Tréplica do PSTU à Nova Democracia: queremos os vídeos na íntegra!

Muito curioso o vídeo da Nova Democracia a respeito das gravações divulgadas pelo PSTU sobre a invasão à sede do partido.

Reclamam de manipulação das imagens e mostram trechos mínimos das suas 6 câmeras, como disse o Patrick Granja que havia ali. Nenhum trecho de confusão, apenas declaração dos membros do PSTU que estavam enclausurados em sua própria sede. Chegam a mostrar um Black Bloc jogando bola inocentemente com uma criança diante da sede do partido.

Daniel Cruz, do Coletivo Mariachi, diz que a sede do PSTU parece uma prisão. O PSTU é um partido revolucionário que sempre foi e continua sendo perseguido pelo Estado. Depois de junho, diversos militantes, em especial no Rio Grande do Sul, tiveram suas casas vasculhadas pela polícia e hoje respondem a inquéritos policiais por formação de quadrilha (veja aqui: http://www.pstu.org.br/node/20454). Algumas sedes regionais do partido no nordeste do país foram arrombadas e tiveram documentos roubados. Menos mal que o PSTU do Rio de Janeiro tem uma grade de proteção. Ela serve para defender a integridade do local de ataques da polícia e de ataques como o que o partido sofreu no dia 1º. Se não houvesse grades, sabe-se lá o que teria acontecido.

Dizem que o partido se liga ao que há de pior na política brasileira: PT, PSDB, CUT, Força Sindical. Vale lembrar que os trabalhadores da Europa fizeram, no último período, várias greves gerais, inclusive uma greve continental. Isto é o que queremos fazer aqui. Greves gerais causam muito mais prejuízos à burguesia nacional e internacional do que vidraças de bancos partidas, caixas eletrônicos danificados, ou roletas da estação de trem destruídas. A bem da verdade, elas são imediatamente substituídas e, o que é pior, por trabalhadores explorados. Mas como fazer uma greve geral no país, se os metalúrgicos do ABC - que foram protagonistas nas lutas contra a ditadura - hoje são dirigidos pela CUT? Se os petroleiros são, em sua maioria, dirigidos pela FUP? A tática do PSTU é chamar as centrais sindicais para as lutas e colocá-las contra a parede. Ou bem elas são obrigadas por suas bases a lutar, a entrar em greve, ou então recusam a luta e são flagrantemente desmascaradas. Cabe, aos partidos e organizações de esquerda, fazer este chamado e denunciar as direções. Este é o método ensinado pelo marxismo - a aposta no movimento de massas e o rechaço às ações isoladas individuais. Faremos uma greve geral no país sem as bases da CUT? Sem as bases dirigidas pelo PT e PCdoB? Mas, apesar da explicação metodológica, é bom também lembrar que, no dia 11 de julho de 2013, no ensaio de greve geral ocorrida no país, os Black Blocs estiveram presentes em grande número. É bom lembrar que no dia 1º de abril, antes da invasão, a FIP, os Black Blocs e o MEPR, estiveram todos marchando na Av. Rio Branco junto com a CTB e a CUT. E, muito embora a acusação seja leviana, estas mesmas organizações não se incomodam em aliar-se ao coletivo Fora do Eixo, que tem ligação umbilical com o governo federal. Sobre os problemas que cercam o coletivo e, de tabela, a Mídia Ninja, vale a leitura: http://blogconvergencia.org/blogconvergencia/?p=1660

Mesmo com a edição de imagens, que passa longe de representar o compromisso da mídia independente, o vídeo em questão acaba mostrando cenas que contradizem todo o seu discurso. No minuto 2:50, um dos midiativistas se desespera com uma pedra lançada contra a sede do PSTU vinda da rua. As imagens, mesmo cortadas e desconexas, mostram o portão da sede do partido completamente danificado. A propósito, a imagem da grade explica como o interior da sede foi danificado. Mesmo de fora dela, do corredor do prédio, se pode alcançar - com pedras ou objetos longos - a livraria que funciona dentro do partido. Mas, é claro, para chegar a quebrar a vidraça e danificar o interior da sede, é preciso realmente estar portando tais objetos e lançá-los contra a mesma. Não é exatamente nada sobrenatural, como diz Bruno Matiazzo.

Aliás, o mesmo Bruno diz que sentiu sua integridade física gravemente ameaçada mas, se se repara bem no áudio dos pequenos trechos do vídeo, se pode ouvir alguém dizendo que ele pode entrar. Não há sequer uma palavra com tom de voz alterado proferido contra ele por quaisquer membros do PSTU (e, se houvesse imagens ou áudio dessas palavras, é de se supor, pelo método de edição do vídeo, que elas seriam fartamente explorado na obra). O PSTU, novamente, não ameaçou ninguém.

André Migueis, representante da Mídia Independente Coletiva, diz:

"Quando chegamos lá, o que estava ocorrendo mesmo era mais uma algazarra" [aqui entram as imagens do Black Bloc, mascarado, jogando bola inocentemente em frente à sede do partido]. "Nada muito maior do que isso. [...] Uma vidraça foi quebrada, pularam uma grade, e realmente nada mais do que isso."

