Dirley Santos, redação Rio.
Categoria atropela o sindicato, cruza os braços e sofre repressão da PM e da Justiça. Garis dizem que o prefeito Eduardo Paes vai varrer a cidade sozinho.
Garis botam o bloco na rua
Além dos milhares de foliões que aproveitaram este carnaval para denunciar o machismo, o racismo e a homofobia e protestar contra os desmandos da Copa e a dupla Cabral e Paes os trabalhadores da Companhia de Municipal e Limpeza Urbana (Comlurb) do Rio de Janeiro decidiram cruzar os passos e pendurar as vassouras neste carnaval.
Conhecidos como garis[1], o trabalhadores da limpeza urbana carioca, pedem reajuste salarial de R$ 803 para R$ 1,2 mil; aumento no valor do tíquete alimentação diário de R$ 12 para R$ 20 e o pagamento de horas-extras para quem trabalhar nos domingos e feriados, como previsto em lei. Lideranças do movimento denunciam que durante o carnaval os garis chegam a trabalhar dobrado e não ganham um centavo a mais.
Além da melhoria salarial os grevistas reivindicam melhores condições de trabalho e que a Comlurb abra conversas imediatamente para que possam negociar a volta ao trabalho. O prefeito Eduardo Paes, entre uma bravata e outra, diz não que existe greve e se recusa a discutir as reivindicações. Recentemente o prefeito “sugeriu” a população ficar em casa para evitar engarrafamentos ...
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| Apesar do sindicato Garis botam o bloco na rua. Foto:intenet |
Sindicato “atravessa o samba”
O Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio (SEEACM-RJ), assim como a Comlurb, não reconhece a greve. Ligada a pelega CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), a direção do sindicato tentou desde o início da mobilização frear de todas as formas o movimento grevista.
O Sindicato chegou convocar a greve mas, à meia-noite da sexta-feira (28/2), cancelou a paralisação sem dar qualquer justificativa a categoria. Para piorar, após ser derrotada na assembleia, soltou uma nota dizendo a paralisação foi deflagrada por um grupo de garis “sem representatividade junto à categoria”.
A Comlurb, por sua vez, informou por meio de nota que está em negociação com o sindicato da categoria “como faz todos os anos no período do acordo coletivo”, porém se recusa a falar sobre a paralisação e sobre as providências para solucionar o problema do lixo que vem se acumulando nas ruas da cidade.
Além de questionarem a direção do sindicato e denunciarem a intimidação por parte de gerentes para voltarem ao trabalho, os garis reclamam muito da pouca, quando não tendenciosa cobertura, dada ao movimento pela imprensa. Alegam que estão mobilizados desde o dia 26/2 e que mesmo com o lixo se acumulando nas ruas em pleno carnaval sua luta tem tido por repercussão. A TV Globo, que tanto gosta dos garis limpando o Sambódromo ao final dos desfiles, tem preferido entrevistar subcelebridades ....
Justiça declara greve abusiva e PM reprime trabalhadores
Com uma rapidez raramente vista, o Tribunal Regional do Trabalho do Estado do Rio de Janeiro (TRT/RJ) declarou a “abusividade e ilegalidade” da greve já no dia 1º de março, um sabadão de carnaval. A desembargadora Rosana Salim Villela Travesedo concedeu liminar determinando o imediato retorno dos garis ao trabalho, sob pena de multa diária de R$ 25 mil.
Também no sábado, cerca de 1 mil garis, os líderes falam em 2 mil, participaram de um protesto em frente a prefeitura do Rio. Após realizarem passeata pela Avenida Presidente Vargas os trabalhadores decidiram se dirigir até o Sambódromo.
O protesto foi duramente reprimido pelo Batalhão de Policiamento Militar de Grandes Eventos, o mesmo responsável por reprimir as manifestações contra a Copa e como sempre sem identificação nas fardas.
Ainda neste domingo (2/3), um grupo, sem uniforme da Comlurb, escoltado por policiais militares realizou a limpeza da Avenida Rio Branco, por onde desfilaram os principais blocos do Centro do Rio que recebeu ontem o Cordão da Bola Preta.
A greve continua! Vai ter luta no carnaval e na Copa
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| Garis decidem pela continuidade da greve. Foto:intenet |
Em assembleia na manhã desta segunda (3), garis do Rio de Janeiro decidiram continuar a greve iniciada há três dias. De acordo com a própria Comlurb dos cerca de 15 mil garis aproximadamente 3,5 mil estão parados. Já segundo lideranças do movimento o contingente de trabalhadores que aderiram à paralisação está entre 70% a 80% categoria.
É bom lembrar que além dos garis, também se encontram em greve há quase um mês os servidores dos hospitais federais. E está previsto para o dia 17/3 o início da greve dos servidores das universidades federais. Marcha à Brasília está convocado para o dia 19/3.
No próximo dia 22 de março, acontecerá em São Paulo, o Encontro Nacional do Espaço Unidade de Ação. O objetivo é reunir milhares de representantes de entidades e movimentos sindicais, estudantis e populares para unificar as mobilizações e organizar os protestos contra a realização da Copa do Mundo no Brasil.
O carnaval continua mais alguns dias, agitado como nunca. E também a disposição de lutas dos trabalhadores e da juventude. Por isso é preciso cercar de solidariedade a greve dos garis e todas outras paralisações. Exigindo dos governos que atendam as reivindicações, denunciando todas as formas de repressão e chamando a unificação das lutas.
O carnaval continua mais alguns dias, agitado como nunca. E também a disposição de lutas dos trabalhadores e da juventude. Por isso é preciso cercar de solidariedade a greve dos garis e todas outras paralisações. Exigindo dos governos que atendam as reivindicações, denunciando todas as formas de repressão e chamando a unificação das lutas.
Veja o Boletin da CSP-Conlutas convocando o Encontro Nacional do espaço Unidade e Ação aqui
[1] Com origem em escravos libertos, a categoria que ainda hoje é formada em sua maioria de negros pobres, recebeu esta denominação em “homenagem” a Pedro Aleixo Gary, empresário, que durante o Império, assinou o primeiro contrato de limpeza urbana no Brasil. Os cariocas acostumaram a chamar quem trabalhava com ele de a "turma do gari", desde então o termo foi associado aos funcionários da limpeza urbana da cidade.(N/A)


