Greve continua na Bahia e se alastra para o Rio

Jornal Nacional, noite de 8 de fevereiro. Enquanto um grupo de 350 policiais grevistas eram sitiados na Assembleia Legislativa da Bahia por forças do Exército, o telejornal de maior audiência do país veicula gravações telefônicas ‘autorizadas pela Justiça’ dos líderes da mobilização. Na gravação, dirigentes como Marcos Prisco e o cabo Benevuto Daciolo, liderança da greve dos bombeiros no Rio, aparecem articulando o movimento ou, na linguagem da Globo, ‘combinando atos de vandalismo’.

Instantes depois, o Exército reforça o efetivo que cerca os grevistas. Helicópteros dão rasantes no céu para intimidar. Não há dúvidas: a ordem é fazer a reintegração do prédio ocupado. Poucas horas depois, o cabo Daciolo é preso assim que pisa no aeroporto do Rio retornando da capital baiana. Os fatos mostram claramente. Rede Globo, Polícia e Governo Federal e os da Bahia e Rio, articularam uma ação sem precedentes de repressão para pôr fim à greve da Polícia Militar na Bahia e, principalmente, impedir que o movimento se alastre para outros estados.

A data não foi escolhida por acaso. No dia seguinte, policiais e bombeiros do Rio realizariam uma assembleia em que votariam a greve. Era preciso bater forte naquele momento. Na manhã do dia 9, os policiais baianos deixam a Assembleia após oito dias de ocupaçãopara impedir um banho de sangue e Prisco, principal dirigente da categoria no estado também é preso, junto com outros três lideranças.

Greve continua
No decorrer do dia 9, porém, o movimento dá sinais de força na Bahia. O enorme aparato repressivo deslocado pelo Governo Federal para pôr fim à greve, que incluiu 2 mil homens do Exército, só serviu para atiçar mais ainda a indignação dos policiais. Em Salvador, os policiais vão direto da Assembleia Legislativa para a sede do Sindicato dos Bancários e lá, em assembleia e diante da intransigência do governo Wagner, decidem continuar o movimento de greve.

“Ôôô, a PM parou... a culpa é do governador”, entoam os mil policiais presentes na assembleia. “A desocupação não nos derrotou, a campanha da mídia contra a greve não irá nos vencer; a PM parou e a culpa é do governador”, declarou à reportagem do Opinião Socialista um dos policiais. No final do dia, o governo Wagner anunciava o corte no ponto dos grevistas.

No mesmo momento no Rio de Janeiro, algo como sete mil policiais civis, militares e bombeiros se reuniam e lotavam a praça da Cinelândia para decretarem a greve. Entre as principais reivindicações estava a não punição aos colegas baianos e a libertação imediata do cabo Daciolo. O presidente do PSTU no Rio, Cyro Garcia, levou a solidariedade à mobilização dos policiais e responsabilizou o governo Cabral pela greve. O partido distribuiu 10 mil panfletos de solidariedade à mobilização e outros milhares de adesivos denunciando a postura ditatorial do governo carioca.

Cyro: “Greve é um direito”
“A greve é um direito ou não é?”, perguntou Cyro à multidão. Diante do uníssono “sim”, Cyro questinou: “PM é trabalhador, sim ou não?”. Com a afirmação, emendou: “Se a greve é um direito do trabalhador e os policiais são trabalhadores, então vocês tem todo o direito de fazer greve”, sendo muito aplaudido. Para Cyro, “a mesma burguesia que nega aos policiais o direito de greve, utiliza essa mesma polícia para cometer arbitrariedades como foi o caso da brutal desocupação do Pinheirinho, ou como ocorre quando o governo reprime qualquer greve ou mobilização”.

Para Cyro, é necessário mudar esse caráter da polícia, que hoje defende os direitos e interesses dos ricos, como do especulador Naji Nahas em São José dos Campos. O dirigente terminou sua fala puxando uma palavra de ordem que foi cantada por todos: ‘Sérgio Cabral, seu ditador/liberte Daciolo, que é trabalhador’.

