Internação Compulsória: Política de Saúde Pública ou Higienização Social?



Temos acompanhado cotidianamente notícias sobre o aumento do consumo de crack no Brasil. São cenas marcantes de adultos e crianças consumindo crack e sendo consumidos por ele. Estima-se que hoje mais de um milhão de pessoas sejam dependentes desta droga, com as consequências sociais, físicas, psicológicas e familiares já conhecidas.

Sob o pretexto de conter o aumento do consumo no município do Rio de Janeiro, a prefeitura Eduardo Paes optou pela adoção da internação compulsória de dependentes de crack pobres e moradores de rua. Para tal anunciou a criação de 600 leitos destinados à internação compulsória de adultos dependentes da droga, com possibilidade de uma bolsa-auxílio de R$ 350,00 a R$ 900,00 para que os familiares tenham condições de dar continuidade ao tratamento, após a internação.

Para a prefeitura, os dependentes de crack são compreendidos como adictos (dependentes) de crimes para sustentar seu vício, sendo assim a solução para este grave problema de saúde pública será a exclusão destes do espaço público, ignorando sua vontade, as causas sociais e, ainda, criminalizando os dependentes.

Da perspectiva da saúde pública, ao considerarmos as proposta progressivas da reforma psiquiátrica brasileira, a internação involuntária e compulsória é um retrocesso. A opção pela internação em instituição terapêutica deve ser considerada e respeitada, mas desde que seja avaliada caso a caso – e jamais adotada como uma política pública de saúde com aplicação em massa. Terapeuticamente, o modelo de assistência pautado em exclusão social, tutela, isolamento com longas internações e falta de trabalho intersetorial já se mostrou ineficiente, ou seja, esta é uma política pública de saúde falida.

Políticas como a internação compulsória desconsidera que a doença mental também é uma produção social, ou seja, consequência do modo de produção capitalista com suas desigualdades e mazelas econômico-sociais as quais gera grande sofrimento e adoecimento humano.

A reforma psiquiátrica brasileira propôs os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) como recurso terapêutico prioritário no tratamento dos usuários da saúde mental. Segundo o Relatório de Gestão do Ministério da Saúde de 2011, até este ano foram implantados no Brasil inteiro 1.742 CAPS, sendo que desses, apenas 41 funcionam 24h, 105 são voltados para saúde mental infantil (CAPSi) e apenas 200 para usuários de álcool e drogas. Serviços de saúde mental especializados são muito caros, pois envolvem muitos gastos com mão de obra qualificada, chocando-se com a política restritiva imposta ao SUS. Ou seja, da perspectiva sanitária, é impossível tratar a dependência de crack com um sistema de saúde pública defasado, subfinanciado e cada vez mais nas mãos dos empresários da saúde.

O Estado brasileiro desde muitos anos ignora o direito à saúde, e com isso, o direito de dependentes de álcool e drogas ao tratamento, conferindo esta responsabilidade a grupos religiosos e organizações ditas sem fins lucrativos como ONG e Organizações Sociais (OS), que atuam de maneira voluntária movida por caridade ou ainda, como sócios do Estado por meio das parcerias públicas privadas, denominadas “Comunidades Terapêuticas”.

O programa “Crack é Possível Vencer” lançado pelo governo federal mantém a lógica da privatização ao prever um investimento de R$ 4 bilhões de financiamento público para as comunidades terapêuticas. Essas mesmas Instituições são alvos de denúncias graves por maus tratos, cárceres privado, trabalho forçado, humilhações e ausência de cuidados de saúde. Além da parceria do governo federal estas contam com uma forte bancada de representação no legislativo.

No caso do Rio de Janeiro a política antidrogas é também pautada como caso de segurança pública, com fortes ações repressivas e violação aos direitos humanos. Ao contrário de uma preocupação sanitária, tem ganhado status de política de remoção do espaço público não apenas de usuários de crack, mas também de moradores de rua. Assim, algumas centenas de crianças, jovens e adultos são confinados em depósitos humanos, ou melhor, cracolândias institucionalizadas, sem recursos de saúde, perspectiva de cura ou ressocialização, e assim podem continuar a consumir o crack longe dos olhos críticos da sociedade.

