Diogo de Oliveira (Professor de Geografia do C.E. Hilário Riberio, na comunidade do Fonseca, em Niterói - Setor da Educação Básica do PSTU-Niterói).
Nas últimas semanas se tornou evidente que Niterói, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, faz parte da dura realidade carioca e nacional: o crescimento da violência e do "inferno urbano". Os últimos acontecimentos foram dramáticos e, infelizmente, iguais aos episódios de criminalização da pobreza, de racismo, de violência policial e de polarização social que vimos no Rio de Janeiro, capital.
Polícia racista assassina os pobres também em Niterói
Na semana do "feriadão" da "Semana Santa", do dia de Tiradentes e de São Jorge (feriado no Estado do Rio), a cidade parou com os protestos das comunidades do bairro do Caramujo, um bairro pobre da periferia de Niterói. Os trabalhadores da região incendiaram sete ônibus e parou uma das principais vias da cidade, a Alameda São Boaventura. O estopim dos protestos foram dois assassinatos, pelas mãos da Polícia racista de Cabral/Pezão (PMDB): os dois de jovens negros da comunidade, um atingido por "bala perdida", e outro atropelado por um carro blindado da PM. Mais este episódio da violência policial e da criminalização da pobreza movida pelos Governos traz a tona, com maior força, a luta pela desmilitarização da PM e por uma nova Polícia, controlada pelos trabalhadores, especialmente das comunidades.
Niterói cidade qualidade de vida?
Além dos episódios constantes de violência policial e criminalização da pobreza nas comunidades de Niterói, a cidade passa hoje por um vertiginoso crescimento da violência social em geral. Nos últimos dois anos, especialmente, dispararam os casos de assaltos a residências e a transeuntes, assassinatos após assaltos, violência contra as mulheres, etc. São evidentes casos ligados ao crescimento da polarização na sociedade fruto das grandes desigualdades sociais que dividem o Brasil capitalista. E em Niterói, esta polarização social sempre foi dramática. A chamada "cidade qualidade de vida" sempre escondeu, por trás, uma enorme desigualdade social. Enquanto os bairros nobres da cidade recebiam (e recebem até hoje) grandes investimentos em infraestrutura, os bairros da periferia permaneciam excluídos. Essa sempre foi a política dos Governos, inclusive dos Governos do PT. E com a violência crescente, sinais de desespero começam a aparecer: nos últimos dias ondas de boatos sobre "toque de recolher" e "invasões de favelas pela PM" paralisaram parcialmente a cidade.
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| Pezão, Rodrigo Neves e Beltrame querem implantar UPP's em Niterói |
Hoje Niterói é governada pela Prefeitura de Rodrigo Neves, do PT. E não é a primeira vez que o PT está no Governo: junto com o PDT, do desastroso Jorge Roberto Silveira, o PT está na Prefeitura desde fins dos anos 90. Então, parte da responsabilidade da cidade das desigualdades, que é Niterói, é do PT. Além de Niterói, o PT governa o país inteiro há 11 anos, e pouco fez para acabar com as desigualdades sociais que dão origem à violência urbana. As Jornadas de Junho ajudaram a tornar claro esse fato. E voltando a Niterói, a política do PT por aqui em nada difere dos restantes dos Governos para "combater a violência": mais Polícia, mais Guarda Municipal, mais ocupações das comunidades e favelas. Ou seja, mais criminalização da pobreza. O PT, que fez parte do Governo ditador de Cabral no Rio até o último momento, é também co-responsável pela desastrosa política das UPP's.
Como combater a violência? UPP e mais repressão não é solução! Por uma saída dos trabalhadores!
Outro aspecto que intensifica a violência em Niterói é a questão das UPP's. Implantadas na capital, Rio de Janeiro, a violência das UPP's tem uma face contraditória sobre Niterói: parte da ‘"bandidagem" (traficantes e milicianos) migraram para Niterói, São Gonçalo e região, intensificando a "guerra" na periferia dessas cidades. A classe média, assustada, clama, porém, por mais UPP's. Mas os recentes protestos populares e o assassinato do dançarino DG no Rio de Janeiro provaram, mais uma vez, que a UPP é uma farsa de "pacificação". Cada vez fica mais claro que a "pacificação" dos Governos é propaganda enganosa e, principalmente, mais criminalização e massacre sobre os trabalhadores pobres, em especial jovens e negros. Portanto, UPP nunca foi e não é solução para a violência urbana em Niterói. Mais UPP's significa mais extermínio da juventude pobre e negra, e mais violência. É como jogar gasolina no incêndio do "inferno urbano" brasileiro.
Em resposta as políticas dos Governos, que disputam a consciência dos trabalhadores para saídas semi-fascistas, levantamos uma política operária e socialista! É preciso acabar com o aparelho repressor do Estado, principal responsável pela violência crescente nas cidades: pela desmilitarização da PM, por uma nova Polícia controlada pelos trabalhadores! É preciso acabar com as desigualdades sociais que alimentam a decadência social de parcela dos filhos e filhas dos trabalhadores, os empurrando para a criminalidade: investimentos em Educação, Saúde e Cultura públicas! Plano de obras públicas e redução da jornada de trabalho para gerar pleno emprego e perspectivas para a juventude! É preciso acabar com as fontes de financiamento do Tráfico de drogas, um negócio capitalista: legalização de todas as drogas, sobre controle do Estado e dos trabalhadores! É preciso combater a corrupção estatal que alimenta as milícias: prisão para todos os agentes do Estado envolvidos com as milícias!

