmero, mesmo entre os setores da classe trabalhadora que obtiveram concessões na etapa histórica anterior. A “aristocratização” de um segmento da classe operária era compreendida pela esquerda marxista como um fenômeno, essencialmente, econômico e social, enquanto o agigantamento do aparelho sindical e das frações parlamentares absorvidos pelo Estado, era discutido como um processo, essencialmente, político-social.
 
Aristocracia operária e burocracia sindical-parlamentar não eram identificadas como o mesmo fenômeno social, porque a aristocracia, um conceito relativo às condições materiais e culturais de existência da classe trabalhadora de cada país, permanecia sendo um setor de classe, ainda que privilegiado. Enquanto a burocracia dos aparelhos que se apoiam nos trabalhadores seria uma casta exterior ao proletariado. A experiência do PT e da CUT é uma confirmação quase caricatural deste prognóstico.

Na ONU, mais um discurso para gringo ver

No discurso, denúncia da espionagem e defesa da soberania. Na prática, entrega do petróleo e a mesma espionagem contra os movimentos sociais

Foto: Agência Brasil

Já se tornou habitual. Em seu discurso na 68ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, na manhã deste 24 de setembro em Nova Iorque, a presidente Dilma Rousseff, mais uma vez, jogou para a plateia e falou todo o contrário do que pratica no próprio país que governa.
Em uma fala recebida como "dura" e "contundente" pela imprensa internacional, Dilma denunciou a espionagem praticada pelo governo dos EUA através da NSA (sigla da Agência Nacional de Segurança, em inglês), chegando a afirmar que o caso vindo à tona com as revelações de Edward Snowden representava um "sério caso de violação dos direitos humanos e desrespeito à soberania".
Chamando a espionagem dos EUA, que atingiu a comunicação oficial da presidente e também a Petrobrás, de "afronta", Dilma defendeu uma espécie de regulamentação multilateral da Internet, a fim de impedir que a rede seja transformada em uma "arma de guerra". A presidente chegou a utilizar seu passado de guerrilheira para atacar a política de espionagem dos EUA contra outros Estados. "Como tantos outros latino-americanos, lutei contra o arbítrio e a censura e não posso deixar de defender de modo intransigente o direito à privacidade dos indivíduos e a soberania de meu país", discursou.
Como não poderia deixar de ser, a presidente falou também sobre os protestos que tomaram conta do país em junho, fato que tomou os noticiários de todo o planeta e pelo qual ela se viu obrigada a dar uma resposta. Dilma disse que seu governo não reprimiu os protestos, mas "ouviu e compreendeu a voz das ruas".  Só faltou dizer que, em meio aos protestos, o governo colocou a Força Nacional de Segurança e o Exército para “ouvir” melhor o som das ruas, como durante os jogos da Copa das Confederações. Mas foram muitas coisas que Dilma não tocou durante seu bonito discurso na ONU.
Hipocrisia
Como já é de costume, o discurso do governo brasileiro na ONU, voltado para o público externo, tem pouca relação com suas práticas aqui. É sintomático que, por exemplo, o discurso de Dilma tenha tido como pontos centrais a denúncia da espionagem e a defesa da soberania, a menos de um mês do leilão do Campo de Libra, o primeiro dos leilões do Pré-sal e que deve ser a entrega do maior campo de petróleo da história, marcado para o dia 21 de outubro.

O campo da Bacia de Santos possui capacidade de produzir de 8 a 12 bilhões de barris de petróleo, segundo estimativas, cujo valor total pode chegar a 1,2 trilhão de dólares. Será simplesmente a maior desnacionalização já realizada nesse país, superando as privatizações do governo tucano.
Mas e a aviltante espionagem dos EUA? Diante das câmeras, Dilma demonstrou indignação com os casos de monitoramento recentemente revelados. Só não disse que, no Brasil, os agentes norte-americanos da CIA têm livre trânsito, atuando junto à Polícia Federal e ao Exército brasileiro para, supostamente, combater o terrorismo. Reportagem da Folha de S. Paulo do dia 15 de setembro mostra como os agentes norte-americanos coordenam a Divisão Antiterrorismo da PF em Brasília, formada por 40 policiais.
A atuação dos agentes da CIA, porém, não se limita à capital federal, mas atinge todo o país. Eles dão linha de investigação e apontam suspeitos para serem acompanhados. Na prática, comandam todo um conjunto de policiais federais. Cinco bases da PF funcionariam no país e teriam como objetivo o "combate ao terrorismo": no Rio, em São Paulo, em Foz do Iguaçu e em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Todos com o suporte da CIA. Como bem apontou o próprio governo brasileiro recentemente, no entanto, terrorismo nunca foi uma preocupação nacional.
Em outras palavras, o próprio governo brasileiro garante as bases e condições para a espionagem que agora denuncia com tanta indignação.
Espionagem contra os movimentos sociais
Além de dar suporte à atuação dos agentes norte-americanos, o governo brasileiro ainda lança mão dos mesmos métodos que denuncia contra os movimentos sociais. Em julho último a própria ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) admitiu "monitorar" as redes sociais para acompanhar os movimentos sociais, como meio de subsidiar com informações o Executivo e os órgãos policiais.