Os policiais aprovaram a greve por unanimidade, com o aquartelamento das tropas a partir desse dia 10. Policiais de estados como Pará, Paraná, Alagoas e Rio Grande do Sul também ameaçam cruzar os braços.


Leia também




  • Fonte Portal PSTU [10/2/2012 12:16:00]

    Liberdade imediata a Daciolo e policiais presos na Bahia

    O Governo Federal, articulado com os governos de Jaques Wagner (PT) e o de Sérgio Cabral (PMDB), empreende uma repressão sem precedentes contra a mobilização dos policiais. Truculência com direito a escutas telefônicas e espionagem como nos tempos da ditadura. A presidente Dilma chegou a ir à TV afirmar que é contra a anistia aos policiais grevistas.

    Em uma das conversas interceptadas pela Polícia Federal e divulgada em primeira mão pela Globo, aparecem o cabo Daciolo conversando sobre a mobilização dos policiais no Rio com a deputada estadual do PSOL, Janira Rocha, sendo que os policiais no estado sequer haviam entrado em greve ainda. Isso mostra que a prática do grampo contra movimentos de greve é generalizada. Daciolo foi preso pelo ‘crime’ de ‘incitamento’ a motim e a deputada pode enfrentar até mesmo a perda do mandato.

    É preciso rechaçar fortemente essa repressão digna das piores ditaduras e exigir do governo Dilma a libertação imediata de Daciolo, Prisco e demais dirigentes presos. Exigir ainda a retirada das tropas federais do Rio e a abertura de negociações com os policiais grevistas.

    Unificação e desmilitarização da polícia
    A mobilização dos policiais que se alastra pelo país mostra ainda a necessidade da unificação da polícia e a desmilitarização da Polícia Militar, com o pleno direito de organização e sindicalização dos policiais.

    A proibição da sindicalização da categoria visa manter a polícia como um aparato de repressão à greve dos trabalhadores e às lutas sociais. Também é necessário criar uma nova polícia, organizada de forma radicalmente diferente da atual. Seus comandantes ou delegados deveria ser eleitos pela população da região onde atuam. É uma forma democrática de comprometer esses comandantes com a população local.

    Para o PSTU, a luta dos policiais civis, militares e dos bombeiros que se alastra pelo país deve servir de exemplo ao restante dos trabalhadores.

    Fonte Portal PSTU [10/2/2012 12:18:00]

    Leia e divulgue Panfleto do PSTU e da Construção Socialista (PDF)

    Leia também O movimento se enfrenta com a repressão

    O PT e a greve da PM na Bahia: entre o império da farsa e do terror

    Governo Wagner se nega a negociar com grevistas, chama trabalhador de bandidos, faz presos políticos e, junto com Dilma, entra para história por ser o primeiro governante do PT a usar o exército para reprimir uma greve


    No momento em que escrevemos este texto, a greve da PM na Bahia completa oito dias. No dia 31 de janeiro, a greve foi deflagrada em assembléia organizada pela ASPRA (Associação dos Policiais, Bombeiros e de seus Familiares do Estado). Os policiais reivindicam a reintegração dos exonerados depois da histórica greve de 2001, a incorporação de gratificações, o pagamento do adicional de periculosidade, reajuste linear de 17,28% retroativo a abril de 2007 e a revisão no valor do auxílio alimentação. Segundo os grevistas, bandeiras reivindicadas há quase 15 anos.

    Desde a paralisação, a média de assassinatos e roubos a carros na região de Salvador dobrou. Além disso, também ocorreram saques a lojas e alguns arrastões em bairros mais populosos da capital baiana. Quem não vive em Salvador e toma conhecimento das informações acima, talvez a imagine como uma cidade fantasma, com as pessoas trancadas em suas casas e as ruas desertas, tipo filme de faroeste americano quando chega um bandido perigoso na cidade. Não é bem assim.

