Militantes do PSTU vão até Nova Friburgo em busca de companheiros

 

 Militantes encontram situação caótica e uma cidade destruída

Rafael Nunes, Heitor Fernandes, Maria José e Suzana Gutierrez


     Qualquer filme desses comerciais que contam histórias de apocalipse e final dos tempos tem cenas que traduzem perfeitamente o que vive hoje Nova Friburgo e a Região Serrana. De uma bela cidade muito freqüentada por turistas, cercada por montanhas e paisagens verdes, o que sobrou foi uma terra arrasada.
     Chegamos a Nova Friburgo na sexta-feira, dia 14, em busca de militantes do partido e ativistas dos movimentos sociais, com os quais não conseguimos mais contato desde a chuva de terça-feira, que isolou a cidade e cortou as comunicações. Felizmente, conseguimos encontrar alguns de nossos companheiros que nos relataram que, apesar de toda essa tragédia, todos estão bem fisicamente. Alguns permaneciam praticamente isolados, em locais onde só era possível chegar caminhando muitos quilômetros. Mas estavam vivos. Os problemas estruturais são diversos e a maior gravidade, depois das vidas perdidas, são as casas que estão destruídas ou ameaçadas. Estamos acompanhando e sendo parte de uma organização de solidariedade com os atingidos.
     Chegar na cidade, normalmente a cerca de três horas do Rio de Janeiro, é bastante difícil devido a diversas encostas que desabaram com arvores e pedras, casas que estão no alto desses morros ameaçam desabar, parte da estrada em alguns lugares cedeu e para aumentar ainda mais as dificuldades a chuva não para de cair há dias. Na cidade, caminhando pelas ruas do Centro, completamente coberta de grandes espessuras de lama por todo o lado, onde prédios residenciais inteiros vieram abaixo, vemos uma população ainda atônita e desnorteada depois de alguns dias dos principais deslizamentos e desabamentos. O assunto entre os grupos de bate papo, das pessoas que saem de suas casas, são sobre o estado de familiares e conhecidos. Muitos ainda desaparecidos, em locais isolados ou desabrigados. A população denuncia que as imagens veiculadas na grande mídia são poucas, repetidas e que não mostram toda a situação.
     Pensar a cidade de Friburgo é imaginar um grande Centro com diversos distritos e conjuntos de casas afastados, em geral na beirada de grandes ribanceiras e montanhas onde brotam rios e cachoeiras. Nesses locais os bombeiros não conseguem chegar ou têm enormes dificuldades e as informações são completamente desencontradas. Por conta dessa triste realidade boa parte dos moradores, sem exageros, acreditam que os números de mortos vão subir muito. Na cidade se fala que o número total deve passar de mil mortos, pois alguns vilarejos desapareceram e centenas de pessoas permanecem enterradas, o que agrava ainda o problema do surgimento de doenças. A todo momento se fala também nas ruas em novas tragédias como novos desabamentos, famílias encontradas mortas, um abrigo que desabou matando dezenas de crianças, carros com pessoas dentro submersos na lama e acaba que as informações muitas das vezes não são confirmadas deixando a população ainda mais emocionada e traumatizada.
     A Praça do Suspiro, famoso ponto turístico onde se pega o teleférico que leva para o alto de um morro, de uma bela praça se transformou em um mar de lama. A igrejinha permanece apenas com a fachada, sem as paredes laterais e com seu interior cheio de pedras, terras e, ainda, segundo os próprios moradores, com um carro que teria despencado do alto do morro e parado lá dentro com pessoas mortas. É impossível se aproximar muito para fazer qualquer registro devido a destruição ao redor. Os cabos e assentos dos teleféricos estão todos no chão assim como os postes e orelhões e ha carros, como em toda a cidade, destruídos e enterrados na lama. Parte da montanha veio abaixo e da praça é possível ver construções que a qualquer momento podem desabar.
     Além do sofrimento de toda a cidade, com as centenas de pessoas que perderam suas vidas e milhares que estão desabrigadas, há ainda os graves problemas de todas as ruas, casas e prédios estarem cheios de lamas e ainda tem a falta de luz, telefone, água e serviços urbanos. O cemitério perto do centro da cidade permanece cheio de gente a todo o momento, os supermercados e farmácias ou estão fechados ou abrem em “meia porta” fazendo com que a população tenha sérios problemas de abastecimentos, os postos de gasolina que ainda funcionam tem enormes filas de carros e só recebem em dinheiro e ainda existe o problema da sujeira para todo o lado. Além de tudo que foi trazido pelas enchentes, todo alimento e produtos de supermercados e lojas que apodreceram ou foram destruídos pela chuva estão sendo jogados nas calçadas fazendo com que montanhas de alimentos em decomposição causem um cheiro insuportável e ameaças de doenças.
     As ruas da cidade parecem que estão em estado de guerra. Onde os carros ainda podem passar ocorrem engavetamentos e engarrafamentos todo o instante. Todo momento carros de diversas polícias, das forças armadas, bombeiros e tratores se cruzam em alta velocidade com sirenes ligadas. É possível ver fileiras de ambulância partindo para socorrer feridos e resgatar mais mortos e muitos policiais, que contam com a presença do Batalhão de Operações Especiais da PM, o BOPE, fazem a segurança dos principais estabelecimentos comerciais, como supermercados fechados, devido às ameaças de saques.
Essa cidade pequena que encantou milhares de pessoas com suas belezas naturais e históricas vai demorar muito tempo para retomar sua velha rotina e algumas cicatrizes profundas infelizmente vão permanecer...

