Greve da rede estadual de educação prossegue

Após assembleia cheia, profissionais de educação do Estado aprovam continuidade da greve e realizam ato no centro do Rio

por Rodrigo Barrenechea, do Rio de Janeiro


Na manhã desta quarta, 21 de agosto, perto de 2 mil profissionais de educação se reuniram em assembleia para votar os rumos do movimento, no Clube Municipal, onde no dia anterior a rede municipal votou também o prosseguimento de sua greve. A adesão aumenta, com mais escolas paradas a cada dia, e com o movimento se alastrando pelo interior do Estado. Iniciada na semana passada, no mesmo dia da greve da rede municipal, a categoria reivindica 28% de aumento emergencial, o respeito a lei que estabelece 1/3 da carga horária para planejamento das aulas e a derrubada do veto do governador-ditador Sérgio Cabral ao projeto aprovado na Assembleia Legislativa que estabelece que para cada servidor da secretaria, seja atribuída uma única escola de lotação, o "uma matrícula, uma escola". Além disso, como pauta política, a categoria adotou o "Fora Cabral" como seu lema.
Foto: Pablo Henrique
Após os informes e sua discussão, foi aprovada a continuidade da paralisação, com apenas um voto contra e uma abstenção, o que mostra que os educadores e educadoras estão firmes em defender suas demandas. Foi aprovado também que a próxima assembleia será na rua, na próxima terça, 27 de agosto, com concentração ao meio-dia, na Cinelândia, em frente à Câmara dos Vereadores. De lá, a categoria parte em passeata até o Palácio Tiradentes, sede da ALERJ, onde realiza sua assembleia e deve aumentar a pressão sobre os deputados estaduais para a derrubada do veto.



Ato toma as ruas do centro do Rio




Foto: Rodrigo Barrenechea

Após encerrada a reunião da manhã, os educadores e educadoras se prepararam para um ato. De novo, cerca de 2 mil pessoas se reuniram, dessa vez em frente à ALERJ, e partiram em passeata pelas ruas do centro, ocupando todas as faixas da Avenida Rio Branco, até chegar à Cinelândia. O objetivo, além de chamar a atenção da população para as reivindicações da categoria, era dar apoio à ocupação da Câmara dos Vereadores, que pede pela reformulação da CPI dos transportes. Quanto este informe estava sendo fechado, chegou a informação que o Palácio Pedro Ernesto estava sendo desocupado pacificamente pelos ativistas.

Foto: Pablo Henrique
Devemos ressaltar que, por mais que as intenções dos que ocupavam a Câmara sejam justas, não podemos confiar nessa CPI, seja qual a composição que tenha. Em primeiro, porque esta não vai revelar nada de novo. Todos já sabem que as empresas de transporte coletivo tem uma relação que beira a imoralidade com o poder público, seja na prefeitura ou no Estado. Basta, para isso, olhar as contas de campanha de Eduardo Paes ou a relação da primeira-dama do Estado, Adriana Ancelmo, por meio de seu escritório de advocacia, com a Fetranspor ou a Supervia. O recente "casamento da Dona Baratinha" foi um exemplo disso.
Mas outra razão para não se confiar nessa CPI é porque ela acaba por transferir para o parlamento as expectativas da população pela moralização da administração pública. Nós, do PSTU, achamos que é estando nas lutas do povo que iremos desmascarar os governantes, sejam os do PMDB ou mesmo do PT, partido este que faz parte tanto do governo do Estado quanto da capital. É lutando, nas ruas, que iremos derrubar tanto o governo Paes quanto Cabral; se CPI's vierem a resultar no impeachment dos dois, isso só irá ocorrer por meio das mobilizações, e não pela boa vontade dos deputados e vereadores.



Unificar as greves das redes e construir um forte dia 30 de agosto





No informe de anteontem sobre a greve da rede municipal, já dissemos o quanto é importante construir o Dia Nacional de Paralisações, organizado pela CSP-Conlutas, com outras centrais sindicais e movimentos de trabalhadores. No entanto, há algo a ressaltar aqui: a absoluta necessidade de se unificar a luta nas redes estadual e municipal do Rio de Janeiro. Cabral e Paes, do mesmo partido - o PMDB -, são base de sustentação do governo Dilma, do PT. Este mesmo PT, aqui no Rio, apoia os dois governantes, tendo pastas no governo do Estado e o vice-prefeito. Após as mobilizações de junho e julho, o apoio a todos eles despencou. Sérgio Cabral é o governador com menos apoio no país. Mas na hora em que precisa, o prefeito Eduardo Paes conta com o apoio deste para reprimir os profissionais de educação, seja por meio da Polícia Militar, seja nas escolas, aprovando o corte de ponto aos grevistas. Da mesma forma, a luta só se fortalece com a unidade dos trabalhadores. Seja entre os educadores e educadoras - enfrentando as direções de escolas, indicadas pelos governos -, seja com o conjunto da classe trabalhadora, nas mobilizações do dia 30 de agosto.

Assim, torna-se fundamental construir o dia 30, exigir dos governos do PMDB/PT que atendam a pauta e acelerar a luta pelo "Fora Cabral". Porque "se lutar o Cabral cai"...