    Ao menos durante o dia, a vida em Salvador seguiu algo próximo do “normal”. Ou seja, a população sai para trabalhar com a mesma insegurança, o mesmo medo e a mesma violência de sempre. Tragicamente, como a exposição da população à violência é tão grande e já faz parte da rotina, ela tenta cumprir seus compromissos mesmo sem policiamento em uma das capitais mais violentas do país. 

    O que a greve acrescentou à rotina de medo da população foi algo como um “toque de recolher” ao final da tarde. À noite, a violência aumenta, além dos bairros mais periféricos viverem momentos de “acerto de contas”.

    É importante começarmos analisando a greve da PM na Bahia a partir de como ela alterou a rotina da população, porque pode parecer que foi a greve que inventou a violência no estado. Embora os crimes tenham aumentado com a greve, não foi ela que inventou a violência, a sensação de insegurança e o medo da população. Esse mérito é dos últimos governos, desde os carlistas até o do PT.

    Cuidado, você está na Bahia
    Se a Bahia fosse um país, seria um dos mais violentos da América Latina, ficando atrás apenas da Colômbia e do México. Segundo o Mapa da Violência 2011, do Instituto Sangari e Ministério da Justiça, a Região Metropolitana de Salvador, que ocupava a décima e última posição em 1998 entre as Regiões Metropolitanas do país no que diz respeito às taxas de homicídio, em apenas 10 anos passou para a terceira posição. 

    Na média das Regiões Metropolitanas do Brasil, as taxas de homicídios caíram 24,5% entre 1998 e 2008, enquanto a região que ostenta o título de “Terra da Alegria” viu estas taxas aumentaram 308,3% no mesmo período. Estes dados, é bom frisar, são com a polícia trabalhando, ou seja, esta é a “normalidade”.

    É por isso que a população sabe que, quando a greve da PM chegar ao fim, independente do seu desfecho, não acabará o medo que acompanha todos os trabalhadores e jovens no seu dia a dia, principalmente aqueles que vivem nos bairros periféricos das cidades.

    O Jeito Carlista do PT governar
    É neste quadro de violência rotineira que se instalou a greve da PM na Bahia. Com o argumento de garantir a segurança pública, o governador Wagner, do PT, anunciou, de forma truculenta e irresponsável que não negociava com trabalhadores em greve. Na TV, a declaração do governo foi num tom de “prendo e arrebento”. Declarou que considerava a greve ilegal, que atentava contra o Estado democrático de direito e evocou a necessidade de se preservar a “ordem e o império da lei”.

    No discurso e na prática, Wagner repete o mesmo modus operandi do partido carlista, antigo PFL e atual DEM. A truculência e intransigência do carlismo com os movimentos sociais, antes duramente criticada pelo PT, é reproduzida ao pé da letra. 

    foto: Raíza Rocha

    O império da farsa e do terror
    O governador requisitou a intervenção da Força Nacional de Segurança e das Forças Armadas e recebeu o ministro da Justiça e outras autoridades do governo federal. No dia 03 de fevereiro, tropas do Exército começaram a chegar a Salvador. No dia seguinte, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, e o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello chegaram a Bahia para acompanhar as operações do exército. Com estas ações, a condução da situação não ficou mais sob responsabilidade apenas do governo do estado, mas do Ministério da Justiça e da presidente Dilma, chefe das Forças Armadas.

    A promessa do governador com a vinda da Força Nacional era de restaurar a “normalidade”, ou seja, ao invés dos 93 homicídios registrados em Salvador em 07 dias de greve, o governo prometia o retorno à cota semanal de cerca de 46 homicídios. 

    Com uma competência impressionante, em poucos dias um contingente de cerca de 3000 homens foram mobilizados, oriundos da Força Nacional de Segurança, Polícia Federal e, principalmente, do Exército. Foi a maior operação deste tipo e cerca de 2000 ficaram na capital, cuja tarefa, garantiram as autoridades, seria fazer a segurança da população. Nasce a primeira farsa.