Enchentes no Rio: De quem é a culpa pela tragédia?

Assista programa da TV PSTU onde Cyro Garcia, presidente estadual do PSTU-RJ, fala sobre as trágicas enchentes que assolaram a Região Serrana do estado deixando já quase 600 mortos, milhares de desabrigados e inúmeras pessoas desaparecidas.

Leia também artigo de Zé Maria, presidente nacional do PSTU, que analisa as tragédias provocadas pelas enchentes em todo o país.



Enchentes no Rio: uma história antiga, mas não inevitável


Dirley Santos, do Rio de Janeiro (RJ)

O longo histórico de tragédias não pode servir como desculpa dos governantes. Ao contrário, apenas prova que a elite carioca foi avisada pela natureza. E não se importou.

“Predominam no estado do Rio de Janeiro os climas tropical (baixadas) e tropical de altitude (planalto). Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, domina o clima tropical semi-úmido, com chuvas abundantes no verão, que é muito quente e invernos secos, com temperaturas amenas. (...) e o índice pluviométrico fica entre 1.000 a 1.500 milímetros anuais.”
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro#Clima


O Estado do Rio de Janeiro, e principalmente sua região metropolitana, é periodicamente assolado por grandes enchentes provocadas pelas tradicionais tempestades de verão. O que geralmente provoca grandes transtornos à sua população e mata várias pessoas, especialmente trabalhadores mais pobres, obrigados a viver em regiões e moradias precárias.

As enchentes na metrópole fluminense geralmente impactam as comunidades pobres nas várzeas e aterros próximos à Baía de Guanabara; nas favelas em morros (freqüentemente próximas ao centro e à Zona Sul carioca) e na Baixada Fluminense, que não possui um sistema de drenagem propício para uma área originalmente pantanosa.

E ao contrário do que querem fazer crer as autoridades, nada disso é fruto dos desvarios da natureza ou destino divino. A tese de que as enchentes são inevitáveis não resiste a um rápido levantamento histórico.

A cronologia das enchentes no Rio de Janeiro tem seu primeiro registro no século dezoito. Em setembro de 1711 grandes inundações assolaram a cidade fundada 50 anos antes pelos portugueses em um sítio entre a Baía de Guanabara e um verdadeiro mar de morros. E, em abril de 1756, um grande temporal provocou inundações em toda a cidade – canoas foram vistas navegando pelo centro - e desabamentos de casas fizeram inúmeras vítimas fatais.

Já no século XIX, em 1811, novas inundações castigaram o Rio de Janeiro entre os dias 10 e 17 de fevereiro. Catástrofe que ficou conhecida como “águas do monte”, por conta da enxurrada violenta que descia dos diversos morros da cidade. O Morro do Castelo (importante sítio urbano no centro) desmoronou, arrastando muitas casas, com muitas vítimas. A tragédia foi tão grande que as igrejas, sob ordens de D. João VI, príncipe regente, acolheram os desabrigados. Pela primeira vez foram feitos estudos sobre as causas da catástrofe.

Grandes inundações também ocorreram em março de 1906, no século XX, tendo sido registradas como das maiores até então. O Canal do Mangue (próximo de onde é hoje a Praça da Bandeira) transbordou provocando alagamentos em quase toda a cidade. Em alguns morros, entre eles o de Santa Teresa, aconteceram desmoronamentos com mortes.

Em abril de 1924 fortes chuvas encheram novamente o Canal do Mangue e inundaram a Praça da Bandeira e vários bairros. Houve desabamento de barracos no Morro de São Carlos (berço da Escola de Samba Estácio de Sá). Fatos parecidos viriam a ocorrer também em 1940, 1942 e 1962.