As ações, no entanto, não se limitam ao monitoramento. Na greve no Porto de Suape (em Pernambuco) em abril, comprovou-se a atuação de agentes da ABIN infiltrados entre os trabalhadores. Exemplos não faltam. No começo do ano, um agente a serviço da ABIN já havia sido flagrado espionando uma reunião do movimento contra a construção da Usina de Belo Monte. É uma prática permanente e generalizada, não só das forças policiais (como tanto se viu em junho), mas do próprio Estado brasileiro.
E nesses casos, não seriam também “violações dos direitos humanos”, presidente?
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CSP-Conlutas e Quilombo, com raça e classe, na África do Sul

A convite do International Labour Research and Information Group (ILRIG, Grupo de Pesquisa e Informação Internacional sobre o Trabalho), a CSP-Conlutas e o Quilombo Raça e Classe, representada pelos autores deste artigo, irá participar, esta semana, na Cidade do Cabo (África do Sul) do curso “Novas formas: organizando na Era do Neoliberalismo”.
A Escola de Formação, que contará com a participação de cerca de 200 representantes de vários países da região e outras partes do mundo, é destinada a discutir a reorganização dos movimentos sociais que vem sendo provocada tanto pelos desafios impostos pela lógica neoliberal, quanto pela cooptação e traições das direção tradicionais e majoritárias dos movimento sociais, a exemplo do PT, CUT e UNE (no Brasil) ou do Congresso Nacional Africano (CNA) e do Congresso Sul Africano de Sindicatos (Cosatu).
O curso terá início no sábado, dia 22, e neste artigo (que pretendemos ser o primeiro de uma série) iremos apresentar sua pauta, que já dá a dimensão da atividade e o quanto ela tem a ver com o que estamos lutando para construir no Brasil.
Muitas vozes, um só luta
Este foi o lema da Reunião Internacional, realizada em maio de 2012, logo após o primeiro 1º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, do qual participaram entidades dos movimentos sociais representantes de algumas dezenas de países, dentre eles o ILRIG, da África do Sul, com a qual a nossa central tem mantido um diálogo constante, em torno de temas relativos à reorganização e de diversas lutas, particularmente no setor de mineração e os atingidos pela Vale.

Fruto desta relação e das proximidades que existem entre o que vemos no Brasil, com o governo do PT, e na África do Sul, hoje governada pelo CNA, a CSP-Conlutas e o Quilombo foram convidados não só para participar da Escola, mas também integrar  duas mesas para compartilhar a experiência que estamos construindo no Brasil.
A luta pela reorganização: África, Brasil e Canadá
Não por acaso, a primeira atividade programada é uma mesa intitulada “A situação das lutas da classe trabalhadora antes e depois de Marikana” (onde ocorreu, no ano passado, o vergonhoso e lamentável massacre, promovido pela policia, que deixou 34 mortos e cerca de 70 feridos).

A mesa será coordenada por um representante do Sindicato Geral dos Trabalhadores da Indústria da África do Sul (GIWUSA) – uma entidade independente que organiza diversos setores da classe operária, como construção civil, químicos, e trabalhadores do transporte – e por uma organização do movimento popular chamada Khanya, que irá debater o massacre de Marikana dentro do processo de globalização.
Na sequência, será a vez da CSP-Conlutas compartilhar sua experiência na mesa“Organizando: antes e agora, no Brasil” , na qual iremos contar um pouco de nossa história, o porquê da ruptura com a CUT e, principalmente, como nos organizamos e funcionamos nos dias de hoje. Este primeiro bloco de debates será fechado pela USW, a entidade sindical canadense que organiza os trabalhadores da mineração e aço.