    Na manhã do dia 06 de fevereiro, ficou claro o porquê de tamanho empenho do governo federal. Membros da Força Nacional de Segurança, grupos de elite da Polícia Federal e quase 1000 membros do exército, além de 250 PMs, foram deslocados para a região mais segura do estado: a Assembléia Legislativa. O objetivo era prender os líderes do movimento e desocupar o saguão da Assembleia Legislativa, ocupado pelos grevistas desde o dia 31/01.

    O grande operativo responde ao medo do palácio do Planalto de que o exemplo da greve na Bahia se espalhe para outros estados. A ordem do governo federal é esvaziar o movimento grevista a qualquer custo. A última vez que o exército foi chamado para reprimir uma greve no país foi em 1995, na greve de petroleiros, no mandado de FHC. Junto com ele, Dilma ingressa no mesmo panteão em que também estão presentes pessoas como Médici, Figueiredo e Sarney. A lista já fala por si e dispensa comentários.

    A Assembleia Legislativa foi cercada pelo exército. No entanto, familiares e grevistas conseguem se manter próximos ao local, ainda que isolados por um bloqueio que os impedia de manter contato direto com os que estavam dentro da Assembleia. 

    Foram cortadas a água e luz do prédio e não se permitia o envio de comida e produtos de higiene. O exército tentou colocar tapumes de zinco para isolar a área, impedindo a visualização de como seria feita a desocupação. Com a resistência dos grevistas de fora da Assembleia, se desistiu da ação.

    Para justificar a intransigência de não negociar com grevistas, o governo Wagner seguiu o roteiro da direita na história do país: em nome da democracia, instauraram o terror. Nasce, então, a segunda farsa. 

    Sob o argumento de que os grevistas quebraram a hierarquia, romperam o “império da lei e da ordem” e feriram o Estado democrático de direito, o governo procurou dar ao movimento um caráter criminoso.

    Os presos políticos do governo Wagner
    O primeiro passo para criminalizar o movimento grevista foi arrumar um pretexto: no início da greve, como ocorreram ações de pessoas mascaradas atirando para cima e em fachadas de prédios, criando pânico na população, imediatamente o governo atribuiu estas ações aos grevistas e as usou como desculpa para não negociar. Chegou até a acusar que alguns assassinatos teriam sido cometidos por grevistas; mas, ao não apresentar provas ou mesmo investigação sobre o assunto, voltou atrás e preferiu o esquecimento.

    A própria Associação que lidera a greve condenou corretamente as ações que visam criar pânico na população e afirmou que os responsáveis, se provados, deveriam ser punidos. Ainda assim, o Estado e os partidos da base aliada usaram este mote para condenar um movimento com adesão de mais de 10 mil policiais.

    Na sequência, se pediu a prisão de 12 grevistas. Na imprensa, o governo alegava que seriam os responsáveis pelas ações de terror à população. No entanto, oficialmente a acusação era outra: “formação de quadrilha e roubo”. Como são militares, a lei brasileira não permite que eles façam greve e é sobre este argumento que se baseiam os mandatos de prisão. A suposta formação de quadrilha é pelo próprio fato de estarem em greve e o roubo é porque teriam levado viaturas da polícia para as manifestações. Como a base da prisão é a participação na greve, as prisões, se confirmadas, caracterizam perseguição política. Duas já foram realizadas e são os primeiros presos políticos do governo Wagner.

    Os Partidos da Ordem
    O PT, no momento mais agudo da repressão ao movimento, lançou uma nota exigindo “firmeza” e atribuindo a “insegurança e instabilidade” no estado à ação dos grevistas. A nota lamentava a radicalização do movimento e prestava solidariedade ao governador.

    O PCdoB foi mais realista que o rei. Em uma nota reacionária, chamou os grevistas de “vândalos” e argumentou que “o caso mais grave é a ocupação da Assembléia Legislativa”, exigindo sua “desocupação imediata”. Usou o recurso de teorias da conspiração, afirmando que “policiais militares estão sendo manipulados por ações obscuras”. Defendeu o governador e proibiu que seus militantes se associassem ao movimento.