Mas o temporal do dia 2 de janeiro de 1966 entraria tragicamente para a história. Fortes chuvas que duraram uma semana ocasionaram enchentes, deslizamentos no estado do Rio de Janeiro e no antigo Estado da Guanabara (denominação da cidade do Rio de Janeiro enquanto foi capital do Brasil) provocando o caos no transporte, “apagão” elétrico e o colapso do sistema de emergência. O que com certeza contribuiu para a morte de 250 pessoas e para deixar mais de 50 mil desabrigados.

Mesmo com esse aviso catastrófico os anos de 1967 (quando mais de 500 pessoas morreram em diferentes temporais e 25 mil ficaram feridos) 1982 (06 mortos), 1983 (18 mortos), 1987 (292 mortos e 20 mil desabrigados, o que provocou primeiro a decretação do Estado de Emergência e depois do Estado de Calamidade Pública), 1988 (mais de 600 mortos e quase 20 mil desabrigados, principalmente na capital, na Baixada Fluminense e na região Serrana), 1991 (25 mortos), 1999 (41 mortos). E de lá pra cá, em pleno século XXI, as coisas não mudaram, aliás, pelas tragédias que estamos acompanhando agora, pioraram.

Como vimos, chuvas fortes de verão são regras e não exceção no Rio de Janeiro, pois praticamente todo o período que pega de setembro/outubro do ano anterior até março/abril do outro ano (início da primavera e final do verão) vem há séculos sendo marcado por fatos e tragédias similares que chocam a opinião pública, ganham apenas declarações demagógicas dos governantes e vitimam os trabalhadores.  

 

Chuvas no Rio: Omissão dos governos faz novas vítimas

Governantes fazem muita pompa e pouca ação


 Miguel Malheiros, do Rio de Janeiro (RJ)

 As chuvas de abril de 2010 fizeram encostas deslizar, matando centenas de pessoas, e fizeram todo o Brasil saber da existência de um lugar chamado Morro do Bumba.
As águas deste janeiro de 2011 marcam uma nova tragédia para o povo fluminense. Os mortos já ultrapassam a 500. Em Teresópolis contam-se 185 vítimas fatais, mas já foram cavadas 300 covas. Ou seja, podemos estar diante de uma tragédia sem precedentes, mas absolutamente previsível.

Todos os anos as chuvas de verão castigam o estado do Rio. A ocupação urbana, a canalização, ou mesmo aterramento, de rios lagos e lagoas colocam sempre a possibilidade de inundações, deslizamentos de terras, quedas de barreira e encostas. Até as pedras da Serra dos Órgãos sabem disso. Aparentemente todos os governantes do estado, prefeitos, ex-prefeitos, governadores e ex governadores, presidentes atuais e
passados faltaram as aulas de geografia elementar.

Na história mais recente (após a ditadura), o estado do Rio foi governado pelo PDT , PT, PSDB, PMDB, estes também são os partidos que se revezam nas diferentes prefeituras do estado e no governo federal.

Sim, existem responsáveis por essa tragédia há tempos anunciada: os distintos governantes que se recusam a investir em obras que preservem a vida da população trabalhadora.

As centenas de mortos não são um acaso da natureza ou um desígnio de um deus vingativo. Elas são fruto do descaso e menosprezo pela vida de milhares de pessoas. Os mortos somam-se as centenas, os desabrigados aos milhares.

É possível evitar tragédias deste tipo?
O marxismo nos ensina: a história humana sobre o planeta é também a história da luta para compreende a natureza e tentar controlar seus fenômenos. O desenvolvimento das forças produtivas, em última instância, pode ser traduzido como a luta por sobreviver, na luta contra os elementos naturais, a luta por bem estar.

Não é possível impedir que as chuvas desabem do céu. Tampouco se quer isso. No entanto é possível impedir que milhares de pessoas percam as conquistas de uma vida inteira de trabalho. É possível e necessário impedir o choro de centenas de famílias por seus mortos em uma tragédia que poderia ter sido evitada.

Não são poucos os lugares do mundo onde catástrofes naturais como tufões, terremotos e erupções vulcânicas surpreendem pela impetuosidade da natureza por um lado, e por outro pela ausência de vítimas fatais.

A ausência de mortos não está vinculada a boa ou má sorte, nem a desígnios divinos. Senão pelo investimento em infra-estrutura, prevenção, planos de resgate e evacuação, máquinas e equipamentos apropriados. Basicamente no planejamento urbano, de forma a que a fúria da natureza não signifique perdas humanas e perdas materiais de
tal monta que não possam ser repostas em uma geração.

