Cyro Garcia, candidato a governador, e candidatos proporcionais elogiam qualidade das discussões e afirmam que vão abraçar “o programa independente, alternativo e de ruptura com o capitalismo” elaborado no evento.
Apesar de ser véspera do Dia dos Pais, o sábado ensolarado não impediu que o seminário de programa de governo do PSTU-RJ reunisse mais de 170 pessoas para ajudar na elaboração de um programa socialista para ser apresentado pelas candidaturas do partido nas eleições no estado. A exemplo do que fizemos nacionalmente no Seminário Nacional organizado em torno a candidatura de Zé Maria a presidente (leia mais).
Tendo como eixos programáticos os temas Educação, Saúde, Transportes, Violência Urbana e Opressões o seminário foi aberto pelo candidato a governador Cyro Garcia, para quem “este seminário servirá para que o partido, seus simpatizantes e apoiadores, aprofundem o debate sobre as mazelas sociais que atingem a população trabalhadora do Rio e reflitam isso em propostas que sirvam para mobilizar os trabalhadores para mudar de vez esta situação”. Após a abertura os participantes se dividiram em diferentes painéis. Os primeiros, realizados pela manhã, foram Educação e Transportes.
Pela reestatização dos meios de transporte. Não à privatização da educação.
A defesa de uma educação pública e de qualidade para os trabalhadores foi uma das discussões que mais apaixonaram os presentes e com certeza será uma das principais bandeiras das candidaturas do PSTU. Contra a realidade de apartheid social, que impõe uma escola cara e privada para ricos e outra pública e sucateada para os pobres, os participantes reafirmaram bandeiras como a defesa da educação pública, de qualidade, democrática, a valorização salarial dos profissionais de educação e a garantia de verbas públicas só para escolas públicas.
O tema dos transportes também foi muito debatido por trabalhadores do setor e por usuários, como estudantes secundaristas e moradores da Zona Oeste e da Baixada. A garantia e ampliação do passe-livre (para desempregados, por exemplo) e a reestatização dos meios de transporte foram apresentadas como respostas urgentes aos abusos e verdadeiros crimes cometidos contra a população que sofre com os atrasos, e até com a violência de seguranças, cometidos pelas empresas de ônibus, pela Barcas SA, Metrô e Supervia.
Saúde pública e de qualidade e não à criminalização da pobreza
Na parte da tarde os participantes debateram sobre a situação da saúde pública. Além da constatação de que o governo Cabral só piorou a situação nesta área, com políticas equivocadas como as UPA´s, foi identificada a necessidade cada vez maior de unidade entre servidores e comunidade na defesa da saúde pública e de qualidade, garantindo o atendimento médico necessário, o reequipamento e abertura de novas unidades hospitalares. Propostas como a implementação de uma medicina preventiva e a valorização salarial e profissional dos trabalhadores da saúde fluminense foram acrescentadas pelos participantes da atividade.
Outro tema debatido à tarde foi a violência urbana. Na verdade os participantes chegaram a conclusão de que o governo Cabral, assim como seus antecessores, vem aplicando uma política de criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, onde reprime os moradores das comunidades (com a desculpa de combater o tráfico) e quem protesta contra esta política. É um verdadeiro genocídio dos trabalhadores mais pobres, especialmente jovens e negros. A desmilitarização da PM, a democratização da polícia com delegados eleitos pela comunidade e a descriminalização das drogas, com atendimento aos dependentes na rede de saúde, foram as soluções levantadas.
Uma sociedade justa, igualitária e livre das opressões é possível e necessária
Ao final do dia, demonstrando uma preocupação cada vez maior com o tema, foi montada uma mesa única sobre a questão das opressões. Os militantes e simpatizantes presentes a discussão demonstraram a exata noção de que os negros, as mulheres e os homossexuais são os segmentos mais explorados da classe trabalhadora. São as principais vítimas da violência, do desemprego e dos salários rebaixados. Que o racismo, o machismo e a homofobia são ferramentas do capitalismo para ainda mais explorar a classe trabalhadora. Para combater isso será necessário que o programa dos socialistas reflita e saiba dar prioridade as necessidades destes segmentos, ajudando a mover a classe como um todo.
Seminário arma a campanha, mas as discussões continuam
Os participantes saíram do evento com a certeza de que terão uma resposta coerente a oferecer para os trabalhadores e trabalhadoras. Nestas eleições, o PSTU e suas candidaturas vão denunciar o governo de Sérgio Cabral mostrando os ataques aos serviços públicos e servidores, a privatização da educação, o privilégio as empresas de transporte e de saúde, além da repressão como política consciente de criminalização da pobreza.
E o debate continua!
Mas o seminário não terminou. No dia 18/08 (quarta-feira) a discussão sobre petróleo e meio-ambiente, dada a importância do tema em especial no nosso Estado, será a pauta dos debates que discutirá ainda o recente vazamento de óleo que atingiu o litoral da Região dos Lagos. A continuação do seminário será realizado Av. Passos, 34 - Centro - Rio de Janeiro.