A dependência de crack é uma doença que não se trata com religião e tampouco com polícia, mas com serviços e profissionais de saúde qualificados. O modelo ideal para abordagem em saúde mental necessita de um sistema de saúde público estatal e integrado, no qual os usuários de drogas possam ser tratados próximos a sua casa e comunidade, como serviços especializados, um amplo arsenal terapêutico ao seu dispor e acompanhamento contínuo dos serviços de saúde. Além de exigir a aplicação de políticas intersetoriais para que seja possível a ressocialização destes indivíduos.

Somos contrários à política de internações compulsórias, pois além de ser ineficiente como ação de saúde pública tem se configurado como uma política pública de higienização do espaço público dos grandes centros urbanos, e receamos que se configure numa política de eliminação física dos setores mais empobrecidos da classe trabalhadora que não tem sequer quem chore ou reclame por suas vidas. No sistema capitalista os governos de plantão têm lado, e este não é ao lado dos trabalhadores. Ou será que a prefeitura internará os dependentes de crack da classe média e da elite carioca?

A dependência em crack é um mercado, assim como todo o consumo de droga sob o capitalismo. As drogas são mercadorias, e o tráfico se organiza como uma empresa que objetiva o lucro, que inclusive explora trabalhadores precarizados sob o regime do medo. Um cartel que comanda a distribuição e a venda. Por outro lado, o Estado hipócrita finge combater essa realidade com intensificação da repressão.

Deste modo, uma política pública que realmente objetivasse combater o consumo do crack seria a legalização das drogas. Assim, o governo deixaria de gastar bilhões em policiamento e repressão e arrecadaria outros bilhões com os impostos de quem comprasse drogas em locais legalizados, o que tornaria o tráfico residual e geraria recursos para aplicar no tratamento de qualidade dos dependentes químicos e políticas de educação em saúde para evitar que as pessoas se tornem dependentes. Com esta medida, o Estado teria que criar mecanismos de regulação e controle do consumo, deste modo, uma droga como o crack que é um lixo, impura e devastadora poderia ser banida da face da terra.

Em última instância, tratar o aumento do consumo de crack é devolver a condição humana e perspectiva de futuro a milhares de brasileiros que hoje se drogam não por curtição, mas para suportar a miséria de vida que lhes é imposta pelo modo de produção capitalista, situação que tende a se agravar em tempos de crise econômica.

Por tudo isso, o PSTU defende:

1.      Um sistema de saúde público, estatal, laico e de qualidade;

2.   Ampliação da rede de CAPSAD (álcool e drogas) com atendimento 24 horas, e internações de curto prazo, quando necessário, incluindo o atendimento à população de rua;

3.      Reintegração social dos usuários de crack, com a implementação de um amplo plano de empregos e moradias populares;

4.      Descriminalização e legalização das drogas.


Governo Cabral quer destruir todo o complexo esportivo e cultural do Maracanã!




 
Os cerca de 3 bilhões de lucro que esperam os empresários com a privatização do Maracanã estão pressionando nosso ditador Cabral a ousar na repressão à população carioca e fluminense. O governo quer destruir um prédio histórico de relevante importância para preservação da cultura indígena, uma escola pública considerada modelo, um complexo esportivo fundamental para os atletas e para a comunidade do bairro que o utiliza para atividades esportivas para supostamente atender as exigências da Fifa. Tudo isso acontece com apoio de Eduardo Paes e Dilma, que se calam diante do sofrimento dos trabalhadores, que perderam seus empregos, dos alunos, que perderam sua escola, e dos atletas, que não têm mais lugar onde treinar.

