Depois do dia 30, toda força ao 1º Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta!

Encontro será realizado na cidade de Sarzedo (MG) entre 4 e 6 de outubro


Convocação do encontro no 30 de agosto em Belém (PA)
O Movimento Mulheres em Luta escolheu o dia 30 para colocar seu 1º Encontro Nacional nas ruas. Não haveria data mais oportuna: este forte dia de luta foi mais uma tentativa importante e bem sucedida de reunir as principais expressões das lutas desenvolvidas a partir do mês de junho, quando enormes mobilizações explodiram no Brasil e, com elas, a vontade da juventude e dos trabalhadores de lutar pelos seus direitos, por saúde e educação públicas e de qualidade, assim como por salário, terra, moradia e transporte.
O 1º Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta (MML) será uma nova oportunidade de reunirmos a juventude que foi às ruas em junho e a classe trabalhadora que fez greves e paralisações nos dias 11 de julho e 30 de agosto.
Pré-encontros regionais fortalecem Encontro Nacional
O Encontro do MML já está em marcha. Diversos estados realizam plenárias, pré-encontros e encontros estaduais. Além de organizar as lutas das mulheres contra a violência, por creches e salário igual, os encontros têm sido momentos fundamentais de estruturação do Movimento Mulheres em Luta nos estados, além de alavancar a convocação das mulheres trabalhadoras para o Encontro Nacional. Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Aracaju, Maceió, Juazeiro, Recife, São Luis, Natal e Santos já realizaram suas plenárias e encontros. Ainda estão agendados encontros no Rio de Janeiro (14/09), São José dos Campos – SP (15/09) e Vitória - ES (22/09).

Contar com a força da CSP-Conlutas e dos sindicatos
Em sua próxima reunião da Secretaria Executiva Nacional ampliada, a CSP-Conlutas vai discutir e organizar seu envolvimento na preparação do Encontro. O MML é o principal movimento de mulheres filiado à CSP-Conlutas. É muito importante que os sindicatos entrem com força na construção política do Encontro Nacional, realizando atividades para fortalecer a convocação das mulheres de suas bases.

Importantes iniciativas
O Sinasefe realizou seu seminário de opressões, os sindicatos da Construção Civil de Belém e de Fortaleza já definiram a presença de companheiras de suas bases e da diretoria. As metroviárias em São Paulo já realizaram uma reunião do MML da categoria e organizam a delegação ao Encontro. As professoras de São Paulo confeccionaram um material específico do MML para a educação. Metalúrgicas, bancárias, professoras, mineiras, estudantes, funcionárias públicas, em todo o país, começam a transformar a idéia de realização do 1º Encontro Nacional do MML em realidade. Uma realidade que fortalece a luta e a organização das mulheres trabalhadoras no país e, por conseqüência, a luta e a organização de toda a classe.

O MML de Belém está organizando a “Feijoada do MML” para alavancar sua campanha financeira para levar a delegação ao encontro. Por todo o país, as campanhas financeiras serão base fundamental da presença das delegações no Encontro. O MML segue primando pela independência financeira, buscando financiamento através de suas atividades e pela relação política com as entidades da classe. Essa é uma forma de seu comprometimento político seguir sendo apenas com a luta das mulheres trabalhadoras.
O Encontro do MML e a reorganização
A abertura de um novo momento de lutas no país, com a presença de muitas mulheres à frente desses processos, assim como a presença de bandeiras das mulheres com destaque nas mobilizações, como a luta contra o “Bolsa Estupro” (Estatuto do Nascituro), permite dizer que há um enorme espaço para construção do encontro na base das categorias e dos movimentos populares organizados. É por isso que a Executiva Nacional do MML estima a presença de 1000 mulheres no encontro. Uma grande demonstração de força do MML e das lutas das mulheres trabalhadoras.