O que cobrar no imediato dos governos?
Liberar o FGTS dos atingidos, como faz o governo federal, é apenas tentar jogar sobre as vítimas a responsabilidade pelo ocorrido. É o mesmo que dizer: vocês estão sozinhos nessa!

O mínimo é que as comunidades de trabalhadores que foram atingidas, ou seja, aqueles que ganham o pão com o suor do próprio rosto, tenham seus bens materiais repostos pelos governos responsáveis – por sua omissão através dos anos.

O governo federal, Sergio Cabral e os prefeitos têm de vir a público comprometer-se com a construção de casas. Mas não só. Os investimentos nas medidas necessárias para que tragédias desde porte não se repitam é uma exigência que a lembrança dos mortos não deve nos permitir deixar passar.

NÃO PERCA: Programa do PSTU vai ao ar dia 20 de janeiro

Da Redação
No próximo dia 20 de janeiro, quinta-feira, mais uma vez, o PSTU vai mostrar em rede nacional de rádio e televisão o que o governo e a imprensa não querem que você veja. É o programa semestral do partido, com cinco minutos de duração.

Nesse raro momento de furo ao bloqueio da grande mídia, vamos denunciar os cortes no Orçamento realizado pelo governo Dilma, assim como a preparação de novas reformas contra os trabalhadores, como a reforma da Previdência. Contrariando o discurso otimista da imprensa e do governo, vamos mostrar como isso se relaciona com a crise econômica que explode na Europa e, como está ocorrendo lá, vamos apontar a saída para essa crise na organização e mobilização dos trabalhadores.

O programa partidário do PSTU vai ao ar na rádio às 20h e na TV a partir das 20h30. Fique ligado e avise seus contatos, amigos e parentes. Divulgue em sua lista de emails, Orkut, Facebook, Twitter, etc, vamos divulgar ao máximo essa rara oportunidade de os trabalhadores e a população assistirem a uma mensagem socialista em pleno horário nobre da TV.
Fique ligado e avise os seus amigos!

O que nos espera o governo Dilma?

Formação do novo governo e declarações de ministros apontam o pior: ajuste fiscal seguido de reformas contras os trabalhadores

Dilma continuará política econômica de Lula

Imagine a seguinte cena: um candidato qualquer à presidência da República em seu programa eleitoral na TV. Começa o discurso lamentando as condições externas não serem tão favoráveis quanto foram nos anos anteriores. Adverte para o perigo da inflação, que já ultrapassa as metas do governo e do rombo nas contas da Previdência. Promete então um rígido corte nos gastos públicos, um reajuste irrisório para o salário mínimo e, de quebra, uma redução no valor pago pelos empresários ao INSS dos empregados. Por fim recomenda “mão pesada” nas contas do governo.

Claro que nenhum candidato diria uma coisa dessas. Mas foi justamente o que o governo vem anunciando nos últimos dias, há apenas poucas semanas após as eleições, quando sua candidata Dilma Roussef prometia o céu na Terra. Fechadas as urnas e contabilizados os votos, o governo pôde tirar a máscara e expor claramente sua política econômica para o próximo período. E ela será exatamente o que anunciou à imprensa o ministro da Fazenda Guido Mantega, que deve permanecer no cargo no próximo mandato, “mão pesada” nos gastos públicos, leia-se, no Orçamento incluindo áreas como Saúde, Educação e Previdência pública.

Durante o auge da crise econômica mundial, no final de 2008, e seus reflexos quase imediatos no Brasil, o governo Lula pôs em prática uma política de subsídios, financiamentos públicos às empresas e isenções fiscais. Poderia ter decretado a proibição das demissões, estatizando as que insistissem em despedir, e reduzido a jornada de trabalho como forma de abrir novos postos. Mas, ao invés de ter uma política voltada aos trabalhadores, preferiu garantir os lucros dos banqueiros e empresários, à custa do dinheiro público. Agora, com a fatura sendo expedida, a depender do futuro governo serão novamente os trabalhadores que pagarão a conta de uma crise que se avizinha.


Crise na Europa
Se tem algo que o governo está certo, é quando diz que a conjuntura internacional não será tão favorável nos próximos anos. Se o governo Lula pôde surfar a onda do crescimento econômico mundial, que aumentou a demanda por commodities (matérias-primas básicas) e possibilitou acumular superávits (ou “lucros” com o mercado externo), agora a situação é outra. Nos EUA, que foi o trem que puxou o resto da economia mundial, a crise está longe de terminar e faz uma legião de 15 milhões de desempregados em todo o país.

