Vitória da greve! Justiça suspende sessão fraudulenta da Câmara que aprovou o Plano de Cargos, Carreiras e Salários



Passeata 07/10/2013 em defesa da educação
Foto Paollo Rodajna
Na tarde do dia 11 a juíza Roseli Nalin, da 5ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça, concedeu uma liminar em ação de nove vereadores de oposição suspendendo a sessão da Câmara do Rio que aprovou a lei que criou o novo plano de cargos e salários dos professores. Segundo parecer da magistrada “o exercício do direito da maioria parlamentar decidir não pode, jamais, em uma sociedade que se pretende plural, livre e democrática, ser realizado em uma situação de exceção à normalidade que impeça a garantia do valor da democracia”.


Essa decisão é uma vitória da greve. Mostra a sua força e justeza. E vem ao encontro do sentimento da maioria da população do Rio de Janeiro que, ao lado dos profissionais da educação, repudiou a forma arbitraria e repressiva com que foi realizada essa votação. Eduardo Paes e os vereadores da situação, com o auxilio da PM de Cabral, sitiaram a cidade e reprimiram violentamente os manifestantes que queriam acompanhar a sessão da Câmara Vereadores .

A ação truculenta de Paes e Cabral não ficou sem resposta. Cinquenta mil foram às ruas e repudiaram a repressão de Paes e Cabral e demonstraram que a pauta dessa greve vai além da questão salarial. A luta é por uma educação pública de qualidade, sem meritocracia, ong´s e fundações. Afinal de contas, educação não rima com mercadoria e repressão.

Dia 15 vai ser maior! No dia do professor temos uma tarefa importante. Fazer a maior e mais bela manifestação em defesa da greve dos educadores e a exigência que Paes atenda às reinvindicações da categoria.

Somos todos educadores!  

A quem beneficia as ações do Black Blocs?

PSTU- RJ

   Rio de Janeiro, 7 de outubro. Uma multidão se aglutina pelo Centro da cidade e segue em passeata pela Av. Rio Branco. A passeata é tão grande que não é possível ver seu início nem seu final. Naquele dia, mais de 50 mil pessoas saíram às ruas para defender os profissionais da educação contra os ataques de Sérgio Cabral e Eduardo Paes.

   Acuados, o governador e o prefeito são forçados a desistir momentaneamente da repressão. A polícia permaneceu em grande parte aquartelada, e as ruas por algumas horas foram apenas dos trabalhadores, demonstrando a força das massas. Já ao final, ocorre o episódio que ganharia destaque nos telejornais e nas conversas dos trabalhadores: Black Blocs (BBs) e PMs se enfrentam isoladamente em frente à Câmara Municipal. Começam a repressão e o quebra-quebra
 
Uma tática a serviço de qual objetivo?
   Antes de tudo, reafirmamos que nossa crítica política aos grupos Black Blocks não muda em nada a defesa que fazemos destes ativistas e grupos contra a repressão da polícia e da justiça burguesa.  São lutadores, que muitas vezes se equivocam, mas são lutadores. E para nós é um princípio defender todos os lutadores contra a repressão dos governos burgueses.

   Contudo, não confundimos essa defesa com o acordo com as ações dos Black Blocs. Quem defende que a esquerda não pode debater/criticar a ela própria foi, historicamente, o stalinismo.

   Muitos companheiros honestos argumentam conosco que o Black Bloc é uma tática de defesa das passeatas. No entanto, esta não tem sido a realidade no Rio.

   Temos acordo de que é necessário organizar a defesa das manifestações. Esta é uma necessidade que surge da ação violenta da polícia, a mando dos governos. Queremos organizar a defesa das passeatas para proteger fisicamente os que estão nelas e derrotar as pretensões dos governos em desatar a repressão.

O que é mais eficaz na luta contra Cabral e Paes? A ação isolada de uma minoria
ou a presença de 50 mil pessoas marchando pelas ruas de centro?

   Nosso grande objetivo deve ser trazer um número cada vez maior de pessoas às ruas. Na passeata do dia 7 de outubro, a PM se retirou das ruas não por conta da presença do Black Blocks, mas porque havia 50 mil pessoas na Av. Rio Branco. Quanto mais massivas forem as passeatas, mais dificuldades a PM terá em reprimir o movimento. Mas as ações dos Black Blocs acabam por esvaziar as futuras mobilizações.