Esse fim de semana foi de muita luta nos entornos do Maracanã. Professores, atletas, ex-atletas, movimentos populares e indígenas estiveram presentes nos locais, protestando contra mais um absurdo do governo do estado. Estivemos lado a lado de centenas de ativistas na defesa da Aldeia Maracanã, do Estádio de Atletismo Célio de Barros e de todos os atingidos pela venda do patrimônio histórico, imaterial e não dimensionável do futebol do Rio e do mundo.

Não podemos deixar que o Rio de Janeiro se transforme numa marionete que os seus dirigentes movimentam como quiser. A luta continua e tem que ampliar essa semana. Completa-se um ano da brutal desocupação do Pinheirinho, e os trabalhadores seguem sendo massacrados, seja na periferia de SP por Alckmin, seja nas favelas e ocupações por Cabral.

A realização de grandes eventos em nosso país tem que servir para o desenvolvimento social do país, e não para enriquecer os já bilionários megaespeculadores.

• Não à demolição da Aldeia Maracanã, do Célio de Barros, do Julio Delamare e da Escola Friedenreich;
• Pela reforma do prédio pelo governo e construção de um verdadeiro Museu do Índio na Aldeia Maracanã gerido pelos indígenas;
• Pela imediata suspensão da privatização do Maracanã e ruptura dos contratos com as empreiteiras envolvidas
• Pela democratização do acesso à cultura;
• Em defesa do Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros;
• Esporte não é mercadoria. Pela regulamentação do esporte para fins sociais.




Batalhão de Choque cerca a Aldeia Maracanã



Apesar das inúmeras manifestações de repúdio por diversas entidades, o governo do estado não recuou em seu propósito de demolir o prédio da Aldeia Maracanã, antigo Museu do Índio. Hoje de manhã o local foi cercado pelos Batalhão de Choque que está aguardando uma liminar que autorize a desocupação do local. Esta seria mais uma destruição de um patrimônio da cidade por causa da Copa do Mundo.

Há nesse momento cerca de 300 ativistas e indígenas resistindo à desocupação. A polícia bloqueou a entrada do prédio, e as pessoas estão pulando o muro. Há uma perspectiva de que a liminar seja concedida amanhã pela manhã. Portanto, é muito importante que todos estejam presentes.

Ás 18:00 haverá ato no local em defesa da conservação do prédio.

Chuvas no Rio: Mais uma vez, população é vítima do descaso dos governos

                                                  Van cai em rua alagada do bairro de Xerém, em Duque de Caxias


Mal chega o ano de 2013 e as tragédias naturais já tomaram conta do estado do Rio. Desta vez, são as cidades de Angra dos Reis, Belford Roxo, Duque de Caxias, Petrópolis e Teresópolis que sofrem com o descaso dos governos.

Neste período, a população do Rio sofre com as chuvas de verão. De poucos anos para cá houve, deslizamentos em diversos morros da Cidade Maravilhosa, no morro do Bumba em Niterói, além da tragédia na Região Serrana, todos com o mesmo saldo: pessoas mortas, desaparecidas, desalojadas, muitas vezes perdendo tudo que tinham. Apesar da recorrência, nada é feito pelos governos municipais, estadual e federal.




Todos devem se lembrar do drama vivido pelos moradores da Região Serrana afetados pelas chuvas que fizeram desabar morros inteiros durante aquela sinistra madrugada de 12 de janeiro de 2011, matando milhares de pessoas. Quando estouraram os fatos, os políticos de plantão logo vieram à luz das câmeras e holofotes da mídia para culpar a natureza, esquecendo-se de que foram e são responsáveis pelo caos provocado pelas chuvas. Realmente, a chuva não pode ser evitada, é um fato. Mas isso não pode servir de desculpa para a apatia de governos omissos e corruptos.