Ainda no domingo, os participantes serão divididos em grupos de trabalho que se deterão sobre setores e movimentos específicos no processo de reorganização: sindical, popular, das mulheres e da juventude. 
Aprendendo com as novas experiências
O curso propriamente dito terá início com um painel conduzido por Leonard Gentle, coordenador do ILRIG e intitulado “Experiências de organização, no passado e no presente: lições e desafios para os movimentos atuais”. Logo após, os participantes serão divididos em grupos que, no decorrer da semana, irão intercalar sessões de estudos e reuniões dos grupos de trabalho mencionados acima, com mesas e painéis (coordenados por entidades sindicais e populares de diversas regiões e setores) com os seguintes temas:

  •  Greves e protestos populares na atualidade: oportunidades e desafios para nossos movimentos.
  • Qual deve ser a posição dos sul-africanos diante das eleições de 2014?
  • Exemplos de novas formas de organização: ativismo cultural, novos locais de trabalho, novas formas de internacionalismo e distintas formas de organização.
  • Movimentos popular e sem-terra.
     
O segundo painel coordenado pelos representantes da CSP-Conlutas e do Quilombo Raça e Classe, intitulado “Exemplos de novas formas de organização” será na quinta, em uma mesa que também contará com a participação da USW e da entidade que dirige os trabalhadores das minas de ouro da Tanzânia.
As atividades serão finalizadas com outro painel sobre o massacre – “Marikana, um ano depois: rumo a um novo movimento”.
E, como ninguém é de ferro, tudo isto será acompanhado por apresentações culturais (saraus, teatro e cinema), além de visitas a movimentos e regiões da Cidade do Cabo.
Um aprendizado inestimável
Como fica evidente pela programação, o evento tem enorme importância para o processo político e organizativo que estamos vivendo no Brasil desde a chegada do PT ao poder e, particularmente, desde a fundação da CSP-Conlutas, o que nos dá a certeza de que iremos aprender muito (e contribuir da forma que for possível) em relação a um debate fundamental para os rumos das lutas mundo afora: a necessidade de buscar novas formas de organização, independente dos governos, dos patrões e, também, das velhas direções que, hoje, viraram as costas para os trabalhadores e abraçaram o projeto neoliberal.

Um aprendizado ainda mais importante na medida em que aponta para o único caminho para superar a atual situação: o internacionalismo. Por isso, no decorrer das atividades iremos tentar manter nossos companheiros e companheiras acompanhando estes debates através de artigos diários.
Wilson Silva é membro do Quilombo Raça e Classe e da Secretaria de Negras e Negros do PSTU e Rafael Ávila é do Metabase de Inconfidentes

I Acampamento de Jovens Revolucionários Rio de Janeiro

Encerramento do acampamento. Foto: Paollo Rodajna

Desde julho, a Juventude do PSTU vem realizando acampamentos em todo o Brasil para discutir com jovens companheiros e companheiras que depois de junho se abriram enormes possibilidades para a transformação radical de nosso país. No último final de semana, ocorreram debates no Ceará, em Alagoas e no Rio de Janeiro.
Em nosso estado, o acampamento contou com dezenas de jovens ativistas de todo estado. Com mesas de debates, circulos de estudos e momentos de reflexão e diversão.
Houve muitos momentos emocionantes. Mas nada supera ver nascer dos debates a compreensão comum de que não há em nossa época projeto pelo qual valha mais a pena lutar que o da revolução socialista.
Israel Luz

"A justiça também usa máscara"

Atividade aconteceu na tarde de hoje, no Centro do Rio
Foto: Rodrigo Noel (Por celular)
Ato realizado por entidades de defesa dos Direitos Humanos reúne dezenas de ativistas em frente ao Tribunal de Justiça do RJ

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   Hoje foi mais um dia de manifestação contra as arbitrariedades do governo Cabral. A iniciativa contou com a organização do Instituto de Defensores de Direitos Humanos - DDH, a Comissão Permanente de Direitos Humanos da IAB, a Rede Nacional de Advogados Populares - Renap e o Centro de Assessoria Popular Mariana Criola. Diversos ativistas estiveram presentes, como o advogado João Luiz Duboc Pinaud.