O Encontro do MML é parte de um processo vivo de reorganização que foi incendiado pela retomada das lutas no país. É por isso, que este Encontro quer contar com a presença de entidades e organizações que protagonizam importantes debates sobre o processo de reorganização do movimento sindical popular e estudantil no país e que estiveram presentes no Seminário de Porto Alegre.Em sua mesa de abertura, o Encontro vai contar com a presença de Lola, do Blog “Escreva, Lola, escreva”, que ganhou muita repercussão nos embates com os comentários machistas dos comediantes Rafinha Bastos e Danilo Gentili. Também haverá uma delegação internacional, para refletir as lutas das mulheres no mundo.
Fortalecimento de um movimento classista, independente e de luta
A reunião de mulheres trabalhadoras e da juventude, com as diversas formas de organização da classe, seja através do movimento sindical ou popular, assim como a reunião de lutas internacionais e expoentes das lutas e da reorganização aqui no Brasil, apontam para um Encontro de mulheres com muita força.

Toda essa força deve estar a serviço da construção de um movimento independente dos governos e dos patrões, um movimento firme na concepção classista de luta e de organização das mulheres. Portanto, um movimento que saiba localizar que o fato de Dilma Roussef (PT) ser mulher não assegura nada para as mulheres trabalhadoras, uma vez que a presidenta optou por governar para os ricos e poderosos.
Na medida em que apontamos para o fortalecimento da organização e da luta de quase metade da classe trabalhadora brasileira, nos asseguramos cada vez mais que a luta das mulheres trabalhadoras fortalece homens e mulheres da classe trabalhadora. O machismo é uma ideologia que divide e enfraquece a classe trabalhadora e, por isso, cada vez que essa ideologia é combatida de forma consciente e organizada e, ao mesmo tempo, associada permanentemente às lutas contra a exploração das mulheres trabalhadoras, golpeamos o sistema capitalista, golpeamos o lucro dos patrões, golpeamos os governos e fortalecemos a luta da classe de conjunto.
As mulheres trabalhadoras que estiveram nas mobilizações de Junho, nas greves e paralisações dos dias 11 de Julho e 30 de agosto, não podem ficar de fora desse Encontro. Venham fazer parte da história e do fortalecimento de uma visão classista de luta e organização das mulheres.

Aqui no Rio de Janeiro será realizada o pré-encontro estadual do MML no dia 14 de setembro, Sábado, das 9:30h às 15h, no Sindsprev-RJ (Rua Joaquim Silva, 98-A, Lapa, Rio de Janeiro - RJ)
Acompanhe todas as informações sobre programação e organização no blog doMovimento Mulheres em Luta

Contra a criminalização dos movimentos sociais e da esquerda socialista




Liberdade para os Black Blocs encarcerados por Cabral!
FORA CABRAL!

