Ato de lançamento da candidatura de Zé Maria presidente, reúne cerca de 300 lutadores no auditório da ACM

No Rio, Zé Maria lamentou que não haverá frente classista
Luciana Candido, da redação do Opinião Socialista

• O ato que apresentou as pré-candidaturas de Zé Maria à presidência e de Cyro Garcia ao governo do Estado do Rio de Janeiro reuniu cerca de 300 pessoas na noite desta quarta-feira, 14, na capital fluminense.

O evento aconteceu uma semana depois da calamidade que afetou os trabalhadores do Rio. Por culpa do descaso dos governos, as chuvas provocaram caos e tragédia na vida do povo pobre das favelas.

Todos falaram sobre a situação que vive o Rio há mais de uma semana. Eles manifestaram indignação com a postura dos governos.

Cyro Garcia dedicou parte da sua fala à denúncia dos verdadeiros responsáveis pelas mortes após as chuvas. “É com muita revolta e com muita indignação que a gente tem que se referir a este fato”, disse Cyro.

“Estas mortes não tinham que acontecer, porque, na verdade, a responsabilidade é única e exclusiva dos governantes e dos poderes públicos deste país”, afirmou, lembrando da verba ínfima que o governo federal destinou para a prevenção de acidentes naturais no Rio.

Cyro manifestou revolta com as manifestações dos governos que culpam a população pelas mortes de suas próprias famílias. Para ele, “Querer responsabilizar a classe trabalhadora pelo fato de morar em locais de risco é uma outra face da política de criminalização da pobreza”. Cyro disse, ainda, que o outro lado dessa política é uma “pena de morte informal” que já existe e “vitima comunidades carentes e a juventude negra todos os dias”.

Ele ressaltou que a miséria não é uma opção e que “quem mora em área de risco, não mora lá por escolha, porque acha bacana passar perigo”, mas porque não tem moradia.

Também estavam presentes Heitor Fernandes, carteiro e pré-candidato ao Senado; a professora Vera Nepomuceno, pré-candidata a deputada; Rafael Nunes, candidato a deputado pela Juventude do PSTU; e o petroleiro Claiton, também pré-candidato a deputado.

Mario Sérgio, representando o Coletivo Marxista Paulo Romão, saudou as candidaturas e manifestou apoio. “São fundamentais as candidaturas dos companheiros, com Zé Maria na liderança, para que haja um processo democrático e que, na realidade, vem se dando na defesa da luta dos trabalhadores em todo o país”, disse.

Uma candidatura dos trabalhadores e para os trabalhadores
Zé Maria começou sua fala contrapondo a ajuda milionária que o governo Lula deu aos banqueiros e empresários na crise ao apelo abstrato e cínico que fez a Deus para salvar as vítimas das enchentes. “Essa é a expressão da verdadeira prioridade do governo”, disse, lamentando que o mesmo “se apresente no mundo inteiro como defensor dos pobres”.

O pré-candidato concentrou sua fala no debate sobre a necessidade de os trabalhadores governarem. Defendeu que a esquerda socialista tem o dever de apresentar uma candidatura para dar combate tanto a Dilma, candidata de Lula, quanto à direita tradicional, representada por Serra. “Lula não vai fazer as mudanças, vai governar para os patrões, mas não queremos a volta da direita tradicional”, declarou, e disse que “o PSTU, ao apresentar suas pré-cadidaturas, pretende encarar este desafio”.

Zé Maria afirmou que as candidaturas do PSTU pretendem ser uma expressão das lutas d dia-a-dia e, ao mesmo tempo, um instrumento para fazer avançar a consciência e a organização dos trabalhadores brasileiros para que esses façam as transformações necessárias na sociedade. “A melhor forma que a esquerda tinha para fazer frente a este desafio, era a constituição de uma frente classista e socialista, que unisse PSTU, PSOL, PCB”, disse.

Ele lamentou que a frente, defendida pelo PSTU desde o ano passado, não tenha se constituído “em primeiro lugar, porque não conseguimos, com o PSOL, em particular, nos colocar em acordo com um programa”. ele responsabilizou o PSOL pela inviabilidade da frente: “O resultado é isso que está aí, um partido que não conseguiu sequer se unificar em torno a uma candidatura não tem condição de liderar uma frente se esquerda”.

Zé Maria afirmou que o PSTU também quer o voto, mas não vai trocar a defesa de suas ideias e dos trabalhadores “para eleger meia dúzia ou cinquenta candidatos”. ele também destacou a importância de que a campanha seja financiada pelos trabalhadores, pois “quem paga manda”. Esse foi outro ponto de desacordo com o PSOL, que já aprovou financiamento privado de campanha no Rio Grande do Sul e deixou em aberto esta possibilidade no resto do país.

A campanha do PSTU, disse ele, será modesta, mas não receberá dinheiro de empresários. Contará apenas com o apoio dos trabalhadores, material e militante, e, em troca, fará uma campanha voltada exclusivamente para os trabalhadores, para a lutas dos movimentos sociais e para a construção de uma sociedade socialista.

Para concluir, chamou a todos e todas a se envolver na campanha. Zé Maria saudou a presença de “cada companheiro e companheira, de todos que acreditam na necessidade de uma transformação socialista no nosso pais” nos seminários de programa e na campanha. “Nós precisamos da ajuda de todos e todas”, concluiu.


fotos Flávio Vasconcelos