CSP-Conlutas faz raio- X das eleições municipais 2012 em todo o país

No dia 7 de outubro foram realizadas as eleições para prefeitos e vereadores em todas as cidades do Brasil. Nas capitais, dos oito candidatos que disputavam a reeleição, apenas quatro foram reeleitos: Eduardo Paes (PMDB), no Rio de Janeiro, Márcio Lacerda (PSB), em Belo Horizonte; Paulo Garcia (PT), em Goiânia; e José Fortunati (PDT) de Porto Alegre.
Das 83 cidades do Brasil com mais de 200 mil eleitores (nas quais poderiam ocorrer o segundo turno), apenas 33 definiram suas eleições no primeiro turno. No dia 28 de outubro acontecerá o segundo turno das eleições nas demais cidades.
Apesar de o PMDB ser o partido com mais prefeitos eleitos, a legenda mais bem votada foi o PT. O PT teve um crescimento importante, alcançando a marca de 628 prefeitos eleitos no primeiro turno e contou com 17,2 milhões de votos computados para este cargo, 12,4% do eleitorado nacional.
O PMDB e o PSDB tiveram menos prefeitos eleitos em todo o país no primeiro turno deste ano, em comparação com as eleições municipais de 2008, enquanto o PT e o PSB ampliaram o número de prefeituras.
O PSD, partido criado em 2011 para abrigar o grupo político do prefeito Gilberto Kassabi, de São Paulo, foi o quarto partido com maior número de prefeitos eleitos, 494. O PSOL teve um prefeito eleito. O partido menos votado foi o PCO, com pouco mais de 4 mil votos.
Aumenta o número de mulheres eleitas – Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o número de mulheres eleitas cresceu 31,8% de 2008 para 2012. Foram eleitas 663 prefeitas nas cidades brasileiras, alcançando 12,03% do eleitorado do país.
Esta foi a primeira eleição municipal sob a vigência da lei 12.034/2009, que estabelece que cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo.
Nas cidades com resultados já definidos, o estado com maior número de prefeituras que devem ser comandadas por mulheres é Minas Gerais, com 71 eleitas, seguido por São Paulo, com 67, Bahia (64), Paraíba (49) e Maranhão (41).
Teresa Surita (PMDB) foi a única mulher até o momento a ser eleita prefeita em uma capital, em Boa Vista, Roraima.
Aumenta índice de abstenção de votos – Somando votos brancos e nulos e os eleitores que não compareceram às urnas, 25% da população não votaram nessas eleições municipais em todo país, isso representa 35 milhões de pessoas.
A capital que teve o maior número de votos brancos e nulos foi São Paulo, onde quase 900 mil eleitores não escolheram um prefeito na votação, além dos 1,5 milhão de eleitores que deixaram de comparecer às urnas. Os 2,4 milhões que não escolheram candidato na capital paulista representam 28% do eleitorado, podendo ter mudado o rumo da escolha do futuro prefeito.
Eleições e luta de classes – Para o membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Sebastião Carlos, o Cacau, as eleições, ainda que de maneira distorcida, refletem a situação política e econômica conjuntural do país.
Além disso, como são eleições municipais, são fortemente influenciadas pelas distintas conjunturas locais. “Estamos vivendo uma situação em que o governo federal, capitaneado pelo PT e partidos aliados, tem um peso muito grande junto à população. Os reflexos da crise econômica internacional ainda são mediados pelas políticas compensatórias do governo, pela estabilidade econômica e o crescimento em alguns setores da indústria, comércio e serviços. Essa situação também favorece os outros partidos nos governos dos municípios e estados”, analisa.
As eleições de 2012 são uma confirmação dessa realidade, mas com o segundo turno por ocorrer em 50 cidades, sendo 17 capitais, temos, portanto, um resultado ainda em aberto.
Uma vitória de Haddad em São Paulo, se ocorrer, consolida um quadro de vitória nacional do PT e dos partidos da base governista.
Se Serra (PSDB) vencer, o resultado se equilibra, pelo peso econômico e político da capital paulista, dando sobrevida aos projetos políticos do tucano. Por enquanto, Aécio se fortalece no PSDB com a vitória em Belo Horizonte, para a eleição de 2014.
O PSB, apesar de ser parte da base do governo Dilma, é um capítulo a parte porque está se movimentando em função da negociação de 2014, e teve duas vitórias importantes contra o PT, em Belo Horizonte e no Recife e ainda disputa em outras capitais no segundo turno.
Esse fortalecimento pode ser usado como parte da negociação com o PT ou para o lançamento de outra frente burguesa, com Eduardo Campos/PSB na cabeça ou em composição com outros setores como o PSDB, PPS e demais partidos do campo da oposição de direita ao governo Dilma.
Partidos de esquerda se fortaleceram – No marco de eleições com hegemonia do bloco governista e algumas vitórias importantes da oposição burguesa, existiu um espaço à esquerda expressivo, maior do que na última eleição presidencial.
“Partidos de esquerda, em particular o PSOL, mas também o PSTU e o PCB conseguiram eleger parlamentares e ampliar sua audiência junto aos trabalhadores e setores populares”, ressalta Cacau.
Ainda segundo Cacau, “é possível que esse fortalecimento esteja ligado a elementos da situação política e econômica do país, afinal, há uma tendência à estagnação da economia, com um crescimento pífio do PIB em 2012 e um ascenso sindical, das lutas econômicas, que se mantém desde meados de 2010. O julgamento do mensalão e as denúncias de corrupção contra diversos partidos também podem ter influenciado, ainda que menos do que se especulou nas últimas semanas da campanha”.
O membro da CSP-Conlutas acredita que isso pode ter provocado algum grau de desgaste junto aos partidos da frente popular, assim como na oposição de direita, levando a um espaço de oposição de esquerda significativo, ainda que minoritário. “Esse espaço, muito possivelmente, é produto de elementos de transição presentes na conjuntura”, conclui Cacau.
As perspectivas para o próximo período, do ponto de vista dos trabalhadores, apontam para mais enfrentamentos, sejam esses nas lutas econômicas, salariais ou por moradia e também por direitos como a saúde, educação e aposentadoria, já que os partidos dos dois grandes blocos não se diferenciam.