   Os BBs devem explicar por qual motivo a mídia não mostra uma só imagem dos 50 mil em marcha, mas gasta horas de seus telejornais para exibir as depredações e ações isoladas. A mídia seleciona essas imagens com dois objetivos: amedrontar a classe trabalhadora para que não se some às mobilizações; e para criminalizar a luta dos educadores.


   A tônica da atuação do Black Bloc no Rio é o enfrentamento permanente com a polícia e a depredação por meio da ação individual ou de pequenos grupos. Achamos isso completamente errado. Tais ações poderiam ser corretas se realizadas com o conjunto dos trabalhadores e não com um grupo pequeno de vanguarda.

   Alguns grupos anarquistas (não todos eles, é importante que se diga) acham que isso serve de exemplo para a juventude oprimida, que os seguirão em suas ações rumo ao fim do capitalismo e do Estado burguês. Isso é um equívoco e só acaba afastando as massas.


   Muito longe de serem fruto da “revolta popular”, estas ações conscientemente organizadas tentam substituir a ação das massas na rua. Por isso não estão preocupados com a mobilização crescente da classe trabalhadora e sim com suas próprias ações.

   Não estamos discutindo a ação espontânea de trabalhadores perante uma injustiça. Por exemplo, os moradores de uma favela quando descem e quebram o comércio de luxo diante da morte de um jovem negro da comunidade. Estamos discutindo a ação política consciente de grupos que organizam os Black Blocks. E estes grupos erram ao fazer política sem se levar em conta o que a classe pensa, mesmo discordando dela. Tomando como um exemplo, se a grande maioria dos trabalhadores acha que a greve não é o melhor instrumento de luta, não podemos fazer a greve sem eles, mesmo que queiramos.

   A repressão dos movimentos sociais é política de Estado no Brasil, em especial no Rio de Janeiro. A polícia e o governo sabem que tem superioridade militar sobre nós, por isto, sempre que possível, buscam a repressão. Se não podemos por hora derrotar militarmente a repressão, existem momentos em que é possível derrotá-la politicamente, forçando o governo e a polícia a recuarem. O dia 7 de outubro foi emblemático neste sentido. A maioria da população havia sido ganha para defender os educadores contra Paes e Cabral. O repúdio aos governos era tamanho que a PM foi orientada a não intervir, nem sequer um efetivo militar considerável foi mobilizado. Diante desta retumbante vitória um grupo Black Bloc resolveu destruir a Câmara Municipal e seus arredores, provocando a repressão. Ao organizarem uma ação contrária às deliberações do Sindicato e da categoria, esse grupo Black Bloc contribui para enfraquecer as entidades dos trabalhadores.

   Esta ação poderia ter jogado no lixo todo o trabalho político da categoria e do Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais em Educação) em ganhar a população para o seu lado e colocar o governo na defensiva. Cada trabalhador que é ganho pelo governo contra a greve dos professores significa uma bala a mais que o governo consegue disparar sobre nós.

   Queremos chamar os militantes que estão construindo a luta cotidianamente, inclusive aqueles que organizam o Black Bloc no Rio, a fortalecer a luta dos educadores. Chamamos também a organizar coletivamente a defesa das manifestações e planejar as ações dos atos em conjunto com a categoria e sua entidade, o Sepe, e a não fazer nenhuma ação contrária as deliberações dos professores.

✔  Lutar não é crime, lutar é direito! Contra a repressão aos movimentos sociais;
✔  Em defesa de todo ativista atacado pela repressão ou perseguido pelo Estado;
✔  Construir a autodefesa dos trabalhadores em luta;
✔  Pela desmilitarização da Polícia Militar, pelo fim da PM;
✔  Pela construção de uma polícia de caráter civil, eleita democraticamente e controlada pela comunidade.

Debate: "A situação da luta de classes no Brasil e a construção de uma alternativa revolucionária"

Participe do próximo debate do PSTU:

"A situação da luta de classes no Brasil e a construção de uma alternativa revolucionária"

11 de outubro | sexta-feira | 18:30h
Avenida Passos, 34, Centro (Sindipetro-RJ)


Confirme a a participação no evento: https://www.facebook.com/events/570188416364341/?ref_dashboard_filter=upcoming

Resposta ao 'O Globo': O PSTU e a greve da educação


No dia 07 de Outubro, dia que a educação foi pra rua em defesa da educação pública de qualidade e contra a repressão, Jornal "O Globo" publica resposta do PSTU à seu editorial que ataca o SEPE e o PSTU.