Mas é na Europa que a crise se mostra cada vez mais dramática. A série de estímulos fiscais e ajuda aos banqueiros e empresários cobram agora seu preço revelando os enormes rombos nos orçamentos públicos. A bola da vez deste final de ano é a Irlanda, que gastou o equivalente a 32% de seu PIB para salvar os bancos. A Grécia, por sua vez, reaparece com um rombo insanável. Em praticamente todos os países, os governos impõem brutais cortes fiscais, atingindo a Educação e praticamente todas as áreas sociais. Na Inglaterra, os resquícios do Estado de Bem-Estar Social estão sendo desmantelados, terminando o trabalho iniciada por Tatcher há 30 anos.

Mas o que isso tem a ver com o Brasil? No âmbito de um mercado globalizado e, pior, com uma economia dominada pelas multinacionais e o capital internacional, como a nossa, é inevitável que essa crise aporte por aqui. Só para se ter uma ideia, a Europa compra 21% das commodities que o Brasil exporta. Cerca de 10% da capital bancário no país é espanhol, e os bancos da Espanha estão ligados aos países quebrados. E tudo isso representa: além da redução nas exportações, mais repasses de lucros das filiais bancárias para a matriz, como ocorre no Santander.

Concluindo o panorama sombrio para o próximo ano, o próprio governo prevê um rombo de 50 bilhões de dólares com o mercado externo em 2011. Ou seja, o país vai ficar 50 bi mais pobre no próximo ano.

O time do ajuste fiscal
Além da conjuntura externa, a formação da equipe econômica do governo Dilma já adianta o que virá a seguir. O segundo posto mais importante da República, a Casa Civil, só abaixo do presidente, estará a cargo de Antônio Palocci Filho. O petista é considerado o homem dos banqueiros do partido. Para quem não se lembra, foi Palocci quem, logo no início do governo Lula em 2003, mais bancou a política de ajuste fiscal e juros altos.

Pouco antes de ser cassado por corrupção e quando ainda era ministro, Palocci tentava emplacar a ideia do chamado “déficit nominal zero”. Um duro ajuste fiscal para reduzir os gastos públicos, a fim de que, mesmo com o pagamento de R$ 185 bilhões de juros da dívida por ano, o governo não tenha déficit, ou seja, prejuízo. Hoje, o governo só tem superávit se não é considerada essa conta dos juros, caso contrário o déficit chega a 2% ou 3%.

Para completar o time do ajuste fiscal estão Miriam Belchior no Ministério do Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central, dois nomes desconhecidos pela população, mas que já estão no governo hoje. Ou seja, comprometidos com a manutenção da atual política econômica.

Preparar a resistência
Para o início do governo Dilma, o ministro Guido Mantega já anunciou um corte de R$ 20 bilhões logo de cara. Já se fala, porém, em cortes da ordem de R$ 45 bilhões dos gastos públicos correntes, ou seja, em gastos com salários e manutenção de serviços públicos.

Além disso, em meio à campanha eleitoral, o jornal carioca O Globo divulgou que a atual equipe econômica já estaria formulando uma nova reforma da Previdência para o próximo mandato. À época, Dilma negou a informação, mas nos últimos dias o atual ministro do Planejamento e futuro dono das Comunicações, Paulo Bernardo, vem insistindo na necessidade da reforma. “Fatalmente vamos ter de discutir regras novas. Um bom ponto de partida seria tentar uma reforma que signifique uma mudança importante para quem vai entrar no mercado”, afirmou à revista Brasil Atual, ligada à CUT.

A reforma da Previdência do setor público em 2003 levada a cabo por Lula logo no início de mandato pegou muitos de surpresa. Para a grande maioria da população, o novo governo gerava tremendas expectativas. Grande parte da esquerda, por sua vez, não acreditava que o governo Lula começaria com um ataque tão grande. Desta vez, porém, não faltam avisos.

Cabe aos trabalhadores e suas organizações prepararem desde já a resistência a esses ataques, a exemplo da reunião que ocorreu em 25 de novembro em Brasília com a presença da CSP-Conlutas e dezenas de entidades sindicais e de movimentos populares, que aprovou a formação de um espaço para a organização de jornadas de lutas já para o primeiro semestre de 2011. Uma nova reunião acontece em 27 de janeiro, também em Brasília.

TV PSTU entrevista Cecília Coimbra, coordenadora do Grupo Tortura Nunca Mais

TV PSTU entrevista Cecília Coimbra, coordenadora do Grupo Tortura Nunca Mais DA REDAÇÃO

A TV PSTU entrevistou Cecília Coimbra, coordenadora do Grupo Tortura Nunca Mais, que trouxe informações importantes, dados extremamente relevantes sobre a política de terror do Estado.
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