PSTU-Rio | Rio de Janeiro, 5 de setembro de 2013

Acuado nas ruas, o governador Sérgio Cabral – o ditador do Rio – percebe que seu governo está cada vez mais questionado e criminaliza os movimentos sociais para seguir seu mandato. Às vésperas do Grito dos Excluídos montou mais uma farsa com o objetivo de criminalizar quem luta contra seus desmandos, criminalizar os movimentos sociais que lutam em nosso estado.
     A “Copa das Manifestações” (Copa das Confederações) foi um aviso importante ao governador. Para não perder o controle novamente, Cabral desenvolve uma política de repressão e contenção das demandas sociais tendo em vista a Copa do Mundo em 2014. Tudo isso para passar uma imagem de cidade “pacificada” – capital do samba e do futebol – para os turistas e para as redes de hotelaria e grandes empresas multinacionais que patrocinam o evento.
    Não é primeira vez que o ditador do Rio utiliza o aparato policial contra quem enfrenta o seu governo. Não é a primeira vez que monta artifícios legais para que as prisões que ordena não possam sequer ser respondidas em liberdade.
     Demonstrando sua subserviência ao governo norte-americano, encarcerou 13 manifestantes contra a presença de Obama, a maioria militantes do PSTU. Tentando usar estas prisões como forma de amedrontar quem tentasse lutar contra seu governo, a farsa montada naquele momento foi acusá-los de tentativa de incêndio. Dessa forma a maioria dos presos foi enviada a presídios.
     Nos últimos dias, comprovando seu caráter antidemocrático, mandou retirar, usando vias judiciais, outdoors do PSTU que chamavam a luta pelo fim de seu governo. Seus aliados na Assembleia Legislativa apresentaram projeto que vai criando no Rio um Estado de exceção, proibindo uso de máscaras em manifestações, autorizando a polícia a “cadastrar” (fichar) manifestantes, entre outras aberrações.
     Com métodos autoritários, Cabral esconde-se atrás da polícia e de farsas jurídicas. Nas atuais jornadas de luta seu governo já acusou de formação de quadrilha pessoas que sequer se conheciam. Montou uma farsa contra o ativista Bruno que precisou ser desmontada com vídeos gravados pelos participantes das manifestações.
    Ontem desalojou, violentamente, profissionais da educação da rede estadual do prédio da Secretaria Estadual de Educação. Em seu governo os manifestantes são atacados com tiros, bombas, armas químicas (spray de pimenta e gases), choques elétricos e porretadas.
      O resultado em quantidade de feridos é muito grande. Gigante, um ativista da Baixada, faleceu em função dos ataques químicos de que foi vítima.
        Nas comunidades, as ações do estado dirigido por Cabral revelam também o caráter ditatorial do governador. A exigência de “autorizações” para realização de manifestações culturais, como os bailes, em nada difere da perseguição ao samba no início do século passado.
       Na Rocinha o desaparecimento e morte do pedreiro Amarildo coloca na ordem do dia a pergunta: Cadê o Amarildo?
    Na Maré uma operação policial resultou em 10 mortos a bala. Na manifestação realizada na Avenida Brasil denunciando o Estado que mata ouviu-se o grito de denúncia: “Chega de hipocrisia, esse governo mata pobre todo dia!”
     Quem deve estar na cadeia são os corruptos e corruptores. São os que, negando recursos para a saúde e educação, deixam nossa juventude sem perspectiva de futuro. São os que superfaturam ou realizam obras desnecessárias para transferir dinheiro público para seus amigos empresários.
      O PSTU, antes de tudo, defende aqueles que lutam e são reprimidos pelo Estado e pelos governos capitalistas, mesmo que não tenhamos acordo com seus métodos de luta e programa.
      De nossa parte, é pública nossa polêmica com os métodos e políticas utilizados pelo Black Blocs, assim como polemizamos com outras organizações políticas. No entanto, para nós a defesa dos Black Blockers encarcerados por Sérgio Cabral deve ser incondicional. Trata-se da solidariedade necessária entre os que lutam. Significa defender mais estes presos políticos do governo Cabral, o ditador do Rio. Devemos impulsionar uma ampla campanha democrática para libertar os Black Blockers e todos os presos políticos do governo Cabral.Cyro Garcia, presidente estadual do PSTU, irá articular junto à OAB e demais entidades democráticas e dos trabalhadores, uma reunião com a finalidade de denunciar a postura repressora do governo Cabral, exigindo ampla liberdade de manifestação.
    Não podemos esquecer do ataque desferido pela Globo e demais emissoras contra o mandato da deputada estadual Janira Rocha, que vem sendo perseguida por Cabral e seus seguidores. O PSTU tem inúmeras diferenças com a administração e com a política que vem sendo tocada tanto no mandato quanto na condução do Sindsprev. O PSTU não tem qualquer vinculação política ou financeira com o gabinete da deputada. Mas todas essas diferenças não nos colocam em campos opostos. Defendemos o mandato de Janira Rocha contra os ataques da direita encabeçada pelo governador Sérgio Cabral. Os problemas do Sindsprev devem ser resolvidos dentro do próprio movimento de forma clara e profundamente democrática, de modo que os trabalhadores possam ter voz ativa para recuperar seu instrumento de luta.

·      Pela imediata libertação dos Black Blockers e todos os presos políticos do governo Cabral!
·     Pelo fim de todos os processos jurídicos de cunho político contra ativistas, contra os partidos e organizações dos movimentos sociais.
·     Realizemos uma ampla campanha democrática contra a criminalização dos movimentos sociais!
·      Pelo direito irrestrito de manifestação e greves!
·      Chega de dinheiro para Copa e Olimpíadas e mais para saúde e educação públicas.
·     Pela desmilitarização da Policia Militar, pelo fim da PM.