    O recado era para os dirigentes sindicais da CTB, central que dirige a maioria dos sindicatos de servidores estaduais da Bahia. O enquadramento funcionou, pois em nenhum momento houve uma ação efetiva dos sindicatos de servidores estaduais em apoio à greve.

    Pelo fim da repressão aos grevistas!
    Dilma e Wagner vão entrar para a história do Brasil como os primeiros governantes do PT que colocou o exército para reprimir grevistas. 

    Todas as dificuldades de negociação foram impostas pelo governo. Como negociar com fuzis apontados para os grevistas e perseguição às lideranças do movimento? Enquanto fechávamos essa edição, o governo se mantinha intransigente em dialogar com o movimento. Wagner exige a cabeça dos líderes com o pedido de prisão de mais 10 grevistas.

    A situação, portanto, permanece tensa. Um banho de sangue pode acontecer caso Dilma não retire as tropas federais que cercam a Assembleia Legislativa. Ao mesmo tempo, é preciso que Wagner garanta que nenhuma punição será efetivada contra aqueles que lutam. 

    Desde o primeiro dia de paralisação, o PSTU declarou seu apoio à greve e trouxe o debate da desmilitarização da polícia e do direito à sindicalização dos policiais militares. Para o PSTU, a luta da Polícia Militar Baiana, assim como a luta dos Bombeiros no Rio de Janeiro no ano passado, deve servir de exemplo para todo o país.

    Acompanhe o Blog do PSTU-Bahia

    Justiça arquiva inquérito policial contra os 13 manifestantes do consulado americano, durante visita de Obama


    O inquérito policial contra os manifestantes presos após o ato em frente ao Consulado dos Estados Unidos foi arquivado definitivamente pelo Juiz da 14ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Dr. Marcello de Sá Baptista, no processo nº 0080716-26.2011.8.19.0001.

    O inquérito havia sido instaurado na madrugada de 18 de março de 2011, na 5ª Delegacia Policial do Rio de Janeiro. Na ocasião, os manifestantes foram acusados também de tentativa de incêndio, o que retirou o direito à fiança e permitiu que fossem levados para presídios, onde a maior parte permaneceu por 72 horas, até que o presidente dos EUA, Barack Obama, e sua comitiva deixassem o país.

    O arquivamento foi deferido após a Promotora da 14ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Dra. Maria Helena Biscaia, entender não haver elementos para apresentação da denúncia e pedir o arquivamento, o que foi ressaltado pelo juiz em seu despacho: “Entendeu o Ministério Público não haver indícios suficientes de autoria do delito, bem como, não representou pela decretação de prisão temporária ou preventiva. Não estão presentes os elementos que possibilitam a prisão preventiva dos acusados. Não existem elementos que amparem a manutenção da prisão em flagrante.”

    Tal parecer mereceu a aprovação do Procurador geral de Justiça, Dr. Cláudio Lopes. Diante disso, sendo o Ministério Público o titular da ação penal pública e ter opinado pelo arquivamento, o juiz arquivou o Inquérito definitivamente. Os 13 envolvidos, que estavam em liberdade provisória em base a um Habeas Corpus, agora estão livres definitivamente.

    ABERRAÇÃO
    A prisão dos manifestantes foi alvo de críticas de juristas e personalidades, que apontaram o viés político para as prisões e compararam com o período da ditadura militar. Em um dos diversos atos públicos da campanha pelo arquivamento do processo, o advogado Modesto da Silveira, conhecido pela defesa de presos políticos, criticou: “Houve um abuso de autoridade como eu estou habituado a ver nesses cinquenta anos de perseguição política.”

    O advogado criminalista Jorge Bulcão, que acompanhou o caso, considerou o episódio uma aberração jurídica. “O fundamento utilizado para mantê-los presos esse tempo foi que eles macularam a imagem do país no exterior”, disse. “Disseram até que representariam perigo a Obama enquanto ele estivesse no Brasil” conta Bulcão.