   Durante a atividade, os manifestantes lembraram dos diversos casos de abuso policial durante o governo de Sérgio Cabral, o recrudescimento da violência policial, os 90 detidos nas manifestações do dia 7 de setembro e reafirmaram a necessidade da desmilitarização da polícia. Para João Tancredo, advogado da família do pedreiro Amarildo, a democracia corre risco: "Não tô me recusando a me identificar. Quando a democracia corre risco, não é bom pra ninguém. A democracia precisa ser protegida por todos!", disse em vídeo gravado em frente ao TJ-RJ. Em nota distribuída durante o ato, as entidades afirmam que "os principais obstáculos para o exercício pacífico do direito à manifestação têm sido a arbitrariedade e a violência policial".

Foto: Rodrigo Noel (Por celular)
   Enquanto  os manifestantes realizavam os últimos preparativos para o início do ato, um sargento da polícia militar filmava os presentes e sorria em ar de deboche. O efetivo policial deslocado para o ato foi desproporcional para a quantidade de ativistas presentes a manifestação, com cerca de 50 policiais, 1 segway e 4 viaturas, numa clara tentativa de intimidação. Não é nenhuma novidade que a atuação da polícia militar tem a marca da repressão e da intimidação, mas nem por isso devemos deixar de denunciar cotidianamente.

Arte "Mascarados". Obra do chargista Nico
   Falando pelo PSTU esteve presente a companheira serventuária Marília Macedo: "Esse não é o primeiro ato descabido desse desgoverno, mas precisa ser o último! Foi assim durante a visita do Obama, é assim todos os dias com a juventude nas comunidades do Rio, mas com Cavendish e sua trupe é só festa e 'guardanapo'. Exigimos a libertação imediata de todos os presos políticos! Fora Cabral!", afirmou.

Assista:
"Cyro Garcia fala no Grito dos Excluídos do Rio"

Aderson Bussinger: "Um atentado aos direitos de defesa"

11 de setembro de 1973: o golpe que matou a democracia

Completam-se 40 anos do golpe militar que derrubou Allende e instaurou uma das ditaduras mais ferozes da História
Por Rodrigo Barrenechea e Rodrigo Noel de Souza


Nestas manifestações de junho passado, talvez as pessoas não saibam, mas quando gritavam “O povo unido jamais será vencido”, repetiam um grito de mais de 40 anos...

   O Chile era, entre nossos vizinhos sul-americanos, uma exceção em termos políticos. Ao contrário dos outros países de nosso continente, que viviam constantes golpes de Estado e mudanças políticas, lá viveu-se, com pequenos intervalos, uma democracia contínua, com cada governo eleito sucedendo a seu antecessor. Isso até 1973.
   Em fins do ano de 1970, após várias tentativas anteriores, foi eleito presidente Salvador Allende Gossens, médico sanitarista, à frente da Unidade Popular (UP) uma coalizão de esquerda que incluía os partidos comunista e socialista chilenos, além dos radicais – de centro-esquerda – e outros grupos menores. A UP ganhou da Democracia Cristã (DC), e do Partido Nacional, que se alternavam no poder desde os anos 1940.
   Allende foi eleito com um programa ousado: tratava-se, nada mais nada menos, de realizar uma transição pacífica ao socialismo e construir um Estado dos Trabalhadores. Viviam-se os anos da Guerra Fria, da permanente oposição entre Estados Unidos e União Soviética. A lembrança da Revolução Cubana de 1959, de Fidel Castro e Che Guevara, era algo ainda muito presente. O que a UP propunha era, através da estatização da maior parte da economia, chegar a uma situação onde as elites econômicas já não mais controlassem as riquezas do país e, com isso, o poder passasse aos trabalhadores organizados.
   Uma das primeiras medidas foi a nacionalização do Cobre, a principal riqueza nacional e fonte de dólares, necessários para a importação de equipamentos e alimentos, já que o país não era autossuficiente em nenhuma das duas. Esta se deu sem indenização, pois as multinacionais que controlavam o minério – na maioria, norte-americanas – já haviam retirado muito mais em lucro do que as minas valiam.
   A classe trabalhadora chilena, por sua parte, sabia que não bastava chegar ao poder executivo. Nem toda a esquerda fazia parte do governo, especialmente o MIR (Movimento de Esquerda Revolucionário). Assim, a tarefa de criar “poder popular” tornou-se fundamental, especialmente para fazer frente aos ataques da burguesia chilena e dos Estados Unidos, que impuseram um bloqueio comercial. Formam-se as chamadas Juntas de Abastecimento e Preços (JAP), que passaram a controlar o abastecimento dos produtos de primeira necessidade e a combater o mercado negro que se formou. Surgem também os “Cordones Industriales”, que agrupavam as indústrias de uma dada região e garantiam o abastecimento do mercado interno. Aos poucos, os operários estabeleciam uma alternativa de poder ao Estado burguês.

