Contra a violência nas escolas...
... mais investimentos na educação pública!
Por Miguel Malheiros e Thiago Hasten
Nesse momento de dor e revolta diante dos acontecimentos na Escola Municipal Tasso da Silveira, nós do PSTU, prestamos a mais fraterna solidariedade às famílias, amigos, colegas e à comunidade Realengo. É indignante e inaceitável constatar como nossos filhos, professores e funcionários estão expostos e vulneráveis durante o exercício do saber. As cenas que assistimos são típicas dos assassinatos em série que ocorrem nos EUA, que agora bateram em nossas portas. As balas na cabeça de nossos filhos e filhas atingiram nossos corações, e essa também é a nossa dor.
Um amplo debate tomou conta dos noticiários de TV. A solução apresentada pelo governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e toda a mídia, é colocar detector de metais nos portões das escolas, e deixá-las sob a guarda de policiais militares (que nada entendem de educação). O PSTU propõe fazer outro debate e convida o conjunto da comunidade escolar a fazer uma reflexão. A chacina de Realengo não pode esconder o que está por trás dos acontecimentos.
Vivemos em um país onde se investe muito pouco em educação. O governo Dilma acaba de cortar 50 bilhões do orçamento da União. Mais de 3 bilhões cortados só na educação. Cabral e Paes privatizam espaços escolares, transferem recursos públicos da educação para a iniciativa privada, atacam a aposentadoria e mantém salários rebaixados.
As consequências são escolas fisicamente sucatedas, destruídas. O ambiente escolar, por essa combinação de diferentes elementos, deixa de ser atrativo, não responde aos anseios dos estudantes que a frequentam, tão pouco aos anseios dos profissionais que a impulsionam. Hoje o espaço escolar, infelizmente, é palco de diferentes formas de violência. Bullying, brigas violentas, agressões – físicas até – a professores.
Não faltam só professores. Faltam psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, médicos, dentistas. Faltam inspetores e porteiros. Salas de aula lotadas, 30, 35, 40 estudantes em turma. Baixos salários obrigando a dobras de vários tipos, obrigando a ter vários empregos.
Hoje uma professora ou um professor, mal conseguem identificar nos estudantes problemas visuais ou motores, que dirá problemas mentais. Quando suspeitam do problema não há canais para encaminhar. Na escola não há profissionais capacitados para dar tratamento a estes problemas. Porém, também não estão na rede pública de saúde.
Ou seja, o capitalismo visa o lucro, desumaniza os seres humanos, produz doentes da sociedade, mas tratá-los, se não dá lucro, não será feito. A consequência, hoje, 12 meninas e meninos assassinados, chacinados.
Wellington, assassino suicida, 23 anos, é fruto desse sistema capitalista, doente, desumanizado. Esta é a sociedade onde um punhado de pessoas explora o trabalho de milhões e milhões de seres humanos.
Às 12 vítimas um compromisso: seguiremos lutando por esse mundo sem explorados nem exploradores. Seguiremos lutando para que a expressão: lugar de criança é na escola, seja sinônimo de um espaço livre de opressão, livre de violência. Um espaço onde a infância possa ser exercida plenamente, e o melhor do ser humano possa florescer.