Professores e comunidade da Zona Sul de São Paulo protestam contra violência nas escolas

Manifestação foi organizada por professores e a seção da Apeoesp Zona Sul


Janaina Rodrigues e Beto de Souza*, de São Paulo (SP)
 



 
    Manifestação em frente à escola onde professora foi agredida

• No dia 20 de junho, por volta das 10h, ocorreu em frente à Fundação Cafu, no Capão Redondo, uma grande manifestação que reuniu professores, estudantes e a comunidade em luta contra a violência nas escolas.

O ato foi organizado pelos professores da escola E.E Tenente Ariston, junto com a Apeoesp seção Sul/Santo Amaro, e reuniu cerca de 2.000 pessoas de 30 escolas da região.

Nossa manifestação tinha como objetivo escancarar a indignação com a agressão sofrida pela professora Genoveva, de 58 anos, dentro da escola David Nasser, e contra todas as formas de violência que professores estudantes e a comunidade sofrem todos os dias, vitimados pela política educacional aplicada pelo governo Alckmin em São Paulo e pelo governo Dilma em todo o país.

Cipeiro reintegrado na Peugeuot se elege para novo mandato

Cipeiro reintegrado na Peugeuot se elege para novo mandato

Elton Corrêa e Tarcisio Xavier, de Volta Redonda (RJ)



• Wagner Silva, mecânico de manutenção da multinacional francesa PSA Peugeot Citroën, com sede em Porto Real (RJ), foi eleito no dia 22 de junho para a da CIPA da montadora, como o segundo operário mais votado.

Wagnão, como é conhecido no chão da fábrica, havia sido demitido no final do mês maio. Foi a forma truculenta que a empresa achou de intimidar os que ousam defender os trabalhadores na busca por condições de trabalho seguro.

A vitória pela reintegração do companheiro só foi possível pela intervenção direta da CSP-CONLUTAS, que soltou milhares de panfletos na região denunciando a situação e dando todo o apoio jurídico ao caso.

Peugeot: Fábrica de lucro e superexploração
A montadora se destaca na superexploração e nos baixíssimos salários, o que a levou ser uma das empresas do ramo instaladas no país que mais cresceu na década de 90. Sua sede pelo lucro é insaciável. Atualmente produz 150 mil unidades por ano e projeta crescer essa produção para 220 mil em 2012, ou seja, uma média de 602 carros por dia. No entanto, nem de longe a participação nos lucros para os trabalhadores reflete esses números. Depois de muita briga, obtiveram uma PLR de apenas R$ 5.500, uma das menores do país.

A Peugeot funciona em 3 turnos ininterruptos e possui 5 mil operários, número totalmente insuficiente para obter essa produção recorde. Esse fato, por um lado potencializa ao máximo a exploração da mão de obra, destruindo com a saúde do operário, e por outro, garante uma altíssima lucratividade.

Congresso da ANEL consolida entidade e prepara campanha em defesa da educação

I Congresso da entidade arma campanha contra o PNE e pelos 10% do PIB para a educação nesse segundo semestre


Da redação
 

  Vinicius Psoa
 
    Detalhe da plenária da ANEL


• Cerca de 1700 estudantes se reuniram entre os dias 23 e 26 de junho em Seropédica (RJ) para o I Congresso da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre, fundada há exatos dois anos. Contrastando com a imagem de alienação e descompromisso que boa parte das pessoas tem da juventude no país, foram 4 dias de intensas discussões políticas sobre os principais problemas dos estudantes e da sociedade em geral.

O congresso contou com a participação de estudantes de 23 estados e importantes entidades como o ANDES e os DCE’s (Diretório Central dos Estudantes) da UFRJ, UFRR, UFRS, UEC, entre outras. Entre os delegados, muitos ativistas LGBT’s, refletindo o destaque dado pela ANEL no último período na luta contra a homofobia. Marcaram presença ainda organizações como o MTL, MTST e o MST, selando a unidade dos estudantes e o movimento popular.