A direita se organiza
   Como o governo não tinha uma maioria estável no Congresso Nacional, nem a oposição, surgiu um impasse. Nem o Poder Executivo conseguia aprofundar seu programa de nacionalizações da economia – a chamada “área de propriedade social” – nem a direita reunia os votos necessários para destituir Allende. Em 1972, a UP vence a eleição para renovar a Câmara dos Deputados e o Senado, mas ainda sem maioria absoluta. Aumentou a pressão para criar o caos econômico, especialmente com as greves dos caminhoneiros e dos mineiros de El Teniente, uma das principais minas e a mais próxima de Santiago, a capital do país. Começa a ser pensada uma outra solução para o impasse, uma muito mais sinistra...
   As Forças Armadas chilenas tradicionalmente apoiavam os governos eleitos, a chamada “doutrina constitucionalista”. Porém, desde os anos 1960 isso muda: aumenta o intercâmbio entre os exércitos chileno e norte-americano – por meio de cursos na Escola das Américas, no Panamá, onde os diversos golpes militares na América Latina foram planejados. Da mesma forma, diversos oficiais das Forças Armadas são chamados ao Brasil, após 1964, para assistir a cursos de formação, dados por instrutores da agência de espionagem norte-americana, a CIA.
   Constado que não seria possível destituir Allende pelo caminho legal, começa a organizar-se uma tomada violenta do poder. A classe trabalhadora chilena percebeu o perigo do golpe e mobilizava-se diariamente, mas a responsabilidade da UP deve ficar clara, por não preparar a sua militância e recusar-se a armar o povo. Allende faz uma reforma ministerial e incorpora os militares ao gabinete; nomeando para Comandante-em-chefe do exército um general reconhecido como constitucionalista, Augusto Pinochet. Mal sabia ele do que ocorreria a seguir...

O golpe em gestação
   Em setembro de 1973, acossado pela oposição e massacrado pela imprensa, em geral controlada pelos ricos, Allende concebeu um plesbicito no qual o povo decidiria se ele deixaria o poder, após 3 anos da eleição. Em 11 de setembro de 1973, seria anunciado referendo; no entanto, este nunca veio a público. De manhã, as rádios de Santiago e Valparaíso – o principal porto do país – noticiavam chuva quando não havia uma só nuvem no céu. Era a senha para o golpe. Os navios chilenos, que estavam em manobras com a marinha norte-americana, apontaram seus canhões para o porto. 

   Nos quartéis ao longo do país, os soldados que permaneciam fiéis ao governo eram presos e vários fuzilados. Antes do meio-dia, os comandantes das Forças Armadas faziam um ultimato ao “companheiro-presidente”, para que Allende deixasse o poder. Ele e sua família seriam mandados ao exílio. Allende recusou-se. O palácio de La Moneda foi então bombardeado. Allende resistiu o quanto pôde, até ser morto. Com ele, morria a democracia chilena, isso até 1989. Assumiu o poder uma junta militar. No entanto, o gal. Pinochet agarrou-se ao poder até 1989. Legou ao país uma Constituição, imposta em 1980, que deu ao país um aspecto muito mais autoritário, e que persiste até hoje, 23 anos depois. O Chile, de país mais democrático do continente, torna-se uma vergonha mundial, sendo repudiado por governos ao redor do planeta.

   Pouco antes de sua morte, Allende dirigiu-se por rede de rádios, antes que fossem silenciadas pelos militares golpistas. “Têm a força, poderão esmagar; mas é
impossível deter os processos sociais, seja com o crime ou com a força. A História é nossa, é feita pelos povos. (...) Trabalhadores de minha pátria: tenho fé no Chile e em seu destino. Outros chilenos superarão este momento negro e amargo em que a traição pretende se impor; continuem sabendo que muito mais cedo que mais tarde novamente se abrirão as grandes avenidas por onde passará o homem digno, para construir uma sociedade melhor. Viva o Chile! Viva o povo!”.

O outro 11 de Setembro: a tragédia chilena (primeira parte)


O PSTU Rio Realizará no dia 24 de Setembro um debate sobre o Golpe Militar no Chile em 1973 e o governo de Salvador Allende, com historiadores e especialistas no tema. Aguarde mais informações.