Entrevista com Paulo Barela: "Dia 6 é antessala da grande paralisação nacional que queremos construir no dia 30 de agosto"

As centrais sindicais CSP-Conlutas, Força Sindical e CUT estão convocando um dia de manifestação contra o PL 4.330. Este projeto de lei, se aprovado, derrubará a norma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que veda a contratação de terceirizados para as atividades-fins da empresa. No Rio de Janeiro, haverá um ato na Cinelândia às 10 horas para expressar o repúdio dos trabalhadores a esse projeto. O Opinião Socialista entrevistou Paulo Barela, trabalhador do IBGE e membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP Conlutas.

Paulo Barela, dirigente da CSP Conlutas
OS: Qual é a posição da central sobre a PL 4330, apresentada pelo Deputado Sandro Mabel (PR/GO) que abre caminho para ampliar a terceirização?

Barela: A CSP-CONLUTAS considera esse projeto de lei como mais uma das medidas da burguesia para flexibilizar os direitos trabalhistas em nosso país e jogar nas costas dos trabalhadores e das trabalhadoras os custos de uma séria crise do capitalismo. A terceirização é precarização do trabalho e o rebaixamento da remuneração média que só cumpre com um propósito: garantir o aumento da taxa de lucro das empresas. Infelizmente, o governo Dilma-PT, com seu arco de alianças conservadoras no Congresso Nacional, está engendrando mais esse ataque aos direitos dos trabalhadores em nosso país.

OS: O dia 6 de agosto está sendo convocado pelas centrais como um dia de luta contra a PL 4330. Quais são as atividades programadas?

Barela: Nós, da CSP-CONLUTAS, estamos juntos com as outras centrais sindicais na luta contra esse projeto e estamos programando uma série de manifestações e protestos públicos por todo o país. O objetivo é chamar a atenção do governo e do Congresso Nacional, colocando milhares de trabalhadores nessas atividades e transformar esse dia na antessala da grande paralisação nacional que queremos construir no dia 30 de agosto.

OS: O dia 6 substitui o dia 30 como a CUT quer em alguns estados?

Barela: De forma nenhuma! Lamentavelmente a CUT, presa ao seu compromisso de garantir a governabilidade e apoio ao governo Dilma-PT, quer limitar a luta dos trabalhadores à retirada do PL-4330. Por isso, elegeram o dia 6 de agosto como centro de suas ações. Como falamos acima, o dia 6 de agosto é muito importante pela luta contra as terceirizações, mas o entendemos como alavanca para a construção de uma verdadeira greve geral no país no dia 30 de agosto. Nossa pauta é muito mais ampla e parte da exigência de uma mudança global na política econômica do governo.


Dia Nacional de Paralisações reuniu cerca de 15 mil no RJ
OS: Quais são as as reivindicações que estão na pauta do dia 30?

Barela: Exigimos o fim dos leilões do petróleo e das privatizações dos portos, aeroportos, estádios. Queremos a reversão das leis que criaram o FUNPRESP (previdência privada no serviço público) e a EBSERH (privatização dos Hospitais Universitários). Exigimos 10% do PIB para educação pública e mais verbas para a saúde pública. Queremos reforma agrária sob controle dos trabalhadores, investimentos em emprego e obras públicas que atendam a população pobre de nosso país. Nesse sentido, seguiremos exigindo de todas as centrais, inclusive da CUT, que organizem os trabalhadores para exigir do governo e dos patrões o atendimento dessa pauta. Assim, estamos orientando as entidades filiadas à CSP-CONLUTAS a intensificação do trabalho pela base para construir a paralisação das categorias nesse dia 30 de agosto. Mas não é só! Queremos aproveitar a paralisação para construir grandes atos públicos por todo o país. Paramos algo em torno de três milhões de trabalhadores no dia 11 de julho, agora temos a oportunidade de dobrar ou triplicar esse número.