    Para Cyro Garcia, do PSTU-RJ, “o arquivamento desmascara a farsa policial e judicial montada pelo governo. O que se viu foi uma armação, que levou até mesmo uma senhora de 69 anos ao presídio”, afirma. “Serve de alerta. Cada vez mais as questões sociais e as manifestações estão sendo tratadas como caso de polícia, como no Pinheirinho, em São Paulo”, afirma.

    O comitê em defesa dos presos agradece a todos os que enviaram mensagens de protesto e de solidariedade aos presos, e participaram desta campanha vitoriosa em defesa dos direitos democráticos dos trabalhadores.

    Rio de Janeiro, 6 de fevereiro de 2012.

    COMITÊ DE DEFESA DOS PRESOS POLÍTICOS DO CONSULADO AMERICANO

    Marcha de policiais e bombeiros reúne 15 mil no Rio de Janeiro

    Por Thiago Hastenreiter, do Rio de Janeiro

    • No último domingo (29), aproximadamente 15 mil pessoas estiveram presentes na 1ª Marcha da Segurança Pública em Copacabana, que contou com a união dos trabalhadores das Polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros, para denunciar o salário de miséria e as péssimas condições de trabalho das corporações. Nem a chuva foi capaz de impedir a mobilização, que recebeu amplo apoio da população. Bandeiras, lenços e toalhas vermelhas foram estendidos pelos moradores do bairro em suas janelas em solidariedade aos profissionais da segurança.

    O governador Sérgio Cabral (PMDB) foi o principal alvo dos manifestantes, e não era para menos. Em 2011 esse senhor prendeu 439 bombeiros, os chamou de vândalos e covardes, e concedeu um reajuste de apenas 5% e outras migalhas. Em um estado onde as obras de reforma do Maracanã já ultrapassaram o valor de R$ 1 bilhão e possui o segundo maior PIB do país, é inadmissível que o salário inicial dos policiais militares seja R$ 780, dos civis R$ 1.492 e dos bombeiros R$ 1.198,24 (incluindo soldos e gratificações).

    Fernando Bandeira, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (SINPOL) fez a seguinte declaração: “Queremos ter o salário vinculado com o delegado de polícia. Hoje nós policiais não ganhamos nem 20% do vencimento deles. É importante essa união, vamos aguardar até o dia 10, caso não aconteça uma reunião com o Governo estaremos todos juntos, unidos para uma Greve Geral.”

    Cyro Garcia, presidente do PSTU-Rio, arrancou eufóricos aplausos ao denunciar a hierarquia conservadora e reacionária das Forças Armadas, e chamar a greve como única forma de derrotar o governador e conquistar as reivindicações. A Central Sindical e Popular Conlutas também esteve presente e lembrou o massacre à comunidade do Pinheirinho em São José dos Campos (SP).

    Dia 8 de fevereiro haverá uma última rodada de negociações dos três segmentos com o Governo do Estado, e dia 9 uma nova assembleia unificada, às 18h, na Cinelândia, Centro do Rio. A disposição das corporações é seguir na luta e cruzar os braços. “A nossa arma é a greve”, disse um policial que não quis se identificar.

    Ato-show em solidariedade ao Pinheirinho toma conta do Largo da Carioca

    Fotos: Luiz Fernando Nabuco Araújo
    Na última sexta-feira, 3 de fevereiro, o Rio de Janeiro deu mais um abraço de solidariedade ao Pinheirinho. Cerca de 500 pessoas estiveram presentes no ato-show organizado pelos movimentos sociais no Largo da Carioca, no Centro da cidade.


    Houve um minuto de silêncio em protesto ao massacre promovido pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB/SP) e em seguida uma forte salva de palmas em homenagem aos lutadores de Pinheirinho. A população manifestou grande simpatia e sensibilidade pela causa e se aglomerou para escutar as entidades representativas e os artistas presentes. 



