Greve da rede municipal é encerrada com vitória e nova disposição para a luta
Após 32 dias de greve, os profissionais de educação da rede municipal retornam ao trabalho.
por Dirley Santos e Rodrigo Barrenechea
| Profissionais de educação lotaram o Club Municipal |
Numa assembleia lotada, realizada no Club Municipal, a categoria votou pelo fim da greve, que já durava mais de um mês. Foi uma reunião com muito debate, onde apareceram dois argumentos, um pela suspensão do movimento, outro pela continuidade.
Aqueles que propunham a suspensão afirmavam que já estava ocorrendo uma diminuição no índice de paralisação e que, além das conquistas já obtidas, o próprio movimento grevista se constituía numa vitória. Já os que pleiteavam o prosseguimento da greve afirmavam que não se podia confiar no governo e que era possível conseguir mais.
Contudo o que imperou foram o sentimento e o reconhecimento da força dos dois principais instrumentos de luta dos trabalhadores a mobilização direta e o método da greve.
Contudo o que imperou foram o sentimento e o reconhecimento da força dos dois principais instrumentos de luta dos trabalhadores a mobilização direta e o método da greve.
Profissionais de educação fazem greve histórica
Esta foi uma greve diferente, por duas razões: primeiro, porque foi a primeira vez, em 19 anos, que os profissionais de educação foram à greve reivindicando melhores salários. E, em segundo lugar, porque o movimento não se limitou a questões econômicas, assumindo desde seu princípio a luta por melhores condições de ensino.
Isto pôde ser visto em dois aspectos. Uma parte importante da pauta de reivindicações tinha a ver com as condições de trabalho da categoria, em especial a questão do número de alunos em sala de aula e o retorno do ensino de francês e espanhol.
Além disso, esta foi uma greve que se enfrentou diretamente com a política do prefeito Eduardo Paes, assim como associou a figura de Paes com a de seu padrinho, Sérgio Cabral. O “Fora Cabral, vá com Paes”, impresso nos adesivos do Sepe, espalharam-se pelas assembleias e atos da categoria.
Da mesma forma, a política educacional da prefeitura foi colocada em questão: foi atacada com força a chamada “meritocracia”, a proposta de remunerar por desempenho, e não formação e tempo de serviço. A secretária de educação, Claudia Costin, foi eleita o símbolo dessa política, e o “Fora Costin” passou a ser cantado pelos grevistas.
Algumas conquistas importantes foram alcançadas. Além do retorno do ensino de francês e espanhol, possível com o aumento da carga horária de aulas diárias – o que serve para melhorar a qualidade do ensino –, foram conquistados 8% de reajuste além do índice aplicado ao conjunto do funcionalismo municipal de 6,75%.
Também porteiros e cozinheiras, setores mais explorados, passarão a receber acima do salário mínimo e um plano de carreira unificado com professores e funcionários será elaborado com a participação destes e do sindicato.
Ainda é possível avançar mais
A principal conquista desta greve foi na consciência.
Os educadores do Rio recuperaram a disposição para mobilizar. Enfrentaram um governo que não hesitou em usar de falsas promessas, que buscou apoio no seu aliado ditador – Cabral – e que manobrou por meio do PT (partido do vice-prefeito), usando algumas lideranças sindicais governistas para levar confusão e derrota ao movimento.