Somos todos educadores! Milhares ocupam as ruas em defesa da educação e contra a repressão

Foto Paollo Rodajna

Mais uma vez os trabalhadores e a juventude do Rio de Janeiro fizeram história. Mais de 50 mil pessoas foram às ruas. Esta foi a resposta dos trabalhadores e do conjunto da população aos ataques à educação e contra a repressão policial comandada por Paes e Cabral. A manifestação, a maior ocorrida desde junho, desta vez foi organizada e encabeçada pela poderosa categoria dos educadores.

Desde o final da tarde de ontem, por volta das 16 horas, milhares de manifestantes ocuparam e foram tomando as ruas do centro da cidade. “Fora Cabral” e “Fora Paes” eram as palavras de ordem mais cantadas por profissionais de educação de todo o estado, bancários, petroleiros, inúmeras outras categorias e estudantes. O fim da repressão e a desmilitarização da PM também eram exigidos pelos manifestantes durante todo o ato em apoio aos educadores.

O processo de lutas que os profissionais da educação vêm protagonizando desde setembro ganha cada vez mais força. Além da enorme manifestação, outras iniciativas apoiam a pauta da educação pública. Recentemente, nas redes sociais, diversas atrizes famosas prestaram sua solidariedade aos educadores grevistas postando fotos com uniformes das escolas da rede pública. Escolas da rede particular de ensino, como Oga Mitá, Ceat e Edem, também aderiram ao movimento, encerrando suas atividades mais cedo e convocando a participação da comunidade escolar. Em São Paulo e Belo Horizonte também ocorreram manifestações em solidariedade à luta dos educadores do Rio.

O apoio de diversos setores dos movimentos sociais e da imensa maioria da população demonstra categoricamente que os educadores ganharam a disputa contra Eduardo Paes e Sérgio Cabral sobre os projetos de educação pública para o estado e o município. Os governos, desesperados, seguem atacando os profissionais da educação com o aval do Tribunal de Justiça, que restringiu o direito de greve da categoria, autorizando o corte de salários e prevendo multas ao Sepe.
Nos próximos dias será fundamental manter o apoio à greve dos educadores, cercando-os de solidariedade ativa e somando com as outras lutas que estão em curso na cidade.

Que papel cumpriu o Black Bloc?
Ao final da vitoriosa manifestação, o Black Bloc, de forma isolada, depredou bancos e a Câmara Municipal, desencadeando uma violentíssima repressão policial, com o uso da Tropa de Choque e do BOPE. O Sepe convocou uma reunião de organização do ato, convidando todos os setores envolvidos – inclusive o Black Bloc – onde as ações da manifestação foram democraticamente decididas. O Black Bloc não compareceu à reunião e ao final da manifestação realizou as ações que sequer haviam sido discutidas. Esta é um atitude anti-democrática e que passa por cima dos tradicionais métodos da classe trabalhadora.

Obviamente não se deve imputar ao Black Bloc qualquer culpa pelo caos na educação pública e tampouco pela truculência já habitual da polícia. A responsabilidade é exclusiva dos governos municipal e estadual, que orquestram suas políticas em detrimento dos interesses da população. A manifestação de ontem, contudo, prova que não são as ações isoladas que trazem a população para as ruas, mas sim a organização das categorias e da juventude, que deliberam democraticamente em seus fóruns os rumos e as tarefas do movimento. 

O que é mais eficaz na luta contra Cabral e Paes? A ação isolada de uma minoria
ou a presença de 50 mil pessoas marchando pelas ruas de centro?
A postura defensiva da polícia na noite de ontem, quando não havia efetivo policial acompanhando a manifestação, é fruto da pressão popular desencadeada pela repressão à manifestação do dia 1º, e à desocupação da Câmara Municipal no dia 28 de setembro. As ações do Black Bloc, no entanto, acabaram possibilitando a brutal repressão policial, que teve reflexos para os moradores da Lapa, Bairro de Fátima e região. A cobertura da imprensa sabotou a vitoriosa manifestação, mostrando a conflito entre este grupo e a polícia, ao invés de noticiar o ato em si.

A luta pela educação segue
Na tarde de hoje a assembleia dos profissionais da educação da rede estadual votou a continuação da greve. Amanhã, dia 9, haverá assembleia da rede municipal que discutirá também os rumos do movimento.

Somos todos educadores! Fora Cabral e vá com Paes!