    O desabamento criminoso dos prédios no centro da cidade do Rio também foi lembrado. Afinal, ali se realizavam obras estruturais sem nenhuma fiscalização por parte do governador do estado ou do prefeito, o que demonstra o descaso desses senhores com a vida dos trabalhadores soterrados pelos escombros e feridos.



    Uma boa quantidade de mantimentos foi doada às vítimas de Alckmin. Roupas, alimentos e remédios se acumulavam perto do carro de som e eram organizados pela CSP Conlutas. Assinaram o panfleto da manifestação: MTST, ANDES-SN, SINDIPETRO-RJ, SEPE-RJ, Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu e Região, Assembleia Nacional dos Estudantes Livre – ANEL, DCE Mário Prata (UFRJ), DCE UERJ, ADUFRJ, ADUFF, ASDUERJ, Movimento Mulheres em Luta, Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe, PSTU, PSOL, PCB, Coletivo Marxista e Brigadas Populares. 



    Não foram poucos os artistas que se solidarizaram e cantaram no ato-show. Barbeirinho do Jacarezinho (compositor de vários sucessos de Zeca Pagodinho), Amarildo Silva, Mc Jhonny, Mc Negrarê, Paulo Mistura, banda Corisco, duas bandas de forró, cantores de MPB, entre outros, animaram o final de tarde de sexta-feira.



    O jornal Opinião Socialista, inteiramente dedicado ao massacre do Pinheirinho, foi vendido amplamente, oferecendo uma excelente leitura diante das mentiras e da operação abafa da imprensa dos ricos e poderosos.


    Visite o blog SOLIDARIEDADE À OCUPAÇÃO PINHEIRINHO aqui



    NESTA 6ª FEIRA (03/02) - ATO DE SOLIDARIEDADE AO PINHEIRINHO NO LARGO DA CARIOCA ÀS 17 HORAS

    ATO DE SOLIDARIEDADE 
    AOS MORADORES DO PINHEIRINHO. 
    6ª FEIRA – 3 DE FEVEREIRO – 17 HORAS - LARGO DA CARIOCA.
    TRAGA ALIMENTOS NÃO PERECÍVEIS.

    Vigília em São Paulo em defesa do Pinheirinho - 29/1/2012

    PSDB E ALCKMIN: MÃOS SUJAS DE SANGUE

    Nove mil pessoas. Mulheres, homens. Crianças, muitas de colo. Gente idosa, gente jovem, pessoas como você. Gente trabalhadora, com sonhos e esperanças. Todos expulsos de suas casas pelo governador Geraldo Alckmin do PSDB. 

    Na madrugada de domingo, 22 de janeiro, a Policia Militar de São Paulo, a mando da suposta justiça daquele estado, montou uma tocaia com 2.000 policiais armados. Cães, cavalos, helicópteros, a Guarda Municipal, armada, tudo foi usado contra a população pobre e trabalhadora do Pinheirinho. Comunidade situada em São José Campos, a 90 km da capital de São Paulo. 

    A Constituição brasileira fala do papel social da propriedade. O usucapião em área urbana é de 5 anos. A área do Pinheirinho estava ocupada desde 2004. Ano em que Alckmin era o governador. Mas pela lei dos ricos e poderosos tal área seria de propriedade da massa falida da empresa Selecta. Tal empresa foi de propriedade do mega especulador Naji Nahas. 

    Este homem, ou as empresas que levou à falência, deve à prefeitura de São José dos Campos, deve à previdência, já foi acusado de quase quebrar a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.  

    Entre o povo pobre e trabalhador do Pinheirinho e o Naji Nahas, eles escolheram o especulador rico e poderoso.  

    Destruíram as casas das pessoas com móveis, geladeiras, tudo dentro.  

    Alckmin, o PSDB, a justiça e a Policia Militar de São Paulo mostraram: são contra o povo pobre e trabalhador. 


    ONDE ESTÃO OS FERIDOS? EXISTEM MORTOS? 

