Da redação local
| Ameaça aos militantes "vermelhos" remete a jargões da época do nazismo |
Na semana do 8 de março, dia internacional de luta da mulher
trabalhadora, o bairro da Lapa foi coberto por cartazes de uma organização
neonazista denominada Combat 18 – Divisão RJ. O “18” é derivado das iniciais de
Adolf Hitler. O “A” e o “H” são a primeira e oitava letras do alfabeto latino.
Em uma clara tentativa de intimidar e provocar os movimentos
sociais, muitos dos cartazes foram afixados nas colunas do prédio onde está
situado o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU. Um dos
cartazes afirma: “Comunistas e
subversivos, o Combat 18 está de olho em vocês.(...) Ninguém será poupado!!!(...) Estejam
preparados pois a única alternativa para vocês é a MORTE!!! (...) Lixo vermelho a sua hora chegou”.
Original da Inglaterra, o Combat 18 tem seções em alguns
países do mundo, entre eles o Brasil. É o braço armado do National Front,
partido inglês de extrema direita nacionalista, fundado na década de 70. Nas
eleições de 1979 recebeu mais de 190 mil votos. Em 2010 apresentou 17
candidaturas nas eleições gerais e 18 nas locais, não obtendo uma única
representação. Possui ligações com os famosos torcedores hooligans e uma rede
de bandas que promovem músicas neonazistas, o Blood&Honour (sangue e
honra).
Na cidade do Rio de Janeiro, o Combat 18 tem aproximadamente
cinco ou seis membros e não possui absolutamente qualquer lastro social. É um
grupo de classe média que esconde seus rostos e são covardes contra aqueles que
julgam inferiores. O blog da Divisão RJexibe os textos “Códigos da Raça
Ariana”; os “25 pontos do Partido Nacional-Socialista Alemão (1920)”; imagens
de espancamentos de moradores de rua negros; cartazes de agitação; além de
inúmeras “teorias” raciais e antissemitas.
Diante de tais ameaças, o PSTU define que:
| Aqui as ameaças fascistas são contra mulheres e LGBT's |
Em primeiro lugar: não toleraremos qualquer tipo de
provocação, ameaça ou intimidação aos nossos e aos demais militantes de
esquerda, movimentos sociais, ou de qualquer organização democrática.
Segundo: procuraremos demais partidos operários, partidos e
entidades democráticas em geral, centrais sindicais e sindicatos, entidades
estudantis, ONGs, quilombos, organizações LGBTs, movimentos sociais e
parlamentares para fazer uma ampla campanha antineonazista.
Terceiro: Iremos também prestar queixa na polícia. Por mais
que o Combat 18 não tenha expressão social, o PSTU entende que devemos nos
precaver de qualquer inciativa desse grupo.
Por último, o Combat 18 não conhece as tradições do
movimento operário. Somos sobreviventes da Guerra Civil Espanhola e dos campos
de concentração nazistas na II Guerra Mundial; vencemos as ditaduras na América
Latina nas décadas de 60, 70 e 80; resistimos aos torturadores do regime
militar. Sob a bandeira da Liga Operária e da Convergência Socialista lutamos
contra a ditadurano Brasil. Em nome daqueles que lutaram e deram a vida
combatendo os fascistas, não toleraremos qualquer tipo de ameaça à nossa organização.
Nos reconhecemos em cada militante que luta contra os planos
de austeridade na Europa, ou contra as ditaduras no Norte da África e Oriente
Médio. Somos homens e mulheres de todas as cores e nacionalidades, de todas as
orientações sexuais e livres de todos os tipos de preconceitos. Nós somos
grandes e não admitiremos que toquem em um só de nossos militantes.