Rede municipal do Rio decide encerrar greve histórica e vitoriosa

Greve da rede municipal é encerrada com vitória e nova disposição para a luta
Após 32 dias de greve, os profissionais de educação da rede municipal retornam ao trabalho.
por Dirley Santos e Rodrigo Barrenechea

Profissionais de educação lotaram o Club Municipal

      Numa assembleia lotada, realizada no Club Municipal, a categoria votou pelo fim da greve, que já durava mais de um mês. Foi uma reunião com muito debate, onde apareceram dois argumentos, um pela suspensão do movimento, outro pela continuidade.
Aqueles que propunham a suspensão afirmavam que já estava ocorrendo uma diminuição no índice de paralisação e que, além das conquistas já obtidas, o próprio movimento grevista se constituía numa vitória. Já os que pleiteavam o prosseguimento da greve afirmavam que não se podia confiar no governo e que era possível conseguir mais.
Contudo o que imperou foram o sentimento e o reconhecimento da força dos dois principais instrumentos de luta dos trabalhadores a mobilização direta e o método da greve.

Profissionais de educação fazem greve histórica
Esta foi uma greve diferente, por duas razões: primeiro, porque foi a primeira vez, em 19 anos, que os profissionais de educação foram à greve reivindicando melhores salários. E, em segundo lugar, porque o movimento não se limitou a questões econômicas, assumindo desde seu princípio a luta por melhores condições de ensino.
Isto pôde ser visto em dois aspectos. Uma parte importante da pauta de reivindicações tinha a ver com as condições de trabalho da categoria, em especial a questão do número de alunos em sala de aula e o retorno do ensino de francês e espanhol.
Além disso, esta foi uma greve que se enfrentou diretamente com a política do prefeito Eduardo Paes, assim como associou a figura de Paes com a de seu padrinho, Sérgio Cabral. O “Fora Cabral, vá com Paes”, impresso nos adesivos do Sepe, espalharam-se pelas assembleias e atos da categoria.
Da mesma forma, a política educacional da prefeitura foi colocada em questão: foi atacada com força a chamada “meritocracia”, a proposta de remunerar por desempenho, e não formação e tempo de serviço. A secretária de educação, Claudia Costin, foi eleita o símbolo dessa política, e o “Fora Costin” passou a ser cantado pelos grevistas.

Greve arrancou conquistas importantes
Algumas conquistas importantes foram alcançadas. Além do retorno do ensino de francês e espanhol, possível com o aumento da carga horária de aulas diárias – o que serve para melhorar a qualidade do ensino –, foram conquistados 8% de reajuste além do índice aplicado ao conjunto do funcionalismo municipal de 6,75%.
Também porteiros e cozinheiras, setores mais explorados, passarão a receber acima do salário mínimo e um plano de carreira unificado com professores e funcionários será elaborado com a participação destes e do sindicato.

Ainda é possível avançar mais
A principal conquista desta greve foi na consciência.
Os educadores do Rio recuperaram a disposição para mobilizar. Enfrentaram um governo que não hesitou em usar de falsas promessas, que buscou apoio no seu aliado ditador – Cabral – e que manobrou por meio do PT (partido do vice-prefeito), usando algumas lideranças sindicais governistas para levar confusão e derrota ao movimento.
Mas isso não foi suficiente, pois os educadores do Rio superaram as desconfianças, seja em suas lideranças seja em si mesmos, e tiveram sempre o controle de sua greve. Estão retornando ao trabalho, mas o mais importante: retornaram à luta!

Sobre as acusações contra a Deputada Janira Rocha do Rio de Janeiro

Janira é deputada estadual pelo PSOL Rio de Janeiro


O PSTU não tem procuração, nem toma como sua a tarefa defender a deputada estadual Janira Rocha, do Rio de Janeiro. A deputada não é militante do PSTU, é deputada do PSOL, partido ao qual compete a defesa de seu mandato, em primeiro lugar. Tampouco temos, no PSTU, conhecimento das decisões e do funcionamento do gabinete da parlamentar. Temos em geral uma concepção de mandato diferente de Janira e do PSOL. Não temos, portanto, qualquer compromisso ou responsabilidade sobre o mesmo.