    As fotos divulgadas pela Internet não deixam dúvidas. Tiros, bombas, sabres, porretes, foram usados contra a população pobre e trabalhadora. Estranhamente nos hospitais da região não aparecem feridos graves. 

    São vários os relatos de moradores falando de gente ferida à bala. Nos hospitais da região não se encontram registros de falecimentos. 

    Este fi lme já vimos antes. Para esconder seus crimes colocam os mortos como desaparecidos. 

    Exigimos saber: há mortos? Onde estão os feridos? A Prefeitura e o governo do Estado montaram uma operação abafa para enganar a população. 


    ALCKMIN, CABRAL, E EDUARDO PAES: 
    GOVERNOS DOS RICOS E PODEROSOS 

    As comunidades do Rio de Janeiro estão ocupadas militarmente. Com a Copa e as Olimpíadas, famílias estão sendo expulsas de suas casas. 

    O mais novo exemplo, do descaso com a vida dos trabalhadores, é a tragédia dos prédios que desabaram no Centro. Obras estruturais eram realizadas sem fi scalização da Prefeitura ou do Estado. 

    Agora – revelando desprezo pelo compromisso profi ssional dos bombeiros e outros trabalhadores – os governantes querem a remoção rápida de todo o entulho, sem se preocupar em resgatar todos os corpos. 


    O GOVERNO FEDERAL NÃO PODE SE OMITIR 

    Nos últimos oito anos o governo anterior, e o atual, não usaram seu poder para solucionar, realmente, o problema do Pinheirinho. 

    O Pinheirinho não é um caso isolado: faz parte de um cenário cada vez mais preocupante e que exige respostas concretas.     

    O Pinheirinho precisa de mais ação.  

    A Presidenta Dilma tem poderes que lhe permitem desapropriar toda a área e garantir casas para todas as famílias. Exigimos do Governo Federal que faça isso. 

    • Todo apoio à comunidade do Pinheirinho!
    • O governo federal tem que desapropriar a área e construir moradias dignas para todos os desalojados.
    • Que as casas sejam construídas no terreno do Pinheirinho, e que o processo seja controlado pelos moradores.
    • Punição para os responsáveis pela brutal violência.
    • Investigação e divulgação imediata da lista de feridos e desaparecidos no confronto.
    • Quem luta não está sozinho. Somos tod@s Pinheirinho!


    TOD@S AO ATO DE SOLIDARIEDADE AOS MORADORES DO PINHEIRINHO
    TEREMOS MÚSICA, DANÇA, POESIA E MUITA SOLIDARIEDADE

    6ª FEIRA – 03 DE FEVEREIRO 
    LARGO DA CARIOCA,  17 HORAS
    TRAGA ALIMENTO NÃO PERECÍVEL, ROUPA, MATERIAL DE HIGIENE E LIMPEZA, REMÉDIO, BRINQUEDO e LIVRO

    Traga dinheiro ou deposite na conta:Banco do Brasil
    Agência: 4223-4
    Conta Corrente: 8908-7
    Central Sindical e Popular Conlutas
    CNPJ: 07.887.926/0001-90
    Após o depósito, favor enviar e-mail para secretaria@cspconlutas.org.br 
    com o comprovante e menção da organização ou pessoa doadora.

    Os ricos e poderosos estão com Alckmin, Naji Nahas a PM e a suposta justiça de São Paulo.
    Os trabalhadores e o povo estamos do outro lado:

    Quem luta não está sozinho. Somos Tod@s Pinheirinho!

    CSP-CONLUTAS Central Sindical e Popular / ANEL – Assembléia Nacional dos Estudantes Livre / DCE Mário Prata (UFRJ) / DCE UERJ / Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu e Região / SINDIPETRO-RJ / ANDES-SN / ADUFRJ / ADUFF / ASDUERJ / SEPE-RJ / Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe / Movimento Mulheres em Luta / MTST / Brigadas Populares / Coletivo Marxista / PSOL / PSTU / PCB.