Juzerley Santos, redação RJ
Sol escaldante, praias lotadas e clima geral de férias? Que nada o verão carioca está sendo marcado por protestos populares e a repressão policial.
Mostrando que os ares de junho ainda estão presentes, manifestações têm ocorrido pela região metropolitana do Rio, apesar do intenso calor. Algumas motivadas pelos problemas cotidianos que os trabalhadores do Rio de Janeiro enfrentam, como falta de água e luz ou devido às remoções da Copa e a crescente criminalização e o extermino do povo pobre e negro nas favelas.
De dia falta água
Já na primeira semana de 2014, no dia 4/01, moradores do Santo Cristo, na Zona portuária da capital, protestaram interditando ruas do bairro contra a falta d'água na região. A Cedae, empresa responsável pelo fornecimento de água, responsabiliza reparos de vazamentos e remanejamento de tubulações, provocados pela derrubada do viaduto da Perimetral pelos transtornos. Já a concessionária Porto Novo, responsável pela derrubada do viaduto, afirma que as obras não têm relação com a falta d'água em Santo Cristo. Faltaram culpar os próprios usuários ...
A própria grande imprensa relatou inúmeros casos de falta d’água em bairros das zonas Norte e Oeste da cidade e em municípios da Região Metropolitana, como São Gonçalo e Duque de Caxias. O que provocou manifestações como na Vila Ati, no Tanque (Zona Oeste do Rio) onde moradores protestaram com baldes vazios.
A Cedae negou a falta de água generalizada e informou que nesta época do ano, o consumo aumenta cerca de 30%, acarretando muitos “problemas pontuais”. Pronto culparam os usuários ...
De noite falta luz
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Moradores fecham a Niterói-Manilha contra falta de luz Fonte: Magé on line |
Ainda antes da virada de ano, os moradores de diversos bairros de Niterói (Icaraí, Engenho do Mato) e de São Gonçalo (Colubandê, Engenho Pequeno, Porto Novo) sofreram com problemas de falta de luz. Outras cidades também foram seriamente impactadas como Campos, Angra dos Reis, Petrópolis, Teresópolis, Araruama, Maricá e Magé.
Com a demora na resolução do problema alimentos e remédios se estragaram, comerciantes ficaram de portas fechadas e as pessoas sofriam ainda mais com o calor já que não podiam apelar para ventiladores e aparelhos de ar-condicionado.
Na cidade do Rio também ocorreram protestos contra apagões. Como nas imediações da Mangueira e do Morro da Matriz, no Rio, e nos bairros do proto Novo e Engenho pequeno, em São Gonçalo, com fechamento e interrupção de tráfego em vias importantes através de barricadas de pneus e galhos de árvores.
Tanto a Ligh quanto a Ampla, concessionárias responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica no estado, responsabilizaram o aumento no consumo e os temporais e ventanias pelos problemas e interrupções no fornecimento de energia.
É bom frisar que a ampla (que atende Niterói, São Gonçalo, região dos lagos e Norte Fluminense) é a nona colocada entre as 30 empresas mais acionadas, segundo o próprio Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Mangueira teu cenário é de luta
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Charge do cartunista Latuff em solidariedade
aos moradores da Favela do Metrô |
Na Mangueira, desde o dia 05/01, a comunidade tem se enfrentado com a Polícia Militar por conta de protestos contra o assassinato do jovem, Wellington Sabino. Moradores denunciam que os disparos que vitimaram Wellington foram dados por um PM.
No dia 07/01, moradores da Favela do Metrô (comunidade vizinha a Mangueira) em protesto contra as remoções. A Polícia Militar que estava na comunidade desde cedo para impor a ordem de remoção e derrubada das moradias reprimiu violentamente a manifestação lançando bombas de gás lacrimogêneo e agredindo inclusive grávidas, crianças e idosos.
Com a continuidade e o aumento da presença policial, à noite, os moradores fecharam a Radial Oeste, principal via de ligação entre o centro e a zona Norte na região. Mesmo liberada pela PM a via foi novamente fechada por barricadas na manhã seguinte (8/01) gerando novos enfrentamentos.
A Favela do metrô é uma comunidade extremamente carente, com moradias sem água e sem luz e esgoto correndo a céu aberto. Mas é caracterizada pela presença de inúmeras oficinas de automóveis. Ironicamente a prefeitura de Eduardo Paes, que prometera urbanizar a área, pretende agora derrubar tudo para fazer um estacionamento de carros para o Maracanã.
“Não vai ter Copa”
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| Em 2014 povo na rua questionará gastos com a Copa |
É interessante notar que essa semana imprensa e apoiadores do governo ficaram histéricos com a repercussão nos jornais da palavra de ordem “Não vai ter Copa”. Afirmaram como contraponto “Sim, teremos Copa” e saíram com vários artigos e matérias condenando aqueles que continuam a questionar e criticar os mandos e desmandos por trás de tudo que tem envolvido a preparação da Copa e das Olimpíadas.
Evidentemente sabemos que o mais provável é que a Copa aconteça. Até porque um grande esquema midiático, policial e judiciário está sendo montando para garantir a festa da Fifa, Globo e governos. Aliás, quem coloca em risco a Copa é o próprio governo Dilma e seus aliados que acabam de oficializar a montagem de uma tropa de choque nacional com mais de 10 mil homens para reprimir os protestos que estão previstos para a época do evento.
Mas, tudo isso, não impedirá que os indignados, os removidos, que os barrados dessa “festa” saíam as ruas. A bronca com falta de água e luz em vários bairros do Rio e Grande Rio e a manifestação contra a remoção e repressão na Favela do Metrô na Mangueira representam a expressão viva do lema “Não vai ter Copa” que tanto amedrontam os governos e as autoridades policiais.