O PSTU tampouco está ou esteve de acordo com a administração da deputada quando esta esteve à frente do SINDSPREV/RJ. Em muitas questões relacionadas à condução do sindicato tivemos e temos opiniões diferentes e opostas as da deputada. Mas entendemos que os problemas do sindicato devem ser resolvidos nas instâncias da entidade, pelos trabalhadores da categoria que ele representa. Apenas eles têm legitimidade para decidir o que deve ser feito na entidade e para adotar medidas em relação a seus dirigentes.

No entanto, frente às informações disponibilizadas até este momento e amplamente divulgadas pela mídia, não podemos deixar de manifestar nossa opinião frontalmente contrária à verdadeira campanha desencadeada contra a deputada por alguns de seus pares na ALERJ e por setores da mídia. Trata-se da uma campanha a serviço da defesa da cassação do seu mandato em função de informações de que ela teria usado recursos de um sindicato – o SNDSPREV/RJ - em sua campanha eleitoral.

Este motivo não justificaria a medida proposta. Um dos grandes financiadores da campanha do governador Sérgio Cabral foi a empreiteira Delta, que depois se beneficiou de negócios escusos com recursos públicos administrados por este mesmo governador. Assim aconteceu com a campanha da ampla maioria dos deputados do Rio e do Brasil: todas financiadas por bancos, empreiteiras e grandes empresas. Isso pode, mas um eventual apoio de um sindicato é motivo de cassação? Não passa de pura hipocrisia defender a cassação do mandato da deputada em base a este argumento. Deputados corruptos a serviço de um governo de estado corrupto não têm a mínima moral para discutir sobre esses temas.

Na verdade o que está por trás dessa campanha é a tentativa de eliminar um mandato que tem apoiado às lutas dos trabalhadores do Rio, como a greve dos bombeiros e da polícia militar e dos operários da COMPERJ, apenas para dar dois exemplos. E que tem denunciado a corrupção do governador Sérgio Cabral e seus pares. O ataque à Janira não é pelos erros que porventura ela tenha cometido. Mas por seus acertos em apoiar a luta dos trabalhadores. Querem calar ou eliminar o mandato da deputada, assim como querem criminalizar as lutas e organizações da classe trabalhadora, a exemplo do que vemos neste momento na repressão aos professores do Rio, na prisão das lideranças dos Black Bloc e na repressão às mobilizações de 7 de setembro.

Combatividade e repressão marcam Grito dos Excluídos no Rio

Apesar da repressão, mais de três mil pessoas foram às ruas pelo Fora Cabral e contra os leilões do petróleo

O 19º Grito dos Excluídos, no Rio de Janeiro, refletiu o clima de mobilização iniciado no mês de junho, com as grandes manifestações da juventude e dos trabalhadores. Neste 7 de Setembro, cerca de três mil manifestantes foram às ruas para gritar o Fora Cabral e dizer não à entrega do petróleo brasileiro.