Como assim, nada mais do que isso? Mas isso não é o suficiente? Pessoas estranhas invadem a sede do partido pulando uma grade fechada, quebram uma vidraça, fazem uma algazarra, e tudo bem, nada demais? Quer dizer, André, que alguém entra em sua casa pulando os muros, quebra suas vidraças e promove uma algazarra, e você serve um cafezinho? Convida o invasor a sentar em sua sala e bater um papo? A propósito, foi isso que o PSTU fez com o outro André, o da FIP, quando ele, sozinho, chegou a sede gritando por algum esclarecimento a respeito das supostas agressões sofridas por membros da FIP - que o vídeo divulgado pelo PSTU coloca por terra.

André Migueis também diz, mais tarde, que a pessoas que estavam lá, estavam para acalmar a situação? Ora, mas que situação? Certamente havia uma briga entre os próprios militantes do PSTU, e os mascarados pularam as grades para correr em socorro do partido, é isso? Ou havia mesmo uma situação de tensão nos corredores do edifício? As contradições são realmente notáveis.

Mas culpam o PSTU pelo acontecido. "Querem se promover e denegrir a imagem dos movimentos sociais e das mídias alternativas", dizem. Mas o PSTU não fez nada. Estava em sua sede e foi surpreendido pela chegada de várias pessoas estranhas ao local, mascaradas, fazendo algazarra. O que dirão? Que o partido orquestrou tudo aquilo? Pagou àqueles homens para encenarem uma invasão e, assim, poder acusar as organizações que se responsabilizaram pelo ataque? Que o PSTU pagou ao André para dizer que era da FIP?

Thiago Dezan, da Mídia Ninja, afirma que o que aconteceu lá é muito pequeno perto do que ele vivencia nas ruas. Está redondamente enganado. Pois se do ponto de vista objetivo há coisas muito piores acontecendo todos os dias nesta cidade e neste país - e o PSTU as reconhece, pois está envolvido em várias das mais profundas crises sociais -, elas partem via de regra do Estado. Não se pode considerar menor a invasão a um partido combativo da esquerda que luta cotidianamente contra estas mesmas crises, em especial se esta invasão vem de grupos que também se dizem da esquerda. O cerceamento das liberdades políticas - parta do Estado, dos fascistas ou de pretensos esquerdistas - é um dos perigos mais graves pelos quais o país pode passar. Vale lembrar que o ato realizado no dia da invasão relembrava as vítimas do período em que, pela última vez, os partidos políticos tiveram suas liberdades cerceadas. Isso não é um problema menor, é preciso repetir.

O PSTU não criminaliza quaisquer coletivos de mídia independente, tampouco seus trabalhos. Mas não se deve confundir a mídia independente com o que a Nova Democracia expressa em seus últimos posicionamentos. O que eles querem - a FIP, o Black Bloc, o MEPR - é que o PSTU lhes passe um cheque em branco, que não coloque publicamente suas profundas diferenças políticas e organizativas, como viemos fazendo insistentemente desde junho do ano passado. O estalinismo inaugurou essa temeridade que é impedir a manifestação das diferenças entre as organizações. Já passou da hora desta tradição acabar. Nós não nos furtaremos a continuar expressando nossas diferenças políticas e denunciar quaisquer equívocos por parte destes coletivos, especialmente se eles representam prejuízo aos cada vez mais tímidos espaços da democracia no país.

Neste sentido, é preciso também condenar contundentemente o posicionamento final do vídeo, que faz coro aos acontecimentos do dia 20 de junho, quando muitos exigiram aos partidos de esquerda que abaixassem suas bandeiras e quando os militantes destes mesmos partidos, em especial do PSTU, foram covardemente agredidos por grupos fascistas. O PSTU não abaixou suas bandeiras naquela ocasião, e não as abaixará agora. Lutamos heroicamente contra os fascistas e garantimos a segurança de todos os militantes sociais ali presentes. Tivemos 10 hospitalizados, mas valeu a pena lutar. Defenderemos nosso direito à existência com a sanha dos revolucionários. É lamentável reivindicar a negação aos partidos e tentar igualar, mesmo que minimamente, o PSTU a partidos da ordem burguesa como PT e PSDB. A bem da verdade, o jogo da direita e da polícia é exatamente este: enterrar a sete palmos do chão todos os partidos que combatem, há muitos e muitos anos, as excrescências do capitalismo neste país e no mundo.

Por fim, reiteramos nosso desafio. A Nova Democracia continua sem divulgar as imagens que tem do momento da invasão. Queremos ver todas as imagens, na íntegra. Esta é a única maneira de apurar exatamente o que ocorreu naquele dia. Tudo o que tínhamos em mãos está publicado na internet e, caso tenhamos algo mais, também publicaremos. Fica aqui o convite aos coletivos que ali estavam para que publiquem as imagens de suas 6 câmeras. Até agora, pudemos ver menos de um minuto de imagens difusas e que não mostram nada além de um ataque covarde e irresponsável à sede do PSTU.

Amanhã vai ser outro dia. 

Veja aqui de novo o vídeo da invasão de nossa sede: