1º de maio com manifestação na região portuária do Rio
A partir da 10 horas deste domingo, 01 de maio, vários ativistas de diversas entidades e movimentos começaram a ocupar a praça no Largo em frente à Igreja do Santo Cristo dos Milagres. Foi assim que começou as manifestações do 1º de maio de luta de 2011.
Cerca de uma hora depois a pequena praça já estava tomada por cerca de 200 ativistas com faixas, bandeiras, cartazes, jornais e panfletos. Em respeito à missa que ocorria no interior da igreja o carro de som não foi ligado até às 12 horas.
Por volta do meio dia o som convocou os cerca dos já quinhentos ativistas presentes para iniciar as atividades.
Como abertura, um grupo de teatro de rua apresentou uma pequena peça, com fortes denuncias as conseqüências das políticas de Dilma Rousseff, Sérgio Cabral e Eduardo Paes. Além da denuncia da carestia e das altas tarifas cobradas pelas concessionárias de serviços públicos, a pequena peça teatral tinha um conteúdo de repúdio as remoções arbitrárias que já vem ocorrendo naquela região da cidade, promovida pela prefeitura, com apoio do governador e da presidente. Estas remoções são efetuadas com a desculpa de preparação da cidade para abrigar os grandes eventos internacionais da Copa e das Olimpíadas. A partir daí e com todos emocionados pela peça teatral, as ruas do Bairro de Santo Cristo foram ocupadas pelos manifestantes, interrompendo o trânsito dos veículos.
A polícia assassina de Sérgio Cabral tentou, mas foi incapaz de interromper a manifestação. Alguns dos seus soldados demonstravam abertamente a simpatia e o apoio à atividade.
Assim com este clima e animação típica dos militantes cariocas teve início à caminhada pela região portuária. No carro de som, que ia ao meio da coluna de manifestantes, as entidades se revezavam em falas e discursos. Entre uma fala e outra os tambores do Grupo Filhos de Gandi lembravam que aquela região da cidade foi ocupada por vários quilombos que lutavam contra a escravatura durante o século XIX. Os discursos que enchiam as ruas falavam da alta dos preços dos alimentos e reivindicava sua redução e congelamento. Falavam do aumento geral dos salários, da paridade e isonomia para os aposentados, exigiam dos governos e dos patrões direitos sociais e trabalhistas. Também o carro de som informava os locais e as batalhas travadas pela classe trabalhadora nos últimos 125 anos. Este corte histórico lembrava do massacre aos trabalhadores em Chicago, nos Estados Unidos, na luta pela jornada de oito horas.
As entidades seguiram todo o percurso falando da necessidade de melhores condições de trabalho, da valorização dos serviços e servidores públicos. Exigindo mais e melhores transporte público, de qualidade e com redução das tarifas, garantido passe livre para estudantes, idosos e desempregados.
Moradia digna para os trabalhadores e contra toda e qualquer remoção que não seja fruto de um plano de obras públicas sob controle das entidades dos trabalhadores foi uma exigência de alguns ativistas das entidades do movimento popular por moradia. Propunham que para financiar este plano e a construção de moradia para os trabalhadores estas e outras entidades exigiam o não pagamento da dívida pública.
A passeata desta forma chegou até o Largo São Francisco da Prainha, onde instalou-se o Ato final deste 1º de maio. Mais uma vez as bandeiras vermelhas, faixas e cartazes ocuparam a pequena praça ali existente. Ali próximo, no pé da ladeira, no local conhecido como Pedra do Sal, já havia uma feijoada com uma roda de samba.
No Largo os partidos políticos iniciavam sua fala. O Presidente do PSTU, Cyro Garcia, membro da Oposição Bancária e da Executiva Estadual da CSP-Conlutas do Rio de Janeiro, iniciou sua fala dizendo que as lutas e mobilizações de resistência, como este primeiro de maio, também foram os métodos de luta, há mais de um ano e que levaram as revoluções que ocorrem nestes dias no norte da África e Oriente Médio. Terminou sua intervenção denunciando o governador e Dilma Rousseff pela prisão arbitrária na manifestação em frente ao Consulado estadunidense, exigindo destes governos o arquivamento do processo.
A ANEL também discursou enfatizando a defesa de uma escola pública, gratuita e de qualidade, o livre acesso ao ensino público do maternal à universidade e o passe livre nos transportes para estudantes, idosos e desempregados.
A CSP-Conlutas lembrou as lutas destes 100 dias do governo Dilma, onde os trabalhadores de várias partes do país têm se enfrentado com este governo como os educadores do Maranhão, do Piauí ou os companheiros dos canteiros de obras do PAC. Terminou sua intervenção exigindo a recontratação de todos os operários demitidos na construção civil por causa da greve. Afirmou que este ato do 1º de maio fortalece as campanhas salariais em curso e todas as lutas do movimento sindical, popular e estudantil.
Fonte: CSP-Conlutas RJ