   A concentração começou pela manhã. Vários sindicatos, movimentos sociais e organizações de esquerda se encontraram às 10h, na esquina da rua Uruguaiana com a av. Presidente Vargas, e saíram em caminhada até o monumento do Zumbi dos Palmares. 
   “Nós temos que conquistar a nossa verdadeira independência, com a garantia da soberania nacional. A primeira tarefa é barrar a jornada de leilões de petróleo. No mundo inteiro se faz guerra pelo petróleo e a presidente Dilma Roussef quer entregá-lo de mão beijada ao capital internacional”, defendeu o presidente do PSTU no estado do Rio de Janeiro, Cyro Garcia, lembrando o que deve ser o maior leilão de petróleo da história, a entrega do Campo de Libra, prevista para acontecer no mês de outubro. 
    O tema Fora Cabral foi predominante em toda a manifestação. “Cabral é ditador” e “Povo na rua, o que é que você faz? Fora Cabral e Eduardo Paes” foram cantados do início ao fim da passeata. Mesmo diante de uma manifestação pacífica, os governos estadual e federal usaram da força policial de forma covarde, na tentativa de impedir a livre manifestação. Na altura do Palácio Duque de Caxias, próximo à Central do Brasil, a Polícia Militar jogou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Mas não tiveram sucesso em dispersar o ato. Os ativistas seguiram em caminhada. 
    “Nós temos um governo que não tem a mínima moral para estar ocupando o Palácio Guanabara. Sérgio Cabral incita a violência policial no estado, criminaliza a pobreza e os movimentos sociais, como aconteceu na Rocinha, onde existe a farsa da UPP que levou ao desaparecimento do pedreiro Amarildo”, denunciou Cyro. 
   Os governos tentaram, de todas as formas, desmobilizar o Grito dos Excluídos. A prisão dos ativistas, a propaganda sobre a repressão ao uso de máscaras e a carta branca à ação dos militares durante a manifestação, anunciada pelo Comando Militar do Leste, tiveram como objetivo aterrorizar a população para que esta não fosse ao ato. Às vésperas do 7 de setembro, Dilma, mais uma vez, foi à televisão para defender as políticas do governo como promessas de melhora das condições de vida dos trabalhadores. As tentativas de intimidar e iludir a população não foram suficientes. Ao contrário, além deterem que diminuir o tempo do desfile e retirar corporações que normalmente se apresentam, como a Tropa de Choque da PM, não conseguiram impedir o que foi um dos maiores e mais combativos atos da história do Grito dos Excluídos no Rio de Janeiro, só possível devido à nova situação da luta de classes no país. 

 Liberdade para os presos políticos

A repressão ao movimento tem se intensificado nos últimos dias. Na última quarta-feira (4), ativistas ligados ao Black Blocs foram presos em suas casas. No ato deste sábado (7) houve novas prisões. Ao todo foram 24 detidos. Entre eles estava um jornalista de um veículo de informação alternativo. Outros jornalistas foram intimidados. Um PM chegou a apontar uma escopeta contra um fotógrafo do jornal Opinião Socialista. Outros utilizaram armas de choque contra membros da imprensa. 
  “Queremos expressar nossa solidariedade pois, apesar das nossas diferenças, exigimos a libertação dos companheiros ligados aos Black Blocs. Estão querendo instalar um estado policial no Rio de Janeiro. Não podemos permitir. Temos que lutar pela libertação de todos os presos políticos”, defendeu Cyro Garcia. 

Construir uma ampla unidade dos lutadores

Após a jornada de junho, o clima de mobilização se estende a várias categorias que estão em campanhas salariais, a exemplo dos professores que há um mês se enfrentam contra Cabral, Eduardo Paes e prefeitos locais. Trabalhadores dos Correios já estão em estado de greve, petroleiros e bancários devem entrar em cena ainda em setembro. Além disso, segue a luta pela solução do caso Amarildo e pelo Fora Cabral. 
A unidade dos lutadores, expressa na manifestação do 7 de setembro, será fundamental para o fortalecimento das lutas dos trabalhadores e juventude.

Greve dos profissionais da rede municipal de educação do Rio continua



Fotos: RB
Mais de três mil profissionais de educação da rede municipal se reuniram em assembleia na tarde desta sexta-feira, 6/09, na frente da prefeitura, na Cidade Nova.  Antes da assembleia foi realizado um ato e uma comissão de negociação teve uma audiência com o secretário da Casa Civil, Pedro Paulo Carvalho, com a secretária municipal de Educação, Claudia Costin e o prefeito Eduardo Paes.

Após a reunião com a Prefeitura, a assembleia foi instalada e a comissão leu as atas com os temas que foram discutidos na negociação. Logo após foi decidido por ampla maioria a continuidade da greve e próxima assembleia no dia 10 de setembro para que a categoria tenha tempo de debater as propostas do governo nas escolas. Na segunda-feira, serão realizadas assembleias locais nas regionais.

