Na conta do Papa: Sérgio Cabral quer apagar incêndio com gasolina

Sérgio Cabral se esconde e não vai a coletiva com a imprensa chamada por ele
Juzerley Santos, do Rio de Janeiro.
Durante a ditadura militar o governo anunciava suas medidas através de pronunciamentos ou edição de atos institucionais, como o AI-5. Em coletiva a imprensa, realizada na manhã desta quinta-feira (18/7) no Palácio Guanabara, era evidente o desconforto da cúpula do governo fluminense. Ainda mais que o governador não se fez presente.
Sérgio Cabral preferiu soltar uma nota repetindo a ladainha de sempre ao acusar os manifestantes de estarem buscando desestabilizar seu mandato ao invés de responder as demandas políticas apresentadas pelo movimento em relação à  saúde, educação, transporte etc.
Em seu lugar, o secretário de segurança José Mariano Beltrame, o comandante-geral da Polícia Militar Erir Costa Ribeiro e a chefe da Polícia Civil Marta Rocha apresentaram as novas medidas em relação aos protestos tomadas em reunião emergencial realizada antes da coletiva.
Na verdade  nada  apresentaram de novo. Só reafirmaram a intenção dos órgãos policiais de tratar a atual onda de protestos usando mais ainda a violência policial, inclusive com a possibilidade de uso de armas de fogo.
Já o governo federal tem solicitado ao Vaticano reforço na segurança do Papa. O general do Exército José Alberto da Costa Abreu já afirmou que "mascarados serão impedidos de entrar. Não é um espaço, lá em Guaratiba, para que um elemento em atitude hostil, utilizando uma máscara, possa entrar. Não vamos permitir que isso aconteça". Demonstrando assim que a intenção do governo Cabral e do governo Dilma vai ser seguir usando a violência policial para reprimir as manifestações. 
Por fim, soaria cômico se não fosse trágico, o comandante-chefe da PM do Rio de Janeiro, ainda durante a coletiva, criticar a imprensa, quando esta questiona a brutal violência usada contra os manifestantes, e lamentar a “ausência” de direitos humanos para os policiais feridos. Esqueceu o coronel da PM de citar a “ausência” de respeito aos direitos humanos por parte da polícia quando atira balas de borracha no rosto de pessoas, incluindo jornalistas e quando chacinou 13 pessoas na comunidade da Maré.
Chegou ao ponto do coronel Erir e do secretário Beltrame afirmarem que não sabem como encerrar as manifestações e confrontos nas ruas do Rio. Nós, juntamente com os milhares que ocupam diariamente as ruas, afirmamos que a única forma de começar a resolver este impasse é a saída imediata de Sérgio Cabral e do vice Luis Fernando Pezão do governo.