Sabe-se que existem tecnologias e medidas, desde as mais simples às mais complexas, para prevenção de desastres naturais que já deveriam estar em pleno funcionamento em todas as cidades do país e não estão. Infelizmente, quem paga o preço é o trabalhador, que não pode morar num terreno que ofereça segurança e é empurrado para os piores lugares para se viver nas cidades: encostas e despenhadeiros sem o mínimo de condições de serem habitados.

Os recursos provenientes do governo federal são escassos, e são, muitas vezes, desviados, como ficou evidente em Nova Friburgo. Em 2011, o governo da presidente Dilma orçou os insuficientes R$ 442,5 milhões para o Programa de Prevenção e Preparação para Desastres, quando, na verdade, se precisaria de muito mais num país de dimensões continentais que todo ano é atacado pelas chuvas, secas, geadas, queimadas e erosões de todo tipo. Para piorar a situação, o governo federal executou apenas 40% do referido valor, sendo que ao estado do Rio de Janeiro se destinou apenas 0,6%.

Não podemos mais deixar que aconteça novamente o que aconteceu na Região Serrana, onde dois anos depois das enchentes nenhuma casa foi entregue aos desabrigados. Nós, do PSTU, somos solidários à população das áreas atingidas e convocamos os trabalhadores a organizarem-se para garantir seus direitos.

Baixada: trabalhadores são as vítimas
Dessa vez, Duque de Caxias foi o município que mais sofreu com essas primeiras chuvas do ano. Os rios Saracuruna, Inhomirim e Capivari transbordaram devido ao excesso de chuvas. Em Xerém casas foram destruídas, ruas sumiram, há pessoas desaparecidas e mortas.

As autoridades afirmam que a tragédia em Duque de Caxias foi fruto de uma cabeça d’água, ou seja, acúmulo de água que aumenta o nível dos rios e desce em forma de enxurrada arrastando tudo que vê pela frente, incontrolável. Entretanto, se esquecem de mencionar também são responsáveis pelas consequências desse fenômeno.

É sabido que o lixo não é recolhido de forma correta há meses em Duque de Caxias, ficando entulhado pelas ruas. Esse lixo dificultou o escoamento da água e, junto com a lama, invadiu ruas, destruiu casas e matou pessoas. Por isso, ao contrário do que querem fazer crer as autoridades, nada disso é fruto dos desvarios da natureza ou destino divino. O ex-prefeito Zito está com as mãos sujas desse sangue, pois até o dia 31 de dezembro de 2012 era o responsável pelo acúmulo de lixo pela cidade que, além de ajudar a causar a tragédia, ainda piorou os seus efeitos, trazendo sérios riscos de doença para a população.

O governo do Estado, de Sérgio Cabral, chega ao seu sexto ano batendo todos os recordes quando o assunto é descaso com os riscos das chuvas de verão. A tragédia de Xerém se junta a tantas outras com o mesmo desfecho: morrem centenas de pessoas, famílias perdem tudo e não se faz nada.

Os políticos responsáveis pela aplicação das verbas na prevenção de acidentes naturais, coletas de lixo e saneamento básico que não o fizeram devem ser responsabilizados pela tragédia e presos.

História se repete em Teresópolis e Petrópolis
Mais uma vez a tragédia bate à porta de Teresópolis e Petrópolis. Essas cidades atravessam novamente um período difícil com chuvas fortes, que provocam deslizamentos de terras, mortes e destruição. Fica evidente o descaso dos governos que seguem no poder na cidade.

Arlei Rosa (PMDB), atual prefeito de Teresópolis, era vereador na época da tragédia em janeiro de 2011, quando o então prefeito Jorge Mário (PT), cassado por corrupção, permanecia no executivo. O que esperar de um governo que participou e foi conivente daquele caos? Até hoje não existe uma casa sequer construída para os afetados que perderam suas residências naquele ano. E já estamos em 2013! Exatamente dois anos vão se completar, e nada...