7 de setembro: Lutar por uma verdadeira soberania, contra a privatização do petróleo!

Governo Dilma prepara o leilão do maior campo petrolífero da história

da Redação



Uma semana depois do dia nacional de paralisações convocado pelas centrais sindicais, o país deve balançar com os protestos programados para esse 7 de setembro, Dia da Independência. Paralelamente aos desfiles oficiais, ocorre o já tradicional "Grito dos Excluídos", espaço de unidade da esquerda e dos movimentos sociais que expressam a data sob a perspectiva dos trabalhadores e demais setores explorados.
Embalado pela onda de protestos que tomou conta do Brasil em junho, este ano o Grito, que já está em sua 19ª edição, promete ser ainda mais importante, servindo para, além de aglutinar os setores da esquerda e agitar as reivindicações dos trabalhadores, dar vazão à parte da indignação da população que está indo às ruas.

Por uma verdadeira soberania!
Neste ano, setores como a CSP-Conlutas prometem ir às ruas no 7 de setembro exigir uma verdadeira soberania e questionar a política econômica do governo Dilma, denunciando a entrega do petróleo brasileiro e a privatização da Petrobrás.
Apesar do discurso do governo, a economia do país está cada vez mais desnacionalizada, nas mãos das grandes empresas e banqueiros internacionais. Multinacionais dominam os setores mais importantes, como a indústria, enquanto quase metade do Orçamento vai todos os anos para os bolsos dos investidores da dívida pública.
A presidente Dilma, ao contrário do discurso da campanha eleitoral, acelerou o processo de privatização, entregando setores estratégicos como as rodovias, portos e aeroportos ao capital privado.

Não ao leilão do petróleo
O caso do setor petrolífero é um dos mais escandalosos. O governo Dilma vem avançando em sua privatização, seguindo a política neoliberal de FHC. Se o governo tucano foi responsável por quebrar o monopólio estatal da exploração do petróleo, o PT cumpre o papel de entregar o setor às multinacionais, através dos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Para se ter um ideia, o governo Lula e Dilma juntos já superaram o número de leilões de petróleo realizados pelo PSDB. Enquanto o tucano promoveu cinco leilões, o governo Dilma já realizou seis.A última, a 11ª Rodada de licitações realizada em maio, foi o maior leilão já feito na história do país, arrematando 142 blocos para multinacionais como a Shell, Chevron e Repsol, além da OGX do ex-bilionário Eike Batista.
Agora, está marcado o primeiro leilão do pré-sal. Inicialmente previsto para novembro, o governo antecipou sua realização para o final de outubro. O leilão deve incluir o campo de Libra, na Bacia de Santos, um dos maiores campos de exploração de petróleo do mundo e o maior da história do país. Segundo estimativas da ANP, a área tem potencial para a produção de 14 bilhões de barris, cujo valor pode chegar à surpreendente cifra de 1 trilhão e 400 bilhões de dólares.
São recursos que poderiam servir para resolver problemas estruturais do país, como saúde e educação, mas que irão, fundamentalmente, remunerar as grandes multinacionais do petróleo e fazer ‘superávit primário’, ou seja, retornar ao exterior na forma de pagamento da dívida pública. Enquanto isso, a Petrobrás é cada vez mais desnacionalizada e sucateada.
A luta por uma verdadeira soberania do Brasil passa hoje pela luta contra o pagamento da dívida pública, o domínio das multinacionais e as privatizações e, hoje mais do que nunca, contra o leilão do petróleo do governo Dilma. Informe-se onde ocorrerá o ato do Grito dos Excluídos na sua cidade e entre nessa luta!

Publicado no Opinião Socialista 467


No Rio de Janeiro

No estado do Rio, o Grito tem um significado especial pois também é a continuidade da campanha pelo Fora Cabral, governador que vem numa escalada autoritária. A prisão dos Black Blocks dias antes do ato também significa uma tentativa de intimidação do movimento como um todo. O ato se concentrará a partir das 9h na esquina da Av. Presidente Vargas com Uruguaiana. Confirme participação no evento: https://www.facebook.com/events/1374955492732323/