Os bombeiros do Rio de Janeiro também enviaram um representante para saudar o evento. O cabo Benevuto Daciolo, principal dirigente da greve dos bombeiros na cidade, agradeceu a solidariedade ativa prestada pela ANEL na campanha pela libertação dos grevistas presos e durante toda a mobilização da categoria.

O principal saldo do Congresso, porém, é a consolidação de uma entidade nacional dos estudantes, independente dos governos e construída pela base. “Os estudantes que saíram daqui voltaram para casa animados e com a certeza da necessidade de consolidar essa entidade de luta para a juventude brasileira, que seja ao mesmo tempo combativa e realmente democrática”, avalia Clara Saraiva, da Comissão Executiva da entidade.

Contra o PNE e pelos 10% para a educação
O congresso teve mais de 10 mesas temáticas que discutiram assuntos que vão do transporte público à questão ambienta. Os dois eixos principais do congresso, porém, foram a luta contra o novo Plano Nacional de Educação do governo e a reivindicação de que 10% do PIB sejam investidos na educação.

Parada do Orgulho LGBT: a necessidade da politização

Aumenta a pressão pela politização da maior manifestação pelos direitos LGBT’s do mundo. Houve avanços, mas é preciso mais


Wilson H. da Silva, da redação

Fotos Diego Cruz
Coluna do PSTU na Parada

• A edição 2011 da Parada do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis e transexuais) de São Paulo contou, no domingo, 26 de junho, com a participação de uma multidão calculada em 3 milhões de pessoas, apesar da incessante chuva que caiu sobre a capital paulista desde a manhã e se intensificou no início da tarde.

Convocada pela Associação da Parada sob um lema de gosto e conteúdo questionáveis – “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia” – o evento tinha como de seus principais objetivos, segundo a ONG que o organiza, “pedir uma trégua aos setores religiosos contra iniciativas que garante os direitos para a comunidade LGBT”, particularmente a aprovação da PLC 122, que criminaliza a homofobia e vem sendo bloqueada pela chamada bancada evangélica no Congresso.

Como criticamos há anos, mais uma vez, em função do formato e da política adotados pela Associação, a Parada foi marcada por um tom excessivamente “carnavalesco”, que muito destoa das origens do movimento, que tem em suas raízes a Rebelião de Stonewall, ocorrida em 28 de junho de 1969, em Nova York.

O problema está longe de ser o tom festivo do evento, já que gays, lésbicas, bissexuais e travestis e transexuais têm, sim, o direito não só de se divertir mas, acima de tudo, de se expressar de acordo com seus padrões de cultura e comportamento.

O que sempre criticamos, e continuaremos fazendo, é o fato de que o evento seja organizado em função dos gigantescos “trio-elétricos” colocados na rua por boates e empresas que lucram com o “pink money”. Uma opção que, ao lado das alianças políticas (com a prefeitura, os governos estadual e federal), contribui em muito para a despolitização do evento, na medida em que praticamente inviabiliza manifestações e protestos.

Grécia: o parlamento de um lado e os trabalhadores e o povo de outro

Para derrotar o novo pacote de cortes e privatizações, só resta lutar para derrubar o governo


De José Moreno Pau, de Barcelona

Confronto entre manifestantes e policiais em Atenas

• O governo de Papandreou tem o apoio dos deputados, mas não da população. As novas medidas que a União Europeia e o FMI exigem para entregar o dinheiro que já haviam prometido vão prejudicar ainda mais a economia grega e, sobretudo, os trabalhadores e os setores mais desfavorecidos.

O pacote aprovado há um ano em troca do “resgate” pressupôs o corte dos salários do funcionalismo em 15% e até 30% dos trabalhadores das empresas públicas. As pensões foram rebaixadas em 10% e se aumentou a idade para a aposentadoria das mulheres, de 60 para 65 anos. Além disso, demitiu-se 2 mil professores no fechamento ou fusão de colégios e se aumentou IVA (imposto). Essas medidas draconianas serviram ao executivo heleno não para sair da crise, mas para honrar os prazos e os juros da dívida. Um ano depois a situação econômica da Grécia não só não melhorou como segue piorando. Ao cortar os investimentos do Estado e os salários da população a economia invariavelmente se retrai. O desemprego oficial passou de 11,7% para 15,9% no último ano; sendo que entre os jovens chega a 30,5%, e 35,8% entre as mulheres.