As notícias que chegam de Petrópolis e Nova Friburgo também mostram que nada é feito para prevenção de desastres naturais. Além das chuvas de dois anos atrás na região serrana que provocou um dos maiores desastres naturais do Brasil, em 6 de abril de 2012, mais chuvas provocaram mortes e destruição em Teresópolis. Diversos pontos foram atingidos, mas é como se nada tivesse acontecido. Um dos bairros mais afetados, Santa Cecília, onde inclusive uma senhora perdeu sua vida, nada foi feito, além de asfalto na época de campanha, a instalação de sirenes e uma placa que faz alerta sobre riscos das chuvas de verão.

Agora as chuvas estão voltando. Se dependermos da vontade dos governos municipal, estadual e federal, a tragédia se repetirá.

Diante do estado de urgência o PSTU propõe
– Executar um plano de obras públicas para prevenir novos deslizamentos, limpeza e canalização de rios e córregos e obras de escoamentos das chuvas.

– Reconstruir imediatamente hospitais, escolas, creches, pontes.

– Construir de moradias populares com investimento maciço em saneamento básico em quantidade suficiente para combater o déficit habitacional e a especulação imobiliária, garantindo moradias dignas, seguras e gratuitas para os trabalhadores.

– Promover uma ampla campanha de vacinação em massa para evitar a proliferação de doenças como cólera, febre amarela, leptospirose etc.

– Abrir os hotéis das regiões em que haja desabrigados para acolhê-los enquanto não tiverem uma moradia segura.

– Repudiar a criminalização da pobreza. Os moradores das áreas de risco não são os responsáveis pelos deslizamentos e nem moram em despenhadeiros porque gostam. Com um salário mínimo de R$ 678, é impossível morar em local digno e seguro.

ATO PÚBLICO EXIGE: LIXÃO, FORA DE HONÓRIO GURGEL!


Sábado, 8 de dezembro, 10 horas da manhã!
Sob um sol de mais de 40 graus, adultos, jovens, idosos e até crianças, todos moradores dos bairros e comunidades de Honório Gurgel, Coelho Neto, Jorge Turco e adjacências resolveram dar um basta em mais uma arbitrariedade da prefeitura de Eduardo Paes: a instalação de um lixão na região, que tem degradado a qualidade de vida dos habitantes e provocado até morte de funcionários.
Vivendo em uma região com um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos mais baixos do município os manifestantes, organizados pela Associação Pró-melhoramentos de Honório Gurgel, pela Associação de Donas de Casa de Honório Gurgel, pela CSP-Conlutas e pelo Movimento Nacional Luta Popular; depois de se concentrarem em frente à Vila Olímpica, fecharam meia pista da Rua Uruaí (uma de suas vias principais).
Após um tempo fazendo apitaço e divulgando os motivos do protesto junto a pedestres e motoristas, todos se dirigiram em caminhada pelas ruas do bairro até o local do lixão, localizado em plena em plena Avenida Brasil (a mesma que inspirou a recente novela da Rede Globo, ironicamente, também sobre um lixão).  
Por pelo menos meia hora os ativistas impediram a entrada de novos caminhões contendo lixo e levaram sua solidariedade aos trabalhadores da Cytrus e da prefeitura, muitos também moradores da região, pela morte recente colegas de trabalho.

Lixão instalado com aval da Prefeitura, fede e mata!
Funcionando há mais de seis meses sob administração da empresa Ciclus, a chamada estação de Tratamento de Resíduos Sólidos, na verdade é um lixão que recebe 8 toneladas diárias de lixo e comete verdadeiros crimes sócio-ambientais: exala fedor insuportável pelas redondezas, provocando náuseas e enjoos, principalmente em crianças e idosos;  ocasiona o aumento populacional de  vetores (transmissores de doenças)  como ratos, baratas e outros insetos; e com isso, provoca o surto de doenças.
Além disso, “estação de tratamento” da Ciclus já provocou a morte de dois funcionários, um morto em explosão de recipiente de gás metano e outro, acreditem; afogado em chorume (líquido pútrido resultante da decomposição do lixo). Há, ainda, denúncias de que até hoje a empresa e a prefeitura não liberam as indenizações que as famílias têm direito. Ou seja, além de tratar mal os moradores da região, empresa e prefeitura tratam pessimamente seus trabalhadores.
Por tudo isso, é preciso apoiar esta luta dos moradores de Honório Gurgel, Coelho Neto, Jorge Turco e região.
Vamos ser solidários divulgando esta vergonha e participando da campanha pela retirada imediata do lixão!
veja mais imagens do ato



Um dos maiores estádios do mundo pode ser privatizado pelo governo de Sérgio Cabral

O 'Maraca' é nosso! Contra a privatização e pela democratização do acesso à cultura

Thiago Hastenreiter, Rio de janeiro.

Ato no dia 1° contra a privatização do Maracanã
 O futebol nem sempre foi um esporte popular. Ao contrário, sua origem foi extremamente aristocrática e racista, mas as massas trabalhadoras trataram de se apaixonar e tomar para si, o que mais tarde se tornaria um pilar da identidade nacional.

Agora, os velhos senhores travestidos de modernidade e munidos de um discurso modernizador querem transformar em mercadoria a alegria do povo e privatizar o Maracanã.

A reforma que está sendo feita no (ex) Maior do Mundo vai na contramão das tradições populares das arquibancadas. O maior público já recebido foi, aproximadamente, 200 mil pessoas na década de 1950, mas, após sucessivas reformas, a capacidade oficial hoje do estádio caiu para 78 mil. A antiga “Geral” foi extinta. O preço do ingresso subiu.

Torna-se cada vez mais claro que os sucessivos governos estão insistentemente tentando elitizar mais uma vez o futebol. Mas como se tudo isso não bastasse, o governador Sérgio Cabral - apoiado pelo prefeito Eduardo Paes e presidenta Dilma - quer privatizar o Maracanã, entregando por 35 anos o templo do futebol ao arquibilionário Eike Batista.

As condições que se darão a privatização, ou melhor, a doação são inacreditáveis: Pela cessão do Maracanã, o Estado do Rio de Janeiro receberá mesmo só 33 parcelas de R$ 7 milhões pela outorga, ou seja, R$ 231 milhões. Isso é 26,5% de quanto já foi comprometido com a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014 (R$ 869 milhões) ou 18% do total gasto nas três últimas reformas (R$ 1,279 bilhão, com obras para o Mundial da Fifa de 2000, Pan de 2007 e Copa). Enfim, o dinheiro recebido pelo estado não paga nem mesmo a reforma.

A reforma prevê ainda a destruição do histórico Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros (ambos inaugurados na década de 70). Nomes do esporte olímpico como Maurren Magi (maior nome do atletismo feminino brasileiro e medalha de ouro em Pequim) e Mariana Brochado (nadadora) estão na campanha contra as demolições.

Nem mesmo o antigo Museu do Índio, onde residem cerca de 60 indígenas, e a Escola Municipal Friedenreich vão escapar. Segundo as estatísticas do Ideb a E.M. Friedenreich é a quarta melhor escola da cidade e a sétima melhor de estado. O projeto de reforma do Maracanã também prevê demoli-los para construção de estacionamentos, shopping e até mesmo um heliporto para os altos dirigentes da FIFA e da CBF. Um escândalo!

A união dos movimentos sociais pode virar esse jogo! A população não é boba e está percebendo que enquanto os empresários de ônibus e empreiteiros lucram uma enormidade, o povo trabalhador paga uma fortuna por um transporte de péssima qualidade e está perdendo o acesso à cultura, ao lazer, à saúde e à educação. Chega!


  • Pela imediata suspensão da privatização do Maracanã;
  • Pela democratização do acesso à cultura;
  • Em defesa do Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros;
  • Em defesa do antigo Museu do Índio e da comunidade indígena que ali vivem;
  • Esporte não é mercadoria. Pela regulamentação do esporte para fins sociais.