Mas para a banca internacional e a Alemanha e França em particular, não importam que a economia grega siga piorando pelas medidas que lhes foram impostas, o que querem é que se garanta o pagamento da dívida que eles mesmos geraram. Os novos créditos que o governo grego obtém são a juros cada vez mais altos. A Grécia tem que pagar juros 5 vezes mais alto que os da Alemanha e com uma economia quase em bancarrota. O mecanismo é o seguinte: o Banco Central Europeu e o FMI dizem à Grécia ‘vou te emprestar dinheiro para que nos paguem o que nos devem, mas agora vocês vão nos pagar mais’. Enquanto isso faz com que sigam comprando armamentos desses países. Grécia aumentou o investimento militar no ano passando chegando a porcentagem mais alta dos países da OTAN, só abaixo dos EUA.

Bombeiros voltam a acampar na ALERJ

Após ato em que exigiram anistia aos 439, bombeiros voltaram a ocupar as escadarias da ALERJ

Após ato que reuniu mais de 500 pessoas e contou com a solidariedade de outras categorias de servidores do estado como profissionais de educação, trabalhadores da saúde, servidores da UERJ e outros, os bombeiros do Rio decidiram voltar a acampar nas escadarias da ALERJ.

O PSTU esteve mais uma vez presente com a sua militância. Cyro Garcia, presidente do partido no RJ, e Gualberto Tinoco "Pitéu" também estiveram presentes ao ato. Para Cyro, "as principais exigências são anistia imediata e irrestrita a todos 439 presos, nenhuma perseguição aos trabalhadores em luta, reajuste salarial imediato e fim da política de abono". Os bombeiros programam outra caminhada para o dia 26/06, com concentração a partir das 9h no Castelinho do Flamengo (veja aqui o evento).

O calendário de lutas segue nessa sexta-feira (17/06) com a realização da marcha da educação, que entra na 3ª semana de greve. A marcha terá concentração a partir das 10h na Igreja da Candelária e seguirá em direção à Secretaria de Planejamento e Gestão (SEPLAG). Para Vera Nepomuceno, Coordenadora-geral do SEPE/RJ, "será mais uma tentativa da categoria estabelecer um canal de negociação com o governo Cabral, apesar deste continuar se recusando a atender às reivindicações".

Confira aqui algumas fotos do ato de hoje.

Os dias em que o Rio se tingiu de vermelho

Bombeiro durante manifestação na orla de Copacabana
Miguel Malheiros

Mobilização abre oportunidade de se debater a necessidade da desmilitarização dos bombeiros e da polícia, ao mesmo tempo que mostra que lutar não pode ser visto como crime

Manhã do dia 4 de junho de 2011. As imediações do agradável Campo de Santana, cenário onde as cotias e os gatos passeiam bucolicamente ao lado de um casal de pavões, estão ocupadas por tropas da Polícia Militar, comandadas diretamente pelo Estado Maior.

Diante da possibilidade de parcelas significativas do Batalhão de Choque da PM descumprir a ordem – o governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB e aliado do governo Dilma), ordena que a tropa de elite da PM fluminense, o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) invada o Quartel Central do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

Com tiros de fuzil, bombas, gás lacrimogêneo, pulando muros e forçando portões, os homens de preto invadem o histórico prédio. A segunda casa dos bombeiros do Rio é invadida e ocupada pelo BOPE. O resultado: mulheres e crianças feridas. Com sua truculenta ação Sergio Cabral é responsável pela perda de uma vida: uma das mulheres sofreu um aborto.

Mesmo assim os Bombeiros impõem, em meio à invasão, uma derrota moral a Cabral e ao Alto Comando da PM: só aceitam se render como tropa. 439 bombeiros presos. Entre eles homens e mulheres que estiveram à frente do resgate às vítimas do descaso de Cabral e de outros governantes na Região Serrana, quando das chuvas e deslizamentos de terra que só não causaram mais vítimas graças à ação da população e a abnegada ação dos bombeiros.